{"id":150,"date":"2015-04-25T12:32:00","date_gmt":"2015-04-25T15:32:00","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/visto_lido_e_ouvido-110\/"},"modified":"2016-05-13T19:31:13","modified_gmt":"2016-05-13T22:31:13","slug":"visto_lido_e_ouvido-110","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/visto_lido_e_ouvido-110\/","title":{"rendered":"VISTO, LIDO E OUVIDO"},"content":{"rendered":"<p>   circecunha@gmail.com; <a href=\"mailto:arigcunha@ig.com.br\">arigcunha@ig.com.br<\/a>  <\/p>\n<p>O trabalho  <\/p>\n<p>O Dia Mundial do Trabalho foi criado em 1889, por um congresso socialista realizado em Paris. Milhares de trabalhadores foram \u00e0s ruas contra trabalho desumano. Desejavam redu\u00e7\u00e3o da jornada de 13 para oito horas di\u00e1rias. Em Chicago, o maior centro industrial dos Estados Unidos, o Dia do Trabalho come\u00e7ou a ser comemorado em 1\u00ba de maio de 1886. O feriado nacional lembra dois fatores: um projeto de lei do deputado aprovado no Congresso em 1902 e a Lei 662, surgida em 1949. Santos foi a cidade brasileira que comemorou a data pela primeira vez, no Centro Socialista, em 1895.  <\/p>\n<p>Quase 50 anos depois, Get\u00falio Vargas dava a maior import\u00e2ncia \u00e0 festa do trabalho. Em 1944, a data foi de festa e alegria. Decreto criava o sal\u00e1rio m\u00ednimo de 430 mil r\u00e9is. A esse tempo, os jornalistas recebiam sal\u00e1rio determinado pelos patr\u00f5es. Cada empresa possu\u00eda um corretor de an\u00fancios. N\u00e3o existia a publicidade t\u00e9cnica. Ao contr\u00e1rio, o corretor fazia suas amizades no com\u00e9rcio. Por simpatia, os comerciantes autorizavam an\u00fancios, geralmente em troca de notas de anivers\u00e1rios. Dessa forma, o corretor de an\u00fancios tinha as not\u00edcias da fam\u00edlia dos amigos. N\u00e3o havia os pequenos an\u00fancios. A imprensa se redobrava. Nessa \u00e9poca, circulavam em Fortaleza oito jornais di\u00e1rios.  <\/p>\n<p>Quando Get\u00falio deu sal\u00e1rio m\u00ednimo para jornalistas, houve alegria entre os profissionais. S\u00f3 que as empresas n\u00e3o honravam. As carteiras de trabalho registravam o sal\u00e1rio como coisa fict\u00edcia. N\u00f3s trabalh\u00e1vamos na Gazeta de Not\u00edcias. A alegria era grande e a decep\u00e7\u00e3o, maior. Houve rea\u00e7\u00e3o dos revisores do jornal. N\u00f3s quer\u00edamos que a Gazeta honrasse a lei. Fizemos campanha. Blancard Gir\u00e3o Ribeiro, Odalves Lima e eu iniciamos um movimento. Fomos despedidos sem indeniza\u00e7\u00e3o.  <\/p>\n<p>Francisco Campos Pilcomar, gr\u00e1fico da composi\u00e7\u00e3o, apoiava os revisores, que passavam dia e noite na oficina. Foi bom porque aprendemos a usar os tipos soltos, da Caixa Francesa. Feij\u00e3o era o impressor e nos estimulava. No final, fomos demitidos e guardamos com tristeza o fato de n\u00e3o recebermos a tal indeniza\u00e7\u00e3o.  <\/p>\n<p>Havia sete jornais em um quarteir\u00e3o da Rua Senador Pompeu. Procuramos a reda\u00e7\u00e3o de O Estado. Odalves Lima foi para o jornal O Democrata, do Partido Comunista. Era grande editorialista e foi trabalhar no jornal da esquerda. Pior, porque n\u00e3o recebia sal\u00e1rio. Vivia de vales. A vantagem \u00e9 que, em contato com os inimigos do \u201ccapital colonizador\u201d, recebia de sal\u00e1rio alguma coisa que o jornal conseguia em permuta.  <\/p>\n<p>Quando est\u00e1vamos na Gazeta, de madrugada eu ia a p\u00e9 at\u00e9 a casa do dr. Perboyre e Silva. Ele fazia a revis\u00e3o do seu artigo e sempre, quando nos desped\u00edamos, chamava de \u201cmeu colega\u201d e agradecia com um abra\u00e7o. S\u00f3 o orgulho de ser amigo do dr. Perboyre valia. Em Nova York, houve revolu\u00e7\u00e3o das mulheres que trabalham na ind\u00fastria. Foi revolta inadmiss\u00edvel \u00e0 \u00e9poca. As trabalhadoras foram jogadas numa sala. A porta fechada, elas l\u00e1 dentro gritavam. A falta de oxig\u00eanio come\u00e7ou a matar uma a uma. Todas mortas, a porta foi aberta. O rabec\u00e3o retirava os cad\u00e1veres e os levavam para o cemit\u00e9rio. O Dia do Trabalho para os americanos foi determinado nos anos de 1882 e 1884, em favor da classe em Nova York. N\u00e3o lembram os protestos. Por isso, celebram a data em setembro.  <\/p>\n<p>&nbsp;(Coluna publicada em 1\u00ba de maio de 2010.)  <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>circecunha@gmail.com; arigcunha@ig.com.br O trabalho O Dia Mundial do Trabalho foi criado em 1889, por um congresso socialista realizado em Paris. Milhares de trabalhadores foram \u00e0s ruas contra trabalho desumano. Desejavam redu\u00e7\u00e3o da jornada de 13 para oito horas di\u00e1rias. 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