{"id":17446,"date":"2020-08-30T01:00:18","date_gmt":"2020-08-30T04:00:18","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/?p=17446"},"modified":"2020-08-31T12:55:47","modified_gmt":"2020-08-31T15:55:47","slug":"o-depois","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/o-depois\/","title":{"rendered":"O depois&#8230;"},"content":{"rendered":"<p>VISTO, LIDO E OUVIDO, criada por Ari Cunha (In memoriam)<\/p>\n<p>Desde 1960, com Circe Cunha e Mamfil &#8211; Manoel de Andrade<\/p>\n<p>jornalistacircecunha@gmail.com<\/p>\n<p>Facebook.com\/vistolidoeouvido<\/p>\n<p>Instagram.com\/vistolidoeouvido<img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" wp-image-17450 aligncenter\" src=\"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2020\/08\/Capturar-1.png\" alt=\"\" width=\"457\" height=\"337\" srcset=\"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2020\/08\/Capturar-1.png 263w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2020\/08\/Capturar-1-230x170.png 230w\" sizes=\"auto, (max-width: 457px) 100vw, 457px\" \/><\/p>\n<p>Vivemos o que fil\u00f3sofos como o italiano Franco \u201cBifo\u201d Berardi, registra em <em>Fenomenologia do Fim<\/em>. H\u00e1 no horizonte, segundo pensa Berardi, uma bolha econ\u00f4mica no sistema financeiro que pode vir a estourar. Essas mudan\u00e7as, ao seu ver, ir\u00e3o provocar um caos jamais visto, virando o mundo de cabe\u00e7a para baixo. Mas \u00e9 no caos que o fil\u00f3sofo enxerga a prolifera\u00e7\u00e3o de comunidades aut\u00f4nomas, com experimentos igualit\u00e1rios de sobreviv\u00eancia. O pr\u00f3prio planeta, por seu est\u00e1gio de deteriora\u00e7\u00e3o n\u00e3o permite mais o prolongamento do atual modelo capitalista de consumo. \u201c O crescimento, diz, n\u00e3o retornar\u00e1 amanh\u00e3 ou nunca.\u201d<\/p>\n<p>As consequ\u00eancias do coronav\u00edrus n\u00e3o se fazem sentir apenas no seu \u00e2mbito de sa\u00fade da economia, mas se transformou numa esp\u00e9cie de doen\u00e7a psicol\u00f3gica e mental, que afeta principalmente a esperan\u00e7a no futuro. E isso, pondera, nos obrigar\u00e1 \u00a0a imaginar novas formas de vida p\u00f3s-economia, mais aut\u00f4noma, centrada na autoprodu\u00e7\u00e3o do necess\u00e1rio, na autodefesa, inclusive armada .<\/p>\n<p>A rapidez e complexidade dos eventos atuais s\u00e3o, na sua concep\u00e7\u00e3o, fortes demais para que haja uma elabora\u00e7\u00e3o emocional e consciente de tudo que se forma \u00e0 nossa volta. O v\u00edrus, acredita ele, \u00e9 uma entidade invis\u00edvel e ingovern\u00e1vel e o mundo parece se desfazer debaixo de nossos p\u00e9s, sem que possamos fazer nada a respeito de forma imediata e definitiva. O mais s\u00e9rio parece ser a possibilidade de a vacina n\u00e3o decretar o fim da pandemia. Na impossibilidade de determos, a contento, as s\u00e9rias consequ\u00eancias de um mundo p\u00f3s-pandemia, o que parece ser mais efetivo, \u00e9 a cria\u00e7\u00e3o de redes comunit\u00e1rias aut\u00f4nomas que n\u00e3o se firmem em conceitos como o lucro e a acumula\u00e7\u00e3o, mas baseada em h\u00e1bitos de sobreviv\u00eancia mais frugais.<\/p>\n<p>Nesse ponto o fil\u00f3sofo diz n\u00e3o acreditar em solu\u00e7\u00f5es de longo prazo. N\u00e3o h\u00e1 tempo para isso. O mais sintom\u00e1tico \u00e9 que as elites pol\u00edticas, todas elas, n\u00e3o possuem capacidade de apresentar solu\u00e7\u00f5es m\u00ednimas para o problema. A pol\u00edtica, como um todo, tornou-se impotente diante de um colapso de tal magnitude. Sentencia. Nesse instante a pol\u00edtica tornou-se um jogo sem raz\u00e3o, sem conhecimento.<\/p>\n<p>As solu\u00e7\u00f5es que podem apresentar, nesse momento, s\u00e3o, em sua vis\u00e3o, derivadas da raiva pela constata\u00e7\u00e3o da impot\u00eancia diante da realidade. Ainda assim a pandemia, diz, marca uma ruptura antropol\u00f3gica de profundidade abissal, justamente pela proibi\u00e7\u00e3o de contatos mais \u00edntimos. Trata-se aqui de uma epidemia de solid\u00e3o que parece decretar a morte at\u00e9 da solidariedade. \u00c9 uma verdadeira bomba at\u00f4mica sobre nossas cabe\u00e7as. Acredita ele.<\/p>\n<p>O mais afetado ser\u00e1, sem d\u00favida o consciente coletivo, atrav\u00e9s do que chama de sensibiliza\u00e7\u00e3o f\u00f3bica, com o inconsciente de todos capturado de forma abrupta. Por outro lado, a aproxima\u00e7\u00e3o do Estado com os grandes \u00f3rg\u00e3os de controle informatizados, captando grande quantidade de dados, pode ocasionar maiores limita\u00e7\u00f5es das liberdades individuais. As pr\u00f3prias palavras Estado, pol\u00edtica e democracia, parecem ter perdido o sentido e significado. O Estado tornou-se, n\u00e3o uma organiza\u00e7\u00e3o da vontade coletiva, mas um conjunto da disciplina sanit\u00e1ria obrigat\u00f3ria, dos automatismos tecno-financeiros e da organiza\u00e7\u00e3o violenta de repress\u00e3o aos movimentos trabalhistas, avalia.<\/p>\n<p>Para esse fil\u00f3sofo o Estado passou a ser o pr\u00f3prio capitalismo em sua forma semi\u00f3tica, ps\u00edquica, militar e financeira, todos transmutados em grandes corpora\u00e7\u00f5es de dom\u00ednio sobre a mente humana e a atividade social. Embora se fale muito em globaliza\u00e7\u00e3o e outros sin\u00f4nimos correlatos o fato \u00e9 que a pandemia impossibilitou a atua\u00e7\u00e3o na dimens\u00e3o nacional , marcando, sobremaneira tamb\u00e9m o fracasso final de todas as hip\u00f3teses soberanas , da esquerda e da direita.<\/p>\n<p>Por fim Franco Berardi diz que n\u00e3o existe mais o conceito tradicional de liberdade na era dos automatismos tecno-financeiros. \u201cO inimigo da liberdade n\u00e3o \u00e9 mais o tirano pol\u00edtico , mas os v\u00ednculos matem\u00e1ticos das finan\u00e7as e os digitais da conex\u00e3o obrigat\u00f3ria.\u201d Vivemos um instante que parece decretar a morte da liberdade, tal como sonh\u00e1vamos. Resta, em sua vis\u00e3o, no lugar da palavra liberdade, a palavra igualdade, \u00fanica possibilidade de restaurar, nesse momento, algo humano entre os humanos.<\/p>\n<p>O mais interessante nesse cen\u00e1rio \u00e9 a constata\u00e7\u00e3o de que o dinheiro nada pode fazer para contornar a crise atual. Resta-nos, segundo o pensador, aguardar pelo imprevis\u00edvel que tudo pode alterar, inclusive essas previs\u00f5es sombrias.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>A frase que foi pronunciada:<\/strong><\/p>\n<p><em>\u201cUm gr\u00e3o de filosofia disp\u00f5e ao ate\u00edsmo; muita filosofia reconduz \u00e0 religi\u00e3o.\u201d<\/em><\/p>\n<p>Plat\u00e3o, fil\u00f3sofo e matem\u00e1tico do per\u00edodo cl\u00e1ssico da Gr\u00e9cia Antiga.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-17451 aligncenter\" src=\"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2020\/08\/Capturar2.png\" alt=\"\" width=\"514\" height=\"329\" srcset=\"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2020\/08\/Capturar2.png 514w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2020\/08\/Capturar2-300x192.png 300w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2020\/08\/Capturar2-230x147.png 230w\" sizes=\"auto, (max-width: 514px) 100vw, 514px\" \/><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>S\u00f3 assim<\/strong><\/p>\n<p>Leia o texto do presidente da Associa\u00e7\u00e3o Brasiliense de Amparo ao Fibroc\u00edstico, Fernando Gomide, que desabafa sobre a necessidade de uma for\u00e7a tarefa entre as corregedorias, Minist\u00e9rio P\u00fablico, Judici\u00e1rio e Tribunais de Conta para que nunca falte medica\u00e7\u00e3o de alto custo nas farm\u00e1cias.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-17452 alignleft\" src=\"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2020\/08\/Capturar3.png\" alt=\"\" width=\"215\" height=\"282\" \/><\/p>\n<p><em>O Brasil agradece<\/em><\/p>\n<p><em>Por Fernando Gomide*<\/em><\/p>\n<p><em>O mais recente esc\u00e2ndalo na pol\u00edtica nacional atinge, mais uma vez, o setor de sa\u00fade. Em tempos de pandemia, esses crimes assumem propor\u00e7\u00f5es muit\u00edssimos mais graves, merecendo puni\u00e7\u00e3o muito mais r\u00e1pida e rigorosa.<\/em><br \/>\n<em>Quanto tempo mais ser\u00e1 necess\u00e1rio, ou melhor, quantos milhares de vidas a mais ser\u00e3o perdidas, at\u00e9 que as autoridades deste pa\u00eds tomem consci\u00eancia e ajam definitivamente para fechar os atalhos que pol\u00edticos, empresas e corruptos dos mais diversos n\u00edveis, usam h\u00e1 d\u00e9cadas para desviar recursos t\u00e3o necess\u00e1rios aos brasileiros?<\/em><br \/>\n<em>No Brasil, j\u00e1 est\u00e1 comprovado que o crime compensa. Os bandidos, especialmente os de colarinho brando, sopesam na balan\u00e7a os riscos e chances contando com a morosidade seja das autoridades, seja dos processos. Sofisticam-se as organiza\u00e7\u00f5es criminosas, analisando o custo-benef\u00edcio de seus malfeitos e, ao que parece, insistem em suas pr\u00e1ticas exatamente porque confiam na impunidade.<\/em><br \/>\n<em>Roubar da sa\u00fade ent\u00e3o, quando o que est\u00e1 em jogo \u00e9 a vida das pessoas, devia constituir crime hediondo ou agravante gen\u00e9rico, com julgamento sum\u00e1rio nas esferas administrativas e criminais.<\/em><br \/>\n<em>V\u00e1rios s\u00e3o os exemplos. Os m\u00e9todos s\u00e3o os mesmos e muitas vezes os envolvidos. Que as corregedorias, a pol\u00edcia, o Minist\u00e9rio P\u00fablico, o judici\u00e1rio, os tribunais de contas e os pol\u00edticos de bem se unam urgentemente, numa esp\u00e9cie de for\u00e7a-tarefa c\u00edvica para estancar esses desvios, por onde escorrem tamb\u00e9m a vida e a esperan\u00e7a de milhares de brasileiros. O Brasil agradece.<\/em><\/p>\n<p><em>*Presidente Associa\u00e7\u00e3o Brasiliense de Amparo ao Fibrocisitico<\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Mais seguran\u00e7a<\/strong><\/p>\n<p>Cada vez mais placas do Mercosul s\u00e3o vistas nos autom\u00f3veis da cidade. As novas placas do Mercosul seguem o padr\u00e3o para todos os pa\u00edses do bloco: Brasil, Argentina, Paraguai, Uruguai, Venezuela, Bol\u00edvia, Chile, Col\u00f4mbia, Peru, Equador, Venezuela, Guiana e Suriname.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" wp-image-17453 aligncenter\" src=\"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2020\/08\/Capturar4.png\" alt=\"\" width=\"397\" height=\"237\" srcset=\"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2020\/08\/Capturar4.png 308w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2020\/08\/Capturar4-300x179.png 300w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2020\/08\/Capturar4-230x137.png 230w\" sizes=\"auto, (max-width: 397px) 100vw, 397px\" \/><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Segredo<\/strong><\/p>\n<p>No forno a nova produ\u00e7\u00e3o de Dad Squarisi: <em>As 7 maravilhas de Bras\u00edlia.<\/em> Na linguagem que todos conhecemos, Dad revela a beleza do cerrado, das \u00e1guas, do c\u00e9u, o Plano Piloto, monumentos, paisagismo e claro, sua paix\u00e3o pelos brasilienses. Hoje ela fala com o orgulho e gratid\u00e3o de quem foi recebida pela capital de asas abertas. \u201cSou de Bras\u00edlia.\u201d<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" wp-image-17454 aligncenter\" src=\"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2020\/08\/Capturar5.png\" alt=\"\" width=\"354\" height=\"198\" srcset=\"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2020\/08\/Capturar5.png 275w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2020\/08\/Capturar5-230x129.png 230w\" sizes=\"auto, (max-width: 354px) 100vw, 354px\" \/><\/p>\n<p><strong>HIST\u00d3RIA DE BRAS\u00cdLIA<\/strong><\/p>\n<p>Minha solidariedade aos companheiros de \u201c\u00daltima Hora\u201d de S\u00e3o Paulo. O absurdo do atentado de que foi v\u00edtima \u00e9 um atestado do esp\u00edrito lutador do jornal, da unidade de pensamento de sua equipe. E para terminar: o revide ao inimigo fantasma deve ser olho por olho, dente por dente. <strong>(Publicado em\u00a014\/01\/1962)<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>VISTO, LIDO E OUVIDO, criada por Ari Cunha (In memoriam) Desde 1960, com Circe Cunha e Mamfil &#8211; Manoel de Andrade jornalistacircecunha@gmail.com Facebook.com\/vistolidoeouvido Instagram.com\/vistolidoeouvido Vivemos o que fil\u00f3sofos como o italiano Franco \u201cBifo\u201d Berardi, registra em Fenomenologia do Fim. 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