{"id":18175,"date":"2020-12-16T10:34:51","date_gmt":"2020-12-16T13:34:51","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/?p=18175"},"modified":"2020-12-16T10:36:16","modified_gmt":"2020-12-16T13:36:16","slug":"um-passivo-de-morte-para-as-proximas-geracoes","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/um-passivo-de-morte-para-as-proximas-geracoes\/","title":{"rendered":"Um passivo de morte para as pr\u00f3ximas gera\u00e7\u00f5es"},"content":{"rendered":"<p>VISTO, LIDO E OUVIDO, criada por Ari Cunha (In memoriam)<\/p>\n<p>Desde 1960, com Circe Cunha e Mamfil \u2013 Manoel de Andrade<\/p>\n<p>jornalistacircecunha@gmail.com<\/p>\n<p>Facebook.com\/vistolidoeouvido<\/p>\n<p>Instagram.com\/vistolidoeouvido<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<figure id=\"attachment_15641\" aria-describedby=\"caption-attachment-15641\" style=\"width: 624px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" wp-image-15641\" src=\"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2019\/12\/agroneg\u00f3cio-brasileiro-759x500.jpg\" alt=\"\" width=\"624\" height=\"411\" srcset=\"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2019\/12\/agroneg\u00f3cio-brasileiro-759x500.jpg 759w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2019\/12\/agroneg\u00f3cio-brasileiro-759x500-300x198.jpg 300w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2019\/12\/agroneg\u00f3cio-brasileiro-759x500-350x231.jpg 350w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2019\/12\/agroneg\u00f3cio-brasileiro-759x500-550x362.jpg 550w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2019\/12\/agroneg\u00f3cio-brasileiro-759x500-230x152.jpg 230w\" sizes=\"auto, (max-width: 624px) 100vw, 624px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-15641\" class=\"wp-caption-text\">Foto: blog.aegro<\/figcaption><\/figure>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Quem quer se iludir e se encantar com os pretensos lucros imediatos que o agroneg\u00f3cio tem trazido para a t\u00e3o festejada balan\u00e7a comercial pode seguir tranquilo em seu del\u00edrio. O que n\u00e3o se pode, em hip\u00f3tese nenhuma, \u00e9 destruir e comprometer irremediavelmente o bioma brasileiro, como se tem visto at\u00e9 aqui, \u00e0s custas de monoculturas para a exporta\u00e7\u00e3o, que remete o Brasil ao per\u00edodo colonial, a cinco s\u00e9culos atr\u00e1s, quando nosso pa\u00eds se inseriu, como economia complementar da metr\u00f3pole, dentro do que preconizava o capitalismo mercantilista.<br \/>\nEsse tempo, que se pensava ter ficado num passado long\u00ednquo e que tanto exauriu nosso pa\u00eds em troca de lucros, que tamb\u00e9m se desmancharam no ar, est\u00e1 de volta. Dessa vez, potencializado por m\u00e1quinas gigantescas, que aceleram o processo de degrada\u00e7\u00e3o e de contamina\u00e7\u00e3o do solo. Vivemos uma revolu\u00e7\u00e3o agr\u00edcola \u00e0s avessas, com todos os malef\u00edcios que essa atividade pode render num futuro que vai chegando de mansinho, encoberto pelo manto m\u00e1gico dos agrod\u00f3lares.<\/p>\n<p>T\u00e3o enorme quanto esse apetite pela produ\u00e7\u00e3o agr\u00edcola s\u00e3o os meios usados para que essa atividade n\u00e3o sofra processo de descontinuidade. Na m\u00eddia, no parlamento, no governo e em praticamente todos os canais institucionais existentes, inclusive nos diversos \u00f3rg\u00e3os de controle do pa\u00eds, todos os esfor\u00e7os s\u00e3o empreendidos para que esse tipo de agricultura arraste terras, prossiga sua marcha.<\/p>\n<p>O lobby \u00e9 poderoso e desafia qualquer um. A censura e a repress\u00e3o contra aqueles que ousam protestar em nome do futuro s\u00e3o pesadas. Cientistas e pesquisadores renomados, que, h\u00e1 anos, estudam esse fen\u00f4meno de pauperiza\u00e7\u00e3o da nossa biodiversidade, s\u00e3o publicamente enxovalhados. O desmantelamento dos \u00f3rg\u00e3os que poderiam fiscalizar de perto todas essas atividades perversas foi feito dentro de um plano preestabelecido para ocultar as irregularidades que, seguidamente, aconteceram. Nunca, em tempo algum, a ind\u00fastria de pesticidas e de produ\u00e7\u00e3o de esp\u00e9cies transg\u00eanicas, lucraram tanto.<\/p>\n<p>Biomas, como \u00e9 o caso do cerrado, onde o agroneg\u00f3cio reina absoluto, imp\u00e1vido e intoc\u00e1vel v\u00e3o virando cinzas. O conhecido cientista Carlos Afonso Nobre, especialista nos fen\u00f4menos do aquecimento global, h\u00e1 anos, alerta para o processo de savaniza\u00e7\u00e3o de extensas \u00e1reas do cerrado e das bordas da regi\u00e3o amaz\u00f4nica. Segundo ele, estamos h\u00e1 menos de duas d\u00e9cadas de dist\u00e2ncia para que isso ocorra, de forma irrevers\u00edvel e descontrolada.<\/p>\n<p>As esta\u00e7\u00f5es secas v\u00e3o se prolongando cada vez mais, com o clima \u00famido dando lugar ao clima de savanas e a extin\u00e7\u00e3o das esp\u00e9cies da Amaz\u00f4nia. \u201cJ\u00e1 desmatamos 1 milh\u00e3o de metros quadrados na Amaz\u00f4nia, cerca de 800 mil quil\u00f4metros e a regi\u00e3o tem uma produtividade que \u00e9 1\/4 a 1\/5 da produtividade de um estado como S\u00e3o Paulo\u201d, alerta o cientista, ao acrescentar que 70% das emiss\u00f5es de CO\u00b2 do Brasil vem do desmatamento e do agroneg\u00f3cio. Estamos em rota direta contra uma trag\u00e9dia anunciada.<\/p>\n<p>Somados, o agrobusiness, os grileiros, os garimpeiros, os contrabandistas de madeira e min\u00e9rios, juntamente com a cobertura pol\u00edtica que recebem em v\u00e1rias inst\u00e2ncias do Estado, est\u00e3o, segundo Carlos Nobre, propondo uma esp\u00e9cie de crime organizado que \u00e9 hoje uma verdadeira pot\u00eancia, um \u201cPCC Amaz\u00f4nico\u201d. O pior, para esses malfeitores, \u00e9 que os efeitos desse crime continuado por d\u00e9cadas n\u00e3o podem ser escondidos da popula\u00e7\u00e3o, que, todo ano, assiste ao aumento das queimadas e das ondas crescentes de calor e de estiagem.<\/p>\n<p>O mais penoso \u00e9 saber que esse tipo de crime ocorre, tamb\u00e9m, simultaneamente em todo o Brasil. No Sul, os vinicultores, que produzem vinhos finos, estimam em mais de R$ 200 milh\u00f5es os preju\u00edzos causados pelos defensivos do tipo 2,4-D, usados em larga escala nas lavouras da monocultura da soja e que envenenaram grande parte das parreiras naquela regi\u00e3o, impossibilitando a produ\u00e7\u00e3o de vinhos, justamente num momento em que aquelas \u00e1reas tinham obtido o certificado de regi\u00e3o demarcada.<\/p>\n<p>A expans\u00e3o da soja na regi\u00e3o, toda ela para exporta\u00e7\u00e3o para a China, inviabilizou outras colheitas, o que dep\u00f5e contra a qualidade dos vinhos do Sul, tornando o produto totalmente impr\u00f3prio para o consumo, interno e externo. O produto final de toda essa inc\u00faria criminosa \u00e9 que o aumento paulatino das ondas de calor, vai, mais e mais, conduzindo as terras brasileiras rumo a desertifica\u00e7\u00e3o e a consequente perda de capacidade de plantio.<\/p>\n<p>Quando isso ocorrer, os verdadeiros protagonistas internos e externos, ter\u00e3o garantido sua parte nos lucros e esse ser\u00e1 um problema, sem solu\u00e7\u00e3o, sine die e sem condenados, empurrado para as novas gera\u00e7\u00f5es como um passivo de morte.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>A frase que foi pronunciada:<\/strong><br \/>\n<em>\u201cNingu\u00e9m est\u00e1 qualificado para se tornar um estadista que desconhece totalmente o problema do trigo.\u201d<\/em><br \/>\nS\u00f3crates, pensador ateniense<\/p>\n<figure id=\"attachment_18177\" aria-describedby=\"caption-attachment-18177\" style=\"width: 447px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" wp-image-18177\" src=\"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2020\/12\/s\u00d3CRATES.jpg\" alt=\"\" width=\"447\" height=\"578\" srcset=\"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2020\/12\/s\u00d3CRATES.jpg 412w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2020\/12\/s\u00d3CRATES-232x300.jpg 232w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2020\/12\/s\u00d3CRATES-230x298.jpg 230w\" sizes=\"auto, (max-width: 447px) 100vw, 447px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-18177\" class=\"wp-caption-text\">S\u00f3crates &#8211; A est\u00e1tua de S\u00f3crates na Academia de Atenas. Obra de Leonidas Drosis (d. 1880). Foto: wikipedia.org<\/figcaption><\/figure>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Hist\u00f3ria de Bras\u00edlia<\/strong><br \/>\nEra por isto: o \u201csindicato\u201d da W-4 n\u00e3o d\u00e1 guarida a ningu\u00e9m que quer negociar a pre\u00e7os honestos. Eles fazem os pre\u00e7os, recebem verduras de S\u00e3o Paulo e desprezam o local para que, mantendo o com\u00e9rcio a pre\u00e7o alto, e sob regime de monop\u00f3lio, possam sufocar os produtores locais. <strong>(Publicado em 20\/1\/1962)<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>VISTO, LIDO E OUVIDO, criada por Ari Cunha (In memoriam) Desde 1960, com Circe Cunha e Mamfil \u2013 Manoel de Andrade jornalistacircecunha@gmail.com Facebook.com\/vistolidoeouvido Instagram.com\/vistolidoeouvido &nbsp; &nbsp; Quem quer se iludir e se encantar com os pretensos lucros imediatos que o agroneg\u00f3cio tem trazido para a t\u00e3o festejada balan\u00e7a comercial pode seguir tranquilo em seu del\u00edrio. 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