{"id":18212,"date":"2020-12-23T01:00:45","date_gmt":"2020-12-23T04:00:45","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/?p=18212"},"modified":"2020-12-22T23:55:01","modified_gmt":"2020-12-23T02:55:01","slug":"brasilia-uma-obra-de-arte-esquecida-abandonada","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/brasilia-uma-obra-de-arte-esquecida-abandonada\/","title":{"rendered":"Bras\u00edlia uma obra de arte esquecida abandonada"},"content":{"rendered":"<p>VISTO, LIDO E OUVIDO, criada por Ari Cunha (In memoriam)<\/p>\n<p>Desde 1960, com Circe Cunha e Mamfil \u2013 Manoel de Andrade<\/p>\n<p>jornalistacircecunha@gmail.com<\/p>\n<p>Facebook.com\/vistolidoeouvido<\/p>\n<p>Instagram.com\/vistolidoeouvido<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<figure id=\"attachment_18215\" aria-describedby=\"caption-attachment-18215\" style=\"width: 575px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" wp-image-18215\" src=\"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2020\/12\/renato.jpg\" alt=\"\" width=\"575\" height=\"391\" srcset=\"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2020\/12\/renato.jpg 428w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2020\/12\/renato-300x204.jpg 300w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2020\/12\/renato-230x156.jpg 230w\" sizes=\"auto, (max-width: 575px) 100vw, 575px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-18215\" class=\"wp-caption-text\">Foto: reprodu\u00e7\u00e3o DF TV 1<\/figcaption><\/figure>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Bras\u00edlia, por sua arquitetura e tra\u00e7ado urban\u00edstico, \u00e9 considerada por muitos artistas, dentro e fora do pa\u00eds, uma obra de arte sem paralelo. N\u00e3o surpreende que esse fato tenha chamado a aten\u00e7\u00e3o dos t\u00e9cnicos da Unesco, tornando-se, em dezembro de 1987, a primeira cidade moderna inscrita como patrim\u00f4nio cultural da humanidade, honraria que colocou a capital do Brasil dentre importantes s\u00edtios hist\u00f3ricos como a Acr\u00f3pole de Atenas, Roma e outras cidades antigas e famosas dispersas pelo mundo.<\/p>\n<p>Esse destaque internacional, contudo, n\u00e3o parece ter seu significado bem entendido pelos diversos governos locais que se seguiram, nem tampouco por parcela significativa dos brasilienses. Esse desd\u00e9m, a revelar pouca ilustra\u00e7\u00e3o e cultura tanto das elites dirigentes, como da popula\u00e7\u00e3o, reflete diretamente nos seguidos ataques que todo esse imenso conjunto art\u00edstico vem sofrendo ao longo dos anos.<\/p>\n<p>Aos poucos, vai se perdendo, para sempre, a beleza e a simplicidade dos desenhos originais da cidade, por conta do que acreditam, esses \u201cnovos g\u00eanios\u201d, ser um processo natural de adequa\u00e7\u00e3o \u00e0s novas necessidades. De puxadinho em puxadinho, de reforma em reforma, vai-se erguendo aleij\u00f5es urbanos, a atender, apenas, a gan\u00e2ncia especulativa que une empres\u00e1rios e pol\u00edticos numa parceria marota, em prol do mau gosto e \u00e0s custas do cidad\u00e3o pagador de impostos.<\/p>\n<p>Com isso, v\u00e3o erguendo-se monumentos mastod\u00f4nticos \u00e0 inutilidade, como \u00e9 o caso do Est\u00e1dio Man\u00e9 Garrincha, que mais se assemelha a um enorme pres\u00eddio, por sua colunata mon\u00f3tona e pesada, cravada bem no cora\u00e7\u00e3o da cidade.<\/p>\n<p>Exemplos desse descaso se multiplicam em cada canto de Bras\u00edlia e seria de pouca valia nome\u00e1-los um a um, j\u00e1 que est\u00e3o a\u00ed a olhos vistos. Com uma riqueza que \u00e9 nossa, e que muito poderia contribuir para atrair turistas, conven\u00e7\u00f5es internacionais de arte e arquitetura, entre uma infinidade de outras atra\u00e7\u00f5es, pr\u00f3prias de uma cidade planejada e din\u00e2mica, sofre, por conta do desleixo e da desinforma\u00e7\u00e3o, uma esp\u00e9cie de apag\u00e3o cultural que se estende par i passo para al\u00e9m das quest\u00f5es urbanas.<\/p>\n<p>O descuido com o patrim\u00f4nio art\u00edstico, espalhado por alguns pontos de Bras\u00edlia tamb\u00e9m \u00e9 uma realidade a envergonhar todos n\u00f3s. Durante a constru\u00e7\u00e3o da capital, numa \u00e9poca de grande otimismo e esperan\u00e7a no futuro, n\u00e3o havia uma dissocia\u00e7\u00e3o entre arte e arquitetura. Da\u00ed porque todas as constru\u00e7\u00f5es eram seguidas de obras de arte a ornamentar os edif\u00edcios e pra\u00e7as, formando um s\u00f3 conjunto onde a harmonia e a beleza eram os objetivos principais.<\/p>\n<p>Artistas de todas as vertentes trabalhavam lado a lado com os arquitetos, completando as constru\u00e7\u00f5es com jardins, esculturas, pinturas e outras obras que enriqueciam e emprestavam vida inteligente \u00e0s constru\u00e7\u00f5es. Infelizmente, esse foi um tempo deixado na poeira do esquecimento e que parece perdido para sempre.<\/p>\n<p>Os novos administradores e mesmo parte significativa da popula\u00e7\u00e3o n\u00e3o entendem do que se trata e muito menos d\u00e3o aten\u00e7\u00e3o a esse fato. Ataques a obras de escultures renomados, picha\u00e7\u00f5es em monumentos tombados e depreda\u00e7\u00f5es j\u00e1 se transformaram numa situa\u00e7\u00e3o de nosso cotidiano. Mesmo as autoridades, a quem compete cuidar desse patrim\u00f4nio, pouco fazem.<\/p>\n<p>N\u00e3o existe um cat\u00e1logo confi\u00e1vel e atualizado sobre as poucas obras espalhadas pela capital. Quando existem, os nomes das obras e dos respectivos autores, s\u00e3o grafados de modo errado e sem maiores dados. Outras obras famosas s\u00e3o simplesmente pintadas e emendadas sem o consentimento dos artistas.<\/p>\n<p>O caso da Torre de Televis\u00e3o \u00e9 um exemplo. A obra, popularmente chamada de Berimbau (1970), n\u00e3o pertence, como afirma o GDF, a Alexandre Wakenwith, nem t\u00e3o pouco se chama A Era Espacial. De acordo com pesquisa feita por Jo\u00e3o Vicente Costa, a obra se chama na verdade \u201cFor\u00e7a Negra ou Odisseia dos Espasmos\u201d, pertence ao artista arquiteto L\u00facio Costa, foi instalada naquele s\u00edtio com a autoriza\u00e7\u00e3o do pr\u00f3prio L\u00facio Costa e j\u00e1 se integra \u00e0 paisagem local.<\/p>\n<p>Da mesma forma, permanece ainda um mist\u00e9rio o roubo da escultura popularmente chamada de \u201co cubo\u201d, do artista nipobrasileiro Toyota, que, durante muitos anos, ornava o bal\u00e3o de acesso ao aeroporto. H\u00e1 pouco dias, aconteceu o que seria uma \u201creforma\u201d \u00e0 obra em homenagem a Renato Russo, instalada no Parque da cidade, de autoria da escultora Mara Nunes e que, segundo a autora, foi feita sem conhecimento, o que acabou por descaracterizar o trabalho original confeccionado em a\u00e7o corten.\u00a0 \u00a0<strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>A frase que foi pronunciada:<\/strong><\/p>\n<p><em>\u201cOs acasos acontecem em estranhas coincid\u00eancias. Eles nos acenam. E n\u00f3s j\u00e1 sabemos do que se trata: uma nova compreens\u00e3o de coisas que no fundo sempre existiram em n\u00f3s.\u201d<\/em><\/p>\n<p>Fayga Ostrower, Gravadora, pintora, desenhista, ilustradora, te\u00f3rica da arte e professora\u00a0 \u00a0<strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<figure id=\"attachment_18216\" aria-describedby=\"caption-attachment-18216\" style=\"width: 316px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-18216\" src=\"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2020\/12\/Fayga.jpg\" alt=\"\" width=\"316\" height=\"521\" srcset=\"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2020\/12\/Fayga.jpg 316w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2020\/12\/Fayga-182x300.jpg 182w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2020\/12\/Fayga-230x379.jpg 230w\" sizes=\"auto, (max-width: 316px) 100vw, 316px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-18216\" class=\"wp-caption-text\">Fayga Ostrower. Foto: faygaostrower.org<\/figcaption><\/figure>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>HIST\u00d3RIA DE BRAS\u00cdLIA <\/strong>O segundo fato \u00e9 a briga de murros dos deputados Arruda Castanho e Onofre Gozuen, perante as c\u00e2maras de televis\u00e3o. Atestado humilhante de uma pol\u00edtica sem vergonha desempenhada por gente idem.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>VISTO, LIDO E OUVIDO, criada por Ari Cunha (In memoriam) Desde 1960, com Circe Cunha e Mamfil \u2013 Manoel de Andrade jornalistacircecunha@gmail.com Facebook.com\/vistolidoeouvido Instagram.com\/vistolidoeouvido &nbsp; &nbsp; Bras\u00edlia, por sua arquitetura e tra\u00e7ado urban\u00edstico, \u00e9 considerada por muitos artistas, dentro e fora do pa\u00eds, uma obra de arte sem paralelo. 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