{"id":18959,"date":"2021-04-07T01:00:48","date_gmt":"2021-04-07T04:00:48","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/?p=18959"},"modified":"2021-04-06T20:11:39","modified_gmt":"2021-04-06T23:11:39","slug":"em-tempos-de-pandemia-faca-arte","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/em-tempos-de-pandemia-faca-arte\/","title":{"rendered":"Em tempos de pandemia, fa\u00e7a arte"},"content":{"rendered":"<p>VISTO, LIDO E OUVIDO, criada por Ari Cunha (In memoriam)<\/p>\n<p>Desde 1960, com Circe Cunha e Mamfil \u2013 Manoel de Andrade<\/p>\n<p>jornalistacircecunha@gmail.com<\/p>\n<p>Facebook.com\/vistolidoeouvido<\/p>\n<p>Instagram.com\/vistolidoeouvido<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<figure id=\"attachment_18962\" aria-describedby=\"caption-attachment-18962\" style=\"width: 642px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" wp-image-18962\" src=\"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2021\/04\/dra.jpg\" alt=\"\" width=\"642\" height=\"428\" srcset=\"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2021\/04\/dra.jpg 677w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2021\/04\/dra-300x200.jpg 300w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2021\/04\/dra-550x366.jpg 550w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2021\/04\/dra-230x153.jpg 230w\" sizes=\"auto, (max-width: 642px) 100vw, 642px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-18962\" class=\"wp-caption-text\">Nise da Silveira. Foto: Alexandre Sant\u2019Anna\/SA\u00daDE \u00e9 Vital<\/figcaption><\/figure>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p align=\"justify\"><span style=\"color: #000000\"><span style=\"font-family: Times New Roman, serif\"><span style=\"font-size: medium\">Mario Pedrosa, um dos mais importantes cr\u00edticos de arte do pa\u00eds, sentenciou: \u201cA atividade art\u00edstica \u00e9 uma coisa que n\u00e3o depende, pois, de leis estratificadas, frutos da experi\u00eancia de apenas uma \u00e9poca na hist\u00f3ria da evolu\u00e7\u00e3o da arte. Essa atividade se estende a todos os seres humanos, e n\u00e3o \u00e9 mais ocupa\u00e7\u00e3o exclusiva de uma confraria especializada que exige diploma para nela se ter acesso. A vontade de arte se manifesta em qualquer homem de nossa terra, independente do seu meridiano, seja ele papua ou cafuzo, brasileiro ou russo, negro ou amarelo, letrado ou iletrado, equilibrado ou desequilibrado.\u201d<\/span><\/span><\/span><\/p>\n<p align=\"justify\"><span style=\"color: #000000\"><span style=\"font-family: Times New Roman, serif\">O texto acima foi escrito em 1947, por ocasi\u00e3o da primeira exposi\u00e7\u00e3o de pintura dos pacientes do Hospital (manic\u00f4mio) de Engenho de Dentro, trabalho ent\u00e3o coordenado pela renomada m\u00e9dica e psiquiatra Nise da Silveira (1905-1999), introdutora no Brasil de um m\u00e9todo revolucion\u00e1rio de tratamento humanizador para a esquizofrenia por meio da arte. Somente quem j\u00e1 conviveu ou ainda convive com pessoas com o quadro dessa doen\u00e7a mental sabe o que significa e qual a import\u00e2ncia que tratamentos realizados sem agressividade, diferentes dos que eram feitos no passado com eletrochoques, insulinoterapia ou lobotomia, t\u00eam na vida desses pacientes e dos familiares em volta.<\/span><\/span><\/p>\n<p align=\"justify\"><span style=\"color: #000000\"><span style=\"font-family: Times New Roman, serif\">O senso comum ensina que dist\u00farbios mentais que atingem familiares pr\u00f3ximos causam mais doen\u00e7as, em decorr\u00eancia do excessivo stress nas pessoas ao redor, do que nos pr\u00f3prios pacientes. A dedica\u00e7\u00e3o intensa, ao longo de toda a sua vida, \u00e0 psiquiatria, fez dela uma das hero\u00ednas do Brasil, principalmente quando provou que o trabalho e a intera\u00e7\u00e3o com as artes e com os animais dom\u00e9sticos possu\u00edam um valor terap\u00eautico poderoso, at\u00e9 ent\u00e3o desconhecido.<\/span><\/span><\/p>\n<p align=\"justify\"><span style=\"color: #000000\"><span style=\"font-family: Times New Roman, serif\">Em 1946, Nise fundou a Se\u00e7\u00e3o de Teurap\u00eautica Ocupacional (STOR), onde montou ateli\u00eas de pintura e modelagem com o objetivo de, por meio da express\u00e3o simb\u00f3lica e da criatividade, os internos conseguissem, de alguma forma, reatar os la\u00e7os com a realidade. A import\u00e2ncia de seu trabalho foi reconhecido em todo mundo por especialistas nessa \u00e1rea, inclusive pelo pr\u00f3prio Carl G. Jung, com quem manteve um longo relacionamento por cartas, por mais de uma d\u00e9cada.<\/span><\/span><\/p>\n<p align=\"justify\"><span style=\"color: #000000\"><span style=\"font-family: Times New Roman, serif\">No ateli\u00ea, conta um dos seus ex-alunos, Bernardo Horta, houve uma explos\u00e3o de pinturas, desenhos e esculturas que Nise e sua equipe n\u00e3o esperavam. Nise, que j\u00e1 lia Jung, percebeu aquilo que o psicanalista afirmava: se para o neur\u00f3tico \u2013 o que seria todos n\u00f3s, segundo Freud \u2013 o tratamento \u00e9 atrav\u00e9s da palavra, ou seja, a psican\u00e1lise, para o esquizofr\u00eanico, segundo Jung, a palavra n\u00e3o d\u00e1 conta. Para esse paciente, o tratamento deveria ser pela imagem\u201d. Ao div\u00e3 e \u00e0 palavra, preferidos por Freud, Nise optou pela express\u00e3o pl\u00e1stica como m\u00e9todo terap\u00eautico, conforme recomendava Jung, o que a levou a buscar um tratamento de fato para os pacientes e n\u00e3o simplesmente estud\u00e1-los.<\/span><\/span><\/p>\n<p align=\"justify\"><span style=\"color: #000000\"><span style=\"font-family: Times New Roman, serif\">Com isso, afirmam seus bi\u00f3grafos, Nise aprofundou o trabalho e as ideias de Jung, levando esses novos conceitos de tratamento muito al\u00e9m. N\u00e3o surpreende que um trabalho t\u00e3o fecundo tenha, ainda hoje, desdobramentos e muito vigor. O Instituto Nise da Silveira convocou uma s\u00e9rie de grafiteiros para decorarem os muros da Institui\u00e7\u00e3o, transformando o local numa galeria a c\u00e9u aberto, com dezenas de pain\u00e9is retratando pessoas que deram contribui\u00e7\u00e3o \u00e0 chamada arteterapia, de forma que o Hospital passe a ser visto como parte integrante da cidade.<\/span><\/span><\/p>\n<p align=\"justify\"><span style=\"color: #000000\"><span style=\"font-family: Times New Roman, serif\">Caso estivesse viva hoje, nesses tempos de pandemia, por certo, a Dr.\u00aa Nise da Silveira, com a experi\u00eancia que vivenciara durante a epidemia de gripe espanhola (1918-1920) e de posse de todo o conhecimento que acumulara na \u00e1rea de psiquiatria, teria um imenso campo pela frente para trabalhar as neuroses que a atual gera\u00e7\u00e3o vem experimentando h\u00e1 mais de um ano. Embora se saiba que essa pandemia \u00e9, em \u00faltima an\u00e1lise, um problema do mundo atual, com toda a complexidade de nosso tempo, a mudan\u00e7a de costumes e de paradigmas em si n\u00e3o s\u00e3o capazes de alterar, em profundidade, as caracter\u00edsticas da mente humana. Os complexos e as neuroses humanas de ontem, s\u00e3o, no seu \u00edntimo, as mesmas manifestadas hoje em dia.<\/span><\/span><\/p>\n<p align=\"justify\"><span style=\"color: #000000\"><span style=\"font-family: Times New Roman, serif\">A pandemia tem afetado a sa\u00fade mental de crian\u00e7as e jovens, al\u00e9m dos adultos, afirmou Guilherme Polanczyk, da Faculdade de Medicina da Universidade de S\u00e3o Paulo, em mat\u00e9ria divulgada pela Ag\u00eancia Brasil. Segundo o psiquiatra, a situa\u00e7\u00e3o de estresse nas crian\u00e7as pode ser negligenciada, j\u00e1 que s\u00e3o menos infectadas e o sofrimento pode passar desapercebido.<\/span><\/span><\/p>\n<p align=\"justify\"><span style=\"color: #000000\"><span style=\"font-family: Times New Roman, serif\">No Senado, deve ser votado nessa semana o projeto que cria no SUS um programa espec\u00edfico para acolhimento de pessoas com sofrimento emocional causado pelo isolamento social. Com relatoria do senador e m\u00e9dico Humberto Costa, o projeto \u00e9 do senador Acir Gurgacz. Os parlamentares receberam o aval do presidente do Senado, Rodrigo Pacheco, que incluiu a pauta na pr\u00f3xima sess\u00e3o deliberativa.<\/span><\/span><\/p>\n<p align=\"justify\"><span style=\"color: #000000\"><span style=\"font-family: Times New Roman, serif\"><b>A frase que foi pronunciada:<\/b><\/span><\/span><\/p>\n<p align=\"justify\"><span style=\"color: #000000\">\u201c<span style=\"font-family: Times New Roman, serif\"><i>\u00c9 tempo de tormenta e vento esquiva<\/i>\u201d.<\/span><\/span><\/p>\n<p align=\"justify\"><span style=\"color: #000000\"><span style=\"font-family: Times New Roman, serif\"><b>Cam\u00f5es<\/b><\/span><\/span><\/p>\n<figure id=\"attachment_16430\" aria-describedby=\"caption-attachment-16430\" style=\"width: 309px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-16430\" src=\"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2020\/04\/Lu\u00eds_de_Cam\u00f5es_por_Fran\u00e7ois_G\u00e9rard.png\" alt=\"\" width=\"309\" height=\"385\" srcset=\"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2020\/04\/Lu\u00eds_de_Cam\u00f5es_por_Fran\u00e7ois_G\u00e9rard.png 309w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2020\/04\/Lu\u00eds_de_Cam\u00f5es_por_Fran\u00e7ois_G\u00e9rard-241x300.png 241w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2020\/04\/Lu\u00eds_de_Cam\u00f5es_por_Fran\u00e7ois_G\u00e9rard-281x350.png 281w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2020\/04\/Lu\u00eds_de_Cam\u00f5es_por_Fran\u00e7ois_G\u00e9rard-230x287.png 230w\" sizes=\"auto, (max-width: 309px) 100vw, 309px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-16430\" class=\"wp-caption-text\">Foto: wikipedia.org<\/figcaption><\/figure>\n<p align=\"justify\"><span style=\"color: #000000\"><span style=\"font-family: Times New Roman, serif\"><b>Hist\u00f3ria de Bras\u00edlia<\/b><\/span><\/span><\/p>\n<p align=\"justify\"><span style=\"color: #000000\"><span style=\"font-family: Times New Roman, serif\">Resultou em inqu\u00e9rito, determinado pelo Conselho de Ministros, uma nota desta coluna sobre altos funcion\u00e1rios do Minist\u00e9rio da Fazenda que vivem no Rio, recebem \u201cdobradinha\u201d e mant\u00eam apartamentos fechados em Bras\u00edlia. <b>(Publicada em 30.01.1962)<\/b><\/span><\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>VISTO, LIDO E OUVIDO, criada por Ari Cunha (In memoriam) Desde 1960, com Circe Cunha e Mamfil \u2013 Manoel de Andrade jornalistacircecunha@gmail.com Facebook.com\/vistolidoeouvido Instagram.com\/vistolidoeouvido &nbsp; 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