{"id":19418,"date":"2021-06-12T11:13:17","date_gmt":"2021-06-12T14:13:17","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/?p=19418"},"modified":"2021-06-12T11:13:17","modified_gmt":"2021-06-12T14:13:17","slug":"homeschooling-e-para-quem-pode","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/homeschooling-e-para-quem-pode\/","title":{"rendered":"Homeschooling \u00e9 para quem pode"},"content":{"rendered":"<p>VISTO, LIDO E OUVIDO, criada por Ari Cunha (In memoriam)<\/p>\n<p>Desde 1960, com Circe Cunha e Mamfil \u2013 Manoel de Andrade<\/p>\n<p>jornalistacircecunha@gmail.com<\/p>\n<p>Facebook.com\/vistolidoeouvido<\/p>\n<p>Instagram.com\/vistolidoeouvido<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<figure id=\"attachment_19420\" aria-describedby=\"caption-attachment-19420\" style=\"width: 669px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" wp-image-19420\" src=\"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2021\/06\/home-1.jpg\" alt=\"\" width=\"669\" height=\"405\" srcset=\"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2021\/06\/home-1.jpg 755w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2021\/06\/home-1-300x182.jpg 300w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2021\/06\/home-1-550x333.jpg 550w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2021\/06\/home-1-230x139.jpg 230w\" sizes=\"auto, (max-width: 669px) 100vw, 669px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-19420\" class=\"wp-caption-text\">Charge do Benett<\/figcaption><\/figure>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<div>Alguns fatos ocorridos na din\u00e2mica social e urbana brasileira iriam, no final dos anos 1970, provocar uma s\u00e9rie de mudan\u00e7as estruturais no tradicional modelo educacional do pa\u00eds, principalmente no ensino p\u00fablico, oferecido pelo Estado, sob a dire\u00e7\u00e3o do Minist\u00e9rio da Educa\u00e7\u00e3o e Cultura (MEC), como era denominada naquela \u00e9poca a pasta que coordenava os assuntos ligados a essa \u00e1rea.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>Entre as mudan\u00e7as sociais que acabaram por atingir em cheio a educa\u00e7\u00e3o p\u00fablica, sobretudo no quesito qualidade e efici\u00eancia, est\u00e1 a debandada em massa das classes m\u00e9dia e alta dessas escolas, rumo ao ensino privado, que come\u00e7ava a ganhar f\u00f4lego e atrair os alunos, cujas fam\u00edlias tinham melhores condi\u00e7\u00f5es econ\u00f4micas, oferecendo n\u00e3o apenas um curr\u00edculo e uma grade e disciplinas mais elaborados, mais diversas e atrativas para os pr\u00f3prios alunos, aprofundando em mat\u00e9rias escolares que, l\u00e1 no ensino p\u00fablico, eram vistas apenas de forma superficial. N\u00e3o demorou para esse alunado come\u00e7ar a se sobressair nos exames e vestibulares do pa\u00eds, mostrando n\u00e3o s\u00f3 uma diferen\u00e7a de qualidade desses conte\u00fados program\u00e1ticos, como uma nova maneira de ministrar aulas mais din\u00e2micas, tudo dentro de um esp\u00edrito empresarial que reconhecia na educa\u00e7\u00e3o de jovens um vasto campo a ser explorado economicamente pelos novos empres\u00e1rios.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>Os melhores pedagogos e professores foram chamados tamb\u00e9m. As aulas consumiam uma carga hor\u00e1ria maior. O material did\u00e1tico era diferenciado e mandado imprimir pelas pr\u00f3prias escolas, contendo textos explicativos e exerc\u00edcios, relativos ao assunto, em cadernos ricamente diagramados.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>Ao ser deixado de lado pelas classes m\u00e9dias e altas, o ensino p\u00fablico perderia o principal nicho social que poderia, de alguma forma, fazer press\u00e3o pela melhoria do ensino junto \u00e0s autoridades, reivindicando direitos e exigindo escolas de qualidade. Com isso, muitas escolas p\u00fablicas, que outrora eram reconhecidas como de excel\u00eancia, passaram a conhecer a decad\u00eancia.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>Das poucas escolas que conseguiram sobreviver a esse esvaziamento social, oferecendo um ensino de relativa qualidade, todas elas, indistintamente, tinham em seus quadros de dire\u00e7\u00e3o, professores abnegados e incans\u00e1veis, que passavam a maior parte do ano peregrinando pelos corredores dos minist\u00e9rios em busca de aux\u00edlio e, muitas vezes, n\u00e3o se dobrando \u00e0s humilha\u00e7\u00f5es impostas pela burocracia estatal e pela indiferen\u00e7a com o problema.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>Os ministros da pasta que, antes, exibiam invej\u00e1veis curr\u00edculos acad\u00eamicos, foram substitu\u00eddos por pol\u00edticos profissionais dispostos a tudo, menos a atender \u00e0s necessidades da \u00e1rea. O mesmo passou a ocorrer em \u00e2mbito estadual e municipal, com os secret\u00e1rios de educa\u00e7\u00e3o, a grande maioria despreparada e avessa a esses problemas.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>Deu no que deu. Nesse v\u00e1cuo e nesse terreno baldio em que se transformaria o ensino p\u00fablico, ficaram alguns professores em fim de carreira, cansados e desiludidos da luta pela melhoria do ensino e alguns outros professores, que caso fossem submetidos a exames para medir o grau de conhecimento nas disciplinas que ministravam, seriam automaticamente reprovados. Os baixos sal\u00e1rios cuidaram para espantar os poucos profissionais de ensino com maior preparo. Os sindicatos, como bra\u00e7os avan\u00e7ados dos partidos, cuidaram de fazer a sua parte, paralisando continuamente as aulas em busca n\u00e3o apenas de melhoria salarial, mas com vistas em interesses pol\u00edticos e eleitoreiros.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>N\u00e3o surpreende que hoje o ensino p\u00fablico do pa\u00eds seja um dos mais mal avaliados nos certames internacionais como o Pisa e outros. Hoje, o ensino p\u00fablico \u00e9 ofertado, em grande parte, para pessoas de baixa renda que n\u00e3o encontram outra op\u00e7\u00e3o. \u00c9 isso ou nada. Com a pandemia prolongada esse fosso entre escola p\u00fablica e privada s\u00f3 fez aumentar ainda mais, acentuando dramaticamente a desigualdade social.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>Alunos de escolas privadas continuam tendo aulas, via computador. Os alunos do ensino p\u00fablico, na sua maioria, nem sabem em que escola est\u00e3o matriculados e que s\u00e9rie est\u00e3o cursando. Para tornar esse quadro ainda mais surreal, agora a Comiss\u00e3o de Constitui\u00e7\u00e3o e Justi\u00e7a da C\u00e2mara dos Deputados acabou de aprovar o Projeto Lei (3262\/19), permitindo o chamado homeschooling, ou seja, a que os pais eduquem seus filhos em casa, retirando do C\u00f3digo Penal o crime de abandono intelectual. Por acaso n\u00e3o seria abandono intelectual o que o Estado promoveu, pensadamente, contra o ensino p\u00fablico? Fica a quest\u00e3o para um problema que nem esse nem outros governos passados conseguiram resolver minimamente.<\/div>\n<div><\/div>\n<div><strong>\u00a0<\/strong><\/div>\n<div><strong>A frase que foi pronunciada<\/strong><\/div>\n<div><strong>\u00a0<\/strong><\/div>\n<div><em>\u201cMinha escolaridade n\u00e3o s\u00f3 falhou em me ensinar o que professava ensinar, mas me impediu de ser educado a ponto de me enfurecer quando penso em tudo que poderia ter aprendido sozinho em casa.\u201d<\/em><\/div>\n<div><\/div>\n<div>George Bernard Shaw<\/div>\n<div>\n<figure id=\"attachment_18856\" aria-describedby=\"caption-attachment-18856\" style=\"width: 404px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-18856\" src=\"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2021\/03\/George.jpg\" alt=\"\" width=\"404\" height=\"534\" srcset=\"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2021\/03\/George.jpg 404w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2021\/03\/George-227x300.jpg 227w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2021\/03\/George-230x304.jpg 230w\" sizes=\"auto, (max-width: 404px) 100vw, 404px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-18856\" class=\"wp-caption-text\">George Bernard Shaw. Foto: wikipedia.org<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n<div><\/div>\n<div><\/div>\n<div><strong>Hist\u00f3ria de Bras\u00edlia<\/strong><\/div>\n<div>Pr\u00f3ximo \u00e0s casas da Edel, um fazendeiro da invas\u00e3o resolveu fazer um cercado e criar uma cocheira. H\u00e1 uma onda de mosquitos que n\u00e3o deixam ningu\u00e9m sossegado. <strong>(Publicado em 03\/02\/1962)<\/strong><\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>VISTO, LIDO E OUVIDO, criada por Ari Cunha (In memoriam) Desde 1960, com Circe Cunha e Mamfil \u2013 Manoel de Andrade jornalistacircecunha@gmail.com Facebook.com\/vistolidoeouvido Instagram.com\/vistolidoeouvido &nbsp; &nbsp; Alguns fatos ocorridos na din\u00e2mica social e urbana brasileira iriam, no final dos anos 1970, provocar uma s\u00e9rie de mudan\u00e7as estruturais no tradicional modelo educacional do pa\u00eds, principalmente no [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":34,"featured_media":19420,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"wpb_read_more":[],"footnotes":""},"categories":[23],"tags":[2337,2338,2339,1307,604,2818,2342,2273,1586,1235,114,2817,2340],"class_list":["post-19418","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-integra","tag-aricunha-2","tag-brasilia-2","tag-circecunha-2","tag-congressonacional","tag-educacaonobrasil","tag-ensinoprivadonobrasil","tag-ensinopubliconobrasil","tag-escolanapandemia","tag-escolapublica","tag-governobolsonaro","tag-historiadebrasilia","tag-homescooling","tag-mamfil-2"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/19418","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-json\/wp\/v2\/users\/34"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=19418"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/19418\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":19421,"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/19418\/revisions\/19421"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-json\/wp\/v2\/media\/19420"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=19418"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=19418"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=19418"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}