{"id":19463,"date":"2021-06-20T15:03:50","date_gmt":"2021-06-20T18:03:50","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/?p=19463"},"modified":"2021-06-20T15:06:05","modified_gmt":"2021-06-20T18:06:05","slug":"jose-serra-e-fernando-henrique","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/jose-serra-e-fernando-henrique\/","title":{"rendered":"Jos\u00e9 Serra e Fernando Henrique"},"content":{"rendered":"<p>VISTO, LIDO E OUVIDO, criada por Ari Cunha (In memoriam)<\/p>\n<p>Desde 1960, com Circe Cunha e Mamfil \u2013 Manoel de Andrade<\/p>\n<p>jornalistacircecunha@gmail.com<\/p>\n<p>Facebook.com\/vistolidoeouvido<\/p>\n<p>Instagram.com\/vistolidoeouvido<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<figure id=\"attachment_19466\" aria-describedby=\"caption-attachment-19466\" style=\"width: 645px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" wp-image-19466\" src=\"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2021\/06\/fhc.jpg\" alt=\"\" width=\"645\" height=\"428\" srcset=\"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2021\/06\/fhc.jpg 675w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2021\/06\/fhc-300x199.jpg 300w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2021\/06\/fhc-550x365.jpg 550w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2021\/06\/fhc-230x153.jpg 230w\" sizes=\"auto, (max-width: 645px) 100vw, 645px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-19466\" class=\"wp-caption-text\">Foto: Dida Sampaio\/AE<\/figcaption><\/figure>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Atribuem-se ao car\u00e1ter quase mon\u00e1rquico de nosso presidencialismo, herdado obviamente da fase anterior \u00e0 1889, alguns dos maiores defeitos desse sistema e tamb\u00e9m seu calcanhar de Aquiles. Dizem que est\u00e1 na dureza de uma rocha sua maior fragilidade. Talvez seja essa inflexibilidade e rigidez um dos fatores a gerar crises institucionais recorrentes. Num pa\u00eds continental e com tantas discrep\u00e2ncias sociais e econ\u00f4micas, tomar assento no Pal\u00e1cio do Planalto, com uma mir\u00edade de legendas pol\u00edticas, \u00e1vidas por espa\u00e7os e recursos, n\u00e3o \u00e9 tarefa para pessoas sem o devido preparo e sem a sensibilidade de gest\u00e3o que o cargo exige.<\/p>\n<p>Talvez, por isso mesmo, as crises frequentes, todas elas centradas e decorrentes do pr\u00f3prio presidente da Rep\u00fablica. De fato, desde a redemocratiza\u00e7\u00e3o, as seguidas crises podem ser personificadas na figura do chefe do Executivo, mais precisamente na sua incapacidade diante de um desafio cicl\u00f3pico como esse. Mas como toda regra possui uma exce\u00e7\u00e3o que a confirma, merece destaque aqui, at\u00e9 por representar um ponto fora dessa curva de poucos talentos, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, que, como o 34\u00ba mandat\u00e1rio da Rep\u00fablica Federativa do pa\u00eds, entre 1995 e 2003, notabilizou-se por ser o mais bem preparado para a fun\u00e7\u00e3o e que soube, como nenhum outro no passado, talvez caiba aqui tamb\u00e9m uma exce\u00e7\u00e3o ao ex-presidente Juscelino Kubitscheck (1956-1961), a quem muitos analistas dessa mat\u00e9ria enxergam semelhan\u00e7as com FHC no quesito concilia\u00e7\u00e3o e boa disposi\u00e7\u00e3o em negociar e buscar entendimentos em momentos de instabilidade.<\/p>\n<p>Com essa capacidade intelectual e af\u00e1vel, FHC p\u00f4de, com a ajuda de seu bem escalado minist\u00e9rio, mudar os rumos do pa\u00eds, preparando-o para os desafios impostos pelo s\u00e9culo 21. Ao comemorar agora seus provectos 90 anos, FHC lan\u00e7a seu vig\u00e9simo sexto livro, Um intelectual na pol\u00edtica, no qual narra, de mem\u00f3ria, sua vida pol\u00edtica, acertos e contratempos.<\/p>\n<p>Durante todo o tempo em que exerceu seu mandato, FHC p\u00f4de contar com a assessoria de um dos melhores e mais bem preparado conjunto de ministros j\u00e1 reunidos num s\u00f3 governo. Contando com excelentes t\u00e9cnicos, o governo FHC tornou realidade o que parecia imposs\u00edvel: debelar uma das mais altas e resistentes infla\u00e7\u00f5es do mundo.<br \/>\nGra\u00e7as a um engenhoso e met\u00f3dico plano econ\u00f4mico, sua equipe deu ao Brasil, depois de d\u00e9cadas, uma moeda est\u00e1vel e com um lastro que correspondia \u00e0 import\u00e2ncia do pa\u00eds. Nessa equipe, o nome de Jos\u00e9 Serra ganharia as manchetes de todo o pa\u00eds por sua enorme capacidade de trabalho e pelo legado que deixaria \u00e0 frente do Minist\u00e9rio do Planejamento e, sobretudo, no comando do Minist\u00e9rio da Sa\u00fade, onde promoveu uma verdadeira revolu\u00e7\u00e3o administrativa. Nestes tempos sombrios de pandemia, faz falta o talento de gestores pol\u00edticos e pragm\u00e1ticos do quilate de Jos\u00e9 Serra.<\/p>\n<p>\u00c0 frente do Minist\u00e9rio da Sa\u00fade, implementou um programa de enfrentamento \u00e0 Aids que seria copiado em todo o mundo e saudado pela ONU como um exemplo a ser seguido. Tamb\u00e9m no MS foi o idealizador da lei de incentivo aos medicamentos gen\u00e9ricos, for\u00e7ando a queda desses produtos no mercado, al\u00e9m de reduzir a zero os impostos federais incidentes nos medicamentos, principalmente aqueles de uso cont\u00ednuo, muito utilizados pela popula\u00e7\u00e3o de baixa renda. Foi ele quem tamb\u00e9m regulamentou a lei de patentes, solicitando o uso obrigat\u00f3rio de f\u00e1rmacos em caso de emerg\u00eancia na sa\u00fade p\u00fablica. Com isso, patentes importantes de medicamentos, como \u00e9 caso daqueles que eram indicados para o tratamento da Aids, foram quebradas para atender \u00e0s v\u00edtimas daquela doen\u00e7a, t\u00e3o temida naquela \u00e9poca.<\/p>\n<p>Jos\u00e9 Serra deu todo apoio do minist\u00e9rio ao Programa Sa\u00fade da Fam\u00edlia, ampliando as equipes em todo o pa\u00eds, dentro do princ\u00edpio que considerava esse trabalho como estrat\u00e9gia de sa\u00fade para desafogar os hospitais, visando dar maior humaniza\u00e7\u00e3o ao atendimento do SUS. Com Jos\u00e9 Serra, foi ainda criada a Central Nacional de Transplantes, al\u00e9m de in\u00fameros mutir\u00f5es de cirurgias em todo o pa\u00eds, com destaque para as cirurgias de cataratas e outras. Foi ele tamb\u00e9m que introduziu a vacina\u00e7\u00e3o dos idosos contra a gripe e que tornou realidade a elimina\u00e7\u00e3o do sarampo naquela ocasi\u00e3o. A cria\u00e7\u00e3o da Ag\u00eancia Nacional de Sa\u00fade Suplementar (ANS), regulando, pela primeira vez, o turbulento mercado de planos privados de sa\u00fade, tamb\u00e9m foi obra sua. Assim como a Ag\u00eancia Nacional de Vigil\u00e2ncia Sanit\u00e1ria (Anvisa), que passou a fazer o importante trabalho de controle sanit\u00e1rio de produtos e servi\u00e7os da sa\u00fade.<\/p>\n<p>Como ministro e pol\u00edtico, Jos\u00e9 Serra conseguiu que o Congresso aprovasse leis endurecendo medidas contra as ind\u00fastrias de fumo, levando adiante uma campanha nacional e revolucion\u00e1ria contra o tabagismo, com veda\u00e7\u00e3o de publicidade, proibi\u00e7\u00e3o de fumos em reparti\u00e7\u00f5es, mandando estampar nos ma\u00e7os imagens que mostravam os efeitos desse v\u00edcio sobre a sa\u00fade humana, sobretudo nos mais jovens.<\/p>\n<p>Tiv\u00e9ssemos um nome dessa qualidade hoje, quando o Brasil chora seus mortos pela covid-19, sem d\u00favida alguma, essa pandemia n\u00e3o teria criado ra\u00edzes entre n\u00f3s e n\u00e3o estar\u00edamos lamentando a morte de meio milh\u00e3o de brasileiros em pouco mais de um ano. Infelizmente, Jos\u00e9 Serra n\u00e3o logrou ser, como todos esperavam, o sucessor natural de FHC, o que seria um verdadeiro ponto de inflex\u00e3o na hist\u00f3ria do Brasil.<\/p>\n<p>Quis o destino, esse Malasartes, que o pa\u00eds fosse entregue novamente nas m\u00e3os despreparadas e sem \u00e9tica de outro aventureiro. Deu no que deu.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>A frase que foi pronunciada<\/strong><br \/>\n<em>\u201cNa minha vida p\u00fablica, j\u00e1 fui governo e j\u00e1 fui oposi\u00e7\u00e3o. De um lado ou de outro, nunca me dei \u00e0 frivolidade das bravatas, nunca investi no \u2018quanto pior, melhor\u2019, nunca exerci a pol\u00edtica do \u00f3dio.\u201d<\/em><br \/>\nJos\u00e9 Serra<\/p>\n<figure id=\"attachment_15152\" aria-describedby=\"caption-attachment-15152\" style=\"width: 541px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" wp-image-15152\" src=\"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2019\/10\/josecc81-serra-20170119-006-1-1-1.jpg\" alt=\"\" width=\"541\" height=\"361\" srcset=\"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2019\/10\/josecc81-serra-20170119-006-1-1-1.jpg 1125w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2019\/10\/josecc81-serra-20170119-006-1-1-1-300x200.jpg 300w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2019\/10\/josecc81-serra-20170119-006-1-1-1-768x512.jpg 768w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2019\/10\/josecc81-serra-20170119-006-1-1-1-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2019\/10\/josecc81-serra-20170119-006-1-1-1-350x233.jpg 350w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2019\/10\/josecc81-serra-20170119-006-1-1-1-550x367.jpg 550w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2019\/10\/josecc81-serra-20170119-006-1-1-1-230x153.jpg 230w\" sizes=\"auto, (max-width: 541px) 100vw, 541px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-15152\" class=\"wp-caption-text\">Foto: Beto Barata\/PR<\/figcaption><\/figure>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Hist\u00f3ria de Bras\u00edlia<\/strong><br \/>\nE h\u00e1 mais. Banheiros devass\u00e1veis de madeira d\u00e3o um atestado humilhante a uma \u00e1rea onde as resid\u00eancias custam, em m\u00e9dia, cinco milh\u00f5es de cruzeiros. <strong>(Publicada em 03.02.1962)<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>VISTO, LIDO E OUVIDO, criada por Ari Cunha (In memoriam) Desde 1960, com Circe Cunha e Mamfil \u2013 Manoel de Andrade jornalistacircecunha@gmail.com Facebook.com\/vistolidoeouvido Instagram.com\/vistolidoeouvido &nbsp; &nbsp; Atribuem-se ao car\u00e1ter quase mon\u00e1rquico de nosso presidencialismo, herdado obviamente da fase anterior \u00e0 1889, alguns dos maiores defeitos desse sistema e tamb\u00e9m seu calcanhar de Aquiles. 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