{"id":19873,"date":"2021-09-01T01:00:16","date_gmt":"2021-09-01T04:00:16","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/?p=19873"},"modified":"2021-09-01T10:39:12","modified_gmt":"2021-09-01T13:39:12","slug":"a-dama-morta","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/a-dama-morta\/","title":{"rendered":"A dama morta"},"content":{"rendered":"<p>VISTO, LIDO E OUVIDO, criada por Ari Cunha (In memoriam)<\/p>\n<p>Desde 1960, com Circe Cunha e Mamfil \u2013 Manoel de Andrade<\/p>\n<p>jornalistacircecunha@gmail.com<\/p>\n<p>Facebook.com\/vistolidoeouvido<\/p>\n<p>Instagram.com\/vistolidoeouvido<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<figure id=\"attachment_19876\" aria-describedby=\"caption-attachment-19876\" style=\"width: 595px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" wp-image-19876\" src=\"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2021\/09\/casa.jpg\" alt=\"\" width=\"595\" height=\"387\" srcset=\"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2021\/09\/casa.jpg 723w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2021\/09\/casa-300x195.jpg 300w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2021\/09\/casa-550x358.jpg 550w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2021\/09\/casa-230x150.jpg 230w\" sizes=\"auto, (max-width: 595px) 100vw, 595px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-19876\" class=\"wp-caption-text\">Casa do Cantador, em Ceil\u00e2ndia | Foto: Renato Ara\u00fajo \/ Ag\u00eancia Bras\u00edlia<\/figcaption><\/figure>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<div>Toda a cidade que se preza, aqui ou em qualquer outra parte do mundo, deve ser concebida como algo vivo na paisagem que cresce e vai se desenvolvendo ao longo do tempo, numa din\u00e2mica org\u00e2nica que muito se aproxima do ciclo evolutivo e natural humano. O que torna a cidade viva n\u00e3o s\u00e3o suas ruas, avenidas, pra\u00e7as e monumentos, mas, sim, o frenesi de sua popula\u00e7\u00e3o, que flui por seus espa\u00e7os como um sangue correndo por entre art\u00e9rias e veias.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>Ocorre que o motor capaz de tornar tudo isso poss\u00edvel, e que muitos acreditam ser a verdadeira alma de uma cidade, \u00e9 induzido pelo fermentar de sua atividade cultural, fervilhando noite e dia sem parar. Em outras palavras, a alma de uma cidade est\u00e1 na sua capacidade de produzir arte e cultura. \u00c9 isso que identifica e d\u00e1 vida a uma cidade. Cidades sem alma, que tamb\u00e9m existem como zumbis, s\u00e3o aquelas em que a arte e a cultura foram expulsas de seus limites, ou sequer chegaram a adentrar. Sendo assim, \u00e9 fato que n\u00e3o podem existir cidades vivas apartadas da cultura e da arte dos seus habitantes.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>N\u00e3o por outra raz\u00e3o, desde os estabelecimentos das primeiras civiliza\u00e7\u00f5es, h\u00e1 mil\u00eanios, a preocupa\u00e7\u00e3o primeira com a cria\u00e7\u00e3o de cidades que espelhassem a din\u00e2mica da vida e seus mist\u00e9rios levou os construtores a criarem, simultaneamente, pra\u00e7as com monumentos, jardins, portais, arcos e mon\u00f3litos colossais, tudo para embelezar e dar vida ao ambiente, numa demonstra\u00e7\u00e3o de que, naquele lugar, havia vida e cultura assentadas. \u00c9 esse o sentido primeiro e que at\u00e9 hoje \u00e9 seguido em todo o mundo.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>Quiseram, os idealizadores da capital do pa\u00eds, dotar Bras\u00edlia dos mais belos, amplos e modernos espa\u00e7os dedicados \u00e0 celebra\u00e7\u00e3o das artes. A corrente modernista, que nos anos 1950 e 1960, guiou os tra\u00e7os urbanos da nova capital, tinha em seu prop\u00f3sito b\u00e1sico o conceito de conjugar arte e arquitetura, dando a uma e a outra n\u00e3o apenas a oportunidade de di\u00e1logo entre o concreto e o abstrato, mas atingir, com essa proposta, a possibilidade real de demonstrar a capacidade de um povo de erguer uma cidade viva a espelhar a for\u00e7a criativa de sua gente, e que nada ficava devendo em qualidade a outras obras primas mundo afora.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>A import\u00e2ncia dessa uni\u00e3o entre arte e arquitetura \u00e9 que permitiu elevar a capital ao patamar de patrim\u00f4nio cultural da humanidade. Foi com esse pensamento que os idealizadores de Bras\u00edlia conceberam, logo nos primeiros projetos, os principais monumentos devotados, exclusivamente, \u00e0 contempla\u00e7\u00e3o cultural e art\u00edstica. Foi assim que, antes mesmo de se pensar em pr\u00e9dios para escrit\u00f3rios, foi projetado o Teatro Nacional, com v\u00e1rias salas para exibi\u00e7\u00e3o do que o Brasil sempre produziu de melhor na m\u00fasica, no teatro, al\u00e9m de museus como o de Arte Moderna, dedicado \u00e0 pintura, \u00e0 escultura e \u00e0s produ\u00e7\u00f5es do universo das artes pl\u00e1sticas.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>Logo em seguida, surgiram por toda a cidade espa\u00e7os e sal\u00f5es dedicados \u00e0 celebra\u00e7\u00e3o das artes, como o Espa\u00e7o Funarte, o Espa\u00e7o 508, galerias Oscar Seraphico, entre algumas outras famosas, que traziam o que de melhor era produzido no Brasil e no mundo para exibir ao p\u00fablico da cidade. Houve um tempo, l\u00e1 pelos anos 1970, que Bras\u00edlia se orgulhava de ter mais de 30 galerias de arte.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>Tamb\u00e9m os espa\u00e7os culturais, onde se assistiam a apresenta\u00e7\u00f5es alternativas de teatros e musicais, invadiram a cidade com a luminosidade das artes. A Escola de M\u00fasica, com seu teatro amplo, enchia a cidade de sons. Outros lugares, como a Concha Ac\u00fastica, as galerias do Banco do Brasil e da Caixa Econ\u00f4mica, ajudavam a capital a permanecer acesa durante as madrugadas.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>Houve um tempo, acredite se quiser, que Bras\u00edlia pulsava dia e noite. Os concertos e apresenta\u00e7\u00f5es se seguiam nos amplos espa\u00e7os verdes, como \u00e9 o caso do Concerto Cabe\u00e7as, a revelar o que Bras\u00edlia tinha de melhor e de mais promissor no campo da m\u00fasica e da poesia. Por toda parte e, ao longo de toda a semana, os espet\u00e1culos e mostras aconteciam.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>Na UnB, seu audit\u00f3rio de m\u00fasica, era agenda frequente para alunos e ouvintes. Espa\u00e7os, como os da Casa Thomas Jefferson e da Alian\u00e7a Francesa, traziam m\u00fasicos e artistas de seus pa\u00edses, atraindo sempre grande p\u00fablico. Infelizmente, todo esse fervilhar foi sendo reduzido por uma conjun\u00e7\u00e3o de fatores, que aliou gestores p\u00fablicos, infensos \u00e0 cultura, falta de incentivos diversos, crescimento desordenado da cidade, com o surgimento da viol\u00eancia urbana, al\u00e9m de outras causas mais s\u00e9rias trazidas por uma pandemia mortal sem prazo para acabar e governos federal e distrital, que parecem ter na cultura um inimigo a ser derrotado. Tempos tristes esses em que a cidade, que antes pulsava em nossas m\u00e3os, hoje se apresenta como uma dama morta.<\/div>\n<div><\/div>\n<div><\/div>\n<div><strong>A frase que foi pronunciada<\/strong><\/div>\n<div><em>\u201cArquitetura \u00e9, antes de mais nada, constru\u00e7\u00e3o, mas constru\u00e7\u00e3o concebida com o prop\u00f3sito primordial de ordenar e organizar o espa\u00e7o para determinada finalidade e visando \u00e0 determinada inten\u00e7\u00e3o.\u201d<\/em><\/div>\n<div>Oscar Niemeyer<\/div>\n<div>\n<figure id=\"attachment_11815\" aria-describedby=\"caption-attachment-11815\" style=\"width: 541px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" wp-image-11815\" src=\"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2018\/08\/LucioOscar.jpg\" alt=\"\" width=\"541\" height=\"413\" srcset=\"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2018\/08\/LucioOscar.jpg 400w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2018\/08\/LucioOscar-300x229.jpg 300w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2018\/08\/LucioOscar-350x267.jpg 350w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2018\/08\/LucioOscar-230x175.jpg 230w\" sizes=\"auto, (max-width: 541px) 100vw, 541px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-11815\" class=\"wp-caption-text\">Sob a batuta de L\u00facio Costa, Oscar se diverte grafite e aquarela, 29x21cm, 2010 (evblogaleria.blogspot.com)<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n<div><\/div>\n<div><strong>Hist\u00f3ria de Bras\u00edlia<\/strong><\/div>\n<div>O que ocorre \u00e9 isto, e o ministro Alfredo Nasser precisa saber: a Ag\u00eancia Nacional tem um quadro de redatores grande demais e apenas meia d\u00fazia trabalha. A maioria est\u00e1 encostada em outras reparti\u00e7\u00f5es, e se houver uma concentra\u00e7\u00e3o de todos os redatores da AN, o edif\u00edcio do Minist\u00e9rio da Justi\u00e7a n\u00e3o ter\u00e1 mesas para todos.\u00a0<strong>(Publicada em 07\/02\/1962)<\/strong><\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>VISTO, LIDO E OUVIDO, criada por Ari Cunha (In memoriam) Desde 1960, com Circe Cunha e Mamfil \u2013 Manoel de Andrade jornalistacircecunha@gmail.com Facebook.com\/vistolidoeouvido Instagram.com\/vistolidoeouvido &nbsp; &nbsp; Toda a cidade que se preza, aqui ou em qualquer outra parte do mundo, deve ser concebida como algo vivo na paisagem que cresce e vai se desenvolvendo ao [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":34,"featured_media":19876,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"wpb_read_more":[],"footnotes":""},"categories":[23],"tags":[2337,2345,2010,2902,2338,2339,284,114,2340,2903],"class_list":["post-19873","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-integra","tag-aricunha-2","tag-arquiteturaeurbanismo","tag-arteeculturaembrasilia","tag-arteeculturanodf","tag-brasilia-2","tag-circecunha-2","tag-cldf","tag-historiadebrasilia","tag-mamfil-2","tag-monumentosdebrasilia"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/19873","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-json\/wp\/v2\/users\/34"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=19873"}],"version-history":[{"count":3,"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/19873\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":19877,"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/19873\/revisions\/19877"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-json\/wp\/v2\/media\/19876"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=19873"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=19873"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=19873"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}