{"id":19912,"date":"2021-09-08T01:00:19","date_gmt":"2021-09-08T04:00:19","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/?p=19912"},"modified":"2021-09-08T22:23:17","modified_gmt":"2021-09-09T01:23:17","slug":"o_distrito_federal_nao_e_uma_ilha","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/o_distrito_federal_nao_e_uma_ilha\/","title":{"rendered":"O Distrito Federal n\u00e3o \u00e9 uma ilha"},"content":{"rendered":"<p>VISTO, LIDO E OUVIDO, criada por Ari Cunha (In memoriam)<\/p>\n<p>Desde 1960, com Circe Cunha e Mamfil \u2013 Manoel de Andrade<\/p>\n<p>jornalistacircecunha@gmail.com<\/p>\n<p>Facebook.com\/vistolidoeouvido<\/p>\n<p>Instagram.com\/vistolidoeouvido<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<figure id=\"attachment_14300\" aria-describedby=\"caption-attachment-14300\" style=\"width: 596px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" wp-image-14300\" src=\"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2019\/06\/cerrado.jpg\" alt=\"\" width=\"596\" height=\"385\" srcset=\"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2019\/06\/cerrado.jpg 768w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2019\/06\/cerrado-300x194.jpg 300w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2019\/06\/cerrado-350x226.jpg 350w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2019\/06\/cerrado-550x355.jpg 550w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2019\/06\/cerrado-230x149.jpg 230w\" sizes=\"auto, (max-width: 596px) 100vw, 596px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-14300\" class=\"wp-caption-text\">Foto: brasil.gov.br<\/figcaption><\/figure>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<div>Com apenas 5.801,9Km\u00b2, o Distrito Federal se apresenta como um pequeno quadrado instalado bem no cora\u00e7\u00e3o da vasta regi\u00e3o Centro-Oeste. Por isso, no nosso caso espec\u00edfico, vale o dito: geografia \u00e9 destino e, tamb\u00e9m, fatalidade. O que vier a acontecer na regi\u00e3o central do Brasil ter\u00e1 reflexos diretos em Bras\u00edlia, ditando inclusive a sua viabilidade futura como capital. Dessa forma, fica mais do que evidente que os esfor\u00e7os no sentido de debelar, de modo satisfat\u00f3rio, a atual crise h\u00eddrica, tem, necessariamente, que ser estendidos a toda a regi\u00e3o circundante, num esfor\u00e7o conjunto, persistente e de longo prazo. Sem isso, n\u00e3o h\u00e1 solu\u00e7\u00e3o para o problema crescente de falta de \u00e1gua.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>Ambientalistas brasileiros e internacionais, que bem entendem do problema, s\u00e3o un\u00e2nimes em reconhecer que a regi\u00e3o Centro-Oeste e, principalmente, todo o bioma cerrado est\u00e3o na imin\u00eancia de vir a se transformar, em pouco tempo, num grande e \u00e1rido deserto por conta da gan\u00e2ncia humana desmedida e inescrupulosa. Observando o que vem se passando, num raio de pouco mais de 500km em torno da capital, \u00e9 poss\u00edvel, agora, ter uma ideia mais precisa dos ser\u00edssimos problemas que, h\u00e1 anos, vem ocorrendo e se acumulando em toda regi\u00e3o, e que mesmo a despeito dos seguidos alertas feitos, n\u00e3o foram enfrentados de forma pronta e respons\u00e1vel pelas autoridades. Nos \u00faltimos anos, centenas de pequenos riachos e afluentes de rios caudalosos simplesmente deixaram de existir. O mesmo fen\u00f4meno vem acontecendo com nascentes e lagoas: a maioria est\u00e1 em avan\u00e7ado processo de desaparecimento.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>O que ocorre na regi\u00e3o Centro-Oeste se repete no restante do pa\u00eds. Dados divulgados pelo Observat\u00f3rio do Clima mostram que, no Brasil, as emiss\u00f5es de gases de efeito estufa aumentaram em 8,9% no ano passado e dever\u00e3o seguir a mesma tend\u00eancia este ano. \u00c9 o n\u00edvel mais alto desde 2008 e a maior eleva\u00e7\u00e3o vista desde 2004. No ano passado o pa\u00eds emitiu 2,278 bilh\u00f5es de toneladas brutas de g\u00e1s carb\u00f4nico equivalente (CO2e), o que coloca o Brasil como a s\u00e9timo maior poluidor do planeta. Pior \u00e9 que esse aumento de polui\u00e7\u00e3o se deu em meio \u00e0 maior recess\u00e3o econ\u00f4mica da hist\u00f3ria do pa\u00eds, o que equivale a dizer o Brasil aumentou os \u00edndices de polui\u00e7\u00e3o sem gerar riqueza alguma para os brasileiros.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>O aumento de polui\u00e7\u00e3o se deu, exclusivamente, por conta do desmatamento, de mudan\u00e7as de uso da terra e em consequ\u00eancia das seguidas queimadas. \u201cTemos, hoje, a pior manchete clim\u00e1tica do planeta: aumento de emiss\u00f5es em raz\u00e3o de desenfreada destrui\u00e7\u00e3o florestal e totalmente dissociado da economia. N\u00e3o vai adiantar o governo e os ruralistas dizerem l\u00e1 fora que o agro \u00e9 pop; n\u00e3o v\u00e3o convencer a comunidade internacional e os mercados de que est\u00e1 tudo bem por aqui\u201d, diz Carlos Rittl, secret\u00e1rio-executivo do Observat\u00f3rio do Clima.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>No caso da regi\u00e3o Centro-Oeste, que nos interessa mais particularmente, estudos demonstram que, entre 2013 e 2015, 18.962km\u00b2 de cerrado foram destru\u00eddos, o que equivale \u00e0 perda de uma \u00e1rea equivalente \u00e0 cidade de S\u00e3o Paulo a cada dois meses. Este ritmo de destrui\u00e7\u00e3o torna o cerrado um dos ecossistemas mais amea\u00e7ados do planeta. Todos os ambientalistas envolvidos com essa quest\u00e3o concordam que a expans\u00e3o do agroneg\u00f3cio \u00e9 a principal causa desse problema. \u201cA exemplo de compromissos assumidos por empresas na Amaz\u00f4nia para eliminar o desmatamento de suas cadeias, \u00e9 fundamental que um passo na mesma dire\u00e7\u00e3o seja dado para o Cerrado, onde a situa\u00e7\u00e3o do desmatamento \u00e9 muito grave\u201d, afirma Cristiane Mazzetti, especialista em desmatamento zero do Greenpeace Brasil.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>Os cientistas lembram que o cerrado abriga as nascentes de oito das 12 regi\u00f5es hidrogr\u00e1ficas brasileiras e responde por um ter\u00e7o da biodiversidade do Brasil, com 44% de endemismo de plantas. Por outro lado, a redu\u00e7\u00e3o desse bioma alterar\u00e1 os regimes de chuvas, impactando n\u00e3o s\u00f3 o agroneg\u00f3cio, mas a exist\u00eancia da pr\u00f3pria capital do pa\u00eds. Essa situa\u00e7\u00e3o \u00e9 ainda mais calamitosa no Norte de Minas Gerais, que pode, em menos de duas d\u00e9cadas, se transformar em deserto, inviabilizando economicamente mais de um ter\u00e7o de todo o estado.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>O desmatamento, a monocultura e a pecu\u00e1ria intensiva, em conjunto com as condi\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas adversas, j\u00e1 levaram a pobreza e a mis\u00e9ria a mais de 142 munic\u00edpios mineiros, o que j\u00e1 afeta mais de 20% da popula\u00e7\u00e3o desse estado. \u00c9 preciso que todos compreendam que o que garante de fato a produ\u00e7\u00e3o agr\u00edcola e a pecu\u00e1ria no Brasil \u00e9 o equil\u00edbrio ambiental. Sem ele, n\u00e3o h\u00e1 forma\u00e7\u00e3o de chuvas por evapotranspira\u00e7\u00e3o e, por conseguinte, n\u00e3o h\u00e1 \u00e1gua para plantas e animais, inviabilizando absolutamente tudo. A destrui\u00e7\u00e3o do bioma Cerrado trar\u00e1 repercuss\u00f5es catastr\u00f3ficas para o pa\u00eds.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>Segundo alguns cientistas que a d\u00e9cadas estudam o cerrado, nessa regi\u00e3o, as ra\u00edzes atuam como uma gigantesca gigantescas esponjas, absorvendo as \u00e1guas das chuvas e levando-as a recarregar os aqu\u00edferos, favorecendo a maioria dos grandes rios da Am\u00e9rica do Sul. S\u00e3o as \u00e1guas desses aqu\u00edferos, como Guarani, Urucuia e Bambu\u00ed, que alimentam desde as represas de S\u00e3o Paulo, como o pr\u00f3prio Rio S\u00e3o Francisco. Especialistas alertam, inclusive, que o inc\u00eandio que devasta agora o Parque Nacional da Chapada dos Veadeiros, considerado o maior de todos os tempos, trar\u00e1 s\u00e9rias consequ\u00eancias para o abastecimento dessas reservas subterr\u00e2neas.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>O caminho das \u00e1guas vai das ra\u00edzes esponjosas para os len\u00e7\u00f3is fre\u00e1ticos e, desses, para os aqu\u00edferos, num ciclo sem fim. Neste caso, e mais uma vez, os cientistas est\u00e3o de acordo com a senten\u00e7a: a destrui\u00e7\u00e3o do cerrado, significa a destrui\u00e7\u00e3o dos rios num curto espa\u00e7o de tempo, sendo que a reposi\u00e7\u00e3o da vegeta\u00e7\u00e3o original e diversa \u00e9 tarefa das mais imposs\u00edveis. A destrui\u00e7\u00e3o da vegeta\u00e7\u00e3o levou ao desaparecimento de abelhas e vespas nativas, fundamentais para o processo delicado de poliniza\u00e7\u00e3o das plantas do cerrado, impedindo sua reprodu\u00e7\u00e3o.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>Esta situa\u00e7\u00e3o alarmante teve in\u00edcio ainda nos anos setenta com a expans\u00e3o das fronteiras da agropecu\u00e1ria sobre o cerrado. No caso da crise h\u00eddrica que afeta o Distrito Federal, a utiliza\u00e7\u00e3o das \u00e1guas subterr\u00e2neas para a irriga\u00e7\u00e3o da lavoura no entorno da capital vem prejudicando enormemente a recarga desses aqu\u00edferos, o que agrava, ainda mais, o problema da escassez de \u00e1gua na capital. Como na natureza tudo parece estar interligado dentro um sistema harm\u00f4nico, a insufici\u00eancia na recarga de \u00e1guas dos aqu\u00edferos acaba prejudicando as pr\u00f3prias nascentes que come\u00e7am a desaparecer, uma a uma, num efeito em cadeia, o que acaba por comprometer gravemente o abastecimento de c\u00f3rregos e rios.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>A cada ano aumenta o n\u00famero de munic\u00edpios pelo interior que declaram situa\u00e7\u00e3o de emerg\u00eancia por conta da falta de \u00e1gua. Este ano, foram 872 nesta condi\u00e7\u00e3o. O que os latifundi\u00e1rios do agroneg\u00f3cio ainda n\u00e3o compreenderam ainda \u00e9 que, com a destrui\u00e7\u00e3o do bioma cerrado, toda a atividade agropastoril desaparecer\u00e1 junto. Nem a cria\u00e7\u00e3o de caprinos ser\u00e1 vi\u00e1vel neste cen\u00e1rio de destrui\u00e7\u00e3o. Estamos todos, conscientemente, destruindo o ch\u00e3o sob nossos p\u00e9s. O aumento da popula\u00e7\u00e3o e do consumo, a destrui\u00e7\u00e3o do meio ambiente, concomitante aos efeitos do aquecimento global. A polui\u00e7\u00e3o crescente e o descaso das pessoas e dirigentes, tudo leva a crer que entramos num ciclo descendente que parece preparar nosso pr\u00f3prio fim.<\/div>\n<div><\/div>\n<div><\/div>\n<div><\/div>\n<div><\/div>\n<div><strong>Hist\u00f3ria de Bras\u00edlia<\/strong><\/div>\n<div>O servi\u00e7o de comunica\u00e7\u00e3o do Minist\u00e9rio da Fazenda est\u00e1 pior que o DCT e a culpa disso \u00e9 o abandono a que est\u00e1 relegado no Rio. Um telegrama remetido pelo diretor-geral no dia 26 somente hoje chegou em nossas m\u00e3os. O mesmo telegrama passado tamb\u00e9m pelo DCT chegou no mesmo dia em outra institui\u00e7\u00e3o. <strong>(Publicada em 08.02.1962)<\/strong><\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>VISTO, LIDO E OUVIDO, criada por Ari Cunha (In memoriam) Desde 1960, com Circe Cunha e Mamfil \u2013 Manoel de Andrade jornalistacircecunha@gmail.com Facebook.com\/vistolidoeouvido Instagram.com\/vistolidoeouvido &nbsp; &nbsp; Com apenas 5.801,9Km\u00b2, o Distrito Federal se apresenta como um pequeno quadrado instalado bem no cora\u00e7\u00e3o da vasta regi\u00e3o Centro-Oeste. 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