{"id":20118,"date":"2021-10-13T01:00:45","date_gmt":"2021-10-13T04:00:45","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/?p=20118"},"modified":"2021-10-13T10:50:15","modified_gmt":"2021-10-13T13:50:15","slug":"criando-corvos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/criando-corvos\/","title":{"rendered":"Criando corvos"},"content":{"rendered":"<p>VISTO, LIDO E OUVIDO, criada por Ari Cunha (In memoriam)<\/p>\n<p>Desde 1960, com Circe Cunha e Mamfil \u2013 Manoel de Andrade<\/p>\n<p>jornalistacircecunha@gmail.com<\/p>\n<p>Facebook.com\/vistolidoeouvido<\/p>\n<p>Instagram.com\/vistolidoeouvido<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<figure id=\"attachment_20120\" aria-describedby=\"caption-attachment-20120\" style=\"width: 587px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" wp-image-20120\" src=\"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2021\/10\/part.jpg\" alt=\"\" width=\"587\" height=\"317\" srcset=\"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2021\/10\/part.jpg 772w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2021\/10\/part-300x162.jpg 300w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2021\/10\/part-768x415.jpg 768w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2021\/10\/part-550x297.jpg 550w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2021\/10\/part-230x124.jpg 230w\" sizes=\"auto, (max-width: 587px) 100vw, 587px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-20120\" class=\"wp-caption-text\">Charge do C\u00edcero<\/figcaption><\/figure>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>N\u00e3o fosse o dinheiro suado dos pagadores de impostos, subtra\u00eddos de forma compuls\u00f3ria, por um Estado perdul\u00e1rio e um dos campe\u00f5es do planeta no quesito alta carga tribut\u00e1ria, as mais de 30 legendas partid\u00e1rias que hoje parasitam o Poder Legislativo, tornando a nossa democracia uma das mais caras e ineficientes do mundo moderno, teriam vida curta ou nem mesmo nos dariam o desprazer de existir. Em outras palavras, os nossos partidos existem, simplesmente, porque lhes s\u00e3o franqueados boa parcela de recursos p\u00fablicos. Sem essa dinheirama, contabilizada em bilh\u00f5es de reais, n\u00e3o ter\u00edamos essa baciada de agremia\u00e7\u00f5es pol\u00edticas que agem exatamente como clubes de argent\u00e1rios, no mais estrito modelo de empresa privada.<\/p>\n<p>Apenas por esse aspecto sui generis, podemos inferir que a representa\u00e7\u00e3o pol\u00edtica, t\u00e3o necess\u00e1ria para a manuten\u00e7\u00e3o do chamado Estado Democr\u00e1tico de Direito, realizada por meio de partidos sustentados, exclusivamente, com verbas p\u00fablicas, resultam, na verdade, numa esp\u00e9cie de democracia do tipo estatal, tutelada pelo Estado, gra\u00e7as aos cofres p\u00fablicos. Em outro sentido, pode-se entender que, por essa f\u00f3rmula, o que os brasileiros t\u00eam em m\u00e3os para represent\u00e1-los no parlamento, em todos os n\u00edveis, municipal, estadual e federal, s\u00e3o empresas t\u00edpicas do Estado, que, ao contr\u00e1rio de muitas, n\u00e3o necessitam adotar regras de compliance ou mesmo prestar contas, aos contribuintes, dos recursos que arrecadam e dos gastos que empreendem.<\/p>\n<p>A quest\u00e3o, nesse caso, \u00e9 como alcan\u00e7ar uma verdadeira democracia, com igualdade de oportunidade, sabendo-se que a ponte que liga o cidad\u00e3o ao Estado \u00e9 inteiramente constru\u00edda e alicer\u00e7ada com os recursos retirados \u00e0 f\u00f3rceps do cidad\u00e3o. Pior ainda do que ter partidos que muito se assemelham a t\u00edpicas estatais, sempre bancadas pela vi\u00fava, \u00e9 verificar que toda essa fortuna, carreada para as legendas, \u00e9 administrada por grupos instalados dentro da m\u00e1quina partid\u00e1ria, cuja a \u00fanica fun\u00e7\u00e3o \u00e9 praticar a matem\u00e1tica engenhosa da presta\u00e7\u00e3o de contas. Esse, inclusive \u00e9 um outro cap\u00edtulo vergonhoso do nosso sistema partid\u00e1rio, que por omiss\u00e3o e pouco zelo dos tribunais eleitorais, tornam as contas partid\u00e1rias uma fic\u00e7\u00e3o que \u00e9 submetida a infinitas manobras cont\u00e1beis para fazer o dinheiro desaparecer no sumidouro da burocracia. Com isso, vale a express\u00e3o espanhola: %u201Ccriamos corvos para que eles nos arranquem os olhos.<\/p>\n<p>Quando surgiu como uma for\u00e7a nova dentro do cen\u00e1rio pol\u00edtico do final dos anos 1970, o Partido dos Trabalhadores empolgava a oposi\u00e7\u00e3o ao regime pelo fato de obter seus recursos diretamente da popula\u00e7\u00e3o, por meio de vaquinhas, venda de camisetas e churrascos e outros meios originais e absolutamente transparentes. Essa era a for\u00e7a que mantinha esse partido bem ao gosto popular. Esse tempo amador, mas aut\u00eantico, vai longe, bem longe. Hoje o PT, como de resto todas as demais legendas, vive \u00e0 sombra do Estado, devidamente azeitado com verbas bilion\u00e1rias, fechados em si mesmos, distantes da popula\u00e7\u00e3o, hoje, chamada apenas pelo nome gen\u00e9rico de %u201Cbase%u201D. Fen\u00f4meno semelhante parece ter ocorrido tamb\u00e9m com os clubes de futebol.<\/p>\n<p>Antigamente, era comum falar-se em amor \u00e0 camisa. Eram tempos de inoc\u00eancia no futebol. Os times viviam praticamente dos recursos obtidos das bilheterias dos jogos. Por esse crit\u00e9rio, o desempenho no campeonato e a boa performance contavam muito para atrair o p\u00fablico. S\u00f3 os bons times, bem armados e treinados sobreviviam aos torneios. Esse tamb\u00e9m s\u00e3o tempos que j\u00e1 v\u00e3o bem longe. Seguidas pesquisas mostram que dentre as institui\u00e7\u00f5es do pa\u00eds, aquelas que menos gozam da simpatia e da confian\u00e7a dos brasileiros s\u00e3o justamente os partidos e seus respectivos pol\u00edticos. Por a\u00ed, pode-se ver que n\u00e3o \u00e9 o dinheiro que torna pessoas, empresas e institui\u00e7\u00f5es em algo respeit\u00e1vel e aceita pela popula\u00e7\u00e3o. Entre as coisas que o dinheiro n\u00e3o \u00e9 capaz de franquear, uma das mais importantes, \u00e9 a respeitabilidade e sua consequ\u00eancia direta representada pela credibilidade. Se o financiamento p\u00fablico, como afirmam muitos, \u00e9 necess\u00e1rio para afastar a influ\u00eancia interesseira das empresas privadas, por outro lado a abund\u00e2ncia de recursos e a sede como os pol\u00edticos se atiram ao pote dos financiamentos p\u00fablicos tem trazido mais preju\u00edzos do que benef\u00edcios para o aprimoramento da democracia brasileira.<\/p>\n<p>A perda paulatina e ininterrupta da confian\u00e7a popular, como bem demonstram pesquisas recentes de opini\u00e3o p\u00fablica, jamais poder\u00e3o ser contornadas com a entrada de bilh\u00f5es nos cofres das legendas. Nem todo o dinheiro do mundo em propaganda seria capaz de reverter a perda de credibilidade que parece ter tomado conta dos partidos e de seus respectivos membros. Um sinal de que o dinheiro n\u00e3o pode tudo, \u00e9 que a cada elei\u00e7\u00e3o aumenta o n\u00famero de eleitores que simplesmente deixam de comparecer ao pleito, desencantados com nosso modelo artificial de fazer pol\u00edtica representativa. H\u00e1 inclusive estudos que mostram que, n\u00e3o fosse a obrigatoriedade do voto, inscrito na lei, muitos eleitores s\u00f3 saberiam que \u00e9 elei\u00e7\u00e3o por se tratar de um feriado. Ao deixar de sobreviver com as contribui\u00e7\u00f5es diretas dos filiados e simpatizantes, os partidos pol\u00edticos come\u00e7aram a cortar o cord\u00e3o umbilical com a sociedade que afirmavam representar.<\/p>\n<p>Ao adquirirem a independ\u00eancia econ\u00f4mica, muito acima das necessidades, essas mesmas legendas se apartaram de vez da popula\u00e7\u00e3o, de quem s\u00f3 dependem efetivamente a cada quatro anos. Apoio efetivo s\u00f3 mesmo daqueles que trabalham diretamente nas campanhas e esperam recompensas. H\u00e1 uma crise dos partidos que parece s\u00f3 ser vista por aqueles que est\u00e3o do lado de fora e que \u00e9 formada pelo grosso da popula\u00e7\u00e3o. Nem mesmo os mais caros e criativos marqueteiros de campanhas pol\u00edticas de todo o pa\u00eds chamaram a aten\u00e7\u00e3o para esse importante fato, dando novo rumo \u00e0s campanhas.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>VISTO, LIDO E OUVIDO, criada por Ari Cunha (In memoriam) Desde 1960, com Circe Cunha e Mamfil \u2013 Manoel de Andrade jornalistacircecunha@gmail.com Facebook.com\/vistolidoeouvido Instagram.com\/vistolidoeouvido &nbsp; &nbsp; N\u00e3o fosse o dinheiro suado dos pagadores de impostos, subtra\u00eddos de forma compuls\u00f3ria, por um Estado perdul\u00e1rio e um dos campe\u00f5es do planeta no quesito alta carga tribut\u00e1ria, as [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":34,"featured_media":20120,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"wpb_read_more":[],"footnotes":""},"categories":[23],"tags":[2337,2338,2339,1307,2642,114,2340,1427,261],"class_list":["post-20118","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-integra","tag-aricunha-2","tag-brasilia-2","tag-circecunha-2","tag-congressonacional","tag-eleicoes2022","tag-historiadebrasilia","tag-mamfil-2","tag-partidospoliticos","tag-politicanobrasil"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/20118","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-json\/wp\/v2\/users\/34"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=20118"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/20118\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":20121,"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/20118\/revisions\/20121"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-json\/wp\/v2\/media\/20120"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=20118"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=20118"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=20118"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}