{"id":20183,"date":"2021-10-24T01:00:54","date_gmt":"2021-10-24T04:00:54","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/?p=20183"},"modified":"2021-10-25T10:47:49","modified_gmt":"2021-10-25T13:47:49","slug":"o-agronegocio-e-um-luxo-so","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/o-agronegocio-e-um-luxo-so\/","title":{"rendered":"O agroneg\u00f3cio \u00e9 um luxo s\u00f3"},"content":{"rendered":"<p>VISTO, LIDO E OUVIDO, criada por Ari Cunha (In memoriam)<\/p>\n<p>Desde 1960, com Circe Cunha e Mamfil \u2013 Manoel de Andrade<\/p>\n<p>jornalistacircecunha@gmail.com<\/p>\n<p>Facebook.com\/vistolidoeouvido<\/p>\n<p>Instagram.com\/vistolidoeouvido<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<figure id=\"attachment_14192\" aria-describedby=\"caption-attachment-14192\" style=\"width: 603px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" wp-image-14192\" src=\"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2019\/05\/ruralistas02.jpg\" alt=\"\" width=\"603\" height=\"452\" srcset=\"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2019\/05\/ruralistas02.jpg 480w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2019\/05\/ruralistas02-300x225.jpg 300w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2019\/05\/ruralistas02-350x263.jpg 350w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2019\/05\/ruralistas02-230x173.jpg 230w\" sizes=\"auto, (max-width: 603px) 100vw, 603px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-14192\" class=\"wp-caption-text\">Charge do Cerino<\/figcaption><\/figure>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Que rela\u00e7\u00f5es poderiam existir entre o agroneg\u00f3cio e a ind\u00fastria de artigo de alto luxo? \u00c0 primeira vista, tendo como imagem os antigos fazendeiros e produtores de alimentos e sua vida de simplicidade, avessa aos luxos e ao conforto das cidades grandes, n\u00e3o parece haver nenhuma liga\u00e7\u00e3o entre o materialismo consumista dos cidad\u00e3os urbanos e a vida buc\u00f3lica e despretensiosa do homem do campo.<\/p>\n<p>At\u00e9 pouco tempo, essas eram realidades bem distintas, sendo f\u00e1cil identificar e diferenciar o indiv\u00edduo do campo e o da cidade. Nas \u00faltimas d\u00e9cadas, contudo, essa realidade mudou muito, principalmente, \u00e0 medida que o agroneg\u00f3cio firmava o p\u00e9 pelo interior das terras brasileiras.<\/p>\n<p>Hoje, os produtores das chamadas commodities \u2014 milho, soja, algod\u00e3o e alguns outros produtos como carne bovina, su\u00edna e frango \u2014 vivem cercados de todo conforto e luxo que o dinheiro pode trazer. Ciente dessa nova realidade, a ind\u00fastria de artigos de luxo tamb\u00e9m fincou p\u00e9 em regi\u00f5es interioranas que, at\u00e9 pouco tempo, s\u00f3 conheciam esses produtos por meio das imagens de TV.<\/p>\n<p>Cidades do Centro-Oeste, como Goi\u00e2nia, Rio Verde, passaram a experimentar, agora, uma grande e variada oferta de artigos e servi\u00e7os de luxo, exclusivos para esses novos clientes de alto padr\u00e3o econ\u00f4mico, que v\u00e3o surgindo na esteira do agroneg\u00f3cio. S\u00e3o avi\u00f5es, carros esportivos de \u00faltima gera\u00e7\u00e3o, im\u00f3veis de alt\u00edssimo padr\u00e3o, joias, restaurantes, hot\u00e9is estrelados e outros mimos a que somente os muito endinheirados t\u00eam acesso.<\/p>\n<p>Obviamente que toda essa bonan\u00e7a assistida em algumas regi\u00f5es interioranas est\u00e1 circunscrita a um pequeno n\u00famero de indiv\u00edduos, propriet\u00e1rios de enormes latif\u00fandios, onde as monoculturas de soja, milho e algod\u00e3o s\u00e3o cultivadas de forma mecanizada, \u00e0 base do uso intensivo de muito defensivo agr\u00edcola e de agrot\u00f3xicos, muitos dos quais j\u00e1 banidos em outros pa\u00edses h\u00e1 anos. O que se produz nessas terras n\u00e3o pode ser classificado diretamente como alimento humano e, principalmente, para o consumo dos brasileiros, j\u00e1 que essas commodities se destinam \u00e0 exporta\u00e7\u00e3o para pa\u00edses como a China.<\/p>\n<p>O aumento da riqueza nesses lugares trouxe consigo outros aumentos, como os do fosso entre ricos e pobres, da concentra\u00e7\u00e3o de riqueza, do desemprego para trabalhadores pouco qualificados, dos pre\u00e7os nessas localidades, desde alimentos at\u00e9 moradias. Com isso, h\u00e1 registros de mais pobreza e do surgimento de \u00e1reas perif\u00e9ricas carentes, como encontradas nas grandes cidades. Mas o custo maior e at\u00e9 incomensur\u00e1vel de todo esse boom de riqueza e luxo nessas \u00e1reas recai mesmo sobre o meio ambiente.<\/p>\n<p>De forma resumida, o que se pode afirmar, sem erro, \u00e9 que, para que o agroneg\u00f3cio pudesse se firmar nessas regi\u00f5es, enriquecendo uma parcela diminuta da popula\u00e7\u00e3o, foi necess\u00e1rio, antes, a dizima\u00e7\u00e3o quase completa do variado e outrora riqu\u00edssimo bioma do cerrado. Matas nativas foram derrubadas a correntes e queimadas, terrenos foram aplainados, rios pequenos e m\u00e9dios, assoreados, deixando apenas o rastro de areia pelo ch\u00e3o. Os mam\u00edferos, aves, r\u00e9pteis, abelhas respons\u00e1veis pela poliniza\u00e7\u00e3o e outros simplesmente desapareceram.<\/p>\n<p>O que se v\u00ea na paisagem s\u00e3o imensas planta\u00e7\u00f5es, identificadas com c\u00f3digos formados por n\u00fameros e letras, mostrando aos entendidos que tipo de variedade geneticamente modificada \u00e9 aquela. Com isso come\u00e7ou a forma\u00e7\u00e3o de microclimas nessas regi\u00f5es que jamais foram sentidos. Calor infernal, secas prolongadas, nuvens de poeira e polui\u00e7\u00e3o cobrindo tudo, secamento de po\u00e7os artesianos e a lenta forma\u00e7\u00e3o de imensas \u00e1reas em processo de desertifica\u00e7\u00e3o, com a predomin\u00e2ncia de areia e p\u00f3.<\/p>\n<p>Nos \u00faltimos 30 anos, houve uma triplica\u00e7\u00e3o da \u00e1rea plantada no Brasil, sobretudo no Centro-Oeste, o que equivale a dizer que houve, tamb\u00e9m, uma triplica\u00e7\u00e3o das \u00e1reas desmatadas para a forma\u00e7\u00e3o desse tipo de plantio e para a forma\u00e7\u00e3o de pastos. Passamos de 19 milh\u00f5es de hectares plantados para 55 milh\u00f5es de hectares, com a extirpa\u00e7\u00e3o de \u00e1rea de igual tamanho das \u00e1reas nativas.<\/p>\n<p>Trata-se de um crime, cujos respons\u00e1veis ainda se d\u00e3o ao desplante de pousar como benfeitores, como se n\u00e3o existissem nem o amanh\u00e3 nem as novas gera\u00e7\u00f5es que depender\u00e3o do meio ambiente e seus recursos para, ao menos, sobreviver no planeta. Desses 55 milh\u00f5es de hectares, 36 milh\u00f5es s\u00e3o de soja para exporta\u00e7\u00e3o e engorda de porcos na China. Somente a soja ocupa cerca de 4,5% do territ\u00f3rio nacional, o que equivale a \u00e1reas de pa\u00edses como a It\u00e1lia e outros pelo mundo. Em segundo lugar vem a monocultura da cana-de-a\u00e7\u00facar, maior do que em todo o per\u00edodo do ciclo do a\u00e7\u00facar, entre os s\u00e9culos XVI a XVIII, e hoje avan\u00e7a com a soja sobre boa parte da floresta amaz\u00f4nica, deixando atr\u00e1s de si areia e deserto escaldante.<\/p>\n<p>Quem mais sofreu com toda essa expans\u00e3o desordenada e apressada foi justamente o Centro-Oeste, onde esses novos fazendeiros encontravam at\u00e9 incentivos governamentais para desmatar. Ainda hoje o desmatamento \u00e9 feito para a acomoda\u00e7\u00e3o e expans\u00e3o do agroneg\u00f3cio nessa regi\u00e3o. A forte demanda, amparada por um poderoso lobby dos produtores e dos compradores internacionais, tem surtido efeito muito maior do que as reclama\u00e7\u00f5es dos ambientalistas, vistos ainda hoje como empecilhos ao avan\u00e7o do agroneg\u00f3cio.<\/p>\n<p>O que temos aqui \u00e9 uma realidade que alguns tentam esconder sob o manto de n\u00fameros superlativos apresentados pela balan\u00e7a comercial. Por outro lado, o que se tem de fato \u00e9 a destrui\u00e7\u00e3o continuada da pr\u00f3pria terra em troca de an\u00e9is de brilhante, carros importados e outros luxos consumidos por uma minoria que enriquece \u00e0 medida que vai empobrecendo nosso meio ambiente, destruindo nossos preciosos recursos naturais em troca do vil metal.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Hist\u00f3ria de Bras\u00edlia<\/strong><br \/>\n<em>O turismo n\u00e3o pode organizar, porque o gov\u00earno do dr. J\u00e2nio Quadros cortou t\u00f4das as possibilidades. Foi constru\u00eddo o hotel, montado o hotel, est\u00e1 tudo comprado, abandonado, esperando o roubo, a destrui\u00e7\u00e3o pelo tempo, a ferrugem.\u00a0<\/em><strong>(Publicada em 13\/02\/1962)<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>VISTO, LIDO E OUVIDO, criada por Ari Cunha (In memoriam) Desde 1960, com Circe Cunha e Mamfil \u2013 Manoel de Andrade jornalistacircecunha@gmail.com Facebook.com\/vistolidoeouvido Instagram.com\/vistolidoeouvido &nbsp; &nbsp; Que rela\u00e7\u00f5es poderiam existir entre o agroneg\u00f3cio e a ind\u00fastria de artigo de alto luxo? \u00c0 primeira vista, tendo como imagem os antigos fazendeiros e produtores de alimentos e [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":34,"featured_media":14192,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"wpb_read_more":[],"footnotes":""},"categories":[23],"tags":[2427,1572,2337,354,2338,2969,2339,1307,114,2968,2340,410,1719],"class_list":["post-20183","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-integra","tag-agrobusiness","tag-agronegocio","tag-aricunha-2","tag-bancadaruralista","tag-brasilia-2","tag-centro-oeste","tag-circecunha-2","tag-congressonacional","tag-historiadebrasilia","tag-latifundionobrasil","tag-mamfil-2","tag-meioambiente","tag-ministeriodaagriculturaedomeioambiente"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/20183","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-json\/wp\/v2\/users\/34"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=20183"}],"version-history":[{"count":4,"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/20183\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":20188,"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/20183\/revisions\/20188"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-json\/wp\/v2\/media\/14192"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=20183"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=20183"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=20183"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}