{"id":21372,"date":"2022-07-03T01:00:16","date_gmt":"2022-07-03T04:00:16","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/?p=21372"},"modified":"2022-07-04T00:05:16","modified_gmt":"2022-07-04T03:05:16","slug":"vitoria-da-impunidade","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/vitoria-da-impunidade\/","title":{"rendered":"Vit\u00f3ria da impunidade?"},"content":{"rendered":"<p>VISTO, LIDO E OUVIDO, criada por Ari Cunha (In memoriam)<\/p>\n<p>Desde 1960, com Circe Cunha e Mamfil \u2013 Manoel de Andrade<\/p>\n<p>jornalistacircecunha@gmail.com<\/p>\n<p>Facebook.com\/vistolidoeouvido<\/p>\n<p>Instagram.com\/vistolidoeouvido<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<figure id=\"attachment_21374\" aria-describedby=\"caption-attachment-21374\" style=\"width: 626px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" wp-image-21374\" src=\"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2022\/07\/lava.jpg\" alt=\"\" width=\"626\" height=\"445\" srcset=\"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2022\/07\/lava.jpg 870w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2022\/07\/lava-300x213.jpg 300w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2022\/07\/lava-768x546.jpg 768w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2022\/07\/lava-800x568.jpg 800w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2022\/07\/lava-550x391.jpg 550w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2022\/07\/lava-230x163.jpg 230w\" sizes=\"auto, (max-width: 626px) 100vw, 626px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-21374\" class=\"wp-caption-text\">Opera\u00e7\u00e3o Lava Jato<\/figcaption><\/figure>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Com a publica\u00e7\u00e3o de nova resolu\u00e7\u00e3o (Lei n\u00ba 14.230 de 2021), a Lei de Improbidade Administrativa (LIA) era formalmente enterrada, tornando as san\u00e7\u00f5es aplic\u00e1veis, aos maus gestores p\u00fablicos, em letra morta. Assim, todos os atos de improbidade e de m\u00e1 gest\u00e3o dos recursos p\u00fablicos, e que antes acarretavam, al\u00e9m da inelegibilidade, instaura\u00e7\u00e3o de processos administrativos disciplinares e diversas outras penalidades, que iam da previs\u00e3o de indeniza\u00e7\u00e3o completa ao er\u00e1rio, devolu\u00e7\u00e3o do patrim\u00f4nio ilicitamente auferido at\u00e9 a perda de fun\u00e7\u00e3o p\u00fablica com suspens\u00e3o de direitos pol\u00edticos, chegava ao fim.<\/p>\n<p>Essa era, para muitos juristas, a Lei das Leis e que teria o cond\u00e3o de trazer o Brasil para o s\u00e9culo XXI, acabando com a roubalheira que, h\u00e1 d\u00e9cadas, assola grande parte dos mais de 5 mil munic\u00edpios espalhados por todo o pa\u00eds. Sob o pretexto de que estariam havendo excessos na aplica\u00e7\u00e3o dessa norma, prefeitos de todo Brasil fizeram um grande lobby nacional dentro do Congresso, onde, ali\u00e1s, est\u00e3o muitos pol\u00edticos enrolados e respondendo processos por crimes contra o er\u00e1rio, e acabaram conseguindo que a Lei de Improbidade fosse literalmente depenada, sem d\u00f3 ou piedade, por deputados e senadores, tornando, essa importante lei, uma norma in\u00f3cua e sem qualquer efetividade no combate \u00e0 corrup\u00e7\u00e3o end\u00eamica. Vit\u00f3ria da corrup\u00e7\u00e3o que j\u00e1 havia conseguido esfacelar as dez medidas de combate ao crime, al\u00e9m da pris\u00e3o em segunda inst\u00e2ncia que estava enfim assegurada. Restava, nesse vel\u00f3rio da \u00e9tica p\u00fablica, acabar com o \u00faltimo basti\u00e3o da moralidade, representado pela Opera\u00e7\u00e3o Lava Jato.<\/p>\n<p>Eram seis pilhas de um metro quadrado de \u00e1rea por cinco metros de altura cada, contendo notas fict\u00edcias de R$ 100, que ficaram expostas por um longo per\u00edodo na Boca Maldita, principal rua de Curitiba. O monumento simbolizava o montante de R$ 4 bilh\u00f5es recuperados pela for\u00e7a tarefa da Lava Jato. \u00c9 pouqu\u00edssimo, se comparado ao volume fant\u00e1stico de dinheiro desviado por grupos pol\u00edticos diversos, apenas na \u00faltima d\u00e9cada. \u00c9, contudo, muito dinheiro para os padr\u00f5es de um pa\u00eds como o Brasil, onde, historicamente, a impunidade e corrup\u00e7\u00e3o sempre foram tratadas de forma parcimoniosa pelas autoridades, sempre constrangidas em punir pessoas e grupos do mesmo estamento social, pol\u00edtico e econ\u00f4mico.<\/p>\n<p>Segundo estimativas feitas por t\u00e9cnicos no rastreio de dinheiro de origem suspeita, o Brasil perde por ano, em m\u00e9dia, R$ 200 bilh\u00f5es com esquemas de corrup\u00e7\u00e3o. Somente com rela\u00e7\u00e3o \u00e0 Petrobras, calcula-se que as contas ficaram no vermelho com R$ 40 bilh\u00f5es, embora, de forma oficiosa, a estatal tenha divulgado, \u00e0 \u00e9poca, um \u201cpreju\u00edzo\u201d de apenas R$ 6 bilh\u00f5es, com desvios de dinheiro dos cofres da empresa.<\/p>\n<p>Para se defender de processos no exterior, a estatal apresentou, \u00e0 \u00e9poca, argumento em cima da tese de que foi v\u00edtima da a\u00e7\u00e3o dos corruptos, embora a justi\u00e7a dos Estados Unidos e de diversos outros pa\u00edses, que possuem recursos investidos na empresa, afirmassem que havia muitos funcion\u00e1rios de carreira da Petrobras envolvidos diretamente nestes esquemas nebulosos. Hoje, pol\u00edticos n\u00e3o podem argumentar, de boa-f\u00e9, que a Petrobras n\u00e3o esteja fazendo bem o seu papel. \u00c9 bom que seja divulgado que na verdade a Petrobras paga mais impostos do que a Aplle e Microsoft juntas.<\/p>\n<p>De todas as vari\u00e1veis poss\u00edveis que envolvem os diversos casos de corrup\u00e7\u00e3o que vieram \u00e0 tona nos \u00faltimos anos, a maior certeza e o ponto fundamental que tem possibilitado o prosseguimento das a\u00e7\u00f5es \u00e9 dado pelo apoio maci\u00e7o da popula\u00e7\u00e3o ao combate de desvio de dinheiro p\u00fablico. A popula\u00e7\u00e3o, principalmente a de baixa renda, sente, na pr\u00f3pria pele, os efeitos nocivos e mesmo fatais que a corrup\u00e7\u00e3o provoca na vida da maioria dos brasileiros.<\/p>\n<p>A longa crise social, econ\u00f4mica e pol\u00edtica dos \u00faltimos anos teve, ao menos, o cond\u00e3o de mudar a percep\u00e7\u00e3o de boa parte da sociedade n\u00e3o somente para os problemas do pa\u00eds, mas, sobretudo, para aumentar o desejo e a atitude de muitos em dire\u00e7\u00e3o aos valores individuais, fazendo florescer, nos brasileiros, um sentimento mais individualista e voltado exclusivamente para as necessidades imediatas das pr\u00f3prias pessoas.<\/p>\n<p>Os efeitos da corrup\u00e7\u00e3o sist\u00eamica, conforme implantado pelos governos petistas e que tinham, como objetivos diretos, o enfraquecimento do Estado paulatinamente ao empoderamento do partido, apesar das investidas da pol\u00edcia e de toda a revela\u00e7\u00e3o da trama, deram frutos diversos. Uns bons. Outros nem tanto. Ao aumentar a descren\u00e7a na pol\u00edtica, retardou a consolida\u00e7\u00e3o plena da democracia. As revela\u00e7\u00f5es feitas pela pol\u00edtica e pelo Minist\u00e9rio P\u00fablico, apresentaram, para o distinto p\u00fablico, uma elite corrupta e disposta a tudo para enriquecer r\u00e1pido e sem esfor\u00e7o.<\/p>\n<p>Para um pa\u00eds que conta com mais de 700 mil presos, em condi\u00e7\u00f5es sub humanas de c\u00e1rcere, essas revela\u00e7\u00f5es serviram muito mais do que um simples incentivo para a a\u00e7\u00e3o continuada no mundo do crime. Deu, a essa parcela da popula\u00e7\u00e3o, a certeza de que a cadeia ainda \u00e9 lugar para os pobres.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>A frase que foi pronunciada:<\/strong><\/p>\n<p><em>\u201cOs estadistas diferem dos pol\u00edticos porque os primeiros pensam no futuro do pa\u00eds e os segundos nas pr\u00f3ximas elei\u00e7\u00f5es.\u201d<\/em><\/p>\n<p>Winston Churchill<\/p>\n<figure id=\"attachment_19202\" aria-describedby=\"caption-attachment-19202\" style=\"width: 384px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-19202\" src=\"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2021\/05\/WC.jpg\" alt=\"\" width=\"384\" height=\"532\" srcset=\"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2021\/05\/WC.jpg 384w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2021\/05\/WC-217x300.jpg 217w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2021\/05\/WC-230x319.jpg 230w\" sizes=\"auto, (max-width: 384px) 100vw, 384px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-19202\" class=\"wp-caption-text\">Winston Churchill. 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