{"id":21849,"date":"2022-09-18T01:00:27","date_gmt":"2022-09-18T04:00:27","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/?p=21849"},"modified":"2022-09-18T21:14:12","modified_gmt":"2022-09-19T00:14:12","slug":"muitosinceros","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/muitosinceros\/","title":{"rendered":"Muito $inceros"},"content":{"rendered":"<p>VISTO, LIDO E OUVIDO, criada desde 1960 por Ari Cunha (In memoriam)<\/p>\n<p>hoje, com Circe Cunha e Mamfil \u2013 Manoel de Andrade<\/p>\n<p>jornalistacircecunha@gmail.com<\/p>\n<p>Facebook.com\/vistolidoeouvido<\/p>\n<p>Instagram.com\/vistolidoeouvido<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<figure id=\"attachment_15750\" aria-describedby=\"caption-attachment-15750\" style=\"width: 508px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" wp-image-15750\" src=\"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2020\/01\/partidos.jpg\" alt=\"\" width=\"508\" height=\"310\" srcset=\"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2020\/01\/partidos.jpg 840w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2020\/01\/partidos-300x183.jpg 300w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2020\/01\/partidos-768x469.jpg 768w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2020\/01\/partidos-350x214.jpg 350w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2020\/01\/partidos-550x336.jpg 550w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2020\/01\/partidos-230x140.jpg 230w\" sizes=\"auto, (max-width: 508px) 100vw, 508px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-15750\" class=\"wp-caption-text\">Charge do Nicolielo<\/figcaption><\/figure>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Canalizados sob as mais diversas rubricas, sob as mais inventivas nomenclaturas, e de forma absolutamente compuls\u00f3ria, nenhuma legenda pol\u00edtica, das mais de trinta que orbitam os legislativos do pa\u00eds, sobreviveria por mais de quatro anos ou por mais de uma elei\u00e7\u00e3o, n\u00e3o fossem os recursos p\u00fablicos empreendidos.<\/p>\n<p>Apenas por esse aspecto sui generis, podemos inferir que a representa\u00e7\u00e3o pol\u00edtica, t\u00e3o necess\u00e1ria para a manuten\u00e7\u00e3o do chamado Estado Democr\u00e1tico de Direito, realizada por meio de partidos sustentados exclusivamente com verbas p\u00fablicas, resultam, na verdade, numa esp\u00e9cie de democracia do tipo estatal. Em outro sentido, pode-se entender que, por essa f\u00f3rmula, o que os brasileiros tem em m\u00e3os para represent\u00e1-los junto ao parlamento, em todos os n\u00edveis, municipal, estadual e federal, s\u00e3o empresas t\u00edpicas do Estado, que, ao contr\u00e1rio de muitas, espantosamente, n\u00e3o necessitam adotar regras de compliance ou mesmo prestar contas, aos contribuintes, dos recursos que arrecadam e dos gastos que empreendem.<\/p>\n<p>A quest\u00e3o nesse caso \u00e9 como alcan\u00e7ar uma verdadeira democracia, com igualdade de oportunidade, sabendo-se que a ponte que liga o cidad\u00e3o ao Estado \u00e9 inteiramente constru\u00edda e alicer\u00e7ada com a vontade e os recursos estatais, administrados nesse caso por indiv\u00edduos ou grupos instalados dentro da m\u00e1quina p\u00fablica.<\/p>\n<p>Quando surgiu como uma for\u00e7a nova dentro do cen\u00e1rio pol\u00edtico do final dos anos setenta, o Partido dos Trabalhadores empolgava as oposi\u00e7\u00f5es ao regime pelo fato de obter seus recursos diretamente da popula\u00e7\u00e3o, por meio de vaquinhas, venda de camisetas e churrascos, festas, outros meios originais e absolutamente transparentes. Essa era a for\u00e7a que mantinha esse partido bem ao gosto popular. Esse tempo amador, mas aut\u00eantico, j\u00e1 vai longe.<\/p>\n<p>Hoje as legendas vivem \u00e0 sombra do Estado, devidamente azeitados com verbas bilion\u00e1rias, fechados em si mesmos, distantes da popula\u00e7\u00e3o, hoje chamada apenas de base. Fen\u00f4meno semelhante parece ter ocorrido tamb\u00e9m com os clubes de futebol. Antigamente, era comum falar-se em amor \u00e0 camisa. Eram tempos de inoc\u00eancia dentro do futebol. Os times viviam praticamente dos recursos obtidos das bilheterias dos jogos. Por esse crit\u00e9rio, o desempenho no campeonato e a boa performance contavam muito para atrair o p\u00fablico. S\u00f3 os bons times, bem armados e treinados, sobreviviam aos torneios. Esses tamb\u00e9m s\u00e3o tempos que j\u00e1 v\u00e3o bem longe. Atualmente, os times s\u00e3o empresas e, quem parece brilhar, mais do que os jogadores, s\u00e3o os cartolas. Guardadas as propor\u00e7\u00f5es e a import\u00e2ncia de cada um para a vida dos brasileiros, os recursos f\u00e1ceis e abundantes acabaram por roubar a paix\u00e3o de eleitores e torcedores.<\/p>\n<p>Fundos partid\u00e1rios, eleitorais e para campanhas arrancam bilh\u00f5es dos cidad\u00e3os, a cada ano, transformando as legendas em empresas de grande porte, capaz de fazer inveja aos pa\u00edses do primeiro mundo. N\u00e3o \u00e9 por outro motivo que existem atualmente tantos partidos, com a expectativa de cria\u00e7\u00e3o de muitos outros. Ainda assim, com tanta fartura material, os partidos, e mesmo os pol\u00edticos, nunca estiveram t\u00e3o em baixa na confian\u00e7a do cidad\u00e3o.<\/p>\n<p>Seguidas pesquisas mostram que, dentre as institui\u00e7\u00f5es do pa\u00eds, aquelas que menos gozam da simpatia e da confian\u00e7a dos brasileiros s\u00e3o justamente os partidos e os respectivos pol\u00edticos. Por a\u00ed se pode ver que n\u00e3o \u00e9 o dinheiro que torna pessoas, empresas e institui\u00e7\u00f5es em algo respeit\u00e1vel e aceito pela popula\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Se o financiamento p\u00fablico, como afirmam muitos, \u00e9 necess\u00e1rio para afastar a influ\u00eancia das empresas privadas, por outro lado, a abund\u00e2ncia de recursos e a sede como os pol\u00edticos se atiram ao pote dos financiamentos p\u00fablicos t\u00eam trazido mais preju\u00edzos do que benef\u00edcios para os pr\u00f3prios pol\u00edticos e por tabela para o processo de aperfei\u00e7oamento da democracia brasileira.<\/p>\n<p>Nem todo o dinheiro do mundo em propaganda seria capaz de reverter a perda de credibilidade. Um sinal de que o dinheiro n\u00e3o pode tudo \u00e9 que, a cada elei\u00e7\u00e3o, aumenta o n\u00famero de eleitores que simplesmente deixam de comparecer \u00e0s urnas. H\u00e1, inclusive, estudos que mostram que, n\u00e3o fosse a obrigatoriedade do voto, inscrito na lei, muitos eleitores s\u00f3 saberiam que \u00e9 elei\u00e7\u00e3o por se tratar de um feriado.<\/p>\n<p>Do ponto de vista do cidad\u00e3o comum, os partidos vivem numa esp\u00e9cie de div\u00f3rcio litigioso com a popula\u00e7\u00e3o. Transformados em clubes fechados e insistindo em manter interlocu\u00e7\u00e3o apenas entre si e com aqueles instalados no poder e na m\u00e1quina p\u00fablica, os partidos pol\u00edticos j\u00e1 n\u00e3o empolgam a popula\u00e7\u00e3o. Esse efeito \u00e9 ruim para a democracia.<\/p>\n<p>De acordo com o Instituto Internacional pela Democracia e Assist\u00eancia Eleitoral (Idea), 118 pa\u00edses adotam algum tipo de financiamento p\u00fablico para apoiar partidos ou campanhas, mas nenhum deles possui tantos recursos e facilidades como o sistema brasileiro. Ao deixar de sobreviver com as contribui\u00e7\u00f5es diretas dos filiados e simpatizantes, os partidos pol\u00edticos come\u00e7aram a cortar o cord\u00e3o umbilical com a sociedade que afirmavam representar.<\/p>\n<p>Ao adquirir a independ\u00eancia econ\u00f4mica, muito acima das necessidades, essas mesmas legendas se apartaram de vez da popula\u00e7\u00e3o, de quem s\u00f3 depende efetivamente a cada quatro ano. Apoio efetivo s\u00f3 se compra daqueles que trabalham diretamente nas campanhas. H\u00e1 uma crise dos partidos que parece s\u00f3 ser vista por aqueles que est\u00e3o do lado de fora e que \u00e9 formada pelo grosso da popula\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>\u00c9 justamente esse ponto que foi percebido, com a lupa da gan\u00e2ncia, pelos mais caros e criativos marqueteiros de campanhas pol\u00edticas de todo o pa\u00eds. Capazes de transformar \u00e1gua em vinho, essas expertises da propaganda tiravam leite de pedra, mas, ainda assim, n\u00e3o foram capazes de solucionar a crise de identidade das legendas e seu desgaste perante a opini\u00e3o p\u00fablica.<\/p>\n<p>Impressionante como ainda muitas legendas s\u00e3o capazes de vender a alma para garantir um tempo maior em r\u00e1dio e televis\u00e3o. Mais impressionante verificar que, mesmo de posse de grandes somas de dinheiro, capaz de comprar os servi\u00e7os dos mais renomados bruxos do marketing pol\u00edtico, ainda assim os partidos pol\u00edticos n\u00e3o contam com a simpatia sincera da sociedade.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Hist\u00f3ria de Bras\u00edlia<\/strong><\/p>\n<p>Saia da escola, por favor. V\u00e1 ao Posto de Saude. N\u00e3o h\u00e1. Procure o mercado. Est\u00e1 em obras. Funciona, precariamente, em uma casa, vendendo o que \u00e9 poss\u00edvel, sem dar para o abastecimento de t\u00f4das as casas. O leite cega cedo, e n\u00e3o \u00e9 conservado em geladeiras, porque n\u00e3o h\u00e1 frigor\u00edficos. <strong>(Publicada em 10.03.1962)<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>VISTO, LIDO E OUVIDO, criada desde 1960 por Ari Cunha (In memoriam) hoje, com Circe Cunha e Mamfil \u2013 Manoel de Andrade jornalistacircecunha@gmail.com Facebook.com\/vistolidoeouvido Instagram.com\/vistolidoeouvido &nbsp; &nbsp; Canalizados sob as mais diversas rubricas, sob as mais inventivas nomenclaturas, e de forma absolutamente compuls\u00f3ria, nenhuma legenda pol\u00edtica, das mais de trinta que orbitam os legislativos do [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":34,"featured_media":15750,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"wpb_read_more":[],"footnotes":""},"categories":[23],"tags":[2337,2338,2339,3203,3239,2642,114,2340,1427,935],"class_list":["post-21849","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-integra","tag-aricunha-2","tag-brasilia-2","tag-circecunha-2","tag-congressonaiconal","tag-credibilidade","tag-eleicoes2022","tag-historiadebrasilia","tag-mamfil-2","tag-partidospoliticos","tag-votonobrasil"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/21849","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-json\/wp\/v2\/users\/34"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=21849"}],"version-history":[{"count":8,"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/21849\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":21859,"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/21849\/revisions\/21859"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-json\/wp\/v2\/media\/15750"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=21849"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=21849"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=21849"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}