{"id":21860,"date":"2022-09-21T01:00:00","date_gmt":"2022-09-21T04:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/?p=21860"},"modified":"2022-09-21T08:58:58","modified_gmt":"2022-09-21T11:58:58","slug":"o-avanco-da-poeira","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/o-avanco-da-poeira\/","title":{"rendered":"O avan\u00e7o da poeira"},"content":{"rendered":"<p>VISTO, LIDO E OUVIDO, criada desde 1960 por Ari Cunha (In memoriam)<\/p>\n<p>hoje, com Circe Cunha e Mamfil \u2013 Manoel de Andrade<\/p>\n<p>jornalistacircecunha@gmail.com<\/p>\n<p>Facebook.com\/vistolidoeouvido<\/p>\n<p>Instagram.com\/vistolidoeouvido<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<figure id=\"attachment_21866\" aria-describedby=\"caption-attachment-21866\" style=\"width: 549px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" wp-image-21866\" src=\"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2022\/09\/cerrado.png\" alt=\"\" width=\"549\" height=\"363\" srcset=\"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2022\/09\/cerrado.png 673w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2022\/09\/cerrado-300x198.png 300w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2022\/09\/cerrado-550x364.png 550w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2022\/09\/cerrado-230x152.png 230w\" sizes=\"auto, (max-width: 549px) 100vw, 549px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-21866\" class=\"wp-caption-text\">Foto: Carlos Fabal\/AFP &#8211; 25\/08\/19<\/figcaption><\/figure>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400\">\u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0Marchamos a passos acelerados, movidos por cega gan\u00e2ncia, por um caminho que, inevitavelmente, ir\u00e1 nos conduzir a um novo e vazio Planalto Central. Tomado pela aridez do deserto, esse imenso territ\u00f3rio, varrido por ventos escaldantes e pela poeira fina, est\u00e1 agora todo coberto com o farrapo branco da morte.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 O horizonte em volta daquela regi\u00e3o central do pa\u00eds, que um dia foi o ber\u00e7\u00e1rio das \u00e1guas e da vida, est\u00e1 hoje irreconhec\u00edvel. Assim como a outrora moderna e pujante capital do pa\u00eds, cercada e inviabilizada pelo deserto que avan\u00e7a intr\u00e9pido por ruas, avenidas e monumentos, cobrindo tudo com o p\u00f3 fino das areias.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Entre julho e setembro, o c\u00e9u se fecha com a cortina espessa e escura das nuvens de poeira, que aos poucos v\u00e3o soterrando Bras\u00edlia e o entorno. Tal como um coveiro lan\u00e7a terra sobre os mortos, a natureza, indiferente, vai sepultando tudo em volta, cobrando seu pre\u00e7o por d\u00e9cadas de destrui\u00e7\u00e3o dos campos do Cerrado.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Eis a\u00ed um vatic\u00ednio certo e seguro, que mostra como ser\u00e1, num curto espa\u00e7o de tempo, o Centro Oeste do Brasil, caso prossigam na mesma rota suicida substituindo a vegeta\u00e7\u00e3o local por monoculturas transg\u00eanicas, implantadas em imensos latif\u00fandios e destinadas \u00e0 exporta\u00e7\u00e3o e ao lucro de poucos. O Cerrado, como tem alertado os ecologistas e cientistas do meio ambiente, est\u00e1 agonizando \u00e0 vista de todos, por conta do agroneg\u00f3cio e da expans\u00e3o desenfreada da monocultura.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 \u00a0Somente o setor agropecu\u00e1rio, que coloca o Brasil como o pa\u00eds com o maior rebanho bovino do planeta, j\u00e1 tomou conta de mais de 45% de toda a \u00e1rea do bioma Cerrado. \u00c9 o lucro feito a qualquer custo e tem sido denunciado aqui, neste mesmo espa\u00e7o, para a contrariedade daqueles que acreditam ser poss\u00edvel lucrar com a destrui\u00e7\u00e3o irrevers\u00edvel. O Cerrado, como tem alertado a doutora em Antropologia Social e assessora do Instituto Sociedade, Popula\u00e7\u00e3o e Natureza (ISPN), Raisa Pina, est\u00e1 pedindo socorro e exigindo medidas urgentes para conter o desmatamento. Sobretudo agora, \u00e0s v\u00e9speras das elei\u00e7\u00f5es gerais, quando esse importante tema dever\u00e1 ser inclu\u00eddo ou, ao menos, citado entre os diversos programas de governo apresentado pelos candidatos. Por enquanto, esse tema delicado, por se tratar de um setor com grande poder de lobby e com uma expressiva bancada no Congresso, ainda n\u00e3o veio \u00e0 tona.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Falar de forma negativa do agrobusiness, quer apresentando verdades incontestes ou elencando seus efeitos delet\u00e9rios, mesmo em se tratando de um setor superavit\u00e1rio e incensado pelos pol\u00edticos, desperta paix\u00f5es e, n\u00e3o raro, termina em confus\u00e3o e press\u00f5es indesej\u00e1veis. \u00c9, sem d\u00favidas, um assunto delicado, mas que n\u00e3o deve ser evitado, sob pena de comprometermos, severamente, o futuro das pr\u00f3ximas gera\u00e7\u00f5es de brasileiros, que ir\u00e3o colher os frutos amargos de a\u00e7\u00f5es impensadas e baseadas apenas na ideia de lucro imediato.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 \u00a0Atr\u00e1s do processo din\u00e2mico do desmatamento, vem o agroneg\u00f3cio, de olho na expans\u00e3o insana da produ\u00e7\u00e3o. Quem, por acaso, duvidar desse processo de destrui\u00e7\u00e3o acelerada basta verificar o que mostram os n\u00fameros e dados fornecidos pelos cientistas que monitoram esse territ\u00f3rio.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Raissa Pina chama a aten\u00e7\u00e3o para o fato de que mesmo os chamados desmatamentos legais s\u00e3o irregulares e trazem enormes preju\u00edzos a todo esse Bioma. A controversa pol\u00edtica de Estado, baseada no desmatamento em favor do aumento de produ\u00e7\u00e3o do agroneg\u00f3cio, s\u00f3 faz legalizar uma atividade que vem destruindo, sistematicamente, o Cerrado. Essa hist\u00f3ria de que o agroneg\u00f3cio preserva n\u00e3o passa de propaganda falsa, feita para iludir consumidores, principalmente na Europa, onde aumentam os embargos a produtos, fruto de destrui\u00e7\u00e3o do meio ambiente.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 A cada avan\u00e7o das fronteiras agr\u00edcolas e do aumento de produ\u00e7\u00e3o, sempre anunciados com estardalha\u00e7o, aumenta, em maior propor\u00e7\u00e3o, a destrui\u00e7\u00e3o do meio ambiente, a expuls\u00e3o dos povos aut\u00f3ctones e a decad\u00eancia da agricultura familiar e da produ\u00e7\u00e3o de gr\u00e3os sadios. Para se ter uma ideia do avan\u00e7o do agroneg\u00f3cio sobre o Bioma Cerrado, apenas entre 2010 e 2020, o Cerrado perdeu mais de 6 milh\u00f5es de hectares de vegeta\u00e7\u00e3o nativa, lembra a pesquisadora. N\u00e3o se trata de uma \u00e1rea qualquer, j\u00e1 que o Cerrado ocupa quase um quarto do territ\u00f3rio nacional e responde sozinho por mais de 5% de toda a biodiversidade do planeta.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 O desaparecimento desse delicado bioma trar\u00e1 impactos profundos em toda a Terra. Como dizia, com muita propriedade, o pensador austr\u00edaco Karl Kraus: \u201cO progresso \u00e9 o avan\u00e7o inevit\u00e1vel da poeira\u201d.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400\"><strong>A frase que foi pronunciada:<\/strong><\/p>\n<p style=\"font-weight: 400\"><em>\u201cNem tudo o que \u00e9 torto \u00e9 errado. Veja as pernas do Garrincha e as \u00e1rvores do cerrado.\u201d<\/em><\/p>\n<p style=\"font-weight: 400\">Nicolas Behr<\/p>\n<figure id=\"attachment_21867\" aria-describedby=\"caption-attachment-21867\" style=\"width: 396px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-21867 size-full\" src=\"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2022\/09\/nb.png\" alt=\"\" width=\"396\" height=\"439\" srcset=\"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2022\/09\/nb.png 396w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2022\/09\/nb-271x300.png 271w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2022\/09\/nb-230x255.png 230w\" sizes=\"auto, (max-width: 396px) 100vw, 396px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-21867\" class=\"wp-caption-text\">Nicolas Behr. Foto: correiobraziliense.com<\/figcaption><\/figure>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400\"><strong>Emboulos<\/strong><\/p>\n<p style=\"font-weight: 400\">Uma faixa na igreja universal afirmando apoio, postagem nas redes sociais e milhares de visualiza\u00e7\u00f5es. O candidato pelo PSOL teve essa ideia para angariar mais eleitores. O caso foi parar no TSE, j\u00e1 que a institui\u00e7\u00e3o negou, veementemente, apoio a Boulos. Por muito menos, h\u00e1 candidatos que perderam a chance de concorrer \u00e0s elei\u00e7\u00f5es deste ano. Vamos acompanhar o desenrolar dos fatos.<\/p>\n<figure id=\"attachment_21868\" aria-describedby=\"caption-attachment-21868\" style=\"width: 545px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" wp-image-21868\" src=\"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2022\/09\/uni.png\" alt=\"\" width=\"545\" height=\"292\" srcset=\"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2022\/09\/uni.png 724w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2022\/09\/uni-300x161.png 300w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2022\/09\/uni-550x295.png 550w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2022\/09\/uni-230x123.png 230w\" sizes=\"auto, (max-width: 545px) 100vw, 545px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-21868\" class=\"wp-caption-text\">Imagem: universal.org<\/figcaption><\/figure>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400\"><strong>Hist\u00f3ria de Bras\u00edlia<\/strong><\/p>\n<p style=\"font-weight: 400\">Talha logo, perde. Mas crian\u00e7as do \u201cGavi\u00e3o\u201d n\u00e3o precisam tomar leite. Um frigor\u00edfico n\u00e3o \u00e9 para ser usado no \u201cGavi\u00e3o\u201d. E fica o bairro sem leite, depois das nove horas. <strong>(Publicada em 10.03.1962)<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>VISTO, LIDO E OUVIDO, criada desde 1960 por Ari Cunha (In memoriam) hoje, com Circe Cunha e Mamfil \u2013 Manoel de Andrade jornalistacircecunha@gmail.com Facebook.com\/vistolidoeouvido Instagram.com\/vistolidoeouvido &nbsp; &nbsp; \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0Marchamos a passos acelerados, movidos por cega gan\u00e2ncia, por um caminho que, inevitavelmente, ir\u00e1 nos conduzir a um novo e vazio Planalto Central. 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