{"id":22281,"date":"2022-11-23T01:00:29","date_gmt":"2022-11-23T04:00:29","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/?p=22281"},"modified":"2022-11-22T17:00:27","modified_gmt":"2022-11-22T20:00:27","slug":"iluminado-ao-sol-do-novo-mundo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/iluminado-ao-sol-do-novo-mundo\/","title":{"rendered":"Iluminado ao sol do Novo Mundo"},"content":{"rendered":"<p>VISTO, LIDO E OUVIDO, criada desde 1960 por Ari Cunha (In memoriam)<\/p>\n<p>hoje, com Circe Cunha e Mamfil \u2013 Manoel de Andrade<\/p>\n<p>jornalistacircecunha@gmail.com<\/p>\n<p>Facebook.com\/vistolidoeouvido<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<figure id=\"attachment_22283\" aria-describedby=\"caption-attachment-22283\" style=\"width: 750px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" wp-image-22283\" src=\"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2022\/11\/bsb-nub.png\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"421\" srcset=\"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2022\/11\/bsb-nub.png 980w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2022\/11\/bsb-nub-300x168.png 300w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2022\/11\/bsb-nub-768x431.png 768w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2022\/11\/bsb-nub-800x449.png 800w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2022\/11\/bsb-nub-550x309.png 550w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2022\/11\/bsb-nub-230x129.png 230w\" sizes=\"auto, (max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-22283\" class=\"wp-caption-text\">Foto: TV Globo\/Reprodu\u00e7\u00e3o<\/figcaption><\/figure>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400\">Somos apenas fracas proje\u00e7\u00f5es, ofuscadas por um tolo racionalismo. A verdadeira imagem e semelhan\u00e7a \u00e9 abstrata, como abstrato e l\u00facido \u00e9 o sentir. O capim ressequido, agitado pelos ventos de novembro, parece dizer adeus a todos que passam por esta estrada.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400\">Uma ave se lan\u00e7a num voo incerto contra a luz do fim de dia e pousa na arquitetura sem ci\u00eancia de um galho, cansada do seu voar sem rota. Vou at\u00e9 a janela. Um universo agita-se em frente com uma por\u00e7\u00e3o de esperan\u00e7a na Justi\u00e7a, nas Leis, nas regras.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400\">Elevo as m\u00e3os na altura dos olhos e tra\u00e7o uma linha que se estende paralela ao meio fio.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400\">Os telhados nas superquadras, com antenas captando ilus\u00f5es do ar, com trapos nos varais e com o c\u00e9u talhado por centenas de fios el\u00e9tricos, parecem decretar a morte da poesia.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400\">Nada h\u00e1 nestes dias a n\u00e3o ser, ao longe, o se perder das vozes roucas.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400\">Esses ventos \u00famidos secam a alma.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400\">Corro para a rua num olhar mec\u00e2nico reconhecendo o \u00f3cio dos dias de luta. Volto para o centro destas paredes e deixo o pensamento equidistante de tudo. Farta de saber que o mundo nada mais \u00e9 que um velho e ilus\u00f3rio parque de divers\u00f5es, com gente que, vendendo bilhetes, garantem breves prazeres aos ing\u00eanuos e aos maliciosos.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400\">Tentam eclipsar o sol tornando as vistas e o desejo para um telhado suave, tangido pelo quedar da tarde. Vem o retorno da noite visto pelo cimo da rua, trazendo os matizes do c\u00e9u habitado.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400\">Por onde andaria a velha amiga Mariinha ou o primo Cl\u00e1udio. A eles cabem os riscos celestes nas fotos que agarram a imagem pintada pelos anjos. Ou leem Zaratrusta, tocam flauta ou maldizem os indolentes e ego\u00edstas.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400\">Riscando a terra naqueles dias, ent\u00e3o muitos optaram por fazer sua trincheira, marcando sua posi\u00e7\u00e3o nesse mundo de ningu\u00e9m.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400\">Ah! Como lembro de ti! Como um porto. Um cemit\u00e9rio de navios onde os mastros feito silhuetas tristes pelo sol nascente pareciam \u00e1rvores a atravessarem o mar. Eram as correntes que, na bruma do cais, prendiam os sonhos idos. Repouse em ti o perfume das madressilvas. E seja esse c\u00e9u candango, sem gaivotas, a calmaria no mar alto do Cear\u00e1.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400\">Por que se mostram os astros aos l\u00edderes se a Am\u00e9rica dorme? Passamos absortos de um tempo. Com falas poucas. Com orelhas moucas.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400\">Deitando os olhos at\u00e9 as linhas imagin\u00e1rias do horizonte, ficamos a olhar para as pedras \u00e0 espera de algum movimento. E assim n\u00e3o vemos os p\u00e1ssaros que se abalam no espa\u00e7o.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400\">N\u00e3o conheces mais os arabescos antigos. E o rastro deixado pela lua nos telhados da cidade. Deixas de lado os sonhos que podiam ser teu acalento para correr atr\u00e1s da justi\u00e7a ou daqueles que n\u00e3o t\u00eam tempo para ti. S\u00e3o como as rochas que encerram os sonhos sem asas.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400\">Outra noite se cai e o pensamento segue a estrada imensa.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400\">A ursa maior se estende no c\u00e9u e a lua crescente lan\u00e7a sua t\u00eanue luz no planalto. Cruza o amor ao pa\u00eds como uma sombra em abalar os sonhos dos que nada sabem e dormem.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400\">Abro essas p\u00e1ginas ao vento. Com minha morte, vir\u00e1 o mar a salgar os versos antigos a tragar a espada cega da luta.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400\">Sigo definhando como as solas, cujo \u00fanico nexo \u00e9 seguir. Antecipo assim a noite a cada peda\u00e7o de ch\u00e3o. Paro. Olho para o espa\u00e7o e as forma\u00e7\u00f5es de luz se tornam como guias, partindo das cores de um diamante.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400\">Ou\u00e7o ao longe que \u00e9 f\u00e1cil se confundir com o tempo. Sol ou farol jogam a luz no arco \u00edris como se a chuva fosse a esperan\u00e7a da terra. Como encarna\u00e7\u00e3o da m\u00fasica, cantam as \u00e1guas em mini ondas no lago Parano\u00e1. Vivendo apenas alguns compassos, n\u00e3o ficam para ver o resultado de tanta cantoria.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400\">E a no\u00e7\u00e3o t\u00e3o cheia de ci\u00eancia das coisas \u00e9 redimida, quando as nuvens, atendendo ao canto, desinteressadamente lan\u00e7am chuva a terra.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400\">No livre arb\u00edtrio do verso, Deus deu a vida e o homem, na busca da harmonia com ela, concebeu a forma que lhe convinha.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400\">Grossas nuvens vagueiam sobre a cidade cinzenta. O olhar acompanha o movimento leve dos p\u00e1ssaros. Chove e estas \u00e1guas trazem um frescor antigo. Como os suaves arcos de um beco cheio de est\u00f3rias. O c\u00e9u \u00e9 recortado pelo oscilar sinuoso dos telhados, leves p\u00e1ssaros. Suaves arcos de um frescor antigo, na prosaica arruma\u00e7\u00e3o das vielas.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400\">Que tudo fique no seu lugar, sem protesto.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400\">Te\u00e7o os dias indiferente, bordando s\u00f3is e luas sempre diversos, indiferente \u00e0 malha que tra\u00e7a para mim a noite enorme e sem estrelas.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400\">Esque\u00e7o o labor dos astros.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400\"><strong>A frase que foi pronunciada:<\/strong><\/p>\n<p style=\"font-weight: 400\"><em>\u201cO \u00fanico ditador que eu aceito \u00e9 a voz silenciosa da minha consci\u00eancia.\u201d<\/em><\/p>\n<p style=\"font-weight: 400\">Mahatma Gandhi<\/p>\n<figure id=\"attachment_13503\" aria-describedby=\"caption-attachment-13503\" style=\"width: 734px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" wp-image-13503\" src=\"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2019\/02\/mahatma-gandhi-19480101-012.jpg\" alt=\"\" width=\"734\" height=\"489\" srcset=\"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2019\/02\/mahatma-gandhi-19480101-012.jpg 920w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2019\/02\/mahatma-gandhi-19480101-012-300x200.jpg 300w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2019\/02\/mahatma-gandhi-19480101-012-768x512.jpg 768w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2019\/02\/mahatma-gandhi-19480101-012-350x233.jpg 350w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2019\/02\/mahatma-gandhi-19480101-012-550x366.jpg 550w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2019\/02\/mahatma-gandhi-19480101-012-230x153.jpg 230w\" sizes=\"auto, (max-width: 734px) 100vw, 734px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-13503\" class=\"wp-caption-text\">Foto: R\u00fche\/ullstein bild\/Getty Images<\/figcaption><\/figure>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400\"><strong>Hist\u00f3ria de Bras\u00edlia<\/strong><\/p>\n<p style=\"font-weight: 400\">Provid\u00eancias, tamb\u00e9m, est\u00e3o faltando para que sejam ligados esgotos, luz e \u00e1gua para a escola nova, que est\u00e1 entregue desde novembro. <strong>(Publicada em 13.03.1962)<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>VISTO, LIDO E OUVIDO, criada desde 1960 por Ari Cunha (In memoriam) hoje, com Circe Cunha e Mamfil \u2013 Manoel de Andrade jornalistacircecunha@gmail.com Facebook.com\/vistolidoeouvido &nbsp; &nbsp; Somos apenas fracas proje\u00e7\u00f5es, ofuscadas por um tolo racionalismo. A verdadeira imagem e semelhan\u00e7a \u00e9 abstrata, como abstrato e l\u00facido \u00e9 o sentir. O capim ressequido, agitado pelos ventos [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":34,"featured_media":22283,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"wpb_read_more":[],"footnotes":""},"categories":[23],"tags":[2337,2338,2339,114,2340],"class_list":["post-22281","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-integra","tag-aricunha-2","tag-brasilia-2","tag-circecunha-2","tag-historiadebrasilia","tag-mamfil-2"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/22281","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-json\/wp\/v2\/users\/34"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=22281"}],"version-history":[{"count":4,"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/22281\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":22286,"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/22281\/revisions\/22286"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-json\/wp\/v2\/media\/22283"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=22281"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=22281"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=22281"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}