{"id":22381,"date":"2022-12-10T01:00:07","date_gmt":"2022-12-10T04:00:07","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/?p=22381"},"modified":"2022-12-09T20:44:43","modified_gmt":"2022-12-09T23:44:43","slug":"revolucao-dos-bichos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/revolucao-dos-bichos\/","title":{"rendered":"Revolu\u00e7\u00e3o dos Bichos"},"content":{"rendered":"<p>VISTO, LIDO E OUVIDO, criada desde 1960 por Ari Cunha (In memoriam)<\/p>\n<p>hoje, com Circe Cunha e Mamfil \u2013 Manoel de Andrade<\/p>\n<p>jornalistacircecunha@gmail.com<\/p>\n<p>Facebook.com\/vistolidoeouvido<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<figure id=\"attachment_22383\" aria-describedby=\"caption-attachment-22383\" style=\"width: 458px\" class=\"wp-caption alignleft\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-22383\" src=\"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2022\/12\/rev.png\" alt=\"\" width=\"458\" height=\"621\" srcset=\"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2022\/12\/rev.png 458w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2022\/12\/rev-221x300.png 221w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2022\/12\/rev-230x312.png 230w\" sizes=\"auto, (max-width: 458px) 100vw, 458px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-22383\" class=\"wp-caption-text\">Imagem: Divulga\u00e7\u00e3o<\/figcaption><\/figure>\n<p>N\u00e3o seria surpresa se, num futuro muito pr\u00f3ximo, o conceito de antropocentrismo, surgido na Europa, entre os s\u00e9culos XV e XVI, e que conduziu a humanidade a ser o que ela \u00e9 hoje, venha a ser suplantado por uma nova representa\u00e7\u00e3o; desta vez colocando como o centro do universo nem Deus, nem o homem, substitu\u00eddos agora pela ideia do animalismo, que visa igualar o ser humano com todas as esp\u00e9cies de seres vivos que habitam o planeta. Com isso, o que se pretende \u00e9 posicionar todos os seres viventes numa mesma base de igualdades de direitos, visando obter sua inser\u00e7\u00e3o social.<\/p>\n<p>O que pode, \u00e0 primeira vista, ser considerado uma maluquice, para outros \u00e9 fruto da pr\u00f3pria evolu\u00e7\u00e3o humana, que, ao abrir espa\u00e7o para outras criaturas, reconhece toda a natureza como parte integrante da vida e, como tal, digna e merecedora de figurar como o centro da aten\u00e7\u00e3o e do universo.<\/p>\n<p>Para alguns, essa nova concep\u00e7\u00e3o ruma no sentido de uma involu\u00e7\u00e3o, deixando Deus e o homem perdidos no cen\u00e1rio de toda a cria\u00e7\u00e3o, dissolvendo-os numa mesma massa de vida, onde todos s\u00e3o importantes e sem hierarquias.<\/p>\n<p>O animalismo forma hoje uma corrente de opini\u00e3o que reduz a import\u00e2ncia do antropocentrismo, de forma a igual\u00e1-la aos demais seres vivos. Para muitos pensadores, o antropocentrismo est\u00e1 ligado diretamente \u00e0s ideias de desvaloriza\u00e7\u00e3o das outras formas de vida, presentes em nosso planeta, sendo associado a problemas como a degrada\u00e7\u00e3o do meio ambiente, o aquecimento global e a destrui\u00e7\u00e3o de todo o ecossistema da Terra.<\/p>\n<p>Para os defensores do animalismo, \u00e9 falsa a ideia de que as peculiaridades da ra\u00e7a humana, como sensibilidade e consci\u00eancia, estejam acima de outras formas de vida e, por isso, justifique colocar todas as outras esp\u00e9cies a servi\u00e7o dos homens. Essa hist\u00f3ria de que todo o universo deve servir aos humanos tem nos levado em dire\u00e7\u00e3o \u00e0 ru\u00edna.<\/p>\n<p>Ideias de que h\u00e1 no universo um modelo de desenho inteligente, concebido para servir apenas \u00e0queles que se consideram mais inteligentes, \u00e9 falsa. Depois de deixarmos para tr\u00e1s os conceitos de Teocentrismo, que vigorou em toda Idade M\u00e9dia para ingressarmos na ideia de que o homem \u00e9 o centro do Universo, trazidos pelo Humanismo, eis que agora, dentro do perp\u00e9tuo ciclo da evolu\u00e7\u00e3o das esp\u00e9cies e das ideias, \u00e9 chegada a hora de deixamos o homem \u00e0 beira do caminho e seguirmos adiante nessa nova Arca de No\u00e9, salvando todas as esp\u00e9cies desse dil\u00favio provocado pela insensatez dos homens.<\/p>\n<p>A antiga exalta\u00e7\u00e3o da racionalidade levou-nos a um beco sem sa\u00edda do aquecimento global e da extin\u00e7\u00e3o de muitas esp\u00e9cies, num movimento de verdadeiro suic\u00eddio global. Agora, buscamos, dentro do cientificismo, brechas para escapar dessa destrui\u00e7\u00e3o anunciada. Numa dessas brechas, \u00e9 poss\u00edvel visualizar aspectos de um humanismo perdido no tempo e que, j\u00e1 no passado, clamava no deserto por mais humildade e compreens\u00e3o para o esplendor da vida, presente em todo o planeta e sua intrincada delicada inter-rela\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Hoje \u00e9 poss\u00edvel visualizar em um lugar da cidade, pichado em muros, frases do tipo: \u201csalvem as abelhas, pois exist\u00eancia humana corre risco de extin\u00e7\u00e3o\u201d. A obra dist\u00f3pica \u201cA revolu\u00e7\u00e3o dos Bichos\u201d, de George Orwell, best seller publicado no fim da Segunda Grande Guerra, para muitos, marcou o surgimento do conceito de animalismo. Em um dos trechos l\u00ea-se: \u201cO Homem \u00e9 a \u00fanica criatura que consome sem produzir. N\u00e3o d\u00e1 leite, n\u00e3o p\u00f5e ovos, \u00e9 fraco demais para puxar o arado, n\u00e3o corre o suficiente para alcan\u00e7ar uma lebre. Mesmo assim, \u00e9 o senhor de todos os animais. P\u00f5e-nos a trabalhar, d\u00e1-nos de volta o m\u00ednimo para evitar a inani\u00e7\u00e3o e fica com o restante. Nosso trabalho amaina o solo, nosso estrume o fertiliza e, no entanto, nenhum de n\u00f3s possui mais do que a pr\u00f3pria pele.<\/p>\n<p>As vacas, que aqui vejo \u00e0 minha frente, quantos litros de leite ter\u00e3o produzido este ano? E que aconteceu a esse leite, que deveria estar alimentando robustos bezerrinhos? Desceu pela garganta dos nossos inimigos. E as galinhas, quanto ovos puseram este ano, e quantos se transformaram em pintinhos? O restante foi para o mercado, fazer dinheiro para Jones e seus homens.\u201d<\/p>\n<p>Surgida como uma teoria pol\u00edtica dentro da fic\u00e7\u00e3o, o animalismo, vem ganhando, ao logo dos anos, status de corrente pol\u00edtico-filos\u00f3fica. Ao longo dos s\u00e9culos, ficou por demais provado que nossa esp\u00e9cie n\u00e3o s\u00f3 trata os outros animais como escravos, com escraviza o pr\u00f3prio semelhante, submetendo-os \u00e0s mais terr\u00edveis situa\u00e7\u00f5es. Desse modo, fica acertado que qualquer um que ande sobre duas pernas, beba \u00e1lcool e mate os outros animais \u00e9 um inimigo e, portanto, deve perder o trono e a supremacia sobre as outras esp\u00e9cies.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>A frase que foi pronunciada:<\/strong><\/p>\n<p><em>\u201cDesde esse dia, os ladr\u00f5es nunca mais se arriscaram a entrar na casa, o que foi \u00f3timo para os quatro m\u00fasicos de Bremen, que nela se instalaram, vivendo t\u00e3o regaladamente que nunca mais quiseram sair. E quem por \u00faltimo a contou, ainda a boca n\u00e3o lhe esfriou.\u201d<\/em><\/p>\n<p>Os m\u00fasicos da cidade de Bremen, dos Irm\u00e3os Grimm<\/p>\n<figure id=\"attachment_22382\" aria-describedby=\"caption-attachment-22382\" style=\"width: 406px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-22382\" src=\"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2022\/12\/grimm.png\" alt=\"\" width=\"406\" height=\"483\" srcset=\"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2022\/12\/grimm.png 406w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2022\/12\/grimm-252x300.png 252w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2022\/12\/grimm-230x274.png 230w\" sizes=\"auto, (max-width: 406px) 100vw, 406px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-22382\" class=\"wp-caption-text\">Ilustra\u00e7\u00e3o: grimmstories.com<\/figcaption><\/figure>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Hist\u00f3ria de Bras\u00edlia<\/strong><\/p>\n<p>Se a NOVACAP resolver importar pescado, n\u00f3s teremos uma Semana Santa a muito menor custo de alimenta\u00e7\u00e3o. J\u00e1 que o assunto est\u00e1 entregue ao desenfreio, seria o caso de o sr. Laranja aproveitar e utilizar os mercadinhos da W-4. <strong>(Publicada em 14.03.1962)<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>VISTO, LIDO E OUVIDO, criada desde 1960 por Ari Cunha (In memoriam) hoje, com Circe Cunha e Mamfil \u2013 Manoel de Andrade jornalistacircecunha@gmail.com Facebook.com\/vistolidoeouvido &nbsp; N\u00e3o seria surpresa se, num futuro muito pr\u00f3ximo, o conceito de antropocentrismo, surgido na Europa, entre os s\u00e9culos XV e XVI, e que conduziu a humanidade a ser o que [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":34,"featured_media":22383,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"wpb_read_more":[],"footnotes":""},"categories":[23],"tags":[3314,3315,2337,2338,2339,2393,114,1390,2340,2711],"class_list":["post-22381","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-integra","tag-animalismo","tag-antropocentrismo","tag-aricunha-2","tag-brasilia-2","tag-circecunha-2","tag-filosofia","tag-historiadebrasilia","tag-humanidade","tag-mamfil-2","tag-sociedade"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/22381","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-json\/wp\/v2\/users\/34"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=22381"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/22381\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":22385,"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/22381\/revisions\/22385"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-json\/wp\/v2\/media\/22383"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=22381"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=22381"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=22381"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}