{"id":22401,"date":"2022-12-15T01:00:57","date_gmt":"2022-12-15T04:00:57","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/?p=22401"},"modified":"2022-12-15T09:31:16","modified_gmt":"2022-12-15T12:31:16","slug":"uma-classe-centrada","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/uma-classe-centrada\/","title":{"rendered":"Uma classe centrada"},"content":{"rendered":"<p>VISTO, LIDO E OUVIDO, criada desde 1960 por Ari Cunha (In memoriam)<\/p>\n<p>hoje, com Circe Cunha e Mamfil \u2013 Manoel de Andrade<\/p>\n<p>jornalistacircecunha@gmail.com<\/p>\n<p>Facebook.com\/vistolidoeouvido<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<figure id=\"attachment_22404\" aria-describedby=\"caption-attachment-22404\" style=\"width: 724px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" wp-image-22404\" src=\"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2022\/12\/classe-m\u00e9dia.png\" alt=\"\" width=\"724\" height=\"481\" srcset=\"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2022\/12\/classe-m\u00e9dia.png 957w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2022\/12\/classe-m\u00e9dia-300x199.png 300w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2022\/12\/classe-m\u00e9dia-768x510.png 768w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2022\/12\/classe-m\u00e9dia-800x532.png 800w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2022\/12\/classe-m\u00e9dia-550x366.png 550w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2022\/12\/classe-m\u00e9dia-230x153.png 230w\" sizes=\"auto, (max-width: 724px) 100vw, 724px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-22404\" class=\"wp-caption-text\">Foto: virtunews.com<\/figcaption><\/figure>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400\">\u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0N\u00e3o se deve fechar os olhos aos fatos, porque, mesmo nessa cegueira volunt\u00e1ria, corre-se o risco de trope\u00e7armos neles, indo de cara contra o ch\u00e3o. A exist\u00eancia no Brasil de uma chamada Classe M\u00e9dia numerosa, que perfaz hoje metade da popula\u00e7\u00e3o do pa\u00eds ou algo em torno de 100 milh\u00f5es de indiv\u00edduos, \u00e9 um fato concreto, goste voc\u00ea ou n\u00e3o da ideia. A classe m\u00e9dia, por sua posi\u00e7\u00e3o intermedi\u00e1ria na pir\u00e2mide social, \u00e9 a prova viva de que \u00e9 poss\u00edvel viver apartada de governos, sejam eles de direita ou esquerda. Vive, ou na pior das hip\u00f3teses, sobrevive longe dos programas populistas e ideologicamente assistencialistas dos governos de plant\u00e3o. Em outras palavras, caminha com os pr\u00f3prios p\u00e9s. Talvez, por essa e outras raz\u00f5es, seja t\u00e3o duramente criticada e atacada de todos os lados, principalmente pelos que enxergam, nessa parcela da popula\u00e7\u00e3o, uma classe desvinculada e pouco afeita aos c\u00e2nticos de sereia de pol\u00edticos.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Emparedada de um lado entre as classes D e E e de outro contra as classes A e B, a classe m\u00e9dia experimenta o que seria o caminho do meio, pregado pelos budistas. Possui, ao mesmo tempo, as expertises emprestadas das classes D e E, quando o assunto \u00e9 livrar-se das armadilhas do governo, ao mesmo tempo em que vai aprendendo as artes de aplicar recursos, como fazem os ricos, correndo de um lado para outro para salvar seus rendimentos, de modo que possa levar uma vida com certa dignidade e de olho no futuro.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400\">\u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0H\u00e1 os que odeiam particularmente a classe m\u00e9dia justamente porque foi ela que, de certa forma, impediu ou frustrou as previs\u00f5es contidas no Manifesto Comunista de Karl Marx, de que o capitalismo, por suas contradi\u00e7\u00f5es, iria abrir caminho para a tomada do poder pela classe oper\u00e1ria, implantando assim o comunismo. N\u00e3o previa Marx que, no meio desse caminho, ergueria-se a enorme muralha formada pela classe m\u00e9dia. O \u00f3dio \u00e0 classe m\u00e9dia, por essa corrente, n\u00e3o tem impedido sua multiplica\u00e7\u00e3o em todo o mundo. Exemplo disso pode ser visto, lido e ouvido por fil\u00f3sofos que pregam, ser a classe m\u00e9dia brasileira, a representante do atraso de vida, da estupidez e ainda reacion\u00e1ria, conservadora, petulante, arrogante, terrorista, uma abomina\u00e7\u00e3o pol\u00edtica, uma abomina\u00e7\u00e3o \u00e9tica, violenta, e uma abomina\u00e7\u00e3o cognitiva por ser ignorante, entre outros adjetivos, dignos de uma acalorada discuss\u00e3o de boteco.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Foi justamente, no momento dessa declara\u00e7\u00e3o, que, al\u00e9m do papel\u00e3o e da sabujice, estava a seguir \u00e0 risca o que previu o semioticista Umberto Eco (1932-2016), em seu tratado \u201cRelativismo\u201d de 2005. Nesse trabalho, o fil\u00f3sofo denunciou que as redes sociais e a m\u00eddia iriam p\u00f4r um fim na cordialidade e acentuar a polariza\u00e7\u00e3o entre os indiv\u00edduos, minando o compartilhamento de ideias e que toda essa animalidade, que hoje nos envergonha, iria se estender tamb\u00e9m para a pol\u00edtica. \u00c9 o que presenciamos hoje nos debates, n\u00e3o apenas entre os pol\u00edticos, mas englobando a todos, inclusive pessoas a quem, por sua forma\u00e7\u00e3o acad\u00eamica, esper\u00e1vamos um m\u00ednimo de civilidade e educa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Dizia Eco que essa mudan\u00e7a ou regresso ao primitivo n\u00e3o seria tanto culpa da grosseria da m\u00eddia e se daria, muito mais, pelo fato de que as pessoas hoje s\u00f3 falam pensando em como a m\u00eddia ir\u00e1 noticiar o que foi dito. \u201cTemos a impress\u00e3o nos dias de hoje de que certos debates acontecem a golpes de fac\u00e3o, sem fineza, usando termos delicados como fosse pedras\u201d, previu o escritor do best seller \u201cO Nome da Rosa\u201d.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Os vatic\u00ednios de Humberto Eco se confirmaram para al\u00e9m do previsto. Atualmente, a cordialidade nos debates, seja de que tema for, foi deletada ou, no dizer moderno, \u201ccancelada\u201d das redes sociais. Dessa forma, o que assistimos agora s\u00e3o embates enfurecidos que nascem onde quer que haja diferen\u00e7a. O \u00f3dio fez sua morada nas redes sociais. H\u00e1, nesse contexto, uma certa tara das pessoas em criar desaven\u00e7as e inimigos. Com isso, a sociedade vai deixando de lado o compartilhamento de ideias, substituindo essa virtude por uma animalidade que est\u00e1 cada vez mais na flor da pele.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 As redes sociais s\u00e3o hoje um oceano cheio de tubar\u00f5es, prontos para atacar, censurar e ofender. Na pol\u00edtica, toda essa ferocidade ganhou ainda mais adrenalina. J\u00e1 n\u00e3o se tem oponente ou concorrente, mas inimigo fidagal, que deve ser destru\u00eddo ou, ao menos, desconstru\u00eddo em sua totalidade.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Para Eco, seria como se and\u00e1ssemos para tr\u00e1s no tempo, em termos humanos, levando conosco um tablet de \u00faltima gera\u00e7\u00e3o. Quem se deu ao enfado de assistir aos \u00faltimos debates para a presid\u00eancia do pa\u00eds, pela televis\u00e3o, p\u00f4de verificar que os projetos de governo sumiram. Quando surgiam ideias aproveit\u00e1veis e raras, eram logo substitu\u00eddas por ofensas e acusa\u00e7\u00f5es, como num ringue.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Quem ofende mais leva a melhor, segundo as redes. Os perdedores est\u00e3o entre aqueles que n\u00e3o querem pol\u00eamicas e se restringem a apresentar propostas. Debater num ambiente assim \u00e9 in\u00fatil. Ningu\u00e9m ouve o que \u00e9 dito. Perdemos a capacidade de escutar. At\u00e9 os ouvidos falam. A l\u00edngua comanda o c\u00e9rebro. As redes sociais viralizam com essas batalhas. A cortesia ficou fora de moda, atingindo, de alto a baixo, todas as classes.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 A contribuir para esse mundo de intrigas e de extremismos, as redes sociais agem para estimular, por meio das fakenews e das meias verdades, os embates e a viol\u00eancia. N\u00e3o seria estranho se algum dia algu\u00e9m venha a classificar as redes sociais, sobretudo no mundo pol\u00edtico, como o renascimento da m\u00edtica Torre de Babel. No af\u00e3 de perfurar o c\u00e9u, essa torre magn\u00edfica, uma esp\u00e9cie moderna das Torres G\u00eameas de Nova Iorque, veio abaixo, marcando com sangue a entrada do s\u00e9culo XXI, porque os homens parecem j\u00e1 n\u00e3o falar ou compreender a l\u00edngua humana.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Dizer que a classe m\u00e9dia \u00e9 hoje o \u00faltimo basti\u00e3o ou muralha contra o avan\u00e7o da ditadura das esquerdas pol\u00edticas, n\u00e3o da ditadura do proletariado, como queria Marx, \u00e9 uma realidade e um fato, contra o qual n\u00e3o adianta fechar os olhos.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400\"><strong>A frase que foi pronunciada:<\/strong><\/p>\n<p style=\"font-weight: 400\"><em>\u201cNada inspira mais coragem ao medroso do que o medo alheio.\u201d<\/em><\/p>\n<p style=\"font-weight: 400\">Umberto Eco<\/p>\n<figure id=\"attachment_22403\" aria-describedby=\"caption-attachment-22403\" style=\"width: 695px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-22403\" src=\"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2022\/12\/Umberto.png\" alt=\"\" width=\"695\" height=\"461\" srcset=\"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2022\/12\/Umberto.png 695w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2022\/12\/Umberto-300x199.png 300w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2022\/12\/Umberto-550x365.png 550w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2022\/12\/Umberto-230x153.png 230w\" sizes=\"auto, (max-width: 695px) 100vw, 695px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-22403\" class=\"wp-caption-text\">Umberto Eco. Foto: Divulga\u00e7\u00e3o<\/figcaption><\/figure>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400\"><strong>Hist\u00f3ria de Bras\u00edlia<\/strong><\/p>\n<p style=\"font-weight: 400\">Por falar nisto, a informa\u00e7\u00e3o que havia era a de que a NOVACAP estava recuperando os boxes dos mercadinhos para os entregar aos produtores. Os boxes continuam fechados, e ningu\u00e9m est\u00e1 recuperando nada, coisa nenhuma. <strong>(Publicada em 14.03.1962)<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>VISTO, LIDO E OUVIDO, criada desde 1960 por Ari Cunha (In memoriam) hoje, com Circe Cunha e Mamfil \u2013 Manoel de Andrade jornalistacircecunha@gmail.com Facebook.com\/vistolidoeouvido &nbsp; &nbsp; \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0N\u00e3o se deve fechar os olhos aos fatos, porque, mesmo nessa cegueira volunt\u00e1ria, corre-se o risco de trope\u00e7armos neles, indo de cara contra o ch\u00e3o. [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":34,"featured_media":22404,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"wpb_read_more":[],"footnotes":""},"categories":[23],"tags":[2337,317,2338,2339,3108,3320,1307,153,114,2340,1347],"class_list":["post-22401","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-integra","tag-aricunha-2","tag-assistencialismo","tag-brasilia-2","tag-circecunha-2","tag-classemedianobrasil","tag-classeseconomicas","tag-congressonacional","tag-economia","tag-historiadebrasilia","tag-mamfil-2","tag-populismo"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/22401","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-json\/wp\/v2\/users\/34"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=22401"}],"version-history":[{"count":5,"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/22401\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":22408,"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/22401\/revisions\/22408"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-json\/wp\/v2\/media\/22404"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=22401"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=22401"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=22401"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}