{"id":22746,"date":"2023-03-18T01:00:31","date_gmt":"2023-03-18T04:00:31","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/?p=22746"},"modified":"2023-03-17T19:19:29","modified_gmt":"2023-03-17T22:19:29","slug":"politica-como-arte-do-amparo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/politica-como-arte-do-amparo\/","title":{"rendered":"Pol\u00edtica como arte do amparo"},"content":{"rendered":"<p><span style=\"vertical-align: inherit\">VISTO, LIDO E OUVIDO, criada desde 1960 por Ari Cunha (In memoriam)<\/span><\/p>\n<p><span style=\"vertical-align: inherit\">hoje, com Circe Cunha e Mamfil \u2013 Manoel de Andrade<\/span><\/p>\n<p><span style=\"vertical-align: inherit\">jornalistacircecunha@gmail.com<\/span><\/p>\n<p><span style=\"vertical-align: inherit\">facebook.com\/vistolidoeouvido<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<figure id=\"attachment_9358\" aria-describedby=\"caption-attachment-9358\" style=\"width: 532px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" wp-image-9358\" src=\"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2017\/12\/20171222_093302.jpg\" alt=\"\" width=\"532\" height=\"391\" srcset=\"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2017\/12\/20171222_093302.jpg 4251w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2017\/12\/20171222_093302-300x221.jpg 300w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2017\/12\/20171222_093302-768x565.jpg 768w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2017\/12\/20171222_093302-1024x753.jpg 1024w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2017\/12\/20171222_093302-350x257.jpg 350w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2017\/12\/20171222_093302-1440x1059.jpg 1440w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2017\/12\/20171222_093302-550x404.jpg 550w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2017\/12\/20171222_093302-230x169.jpg 230w\" sizes=\"auto, (max-width: 532px) 100vw, 532px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-9358\" class=\"wp-caption-text\">Arquivo Pessoal<\/figcaption><\/figure>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400\">\u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0\u00c9 certo que a arte de fazer pol\u00edtica, na verdadeira acep\u00e7\u00e3o da palavra, n\u00e3o \u00e9 exclusividade dos pol\u00edticos profissionais. Na realidade, muitos desses pol\u00edticos que a\u00ed est\u00e3o n\u00e3o entendem o que vem a ser a verdadeira pol\u00edtica. Se entendem, n\u00e3o a praticam, preferindo exercer um cargo de status para dele retirar e desfrutar as benesses para si.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Exercem mandatos, tendo em mira objetivos ego\u00edstas, como o enriquecimento material e a satisfa\u00e7\u00e3o do ego. Aux\u00edlios que s\u00e3o bancados com o suor do povo brasileiro e que em outros pa\u00edses s\u00e3o absurdos e inimagin\u00e1veis.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Muitos brasileiros comuns, afastados das luzes dos holofotes e dentro das limita\u00e7\u00f5es que lhes s\u00e3o pr\u00f3prias, exercem, \u00e0s vezes sem saber, a pr\u00e1xis pol\u00edtica em toda a sua inteireza e com grande galhardia, sem disso retirar proveito pr\u00f3prio ou buscar satisfa\u00e7\u00e3o para o sempre enganoso ego. S\u00e3o cidad\u00e3os desconhecidos, espalhados por todo esse imenso pa\u00eds, que t\u00eam no seu dia a dia o costume, e mesmo o car\u00e1ter, de se entregar espontaneamente em favor do pr\u00f3ximo, realizando pequenos trabalhos que resultam sempre no desenvolvimento de sua comunidade.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Nem mesmo a falta de recursos desanima esses brasileiros de exercer uma fun\u00e7\u00e3o social, realizando o que pode ser definido como verdadeira pol\u00edtica. No in\u00edcio da constru\u00e7\u00e3o de Bras\u00edlia, muitos daqueles que para aqui vieram se estabelecer, em busca de uma vida nova, tinham, como pr\u00e1tica normal, a ajuda aos novos candangos que chegavam, auxiliando-os na busca de empregos,\u00a0 alojamento e outras necessidades. Essa era uma pr\u00e1tica constante e muito comum, que ajudou a cidade no fortalecimento dos seus la\u00e7os sociais.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Nessa \u00e9poca, n\u00e3o importava a fun\u00e7\u00e3o exercida pela pessoa, todos se amparavam, pois sabiam no fundo, que a concretiza\u00e7\u00e3o definitiva da capital s\u00f3 seria poss\u00edvel se todos se irmanassem num objetivo comum. Realizavam assim a verdadeira pol\u00edtica, fortalecendo a cidadania. A funda\u00e7\u00e3o da capital teve, nesse alicerce humano, seu mais significativo pilar.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Tamb\u00e9m eram tempos diferentes e em que os esc\u00e2ndalos pol\u00edticos, mesmo por sua insignific\u00e2ncia, comparados aos de hoje, pareciam ter ficado para tr\u00e1s, na antiga capital, o Rio de Janeiro. Por essas bandas, perdidas no interior do Brasil, buscavam os migrantes n\u00e3o apenas uma nova capital material, mas, sobretudo, um novo homem e mulher brasileiros, capazes de deixar para as pr\u00f3ximas gera\u00e7\u00f5es um pa\u00eds reformado e fundado no seu sentido moral e \u00e9tico.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Milhares dessas hist\u00f3rias podem ser aqui mencionadas, contando as dificuldades daquela \u00e9poca e como as pessoas comuns, ou nem tanto, apoiavam-se mutuamente para fazer frente a esses desafios. Exerciam, assim, a pol\u00edtica que interessa e que produz resultados reais. Muitos tamb\u00e9m que est\u00e3o hoje em posi\u00e7\u00e3o de destaque nessa cidade podem testemunhar o qu\u00e3o foi preciso a ajuda recebida e a m\u00e3o solid\u00e1ria daqueles idos dos anos sessenta.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Da mesma forma aqueles abnegados benfeitores n\u00e3o faziam alarde de sua atua\u00e7\u00e3o em prol de seus semelhantes. N\u00e3o vale aqui citar nomes, at\u00e9 para n\u00e3o ter que cometer a injusti\u00e7a de deixar outros personagens de fora. Mas do que vi e vivi desse tempo de coloniza\u00e7\u00e3o do Centro-Oeste, deixo aqui o testemunho real e sem fantasias, de quanto o meu pai, jornalista, fundador desse jornal e dessa, talvez mais antiga coluna do mundo, fez por Bras\u00edlia e, principalmente, por sua gente, defendendo a cidade para que n\u00e3o fossem perdidos seus princ\u00edpios norteadores, angariando com isso muitos admiradores e, obviamente, alguns detratores tamb\u00e9m.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Lembro ter presenciado, por diversas vezes, sua sala de trabalho no jornal, abarrotada de pessoas que buscavam amparo de todo o tipo. Todos recebiam sua aten\u00e7\u00e3o. Ao passear com Ari Cunha, j\u00e1 estava acostumada a fazer o mesmo percurso que os outros por mais tempo. Todos queriam conversar com ele, dar sugest\u00f5es de nota, agradecer pelo que ele havia escrito.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 \u00a0Uma multid\u00e3o se aglomerou no cemit\u00e9rio, ao contr\u00e1rio do que ocorrem com o vel\u00f3rio dos pol\u00edticos profissionais, quando a multid\u00e3o vai ao cemit\u00e9rio apenas para se certificar de que o pol\u00edtico morreu mesmo. Na despedida, todos da fam\u00edlia ouviram o quanto ele ajudou. O primeiro emprego, a bronca que transformou a vida, o terno dado para que o rep\u00f3rter pudesse cobrir o parlamento, o inimigo de suas palavras confessando, hoje, que Ari Cunha tinha raz\u00e3o. Assim, n\u00e3o foram poucos os que ajudou a dar os primeiros passos na cidade. Exercia a pol\u00edtica sem ser pol\u00edtico, apenas cidad\u00e3o. Nunca fez alarde dessa sua atua\u00e7\u00e3o e nunca buscou proveito pr\u00f3prio para si ou os seus. Sabia, por experi\u00eancia, que jamais deveria ficar devendo algo a algu\u00e9m, pois entendia que essa liberdade lhe dava o direito de criticar as autoridades. N\u00e3o devia favores, prestava, isso sim muitos favores e isso lhe dava alegria.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Ainda hoje, n\u00e3o s\u00e3o poucos os leitores e n\u00e3o leitores que conversam conosco reconhecendo o amparo e a ajuda recebida de meu velho pai. Nunca quis nada em troca. N\u00e3o aceitava bajula\u00e7\u00f5es. Recebeu muitas medalhas em vida. Respeitava as homenagens, mas isso n\u00e3o lhe tirava o ego do lugar, nem alterava o tamanho.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 \u00a0Morreu sem d\u00edvidas e sem riqueza material, embora as oportunidades fossem muitas. Exerceu a profiss\u00e3o de jornalista como poucos nesse pa\u00eds. Como um pol\u00edtico, no sentido solid\u00e1rio e humano, foi um exemplo.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400\"><strong>A frase que foi pronunciada:<\/strong><\/p>\n<p style=\"font-weight: 400\"><em>\u201cVamos aguardar que as melancias se acomodem na carro\u00e7a.\u201d<\/em><\/p>\n<p style=\"font-weight: 400\">Ari Cunha<\/p>\n<figure id=\"attachment_14259\" aria-describedby=\"caption-attachment-14259\" style=\"width: 427px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" wp-image-14259\" src=\"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2019\/06\/20180731082951536652u.jpg\" alt=\"\" width=\"427\" height=\"283\" srcset=\"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2019\/06\/20180731082951536652u.jpg 820w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2019\/06\/20180731082951536652u-300x199.jpg 300w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2019\/06\/20180731082951536652u-768x510.jpg 768w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2019\/06\/20180731082951536652u-350x232.jpg 350w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2019\/06\/20180731082951536652u-550x365.jpg 550w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2019\/06\/20180731082951536652u-230x153.jpg 230w\" sizes=\"auto, (max-width: 427px) 100vw, 427px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-14259\" class=\"wp-caption-text\">Foto: arquivo pessoal<\/figcaption><\/figure>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400\"><strong>Hist\u00f3ria de Bras\u00edlia<\/strong><\/p>\n<p style=\"font-weight: 400\">Mais uma contra o povo, apresentada pela ponte Rio-Bras\u00edlia. Se uma pessoa desejar interromper o percurso em Belo Horizonte, a passagem para o Rio ficar\u00e1 em Cr$ 9.300,00, enquanto que o Viscount cobrava Cr$ 8.700,00. <strong>(Publicada em 17.03.1962)<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>VISTO, LIDO E OUVIDO, criada desde 1960 por Ari Cunha (In memoriam) hoje, com Circe Cunha e Mamfil \u2013 Manoel de Andrade jornalistacircecunha@gmail.com facebook.com\/vistolidoeouvido &nbsp; &nbsp; \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0\u00c9 certo que a arte de fazer pol\u00edtica, na verdadeira acep\u00e7\u00e3o da palavra, n\u00e3o \u00e9 exclusividade dos pol\u00edticos profissionais. 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