{"id":23243,"date":"2023-06-30T04:22:24","date_gmt":"2023-06-30T07:22:24","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/?p=23243"},"modified":"2023-07-10T11:24:14","modified_gmt":"2023-07-10T14:24:14","slug":"tudo-e-relativo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/tudo-e-relativo\/","title":{"rendered":"Tudo \u00e9 relativo"},"content":{"rendered":"<p><em>Criada por Ari Cunha desde 1960<\/em><\/p>\n<p><em>jornalistacircecunha@gmail.com<\/em><\/p>\n<p><em>com Circe Cunha e Mamfil<\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Por incr\u00edvel que pare\u00e7a, n\u00e3o se ouvem vozes balizadas discutindo o que interessa ao pa\u00eds, que \u00e9 a busca por um modelo de gest\u00e3o administrativa, capaz de fazer cessar as crises institucionais, pol\u00edticas e econ\u00f4micas c\u00edclicas. Talvez a raz\u00e3o se deva ao pouco interesse que esse tema suscita entre as elites. O fato \u00e9 que sem essa discuss\u00e3o ou sem esse esfor\u00e7o em pensar o pa\u00eds, de modo s\u00e9rio e profundo, continuaremos andando em c\u00edrculos, gastando energias sem ir a lugar algum.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Vivemos mergulhados em improvisos e isso nunca dar\u00e1 certo. A quest\u00e3o aqui \u00e9 que a cada quatro anos, com a chegada de novos governos, toda a estrutura administrativa do pa\u00eds \u00e9 desmontada ou simplesmente destru\u00edda e deixada de lado. N\u00e3o \u00e9 somente o caso de obras p\u00fablicas, que s\u00e3o abandonadas no meio do caminho, depois de serem investidos bilh\u00f5es em recursos do Tesouro. S\u00e3o centenas espalhadas pelo pa\u00eds. Os preju\u00edzos s\u00e3o incalcul\u00e1veis, isso sem contar nas implica\u00e7\u00f5es que essas obras acarretam para o desenvolvimento do pa\u00eds e para o bem estar dessas popula\u00e7\u00f5es que seriam beneficiadas por esses projetos \u00f3rf\u00e3os. Pior ainda que essa situa\u00e7\u00e3o espec\u00edfica, \u00e9 o desmonte de toda a estrutura administrativa do pa\u00eds, que \u00e9 levado a cabo por cada governo que assume.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Primeiro destr\u00f3i-se o que foi feito e que estava funcionando. Em cima de ru\u00ednas, passam a erguer outras estruturas. A cada quatro anos, minist\u00e9rios, alguns importantes e fundamentais, bem como seus respectivos programas, s\u00e3o desmantelados para dar lugar a novas estruturas, que certamente passar\u00e3o pelo mesmo processo. Outros minist\u00e9rios e pastas passam a ser criados, com o todo o universo de pessoas, materiais e programas que isso envolve. Nada fica de p\u00e9. Perde-se um tempo precioso, principalmente perdem-se programas que, por sua natureza de efeitos de longo prazo, s\u00e3o abandonados ou deixados inconclusos. Criam-se sinecuras para os que est\u00e3o na base do novo governo. S\u00e3o abolidas outras que serviam ao ex-governo. Para os contribuintes isso \u00e9 um acinte inomin\u00e1vel.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Quem observa os pa\u00edses desenvolvidos, constata que neles as estruturas pertencentes a administra\u00e7\u00e3o p\u00fablica s\u00e3o mantidas, assim como os projetos que ultrapassam o tempo de gest\u00e3o dos governos. Nesses pa\u00edses, todos os recursos s\u00e3o poupados. Nada de mordomias nem antigas nem novas. Por aqui nenhuma das estruturas respons\u00e1veis pela administra\u00e7\u00e3o p\u00fablica est\u00e3o \u00e0 salvo da sandice dos novos governos. Como se todo esse descalabro n\u00e3o bastasse, ainda temos a destrui\u00e7\u00e3o ou simplesmente o descumprimento de regras e leis estabelecidas. Damos um passo adiante e dois para tr\u00e1s.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Ordenamentos important\u00edssimos como a Lei de Responsabilidade Fiscal que obrigava o governante a gastar com base naquilo que arrecada, s\u00e3o esfrangalhadas par atender as exig\u00eancias de irresponsabilidade dos novos gestores. Se existia um tal de teto de gastos, previamente fixado, fura-se esse teto e seja o Deus quiser. Se existiam penalidades para os maus gestores, criam-se leis que tornam esses governos isentos de culpas e san\u00e7\u00f5es. Do mesmo modo, no campo pol\u00edtico, cada governo que assume cuida logo de destruir as oposi\u00e7\u00f5es. N\u00e3o obtendo o resultado que deseja, criam estrat\u00e9gias para obter. Com um modelo ca\u00f3tico como o nosso, pensar em progresso e principalmente em melhoria nos \u00edndices de desenvolvimento humano ou nos \u00edndices que aferem o grau de corrup\u00e7\u00e3o na m\u00e1quina p\u00fablica \u00e9 perder tempo. Estamos na rabeira desses \u00edndices, assim como estamos nas \u00faltimas coloca\u00e7\u00f5es quando o assunto \u00e9 educa\u00e7\u00e3o, viol\u00eancia e outros quesitos que medem a evolu\u00e7\u00e3o humana moderna. E n\u00e3o pense o sofrido leitor que essa \u00e9 uma mazela restrita apenas ao Poder Executivo. A cada esta\u00e7\u00e3o mudam-se as regras. Nada possu\u00ed um valor perene, nem mesmo a \u00e9tica p\u00fablica. Relativizamos tudo, inclusive o poder do bem e do mal.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400\">A frase que foi pronunciada:<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400\">\u201cN\u00e3o, n\u00e3o h\u00e1 duas morais. Para os estados, como para os indiv\u00edduos, repito, na paz, como na guerra, a moral \u00e9 uma s\u00f3. (&#8230;) Se o mundo v\u00ea erigir-se agora um sistema que a ela lhe usurpa o nome, revogando todos esses c\u00e2nones da eterna verdade, n\u00e3o \u00e9 a moral que se est\u00e1 civilizando: \u00e9 a imoralidade, encoberta com os t\u00edtulos da moral destru\u00edda, a malfeitora oculta sob o nome de sua v\u00edtima; e todos os povos, sob pena de suic\u00eddio, devem unir-se para lhe opor a unanimidade incondicional de sua execra\u00e7\u00e3o.\u201d<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400\">Rui Barbosa<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400\">\n<p style=\"font-weight: 400\">Haja<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400\">Para renovar o bilhete de identidade na Embaixada de Portugal, o patr\u00edcio passou 3 meses tentando agendar pelo site. Depois de preencher minuciosamente um formul\u00e1rio em cada tentativa, a resposta vinha dizendo que n\u00e3o havia mais vagas. Com a paci\u00eancia em frangalhos enviou um e -mail e soube que s\u00f3 no \u00faltimo dia do m\u00eas \u00e9 poss\u00edvel pedir o agendamento. Mais dois meses aguardando o \u00faltimo dia para tentar. Por toda a manh\u00e3 preenchendo os formul\u00e1rios novamente a cada tentativa. Nada. Dessa vez informaram que s\u00f3 a partir das 14h a agenda estaria aberta. Nem a Caravela Santo Ant\u00f4nio, Caravela S\u00e3o Pedro e Caravela Nossa Senhora Anunciada precisaram passar por tanta burocracia para chegar ao Brasil em 1500.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400\">Hist\u00f3ria de Bras\u00edlia<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400\">Para a constru\u00e7\u00e3o das casas de alvenaria, informaram que n\u00e3o havia madeira, e existia, em estoque, cimento, tijolos, areia, etc. Mas se forem dar busca nos documentos encontrar\u00e3o compra de material para essas casas em import\u00e2ncia superior \u00e0 que se constru\u00edssem de madeira. (Publicada em 21.03.1962)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Criada por Ari Cunha desde 1960 jornalistacircecunha@gmail.com com Circe Cunha e Mamfil &nbsp; \u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Por incr\u00edvel que pare\u00e7a, n\u00e3o se ouvem vozes balizadas discutindo o que interessa ao pa\u00eds, que \u00e9 a busca por um modelo de gest\u00e3o administrativa, capaz de fazer cessar as crises institucionais, pol\u00edticas e econ\u00f4micas c\u00edclicas. 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