{"id":23261,"date":"2023-07-09T04:12:54","date_gmt":"2023-07-09T07:12:54","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/?p=23261"},"modified":"2023-07-10T12:19:25","modified_gmt":"2023-07-10T15:19:25","slug":"a-democracia-sou-eu","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/a-democracia-sou-eu\/","title":{"rendered":"A democracia sou eu!"},"content":{"rendered":"<div class=\"row\"><\/div>\n<h3 class=\"titulo-clipping\"><\/h3>\n<div>\n<p><em>Criada por Ari Cunha desde 1960<\/em><\/p>\n<p><em>jornalistacircecunha@gmail.com<\/em><\/p>\n<p><em>com Circe Cunha e Mamfil<\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>\u00c9 em um momento conturbado como esse que experimentamos agora, que a busca por luminares de nossa cultura se torna mais do que nunca necess\u00e1rio e urgente. Pois quando parecemos estar perdidos em nossos caminhos, mais e mais se faz preciso conferir novamente a b\u00fassola e os mapas.<\/p>\n<p>O problema \u00e9 que ao buscarmos em que ponto da encruzilhada nos desviamos do caminho na constru\u00e7\u00e3o de uma sociedade verdadeiramente democr\u00e1tica e participativa, temos que recuar muito no tempo, voltando, talvez, as primeiras d\u00e9cadas do s\u00e9culo passado, \u00e9poca em que o Brasil, por diversos fatores e at\u00e9 mesmo pelo despertar provocado pelo modernismo, com a valoriza\u00e7\u00e3o das riquezas nacionais, saiu do ber\u00e7o espl\u00eandido, onde dormia, e passou a caminhar desperto.<\/p>\n<p>A redescoberta e valoriza\u00e7\u00e3o de nossas riquezas culturais, na m\u00fasica, nas artes, na literatura e outas manifesta\u00e7\u00f5es do g\u00eanio humano, trazendo de volta a no\u00e7\u00e3o do nacionalismo e dos elementos inerentes aos conceitos de p\u00e1tria e na\u00e7\u00e3o, infelizmente n\u00e3o se estenderam ao mundo pol\u00edtico e parece n\u00e3o ter sensibilizado as elites pol\u00edticas.<\/p>\n<p>A modernidade, mesmo aquela pregada pelo movimento de 1922, n\u00e3o foi capaz de trazer uma renova\u00e7\u00e3o e um novo \u00e2nimo para nosso mundo pol\u00edtico. Poucas d\u00e9cadas depois da instala\u00e7\u00e3o da Rep\u00fablica, ainda and\u00e1vamos aos palpos sobre nossa organiza\u00e7\u00e3o pol\u00edtica. Ainda em 1936, o historiador e soci\u00f3logo S\u00e9rgio Buarque, denunciava, em Ra\u00edzes do Brasil, que a nossa democracia tinha sido sempre \u201cum lament\u00e1vel mal-entendido\u201d. As raz\u00e3o, segundo o pesquisador, n\u00e3o seria tanto a aus\u00eancia de verdadeiros partidos pol\u00edticos entre n\u00f3s, mas sobretudo causada por nossa inadapta\u00e7\u00e3o a um regime legitimamente democr\u00e1tico.<\/p>\n<p>Mais uma vez o motivo estaria no embate e na dificuldade em conjuminar a estrutura de personalidade com a estrutura social. O fato \u00e9 que para alinhar o poder do governo aos anseios manifestos pelo car\u00e1ter da sociedade, \u00e9 preciso que o mandat\u00e1rio assuma um papel isento de elementos do personalismo. \u00c9 o caso dos dois pol\u00edticos de maior express\u00e3o atualmente. Tanto Lula como Bolsonaro possuem boa parte do poder eleitoral que exibem, lastreado apenas na imagem que cada reflete para a sociedade. N\u00e3o h\u00e1 partidos de destaque nesse jogo. Neste momento o personalismo dita as regras. O desaparecimento de qualquer um dos dois personagens do momento, levar\u00e1 inexoravelmente ao ocaso de suas legendas de suporte. O mais tr\u00e1gico \u00e9 que a popula\u00e7\u00e3o adere a esse tipo de representa\u00e7\u00e3o personalista, porque identifica-a como seu pr\u00f3prio car\u00e1ter.<\/p>\n<p>Os malef\u00edcios nesse tipo de representa\u00e7\u00e3o surgem logo na forma de um patrimonialismo end\u00eamico e de uma usurpa\u00e7\u00e3o dos espa\u00e7os p\u00fablicos como prolongamento natural das propriedades particulares desses mandat\u00e1rios. Para outro luminar de nossa realidade presente, o ex-ministro Almir Pazzianotto, o povo em geral, pelo fato de n\u00e3o participar do processo de constitucionaliza\u00e7\u00e3o do Brasil, parece nutrir um certo desapre\u00e7o pelo regime democr\u00e1tico, o que para ele \u00e9 um fato tr\u00e1gico. Por isso, Pazzianotto v\u00ea hoje, mais uma vez, o avan\u00e7o desmedido da censura, mesmo a despeito de duas cl\u00e1usulas p\u00e9treas da Constitui\u00e7\u00e3o, que vedam essas medidas. Vivemos hoje segundo ele, um s\u00e9rio risco e uma possibilidade real de um retrocesso.<\/p>\n<p>Para outro esclarecido jurista, Ives Gandra, o momento \u00e9 delicado. Com base em estudos feitos por universidades europeias, o jurista ressaltou que o Brasil vive hoje numa esp\u00e9cie de democracia relativa, ou exclusivamente do tipo eleitoral, com o eleitor indo as urnas votar e a partir desse processo mec\u00e2nico, passa a n\u00e3o comandar mais nada. O Brasil segundo o analisa, possui hoje efetivamente uma censura sendo empregada em larga escala, coisa que nenhuma democracia aut\u00eantica deve ter e temos ainda presos pol\u00edticos, por manifesta\u00e7\u00e3o, tamb\u00e9m um fato que democracia alguma tolera.<\/p>\n<p>Por outro lado, estamos imersos num tipo de democracia em que h\u00e1, de fato, a predomin\u00e2ncia de um poder, que comanda agora o que \u00e9 democr\u00e1tico e o que n\u00e3o \u00e9. Na realidade qualquer jurista que hoje venha analisar de modo isento o momento em que estamos vivendo, reconhece, logo de sa\u00edda que toda a democracia latino americana \u00e9 fr\u00e1gil. A hist\u00f3ria do nosso continente \u00e9 a hist\u00f3ria de uma oscila\u00e7\u00e3o entre uma sucess\u00e3o de golpes e outros restabelecimentos da democracia. A Am\u00e9rica Latina experiencia hoje uma onda vermelha, cujo o objetivo estrat\u00e9gico \u00e9 o Brasil. O Brasil \u00e9 o alvo dessa onda atual e por isso mesmo vai vivenciando, mais uma vez, os ventos de um fechamento institucional cujo o primeiro passo j\u00e1 foi dado que \u00e9 a censura da imprensa. Aqui voltamos ao princ\u00edpio de tudo: sem imprensa livre n\u00e3o h\u00e1 que se falar em regime democr\u00e1tico.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>A frase que foi pronunciada<\/strong><\/p>\n<p>\u201cO Estado sou eu!\u201d<\/p>\n<p>Rei-Sol<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Hist\u00f3ria de Bras\u00edlia<\/strong><\/p>\n<p>N\u00f3s hav\u00edamos prometido dissecar o assunto energia el\u00e9trica de Bras\u00edlia. Aqui estamos para isto, com as piores not\u00edcias que poder\u00edamos dar para o povo. Bras\u00edlia n\u00e3o ter\u00e1 energia abundante, pelo menos durante dois anos. \u00a0(Publicada em 22.03.1962)<\/p>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Criada por Ari Cunha desde 1960 jornalistacircecunha@gmail.com com Circe Cunha e Mamfil &nbsp; \u00c9 em um momento conturbado como esse que experimentamos agora, que a busca por luminares de nossa cultura se torna mais do que nunca necess\u00e1rio e urgente. 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