{"id":23293,"date":"2023-07-12T04:30:48","date_gmt":"2023-07-12T07:30:48","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/?p=23293"},"modified":"2023-08-25T09:31:31","modified_gmt":"2023-08-25T12:31:31","slug":"e-preciso-valorizar-a-importancia-da-pausa-e-do-vazio","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/e-preciso-valorizar-a-importancia-da-pausa-e-do-vazio\/","title":{"rendered":"\u00c9 preciso valorizar a import\u00e2ncia da pausa e do vazio"},"content":{"rendered":"<div id=\"visual-portal-wrapper\" class=\"container\">\n<div id=\"content\" class=\"row\" role=\"main\">\n<article id=\"portal-column-content\">\n<article id=\"content\">\n<div id=\"content-core\">\n<div id=\"printableArea\" class=\"mb-5\">\n<h3 class=\"titulo-clipping\"><\/h3>\n<div>\n<p><em>Criada por Ari Cunha desde 1960<\/em><\/p>\n<p><em>jornalistacircecunha@gmail.com<\/em><\/p>\n<p><em>com Circe Cunha e Mamfil<\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Quando da idealiza\u00e7\u00e3o da nova capital, o urbanista Lucio Costa parece ter experienciado uma esp\u00e9cie de epifania, ou ideias iluminadas. Numa inspira\u00e7\u00e3o divina, passou a compor seu projeto, tal como um m\u00fasico que elabora uma sinfonia. Buscou, como preocupa\u00e7\u00e3o central de seu trabalho, implantar entre as \u00e1reas cheias, ou que receberiam constru\u00e7\u00f5es e rodovias, o mesmo porcentual de \u00e1reas vazias, ou ocupadas apenas por vegeta\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Mais do que seguir as diretrizes pregadas pelo Modernismo na arquitetura, que propunham a constru\u00e7\u00e3o de cidades jardins, com setoriza\u00e7\u00e3o de servi\u00e7os, o urbanista anteviu em seu projeto, todo ele feito \u00e0 m\u00e3o em seus pormenores, que essa composi\u00e7\u00e3o arquitetural deveria, para obedecer os conceitos que regem uma composi\u00e7\u00e3o harm\u00f4nica e bem resolvida, intercalar entre os sons, ou seja, entre as constru\u00e7\u00f5es, \u00e1reas proporcionais destinadas ao sil\u00eancio e ao vazio, representado pelos jardins e gramados.<\/p>\n<p>N\u00e3o fosse o sil\u00eancio entre as notas, n\u00e3o haveria composi\u00e7\u00e3o que pudesse ser apreciada por quem quer que seja. A import\u00e2ncia do cheio corresponde \u00e0 impon\u00eancia do vazio. Sem um conceito simples como esse, mas de dif\u00edcil entendimento por muitos, n\u00e3o haveria como erguer uma cidade como Bras\u00edlia, patrim\u00f4nio cultural da humanidade.<\/p>\n<p>Falar em solid\u00e3o ou em desperd\u00edcios de \u00e1reas \u00e9 f\u00e1cil, quando n\u00e3o se entende ou se despreza a proposta do autor. Preencher esses espa\u00e7os de paz e de transi\u00e7\u00e3o, com moradias, com\u00e9rcios e outras constru\u00e7\u00f5es, como pretendem os empreendedores de im\u00f3veis e outros especuladores, que n\u00e3o enxergam sen\u00e3o lucros imediatos e outras vantagens, \u00e9 o meio mais r\u00e1pido de destruir esse patrim\u00f4nio que \u00e9 de todos e que \u00e9 \u00fanico no mundo.<\/p>\n<p>A ocupa\u00e7\u00e3o desses espa\u00e7os vazios, sejam eles parques ou simples \u00e1reas verdes espalhadas pela \u00e1rea central da capital e pelo seu entorno, interessa apenas a uma minoria, que n\u00e3o sabe o que \u00e9 e qual o significado de uma obra sinf\u00f4nica. Quase todos os dias, se ouvem not\u00edcias de \u00e1reas que s\u00e3o invadidas ou perdidas para grileiros e outros profissionais do crime.<\/p>\n<p>O crescimento desordenado da cidade, a\u00e7ulado por uma casta de pol\u00edticos locais sem compromisso com a capital, aumenta a press\u00e3o pela ocupa\u00e7\u00e3o das \u00e1reas verdes e todo e qualquer espa\u00e7o que eles considerem vazios e desocupados.<\/p>\n<p>As a\u00e7\u00f5es do governo, juntamente com os movimentos originados na pr\u00f3pria C\u00e2mara Distrital, oscilam ora entre neglig\u00eancia, ora em incentivos abertos a essas ocupa\u00e7\u00f5es. As discuss\u00f5es sobre novos ordenamentos urbanos da capital, com presen\u00e7a, em sua maioria de pessoas alheias ao conceito de Bras\u00edlia, s\u00f3 resultam na modifica\u00e7\u00e3o da carta original que deu sentido \u00e0 cidade, criando-se novos assentamentos, a maioria sem projetos de impacto ambiental e de infraestrutura, tudo feito para atrair e agradar eleitores.<\/p>\n<p>A bola da vez \u00e9 o Parque das Gar\u00e7as, situado na extremidade da Pen\u00ednsula Norte, entre as QI e QL 16, uma \u00e1rea com mais de 16 hectares, com flora e fauna pr\u00f3prias e uma vista de tirar o f\u00f4lego. Gra\u00e7as \u00e0 uni\u00e3o dos moradores dessa regi\u00e3o e depois de uma luta de anos, a \u00e1rea foi transformada em parque e todos os dias recebe centenas de visitantes.<\/p>\n<p>Agora, algu\u00e9m, talvez dentro do GDF, teve a insana ideia de transformar aquele para\u00edso, em mais uma \u00e1rea de constru\u00e7\u00e3o, dividindo a terra em v\u00e1rios parcelamentos para a obras de unidades imobili\u00e1rias, com lotes para com\u00e9rcio, estacionamentos, biciclet\u00e1rio, vias de circula\u00e7\u00e3o, e outros espa\u00e7os.<\/p>\n<p>A ideia maluca \u00e9 criar \u00e1rea semelhante a que existe hoje no chamado piscin\u00e3o na estrada do Parano\u00e1, onde a instala\u00e7\u00e3o de bares, com venda de bebidas alco\u00f3licas faz a alegria dos frequentadores locais e o terror de quem paga o mais alto IPTU da cidade, que \u00e9 obrigado a triplicar os cuidados nas estradas diante de tantos motoristas alcoolizados.<\/p>\n<p>Naquele espa\u00e7o a explora\u00e7\u00e3o das \u00e1reas \u00e9 feita por particulares que l\u00e1 est\u00e3o desde a sua cria\u00e7\u00e3o, servindo para o com\u00e9rcio de bebidas e para lucro de dois ou tr\u00eas comerciantes. O piscin\u00e3o \u00e9 conhecido hoje por ter se transformado em uma \u00e1rea onde as brigas, afogamentos e bebedeiras ocorrem com frequ\u00eancia, o que acaba afastando muitas fam\u00edlias do local, temerosas com as confus\u00f5es provocadas pelos beberr\u00f5es. Os benef\u00edcios da regi\u00e3o ainda n\u00e3o chegaram para quem paga altos impostos.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>A frase que foi pronunciada<\/strong><\/p>\n<p>Acredito em espa\u00e7os vazios; eles s\u00e3o a coisa mais maravilhosa.<\/p>\n<p>Anselm Kiefer<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Hist\u00f3ria de Bras\u00edlia<\/strong><\/p>\n<p>A energia que tem vindo at\u00e9 agora, regularmente, \u00e9 resultado de muito esfor\u00e7o e muita luta da CELG e do DFL. A cachoeira Dourada, que fornece, possui duas m\u00e1quinas em trabalho permanente. Se uma s\u00f3 funcionar, a luz n\u00e3o d\u00e1 para chegar at\u00e9 Bras\u00edlia. Por isto, trabalham incessantemente, com manuten\u00e7\u00e3o feita em funcionamento. (Publicada em 22\/3\/1962)<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"text-center\"><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<div id=\"viewlet-below-content-body\">\n<div class=\"documentActions\"><\/div>\n<\/div>\n<\/article>\n<\/article>\n<\/div>\n<div id=\"viewlet-below-content\"><\/div>\n<\/div>\n<div class=\"sf-wrapper\">\n<footer class=\"Footer\">\n<div class=\"container\">\n<div class=\"Triad Triad--stackable\">\n<div class=\"Rail gamma my-2\"><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/footer>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Criada por Ari Cunha desde 1960 jornalistacircecunha@gmail.com com Circe Cunha e Mamfil &nbsp; Quando da idealiza\u00e7\u00e3o da nova capital, o urbanista Lucio Costa parece ter experienciado uma esp\u00e9cie de epifania, ou ideias iluminadas. Numa inspira\u00e7\u00e3o divina, passou a compor seu projeto, tal como um m\u00fasico que elabora uma sinfonia. 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