{"id":23410,"date":"2023-09-10T01:02:38","date_gmt":"2023-09-10T04:02:38","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/?p=23410"},"modified":"2023-09-21T11:47:24","modified_gmt":"2023-09-21T14:47:24","slug":"a-voz-da-democracia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/a-voz-da-democracia\/","title":{"rendered":"A voz da democracia"},"content":{"rendered":"<h3 class=\"titulo-clipping\">VISTO, LIDO E OUVIDO &#8211; A voz da democracia<\/h3>\n<div>\n<p><em>Criada por Ari Cunha desde 1960<\/em><\/p>\n<p><em>jornalistacircecunha@gmail.com<\/em><\/p>\n<p><em>com Circe Cunha e Mamfil<\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Muito f\u00e1cil reconhecer, neste estranho pa\u00eds, que a cada governo entrante, corresponde uma ou mais crises espec\u00edficas que, em \u00faltima an\u00e1lise, acaba por definir e dar forma e car\u00e1ter a ele. Essa \u00e9 a trilha que escolhemos para seguir a jornada desde 1500. Talvez exista, nestas atribuladas governan\u00e7as do homem branco, algum Orem\u00fa ou urucubaca lan\u00e7ada pelos primeiros habitantes dessa terra, tra\u00eddo e amea\u00e7ado, contra os invasores europeus. Parece que somente pelo vi\u00e9s das supersti\u00e7\u00f5es \u00e9 que se pode encontrar uma explica\u00e7\u00e3o intelig\u00edvel para o fato desta sequ\u00eancia ininterrupta de governos e suas respectivas crises, sejam elas institucionais, pol\u00edticas, econ\u00f4micas, sociais ou de sa\u00fade; p\u00fablica ou pessoal.<\/p>\n<p>H\u00e1 aqueles cidad\u00e3os que acreditam tamb\u00e9m numa revanche espiritual, vinda do al\u00e9m, da fam\u00edlia imperial, usurpada do poder por um golpe de Estado, dado por meia d\u00fazia de oficiais traidores, que na calada das tr\u00eas horas da madrugada de 15 de novembro de 1889, prendeu toda a fam\u00edlia no Pa\u00e7o, mandando-a para o Velho Continente.\u00a0 Primeiro, a bordo do cruzador Parna\u00edba at\u00e9 a Ilha Grande, onde todos embarcaram, durante uma tempestade, no paquete avariado Alagoas rumo ao ex\u00edlio for\u00e7ado na Europa.<\/p>\n<p>Com o advento da Rep\u00fablica, o que menos podemos afirmar \u00e9 que o Brasil encontrou, finalmente, um per\u00edodo de estabilidade pol\u00edtica. De l\u00e1 para c\u00e1, o que se viu foi uma sucess\u00e3o de trapalhadas e uma sequ\u00eancia insana de pequenos golpes intramuros que, ao fim ao cabo, definiu o que somos hoje.<\/p>\n<p>Bom lembrar que, ao longo dessa jornada hist\u00f3rica tr\u00f4pega, a participa\u00e7\u00e3o dos militares nas empreitadas palacianas doidivanas serviria para garantir a baixa qualidade de nossa governan\u00e7a desde ent\u00e3o.<\/p>\n<p>A substitui\u00e7\u00e3o brusca de um imperador culto e apaziguador por militares semialfabetizados e com \u00edmpetos absolutistas de um monarca deu no que deu. Com uma movimenta\u00e7\u00e3o institucional dessa natureza, nada podia dar certo. Sem mencionar o per\u00edodo ap\u00f3s 1964, que, verdadeiramente, ajudaria o Brasil a se afastar da \u00e1rea de influ\u00eancia ideol\u00f3gica da Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica e, depois, tomaria outros rumos e descaminhos, o que acabaria alijando toda uma gera\u00e7\u00e3o de brasileiros ilustres e providenciais, com expurgos e outras medidas desproporcionais. O que se viu, ap\u00f3s o retorno da democracia, em 1985, fala por si.<\/p>\n<p>Crises seguidas, projetos e programas pol\u00edticos desastrados e uma esp\u00e9cie de institucionaliza\u00e7\u00e3o da corrup\u00e7\u00e3o em toda a m\u00e1quina do Estado. A falta de cultura e de escolariza\u00e7\u00e3o do povo e das autoridades, aliada \u00e0 exist\u00eancia de um sem n\u00famero de estatais e outras sinecuras sem raz\u00e3o de ser, al\u00e9m de fatores, como a cegueira providencial da Justi\u00e7a em rela\u00e7\u00e3o aos poderosos, conduziu-nos ao ponto nebuloso em que nos encontramos hoje.<\/p>\n<p>In\u00fatil falar em crescer com responsabilidade quando, como disse Helo\u00edsa Helena, h\u00e1 um balc\u00e3o de neg\u00f3cios por tr\u00e1s de projetos. Imposs\u00edvel falar em mais obras para o futuro quando a propina \u00e9 abafada com tapete de borracha. Infrut\u00edfero pregar a redu\u00e7\u00e3o da desigualdade social quando, nas escolas, \u00e9 permitido dar aulas no quadro da ideologia. Inapropriado falar em uni\u00e3o dos brasileiros quando, repetidas vezes, troca-se a roupa e o corpo da verdadeira democracia. N\u00e3o h\u00e1 participa\u00e7\u00e3o popular em decis\u00e3o alguma. Os desmandos provocam medo, que dizem n\u00e3o existir entre os homens e mulheres de bem do Brasil. Totalmente infrut\u00edfero conclamar a popula\u00e7\u00e3o para crescer com responsabilidade, com o aviltante esbanjamento do dinheiro suado do contribuinte.<\/p>\n<p>Passados tantos s\u00e9culos de estripulias e desaven\u00e7as, o que vemos a partir de nossa janela, confirma que nada aprendemos ao longo desse tempo todo. Mergulhados no que talvez seja sua maior crise existencial pelo menos na \u00e1rea da \u00e9tica. O sil\u00eancio carregou em si o maior protesto j\u00e1 registrado nesse pa\u00eds. Sem infiltrados, sem ataques, sem preju\u00edzo ao patrim\u00f4nio material. Uma forma inteligente de gritar calando. Assim n\u00e3o h\u00e1 como prender. Assim n\u00e3o h\u00e1 como condenar. Imposs\u00edvel perseguir. Em cada crise parece n\u00e3o haver gente preparada para enfrenta-la com a voz. S\u00f3 com o sil\u00eancio.<\/p>\n<p>Sorriem indo para a \u00cdndia, distribuindo adeus, enquanto a parte sul do pa\u00eds agoniza. Mais uma vez um evento esvaziado depois de dezenas de horas de viagem. S\u00e3o os encastelados nas mais importantes fun\u00e7\u00f5es do Estado, tentando, \u00e0s cegas, reduzir os danos de uma popularidade zero. Mesmo com tantos favores, tantos \u201camigos e amigas\u201d. Est\u00e1 na hora de acender uma vela para D. Pedro II, pedindo miseric\u00f3rdia, e para Nossa Senhora Aparecida, prote\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>A frase que foi pronunciada<\/strong><\/p>\n<p>\u201cO povo que n\u00e3o conhece sua hist\u00f3ria e seu passado n\u00e3o ter\u00e1 a chance de construir um futuro melhor\u201d<\/p>\n<p>Luiz In\u00e1cio Lula da Silva, presidente do Brasil<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Hist\u00f3ria de Bras\u00edlia<\/strong><\/p>\n<p>No Departamento de For\u00e7a e Luz, h\u00e1 um rel\u00f3gio el\u00e9trico, que dispara, automaticamente, \u00e0s 11h30, avisando o almo\u00e7o dos funcion\u00e1rios. Com as interrup\u00e7\u00f5es de energia, o rel\u00f3gio para e volta a funcionar, e, outro dia, os funcion\u00e1rios trabalharam uma hora a mais sem saber. (Publicada em 23\/3\/1962)<\/p>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>VISTO, LIDO E OUVIDO &#8211; A voz da democracia Criada por Ari Cunha desde 1960 jornalistacircecunha@gmail.com com Circe Cunha e Mamfil &nbsp; Muito f\u00e1cil reconhecer, neste estranho pa\u00eds, que a cada governo entrante, corresponde uma ou mais crises espec\u00edficas que, em \u00faltima an\u00e1lise, acaba por definir e dar forma e car\u00e1ter a ele. 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