{"id":23412,"date":"2023-09-14T03:08:40","date_gmt":"2023-09-14T06:08:40","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/?p=23412"},"modified":"2023-09-21T11:48:28","modified_gmt":"2023-09-21T14:48:28","slug":"fabulas-do-tempo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/fabulas-do-tempo\/","title":{"rendered":"F\u00e1bulas do tempo"},"content":{"rendered":"<div class=\"row\">\n<div class=\"col-12 col-md-6 order-first\">VISTO, LIDO E OUVIDO &#8211; F\u00e1bulas do tempo<\/div>\n<\/div>\n<div>\n<p><em>Criada por Ari Cunha desde 1960<\/em><\/p>\n<p><em>jornalistacircecunha@gmail.com<\/em><\/p>\n<p><em>com Circe Cunha e Mamfil\u00a0\u00a0\u00a0<\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>N\u00e3o \u00e9 necess\u00e1rio ser economista para se chegar \u00e0 conclus\u00e3o de que o sistema capitalista, principalmente aquele praticado pelo Estado, ganharia uma nova vers\u00e3o, mais light ao entrar no Brasil, amalgamando-se ao jeitinho nacional, que adquiriu doses de patrimonialismo e de outros aspectos do chamado homem cordial.<\/p>\n<p>Obviamente, isso tem se refletido na condu\u00e7\u00e3o das empresas p\u00fablicas. Num sistema desses, aos pol\u00edticos vencedores nas elei\u00e7\u00f5es, s\u00e3o repartidas esp\u00e9cies de a\u00e7\u00f5es que os tornam donos de parte dessas empresas. A forma\u00e7\u00e3o de blocos dentro do Congresso acelerou esse processo e aumentou sua inger\u00eancia nos destinos das estatais. Nem mesmo as Ag\u00eancias Reguladoras escaparam desse destino, sendo, logo ap\u00f3s sua cria\u00e7\u00e3o, aparelhadas por prepostos pol\u00edticos, mais interessados em obter vantagens do que fiscalizar e regular o funcionamento dessas companhias.<\/p>\n<p>O p\u00fablico, nessa altura dos acontecimentos, sabe muito bem que as ag\u00eancias reguladoras funcionam na contra m\u00e3o dos interesses da popula\u00e7\u00e3o. Entendidos sabem que fossem reunidas apenas no C\u00f3digo de Defesa do Consumidor todas as leis e fun\u00e7\u00f5es desses \u00f3rg\u00e3os reguladores, o sistema de prote\u00e7\u00e3o ao cidad\u00e3o seria muito mais eficaz e imediato.<\/p>\n<p>Outra quest\u00e3o \u00e9 que nossa iniciativa privada nem sempre \u00e9 muito confi\u00e1vel, al\u00e9m de ter um forte poder do lobby sobre pol\u00edticos e sobre o pr\u00f3prio governo. Essa \u00e9 quase uma premissa para o fim das puni\u00e7\u00f5es a empres\u00e1rios e pol\u00edticos por crimes contra o er\u00e1rio. Com isso, perpetuam-se as a\u00e7\u00f5es de controle e gest\u00e3o temer\u00e1rias dessas institui\u00e7\u00f5es do Estado, empurrando para um distante futuro, verdadeiras a\u00e7\u00f5es de compliance dessas empresas.<\/p>\n<p>Para alguns especialistas em privatiza\u00e7\u00f5es, o caminho do meio seria o ideal, com a pulveriza\u00e7\u00e3o do controle dessas empresas p\u00fablicas para os brasileiros, abrindo o capital das estatais o m\u00e1ximo poss\u00edvel, entregando seu controle e fiscaliza\u00e7\u00e3o ao p\u00fablico interno. O importante \u00e9 retirar os recursos do BNDES dessas transa\u00e7\u00f5es, salvando o que resta da poupan\u00e7a nacional.<\/p>\n<p>A exist\u00eancia de uma empresa estatal, com monop\u00f3lio sobre uma determinada riqueza, n\u00e3o \u00e9, em si, um passaporte para a bonan\u00e7a do pa\u00eds. Segundo a lenda da maldi\u00e7\u00e3o do ouro negro, muitos pa\u00edses que utilizam-se desse recurso natural, tem sofrido mil e uma atribula\u00e7\u00f5es. O caso da Venezuela, com uma das maiores reservas do mundo em petr\u00f3leo, \u00e9 um bom exemplo.<\/p>\n<p>Das muitas e preciosas li\u00e7\u00f5es que ficar\u00e3o para sempre como um norte a seguir, uma, em particular, serve como uma luva tanto para os defensores como para os opositores das privatiza\u00e7\u00f5es: o uso pol\u00edtico das empresas do Estado e o corporativismo exacerbado est\u00e3o por detr\u00e1s tanto da sequ\u00eancia de crimes como dos preju\u00edzos bilion\u00e1rios gerados para os contribuintes.<\/p>\n<p>A conta dessa inc\u00faria, praticada por todos os governos desde o fim do regime militar, tem sido subtra\u00edda da poupan\u00e7a p\u00fablica, ficando o passivo com os pagadores de impostos e os ativos com essas empresas, cumprindo-se assim a sina que reza que uma estatal, por sua cobertura majestosa, jamais entra em processo de fal\u00eancia.<\/p>\n<p>Dessa forma, os efeitos nefastos da gest\u00e3o delituosa nas empresas do Estado e que precisam de socorro p\u00fablico urgente, s\u00e3o repassados \u00e0 popula\u00e7\u00e3o por meio do sucateamento dos sistemas de sa\u00fade, educa\u00e7\u00e3o, seguran\u00e7a e de infraestrutura. De nada adiantaram os seguidos alertas, feitos por brasileiros conscientes de que o estatismo, na forma como foi concebido, acabaria arruinando o povo e elevando pol\u00edticos e empres\u00e1rios astutos aos p\u00edncaros da riqueza.<\/p>\n<p>Colocados numa balan\u00e7a, em que seriam aferidas as vantagens e desvantagens do modelo estatal, duas conclus\u00f5es opostas indicariam que esse projeto foi vantajoso no in\u00edcio, com o processo industrializa\u00e7\u00e3o do pa\u00eds. Passado esse per\u00edodo e, principalmente, com o retorno da chamada normalidade pol\u00edtica nos anos oitenta, esse plano foi totalmente abduzido pela classe pol\u00edtica, que fez dele uma esp\u00e9cie de tesouro particular, tanto para a instala\u00e7\u00e3o de correligion\u00e1rios c\u00famplices em postos chaves e altamente lucrativos nessas empresas quanto para barganhar vantagens, agindo como verdadeiros donos ocultos dessas companhias.<\/p>\n<p>O que para Get\u00falio Vargas e, posteriormente, para os militares seria um modo de tornar o Brasil um pa\u00eds industrializado e independente dos pa\u00edses desenvolvidos, tornou-se um ativo de outra ordem, tratado com todo o cuidado dentro das mais puras pr\u00e1ticas patrimonialistas.<\/p>\n<p>Por tr\u00e1s do af\u00e3 protecionista, diversas vezes manifestado, estava em curso um estratagema criminoso para carrear o m\u00e1ximo de vantagens. H\u00e1, inclusive, nas redes sociais, uma fala do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Roberto Barroso apresentando a cifra de R$ 88 bilh\u00f5es de preju\u00edzos provocados por a\u00e7\u00f5es contra o cofre da Petrobras. Nem mesmo as f\u00e1bulas \u00e1rabes, chinesas ou africanas ousaram ir t\u00e3o distante em termos de ironia e sarcasmo.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>A frase que foi pronunciada<\/strong><\/p>\n<p><em>\u201cQuando dois elefantes brigam, quem sofre \u00e9 a grama.\u201d<\/em><\/p>\n<p>Prov\u00e9rbio africano<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Hist\u00f3ria de Bras\u00edlia<\/strong><\/p>\n<p>E, falando em DFL, vamos fazer justi\u00e7a ao dr. Laranja. Ontem, n\u00f3s dissemos que n\u00e3o havia sido autorizada a aquisi\u00e7\u00e3o de marcadores, mas o dr. Laranja mandou comprar cinco mil, e depois de instalados, outros cinco mil ser\u00e3o adquiridos. (Publicada em 23\/3\/1962)<\/p>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>VISTO, LIDO E OUVIDO &#8211; F\u00e1bulas do tempo Criada por Ari Cunha desde 1960 jornalistacircecunha@gmail.com com Circe Cunha e Mamfil\u00a0\u00a0\u00a0 &nbsp; N\u00e3o \u00e9 necess\u00e1rio ser economista para se chegar \u00e0 conclus\u00e3o de que o sistema capitalista, principalmente aquele praticado pelo Estado, ganharia uma nova vers\u00e3o, mais light ao entrar no Brasil, amalgamando-se ao jeitinho nacional, [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":34,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"wpb_read_more":[],"footnotes":""},"categories":[1],"tags":[],"class_list":["post-23412","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-integra-integra"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/23412","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-json\/wp\/v2\/users\/34"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=23412"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/23412\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":23413,"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/23412\/revisions\/23413"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=23412"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=23412"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=23412"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}