{"id":23605,"date":"2023-11-29T01:00:53","date_gmt":"2023-11-29T04:00:53","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/?p=23605"},"modified":"2023-11-28T17:25:46","modified_gmt":"2023-11-28T20:25:46","slug":"o-estrangeiro","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/o-estrangeiro\/","title":{"rendered":"O estrangeiro"},"content":{"rendered":"<p>VISTO, LIDO E OUVIDO, criada desde 1960 por Ari Cunha (In memoriam)<\/p>\n<p>Hoje, com Circe Cunha e Mamfil \u2013 Manoel de Andrade<\/p>\n<p>jornalistacircecunha@gmail.com<\/p>\n<p>facebook.com\/vistolidoeouvido<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<figure id=\"attachment_23609\" aria-describedby=\"caption-attachment-23609\" style=\"width: 609px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" wp-image-23609\" src=\"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2023\/11\/imi.png\" alt=\"\" width=\"609\" height=\"364\" srcset=\"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2023\/11\/imi.png 1016w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2023\/11\/imi-300x179.png 300w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2023\/11\/imi-768x459.png 768w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2023\/11\/imi-800x478.png 800w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2023\/11\/imi-550x329.png 550w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2023\/11\/imi-230x137.png 230w\" sizes=\"auto, (max-width: 609px) 100vw, 609px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-23609\" class=\"wp-caption-text\">Foto: jornaldebrasilia.com<\/figcaption><\/figure>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Repetia o fil\u00f3sofo de Mondubim que a diferen\u00e7a entre o rem\u00e9dio e o veneno est\u00e1 apenas na quantidade.\u00a0Infelizmente o mundo moderno parece ter perdido essa e outras receitas, mergulhado que est\u00e1 num mar de excessos, vivendo numa esp\u00e9cie de abund\u00e2ncia e exageros que fogem totalmente do que seja racionalidade.<\/p>\n<p>O consumismo, que seria um fen\u00f4meno possibilitado pelo capitalismo, surge agora tamb\u00e9m como uma ant\u00edtese \u00e0 bonan\u00e7a, colocando em risco a exist\u00eancia do pr\u00f3prio homem. O problema \u00e9 que o consumo n\u00e3o se restringe apenas a bens materiais, estendendo-se muito al\u00e9m dos desejos humanos.<\/p>\n<p>O turismo, tal qual ele se desenvolve hoje em todo o mundo, parece ter rompido, definitivamente, as barreiras do que se pode considerar aceit\u00e1vel e positivo, transformando muitos pa\u00edses e regi\u00f5es do planeta em lugares expostos a um grande e cont\u00ednuo fluxo de visitantes, uma horda de estrangeiros que muitas vezes supera o n\u00famero de habitantes locais.<\/p>\n<p>Com isso, o cotidiano dos habitantes dessas \u00e1reas \u00e9 radicalmente alterado, transformando cada dia dos moradores locais num verdadeiro inferno, onde tudo passa a ser disputado. Fen\u00f4meno id\u00eantico, e talvez com maiores repercuss\u00f5es negativas, vem ocorrendo no caso particular do grande e crescente fluxo de imigrantes. Quer queira, quer n\u00e3o, o imigrante adulto j\u00e1 traz de seu pa\u00eds de origem toda a bagagem cultural que adquiriu ao longo da vida. Isso faz com que ele n\u00e3o se deixe integrar com facilidade aos costumes locais do novo lar. E isso \u00e9 um problema que vem se agravando nos \u00faltimos anos, gerando conflitos que muitas vezes acabam resultando em mortes.<\/p>\n<p>De certo modo, as previs\u00f5es para os pa\u00edses que mais recebem popula\u00e7\u00f5es de imigrantes n\u00e3o s\u00e3o boas. O aumento dos conflitos armados no terceiro mundo e as altera\u00e7\u00f5es bruscas trazidas pelo efeito estufa ao meio ambiente em todo o mundo t\u00eam for\u00e7ado, cada vez mais, o deslocamento de popula\u00e7\u00f5es inteiras pelo planeta. Os conflitos \u00e9tnicos se espalham por toda parte. Na mesma dire\u00e7\u00e3o, aumentam os casos de racismo e, principalmente, de xenofobia.<\/p>\n<p>Relatos de intoler\u00e2ncia contra os estrangeiros se multiplicam. Caso emblem\u00e1tico aqui, para ficar apenas na geografia dos pa\u00edses de l\u00edngua portuguesa, \u00e9 o de intoler\u00e2ncia dos nativos de Portugal contra a imigra\u00e7\u00e3o dos brasileiros que para l\u00e1 foram se estabelecer; o que, \u00e0 primeira vista, poderia parecer um ganho para a terra Lusa, j\u00e1 que o envelhecimento daquela popula\u00e7\u00e3o, juntamente com a queda acentuada de natalidade, vinha provocando um esvaziamento s\u00e9rio populacional do pa\u00eds. Aldeias inteiras, \u00e0 semelhan\u00e7a do que ocorre tamb\u00e9m na Espanha e na It\u00e1lia, est\u00e3o hoje sem moradores. Mas, ainda assim, as popula\u00e7\u00f5es desses pa\u00edses est\u00e3o cada vez mais insatisfeitas com o fluxo imigrat\u00f3rio.<\/p>\n<p>No caso de Portugal, segundo pesquisa e depoimentos de brasileiros residentes l\u00e1, a xenofobia cresceu nos \u00faltimos anos mais de 830%, o que \u00e9 um percentual alt\u00edssimo, e que n\u00e3o deixa de surpreender, j\u00e1 que muitos brasileiros possuem a no\u00e7\u00e3o\u00a0de que a terrinha distante, antiga col\u00f4nia, \u00e9 um lugar acolhedor para aqueles que falam o mesmo idioma e possuem pontos hist\u00f3ricos coincidentes. Nada mais enganoso.<\/p>\n<p>Em lugares como Lisboa e Porto os casos de maus tratos aos brasileiros se sucedem. Estima-se que mais de 400 mil brasileiros vivam hoje naquele pa\u00eds, o que perfaz cerca de menos de 8% da popula\u00e7\u00e3o lusa. Na verdade, a presen\u00e7a de brasileiros em solo portugu\u00eas \u00e9, para os locais, cada vez mais inc\u00f4moda.<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m a no\u00e7\u00e3o hist\u00f3rica distorcida e passada aos portugueses, desde os primeiros anos de ensino, tem mostrado que a coloniza\u00e7\u00e3o foi excepcionalmente ben\u00e9fica aos brasileiros, sendo os colonizadores formados por pessoas do mais alto grau de humanismo, todos eles devotados ao bem-estar das popula\u00e7\u00f5es submetidas. Tamb\u00e9m os livros de hist\u00f3ria de Portugal mostram aquele pa\u00eds como uma na\u00e7\u00e3o muito superior \u00e0 brasileira. Nada mais falso do que isso. Essa pretensa superioridade racial, repassada de gera\u00e7\u00e3o em gera\u00e7\u00e3o, faz com que os portugueses se sintam na condi\u00e7\u00e3o de humilhar os brasileiros que l\u00e1 est\u00e3o, com piadas xen\u00f3fobas e mesmos discursos diretos do tipo: \u201cFora brazucas\u201d, \u201cv\u00e3o para sua terra\u201d, \u201cn\u00e3o queremos voc\u00eas aqui\u201d.<\/p>\n<p>Essas e outras ofensas s\u00e3o ditas com frequ\u00eancia e mesmo pichadas nos muros das casas dos imigrantes. Brasileiros, com descend\u00eancia portuguesa e que procuram a embaixada de Portugal e os consulados espalhados pelo pa\u00eds, em busca de cidadania, v\u00e3o na ilus\u00e3o de que em Portugal ser\u00e3o bem recebidos por todos, afinal s\u00e3o dois pa\u00edses irm\u00e3os. Assim que chegam a Portugal, ficam sabendo que a coisa n\u00e3o \u00e9 bem assim. S\u00e3o maltratados desde o desembarque. Na condi\u00e7\u00e3o de estrangeiros, n\u00e3o s\u00e3o bem-vistos em parte alguma daquele pa\u00eds. Por mais que se esforcem, ficar\u00e3o sempre na condi\u00e7\u00e3o de estrangeiros, apartados do conv\u00edvio dos nativos, xingados e mesmo expulsos de muitos lugares.<\/p>\n<p>Os portugueses possuem a no\u00e7\u00e3o falsa de que est\u00e3o trabalhando para sustentar os imigrantes idos do Brasil. Em 2020, os brasileiros contribu\u00edram com mais de 350 milh\u00f5es de euros para a seguran\u00e7a social portuguesa. Em 2021, esse n\u00famero saltou para mais de 414 milh\u00f5es de euros. Ou seja, dinheiro pago ao sistema de apoio aos trabalhadores imigrantes e que incluem tamb\u00e9m os portugueses. A quest\u00e3o toda est\u00e1 no dilema vivido hoje por uma multid\u00e3o de brasileiros que ruma para Portugal: ou ser cidad\u00e3o de segunda e terceira classe num Brasil dominado pelo \u00f3dio de uma esquerda m\u00edope, ou ser eternamente estrangeiro e escorra\u00e7ado al\u00e9m-mar, tratado como perigoso por uma malta de saloios iletrados, que acreditam ser cosmopolitas.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>A frase que foi pronunciada:<\/strong><\/p>\n<p><em>\u201cDino leva mais seguran\u00e7as \u00e0 C\u00e2mara do que \u00e0 favela da Mar\u00e9.\u201d<\/em><\/p>\n<p>Deputado Capit\u00e3o Alden (PL-BA)<\/p>\n<figure id=\"attachment_23608\" aria-describedby=\"caption-attachment-23608\" style=\"width: 542px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" wp-image-23608\" src=\"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2023\/11\/dep.png\" alt=\"\" width=\"542\" height=\"284\" srcset=\"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2023\/11\/dep.png 805w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2023\/11\/dep-300x157.png 300w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2023\/11\/dep-768x403.png 768w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2023\/11\/dep-800x419.png 800w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2023\/11\/dep-550x288.png 550w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2023\/11\/dep-230x121.png 230w\" sizes=\"auto, (max-width: 542px) 100vw, 542px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-23608\" class=\"wp-caption-text\">Deputado Capit\u00e3o Alden (PL\/BA). Foto: camara.leg<\/figcaption><\/figure>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Hist\u00f3ria de Bras\u00edlia<\/strong><\/p>\n<p>O deputado Martins Rodrigues, l\u00edder da maioria, tem notado que ao contr\u00e1rio do que ocorre comumente, seus amigos o procuram mais de manh\u00e3 cedinho, \u00e0 hora do caf\u00e9, e n\u00e3o \u00e0 noite, para um u\u00edsque e conversa pol\u00edtica. <strong>(Publicada em 27.03.1962)<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>VISTO, LIDO E OUVIDO, criada desde 1960 por Ari Cunha (In memoriam) Hoje, com Circe Cunha e Mamfil \u2013 Manoel de Andrade jornalistacircecunha@gmail.com facebook.com\/vistolidoeouvido &nbsp; &nbsp; Repetia o fil\u00f3sofo de Mondubim que a diferen\u00e7a entre o rem\u00e9dio e o veneno est\u00e1 apenas na quantidade.\u00a0Infelizmente o mundo moderno parece ter perdido essa e outras receitas, mergulhado [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":34,"featured_media":23609,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"wpb_read_more":[],"footnotes":""},"categories":[23],"tags":[2337,3502,2338,2339,3504,114,3503,2340,3435,1933,3260],"class_list":["post-23605","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-integra","tag-aricunha-2","tag-brasileportugal","tag-brasilia-2","tag-circecunha-2","tag-embaixadaportuguesa","tag-historiadebrasilia","tag-imigrantesbrasileiros","tag-mamfil-2","tag-portugal","tag-racismo","tag-xenofobia"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/23605","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-json\/wp\/v2\/users\/34"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=23605"}],"version-history":[{"count":3,"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/23605\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":23610,"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/23605\/revisions\/23610"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-json\/wp\/v2\/media\/23609"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=23605"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=23605"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=23605"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}