{"id":23850,"date":"2024-02-07T01:00:31","date_gmt":"2024-02-07T04:00:31","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/?p=23850"},"modified":"2024-02-07T09:07:58","modified_gmt":"2024-02-07T12:07:58","slug":"do-escambo-a-economia-virtual","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/do-escambo-a-economia-virtual\/","title":{"rendered":"Do escambo \u00e0 economia virtual"},"content":{"rendered":"<p>VISTO, LIDO E OUVIDO, criada desde 1960 por Ari Cunha (In memoriam)<\/p>\n<p>Hoje, com Circe Cunha e Mamfil \u2013 Manoel de Andrade<\/p>\n<p><a href=\"mailto:jornalistacircecunha@gmail.com\">jornalistacircecunha@gmail.com<\/a><\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/vistolidoeouvido?mibextid=ZbWKwL\">facebook.com\/vistolidoeouvido<\/a><\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/instagram.com\/vistolidoeouvido?igshid=YTQwZjQ0NmI0OA==\">instagram.com\/vistolidoeouvido<\/a><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<figure id=\"attachment_23854\" aria-describedby=\"caption-attachment-23854\" style=\"width: 709px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-23854\" src=\"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2024\/02\/bit.png\" alt=\"\" width=\"709\" height=\"395\" srcset=\"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2024\/02\/bit.png 709w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2024\/02\/bit-300x167.png 300w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2024\/02\/bit-550x306.png 550w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2024\/02\/bit-230x128.png 230w\" sizes=\"auto, (max-width: 709px) 100vw, 709px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-23854\" class=\"wp-caption-text\">Imagem: Shutterstock<\/figcaption><\/figure>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400\">\n<p>\u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 Nada \u00e9 mais consumido no mundo de hoje do que a fic\u00e7\u00e3o em forma de literatura, cinema e outras artes. A prop\u00f3sito, a pr\u00f3pria arte, em suas manifesta\u00e7\u00f5es abstratas, podendo ser tudo aquilo que o fregu\u00eas deseja ver, tamb\u00e9m segue o mesmo rumo e \u00e9 consumida, com avidez, como sendo um o\u00e1sis de seguran\u00e7a em investimentos.<\/p>\n<p>Com esse introito o que se busca \u00e9 demonstrar que os rumos tomados hoje pelas ci\u00eancias humanas da economia, seguem, cada vez mais imbicados rumo ao mundo virtual, onde a fic\u00e7\u00e3o e a realidade se fundem num mesmo bem, cujo valor est\u00e1 suspenso no ar, \u00e0 espera de uma nova movimenta\u00e7\u00e3o das pe\u00e7as nesse tabuleiro de nuvens.<\/p>\n<p>Voltando os olhos para tr\u00e1s e percorrendo o longo caminho erguido pelos seres humanos para a cria\u00e7\u00e3o de bens de consumo, verificamos que toda a produ\u00e7\u00e3o de riqueza parece ter se iniciado com a troca de bens, onde o valor do produto era aferido por sua necessidade imediata. Do escambo, as primeiras civiliza\u00e7\u00f5es passaram a comercializar seus produtos, tendo como ponto de atividade geogr\u00e1fica, os entroncamentos dos caminhos, onde todas as estradas se entrecruzavam, dando origem \u00e0s primeiras feiras. At\u00e9 a\u00ed nenhuma novidade para quem segue as trilhas da hist\u00f3ria.<\/p>\n<p>O ponto de inflex\u00e3o fica situado com a populariza\u00e7\u00e3o da moeda, nascida, nesses locais, como bens de troca. Surge a\u00ed, talvez a primeira fic\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica e ao mesmo tempo\u00a0real. Lastreado em ouro ou prata, esse bem de troca logo ganhou a prefer\u00eancia do mundo antigo. Aqui, pouco importavam as batatas ou o trigo, mas a bolsa de moedas e o tilintar dos metais preciosos.<\/p>\n<p>Um mundo\u00a0inteiro de produtos reais poderia ser representado agora pela posse de\u00a0uma pequena quantidade desse mineral em forma de discos min\u00fasculos. Dessa evolu\u00e7\u00e3o, tomada pelos bens materiais em dire\u00e7\u00e3o \u00e0 abstra\u00e7\u00e3o e \u00e0 fic\u00e7\u00e3o, surgem, nesses mesmos espa\u00e7os de feiras de com\u00e9rcio, a nota promiss\u00f3ria e o embri\u00e3o das primeiras casas banc\u00e1rias. \u00c9 nesse ponto que a transforma\u00e7\u00e3o da riqueza ganha seu maior impulso rumo ao mundo da fic\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Somente o poder de abstra\u00e7\u00e3o da esp\u00e9cie humana, fator que, por excel\u00eancia,\u00a0a diferencia dos demais animais, foi capaz de transmutar as riquezas materiais em bens que, ao fim e ao cabo, estavam apenas estampados numa folha de papel, garantidos por garatujas e selos de parafina. Nada mais irreal do que aquilo que n\u00e3o est\u00e1 ao alcance dos olhos e sob o controle dos sentidos. Nenhuma outra revolu\u00e7\u00e3o na economia foi t\u00e3o radical e definitiva como a cria\u00e7\u00e3o do sistema banc\u00e1rio. Obviamente que, com os bancos, veio o sistema financeiro. Dando um grande salto no tempo, at\u00e9 os dias de hoje, vemos que o mundo moderno j\u00e1 n\u00e3o pode mais se desvencilhar do sistema financeiro, pois \u00e9 ele que, em \u00faltima an\u00e1lise controla o setor produtivo, regulando at\u00e9 o setor respons\u00e1vel pelo consumo.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400\">\u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0Nessa encruzilhada dos bancos, quatro caminhos ou mercados tomam dire\u00e7\u00f5es diferentes: o de capitais; o de cr\u00e9dito; o de c\u00e2mbio e o monet\u00e1rio. Nesse patamar, as riquezas e os bens materiais, somem de vista, passando a compor o mundo virtual, onde as oscila\u00e7\u00f5es de pre\u00e7os e outros fatores abstratos d\u00e3o um novo sentido a economia. Pensar que esse \u00e9 o fim de todo um ciclo percorrido pela riqueza \u00e9 tamb\u00e9m uma ilus\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 \u00a0Nada termina nessa esta\u00e7\u00e3o do trem da hist\u00f3ria econ\u00f4mica. Mas, al\u00e9m dessa esta\u00e7\u00e3o, vislumbram-se ainda outros nascentes modelos econ\u00f4micos, ainda mais abstratos e irreais, criados agora com a introdu\u00e7\u00e3o do mundo digital e da internet na economia. Nesse est\u00e1gio, a pr\u00f3pria moeda f\u00edsica deixa de existir e todos os ativos do mundo surgem agora como aquele pintor, que ficou suspendo no ar, segurado apenas pela brocha colado ao teto.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 N\u00e3o bastassem os mercados futuros, onde as certezas s\u00e3o dadas com base em incertezas, surgem agora as criptomoedas ou criptoativos, tamb\u00e9m conhecidos como cyber moedas. Com isso, a validade das transa\u00e7\u00f5es passa a ser dada por interm\u00e9dio da tecnologia. Curiosamente, o criador desse novo modelo econ\u00f4mico, em 2009, um tal Satoshi Nakamoto, nunca foi agraciado com o Nobel de economia, por sua inven\u00e7\u00e3o. Mais curioso \u00e9 saber que as criptomoedas n\u00e3o s\u00e3o lastreadas a uma reserva financeira ou a um bem f\u00edsico.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 \u00c9 a\u00ed que a fic\u00e7\u00e3o na economia ganha ainda mais elementos irreais. Seu valor \u00e9 dado pelos ventos do mercado, seguindo as antigas leis de mercado, no embate esterno entre oferta e procura. A quest\u00e3o toda aqui envolve a credibilidade ou a falta dela em rela\u00e7\u00e3o aos governos e aos Estados. De fato, s\u00e3os governos e seus respectivos bancos centrais, de todo o mundo, sobretudo de pa\u00edses como o Brasil e outras economias cambaleantes, que perderam a credibilidade, devido a excessiva criatividade com que lidam com os n\u00fameros.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 \u00a0Quanto mais criativas as pedaladas fiscais nas contas p\u00fablicas, mascarando os n\u00fameros, mais e mais, a moeda fiduci\u00e1ria, ou aquela garantida pelo governo, perde seu valor de face. \u00c9 nesse faz de conta que a fic\u00e7\u00e3o, representada pelas criptomoedas, surge at\u00e9 com mais concretude e certezas do que as moedas nacionais, como \u00e9 o caso do Real. A no\u00e7\u00e3o moderna ensina que, no mundo virtual, o dinheiro est\u00e1 bem mais seguro e protegido do que nos cofres dos bancos centrais.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400\"><strong>A frase que foi pronunciada:<\/strong><\/p>\n<p style=\"font-weight: 400\"><em>\u201cOs pobres ficam ainda mais pobres quando t\u00eam de sustentar os burocratas nomeados supostamente para enriquec\u00ea-los.\u201d<\/em><\/p>\n<p style=\"font-weight: 400\">M\u00e1rio Henrique Simonsen<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400\"><strong>Hist\u00f3ria de Bras\u00edlia<\/strong><\/p>\n<p style=\"font-weight: 400\">Entre as duas pistas da W3RN h\u00e1 seguidas lagoas, que poderiam ser extintas, bastando um pequeno movimento de terra da Esplanada dos Minist\u00e9rios. <strong>(Publicada em 01.04.1962)<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>VISTO, LIDO E OUVIDO, criada desde 1960 por Ari Cunha (In memoriam) Hoje, com Circe Cunha e Mamfil \u2013 Manoel de Andrade jornalistacircecunha@gmail.com facebook.com\/vistolidoeouvido instagram.com\/vistolidoeouvido &nbsp; &nbsp; \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 Nada \u00e9 mais consumido no mundo de hoje do que a fic\u00e7\u00e3o em forma de literatura, cinema e outras artes. A prop\u00f3sito, a [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":34,"featured_media":23854,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"wpb_read_more":[],"footnotes":""},"categories":[23],"tags":[2337,3535,2338,2339,3536,153,3375,114,2340,3537],"class_list":["post-23850","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-integra","tag-aricunha-2","tag-bitcoin","tag-brasilia-2","tag-circecunha-2","tag-criptomoedas","tag-economia","tag-escambo","tag-historiadebrasilia","tag-mamfil-2","tag-sistemafinanceiro"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/23850","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-json\/wp\/v2\/users\/34"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=23850"}],"version-history":[{"count":4,"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/23850\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":23856,"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/23850\/revisions\/23856"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-json\/wp\/v2\/media\/23854"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=23850"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=23850"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=23850"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}