{"id":24490,"date":"2024-06-20T01:00:03","date_gmt":"2024-06-20T04:00:03","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/?p=24490"},"modified":"2024-06-20T08:42:17","modified_gmt":"2024-06-20T11:42:17","slug":"quando-a-carne-alimenta-os-sonhos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/quando-a-carne-alimenta-os-sonhos\/","title":{"rendered":"Quando a carne alimenta os sonhos"},"content":{"rendered":"<p>VISTO, LIDO E OUVIDO, criada desde 1960 por Ari Cunha (In memoriam)<\/p>\n<p>Hoje, com Circe Cunha e Mamfil \u2013 Manoel de Andrade<\/p>\n<p><a href=\"mailto:jornalistacircecunha@gmail.com\">jornalistacircecunha@gmail.com<\/a><\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/vistolidoeouvido?mibextid=ZbWKwL\">facebook.com\/vistolidoeouvido<\/a><\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/instagram.com\/vistolidoeouvido?igshid=YTQwZjQ0NmI0OA==\">instagram.com\/vistolidoeouvido<\/a><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<figure id=\"attachment_24492\" aria-describedby=\"caption-attachment-24492\" style=\"width: 595px\" class=\"wp-caption alignleft\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-24492\" src=\"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2024\/06\/lule.png\" alt=\"\" width=\"595\" height=\"445\" srcset=\"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2024\/06\/lule.png 595w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2024\/06\/lule-300x224.png 300w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2024\/06\/lule-550x411.png 550w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2024\/06\/lule-230x172.png 230w\" sizes=\"auto, (max-width: 595px) 100vw, 595px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-24492\" class=\"wp-caption-text\">Charge do Zappa<\/figcaption><\/figure>\n<p style=\"font-weight: 400\">\u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 Helena Blavatsky (1831-1891), fundadora da Sociedade Teos\u00f3fica, costumava dizer, com muita propriedade, que \u201cn\u00e3o existe religi\u00e3o mais elevada do que a verdade\u201d. Ela queria dizer que a busca pela verdade transcende todo e qualquer dogma, inclusive aqueles que n\u00e3o possuem rela\u00e7\u00e3o direta com quest\u00f5es de f\u00e9, como \u00e9 o caso da pol\u00edtica.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Numa par\u00e1frase livre, poder\u00edamos tamb\u00e9m afirmar que n\u00e3o existe ideologia pol\u00edtica alguma ou mesmo partido pol\u00edtico que seja mais importante do que a verdade, posta \u00e0 disposi\u00e7\u00e3o do cidad\u00e3o. Mas, aqui, incorre-se tamb\u00e9m em um perigo conhecido: as massas, aqui simbolizadas pelos eleitores, deixam-se guiar mais facilmente por fantasias. A realidade as assusta. N\u00e3o por outra, s\u00e3o os demagogos aqueles que mais conseguem hipnotizar as massas. Quanto mais as promessas pol\u00edticas de campanha s\u00e3o embaladas em papel lustroso, mais e mais o p\u00fablico se deixa envolver. Afinal, as massas enxergam, nesse tipo de fala, aquela que os levar\u00e1 ao mundo da fantasia, onde tudo ser\u00e1 pleno de felicidade.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Da\u00ed por diante, amargam o frio met\u00e1lico da realidade, t\u00e3o logo as elei\u00e7\u00f5es acabem e a vida volte ao que sempre foi: uma rotina intermin\u00e1vel e enfadonha. A verdade na pol\u00edtica funciona assim como um an\u00e1tema, com seu pregador expurgado para fora de todas as op\u00e7\u00f5es de escolha. Quem quiser se candidatar e ter algum \u00eaxito nesse meio deve, primeiro, afastar de si quaisquer resqu\u00edcios de verdade. Sangue, suor e l\u00e1grimas \u00e9 tudo o que ningu\u00e9m quer ver como promessa.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Para aqueles que formam filas diante dos containers para abocanhar um osso, a promessa \u00e9 de que, logo logo, estar\u00e3o se baqueteando com uma suculenta carne, acompanhada de uma cervejinha bem gelada e uma gordurinha passada na farinha. Ciente da prefer\u00eancia dos subnutridos pelos ossos descartados, a realidade, faz com que a maior ind\u00fastria de carne do pa\u00eds resolva embalar, \u00e0 v\u00e1cuo, os ossos, que seriam descartados, e coloca-los no mercado a pre\u00e7os inalcan\u00e7\u00e1veis. Mas, ainda assim, fica na mem\u00f3ria a imagem da pe\u00e7a ardendo na brasa e isso \u00e9 tudo o que vale, afinal, alimenta ao menos os sonhos.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 A verdade, nesses tempos bizarros \u00e9 produto fora da prateleira. Em pol\u00edtica ent\u00e3o, chega a ser uma maldi\u00e7\u00e3o. Freud (1856-1939), que conhecia bem os meandros obscuros de um car\u00e1ter mal formado perdidos na mente humana, dizia, sobre as massas, o seguinte: \u201cA massa \u00e9 extraordinariamente influenci\u00e1vel e cr\u00e9dula, \u00e9 acr\u00edtica, o improv\u00e1vel n\u00e3o existe para ela. Pensa em imagens que evocam umas \u00e0s outras associativamente, como no indiv\u00edduo em estado de livre devaneio, e que n\u00e3o t\u00eam sua coincid\u00eancia com a realidade medida por uma inst\u00e2ncia razo\u00e1vel. Os sentimentos da massa s\u00e3o sempre muito simples e muito exaltados. Ela n\u00e3o conhece d\u00favida nem incerteza. Ela vai prontamente a extremos; a suspeita exteriorizada se transforma de imediato em certeza indiscut\u00edvel, um germe de antipatia se torna um \u00f3dio selvagem. Quem quiser influir sobre ela, n\u00e3o necessita medir logicamente os argumentos; deve pintar com imagens mais fortes, exagerar e sempre repetir a mesma fala. Como a massa n\u00e3o tem d\u00favidas quanto ao que \u00e9 verdadeiro ou falso, e tem consci\u00eancia da sua enorme for\u00e7a, ela \u00e9, ao mesmo tempo, intolerante e crente na autoridade. Ela respeita a for\u00e7a, e deixa-se influenciar apenas moderadamente pela bondade, que para ela \u00e9 uma esp\u00e9cie de fraqueza. O que exige de seus her\u00f3is \u00e9 fortaleza, at\u00e9 mesmo viol\u00eancia. Quer ser dominada e oprimida, quer temer os seus senhores. No fundo, inteiramente conservadora, tem profunda avers\u00e3o a todos os progressos e inova\u00e7\u00f5es, e ilimitada rever\u00eancia pela tradi\u00e7\u00e3o.\u201d<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 A quest\u00e3o aqui \u00e9 como fazer com que cada eleitor possa olhar para as pr\u00f3prias profundezas e aprenda, desse modo, a se conhecer, libertando-se da escurid\u00e3o em que se encontra e, com isso, aprenda a se ver liberto daqueles que, no mundo exterior, aprisionam-no. Primeiro, aprendendo que a felicidade que ele parece enxergar em promessas de campanha n\u00e3o est\u00e1 fora de si, mas dentro, sendo, portanto, um problema individual e at\u00e9 intransfer\u00edvel.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Ainda como caracter\u00edstica comum \u00e0s massas, temos a quest\u00e3o da intoler\u00e2ncia. As massas s\u00e3o sempre extremadas. Da\u00ed que, para o pol\u00edtico formado em espertezas e em maquina\u00e7\u00f5es, fica f\u00e1cil promover a polariza\u00e7\u00e3o e instigar os extremos com a propaga\u00e7\u00e3o de conceitos ant\u00edpodas como o amor contra o \u00f3dio e coisa do g\u00eanero.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Fernando Henrique Cardoso, que escreveu um livro com o t\u00edtulo: \u201cA arte da Pol\u00edtica\u201d, dizia que \u201ca pol\u00edtica n\u00e3o \u00e9 a arte do poss\u00edvel, \u00c9 a arte de tornar o poss\u00edvel necess\u00e1rio\u201d. O problema \u00e9 quando a arte da pol\u00edtica se transforma num faz de conta mambembe e o pa\u00eds num grande circo de ilus\u00f5es.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400\"><strong>A frase que foi pronunciada:<\/strong><\/p>\n<p style=\"font-weight: 400\"><em>\u201cPode ser que nos guie uma ilus\u00e3o; a consci\u00eancia, por\u00e9m, \u00e9 que n\u00e3o nos guia.\u201d<\/em><\/p>\n<p style=\"font-weight: 400\">Fernando Pessoa<\/p>\n<figure id=\"attachment_13392\" aria-describedby=\"caption-attachment-13392\" style=\"width: 436px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-13392\" src=\"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2019\/02\/fernando-pessoa-jovem.jpg\" alt=\"\" width=\"436\" height=\"440\" srcset=\"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2019\/02\/fernando-pessoa-jovem.jpg 436w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2019\/02\/fernando-pessoa-jovem-150x150.jpg 150w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2019\/02\/fernando-pessoa-jovem-297x300.jpg 297w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2019\/02\/fernando-pessoa-jovem-347x350.jpg 347w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2019\/02\/fernando-pessoa-jovem-230x232.jpg 230w\" sizes=\"auto, (max-width: 436px) 100vw, 436px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-13392\" class=\"wp-caption-text\">Foto: poesiaspoemaseversos.com.br<\/figcaption><\/figure>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Hist\u00f3ria de Bras\u00edlia<\/strong><\/p>\n<p style=\"font-weight: 400\">Para que se diga mais, a Siderurgica Nacional n\u00e3o est\u00e1 agindo com maior corre\u00e7\u00e3o no que diz respeito ao Distrito Federal. A Hidroel\u00e9trica do Parano\u00e1 n\u00e3o ser\u00e1 inaugurada tamb\u00e9m, porque a entrega de chapas foi feita com muito atraso. <strong>(Publicada em 10.04.1962)<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>VISTO, LIDO E OUVIDO, criada desde 1960 por Ari Cunha (In memoriam) Hoje, com Circe Cunha e Mamfil \u2013 Manoel de Andrade jornalistacircecunha@gmail.com facebook.com\/vistolidoeouvido instagram.com\/vistolidoeouvido &nbsp; \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 Helena Blavatsky (1831-1891), fundadora da Sociedade Teos\u00f3fica, costumava dizer, com muita propriedade, que \u201cn\u00e3o existe religi\u00e3o mais elevada do que a verdade\u201d. 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