{"id":24561,"date":"2024-07-06T01:00:19","date_gmt":"2024-07-06T04:00:19","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/?p=24561"},"modified":"2024-07-06T01:21:45","modified_gmt":"2024-07-06T04:21:45","slug":"o-camelo-e-a-agulha","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/o-camelo-e-a-agulha\/","title":{"rendered":"O camelo e a agulha"},"content":{"rendered":"<p>VISTO, LIDO E OUVIDO, criada desde 1960 por Ari Cunha (In memoriam)<\/p>\n<p>Hoje, com Circe Cunha e Mamfil \u2013 Manoel de Andrade<\/p>\n<p><a href=\"mailto:jornalistacircecunha@gmail.com\">jornalistacircecunha@gmail.com<\/a><\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/vistolidoeouvido?mibextid=ZbWKwL\">facebook.com\/vistolidoeouvido<\/a><\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/instagram.com\/vistolidoeouvido?igshid=YTQwZjQ0NmI0OA==\">instagram.com\/vistolidoeouvido<\/a><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<figure id=\"attachment_24562\" aria-describedby=\"caption-attachment-24562\" style=\"width: 571px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" wp-image-24562\" src=\"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2024\/07\/ppcub.png\" alt=\"\" width=\"571\" height=\"379\" srcset=\"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2024\/07\/ppcub.png 795w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2024\/07\/ppcub-300x199.png 300w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2024\/07\/ppcub-768x510.png 768w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2024\/07\/ppcub-550x365.png 550w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2024\/07\/ppcub-230x153.png 230w\" sizes=\"auto, (max-width: 571px) 100vw, 571px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-24562\" class=\"wp-caption-text\">Foto: Paulo H. Carvalho\/ Ag\u00eancia Bras\u00edlia<\/figcaption><\/figure>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400\">\u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0Em mat\u00e9ria publicada no Podcast do nosso\u00a0<strong><em>Correio Braziliense<\/em><\/strong>\u00a0jornal no dia 03\/07\/2024, sob o t\u00edtulo: \u201cPPCUB \u2013 Um grande risco \u00e0 qualidade de vida\u201d, a arquiteta e urbanista Vera Ramos, integrante do Instituto Hist\u00f3rico e Geogr\u00e1fico do DF, alertou para o grande risco de Bras\u00edlia vir a perder o prestigioso t\u00edtulo de Patrim\u00f4nio Cultural da Humanidade, concedido pela Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas para a Educa\u00e7\u00e3o, Ci\u00eancia e Cultura (Unesco) em 1987.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 N\u00e3o \u00e9 pouca coisa, j\u00e1 que se trata da maior \u00e1rea tombada do mundo, com 112,5 km\u00b2, talvez, por isso mesmo, tenha sido tornada alvo constante de todo o tipo de especula\u00e7\u00e3o imobili\u00e1ria, por parte de pol\u00edticos e empreiteiros locais ao longo de toda a sua exist\u00eancia. Dessa vez, e de forma at\u00e9 impetuosa, Bras\u00edlia volta a sofrer mais uma tentativa de ser desfigurada por conta do controverso e malicioso Plano de Preserva\u00e7\u00e3o do Conjunto Urban\u00edstico de Bras\u00edlia (PPCUB), aprovado agora pela C\u00e2mara Distrital.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 \u00a0De acordo com Vera Ramos, muitas s\u00e3o as cl\u00e1usulas desse Plano que colocam em risco n\u00e3o s\u00f3 a manuten\u00e7\u00e3o do t\u00edtulo concedido pela Unesco, mas, sobretudo, diminuem e agridem sensivelmente a qualidade de vida dos brasilienses. De in\u00edcio, a urbanista lembra que o partido da cidade, ou seja, a caracter\u00edstica fundamental (personalidade) de Bras\u00edlia \u00e9 que ela \u00e9 uma cidade parque, sendo concebida muito em fun\u00e7\u00e3o das extensas \u00e1reas verdes que a cercam. O pr\u00f3prio L\u00facio Costa deixou isso patente quando deixou claro em seu projeto a predomin\u00e2ncia das \u00e1reas verdes sobre as \u00e1reas constru\u00eddas. Dessa forma n\u00e3o se pode entender ou aceitar Bras\u00edlia sem suas \u00e1reas verdes.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Esse \u00e9, justamente, o ponto que deixa aqueles que nada entendem de urbanismo ou dos aspectos que levaram \u00e0 concep\u00e7\u00e3o da capital sempre animados e prontos para, a todo o instante, propor medidas para alienar essas \u00e1reas. \u201cO urbanismo de Bras\u00edlia, ensina ela, traduz uma refer\u00eancia \u00e9tica, que significa a predomin\u00e2ncia do interesse coletivo sobre o privado\u201d.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400\">\u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0Na avalia\u00e7\u00e3o de Vera Ramos, o PPCUB est\u00e1 propondo exatamente o contr\u00e1rio nas diversas cl\u00e1usulas aprovadas, beneficiando o interesse privado. \u201cEssa aula de \u00e9tica que o urbanismo de Bras\u00edlia d\u00e1 para todos n\u00f3s, e para as autoridades, deveria fazer parte, inclusive, de informa\u00e7\u00f5es para o melhor entendimento desse Plano\u201d, enfatizou a arquiteta, ao ressaltar que os bens inscritos na Unesco, como \u00e9 o caso da capital, devem possuir um plano de preserva\u00e7\u00e3o com regras claras, tudo o que o PPCUB n\u00e3o parece possuir.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Outro ponto que tamb\u00e9m chamou a aten\u00e7\u00e3o da urbanista \u00e9 que, no caso do PPCUB, n\u00e3o houve a participa\u00e7\u00e3o ativa da sociedade civil o que, de certa forma, torna evidente que a comunidade brasiliense desconhece o que trata o PPCUB. Outra quest\u00e3o destacada por Vera Ramos \u00e9 quanto ao adensamento populacional trazido pelo plano ao instituir a cria\u00e7\u00e3o de diversos novos lotes em \u00e1reas p\u00fablicas. Acontece que esses lotes est\u00e3o justamente situados em \u00e1reas n\u00e3o edificantes, ou seja s\u00e3o \u00e1reas previstas para ficar vazias, sem constru\u00e7\u00f5es. \u00c9 outro conceito trazido por L\u00facio Costa de intercalar o cheio e o vazio, dando sentido e harmonia a ambos.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Outro ponto que para n\u00e3o caber na cabe\u00e7a dos leigos e interesseiros de prontid\u00e3o. As \u00e1reas n\u00e3o edificantes, assinala Vera Ramos, n\u00e3o s\u00e3o \u00e1reas ociosas pois integram a escala buc\u00f3lica, prevista por LC. A arquiteta lembrou ainda que, em qualquer interven\u00e7\u00e3o v\u00e1lida e s\u00e9ria, a abordagem deve ser feita a partir da escala, uma vez que esse \u00e9 um dos elementos fundamentais do tombamento. N\u00e3o se pode, pois, misturar setores de uma escala com outra.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Com isso, d\u00e1 para entender que aqueles que redigiram o PPCUB n\u00e3o conheciam nem mesmo as mais b\u00e1sicas regras do tombamento e mesmo de urbanismo. Al\u00e9m disso, o PPCUB, segundo analisa, peca por falta de transpar\u00eancia em v\u00e1rios dispositivos. A quest\u00e3o da volumetria, que tamb\u00e9m \u00e9 uma das exig\u00eancias contidas no tombamento, foi abordada com maestria. Nesse sentido, o aumento de gabarito em alguns edif\u00edcios tamb\u00e9m v\u00e3o contra o estabelecido no tombamento e ferem de morte o projeto de L\u00facio Costa. Na opini\u00e3o de Vera Ramos, o principal em toda essa celeuma e o que importa para a sociedade \u00e9 discutir, de forma honesta, os reais instrumentos de preserva\u00e7\u00e3o e valoriza\u00e7\u00e3o do patrim\u00f4nio que \u00e9 de todos os brasileiros, pois como ela pr\u00f3pria ressalta: \u201ca popula\u00e7\u00e3o \u00e9 a guardi\u00e3 do patrim\u00f4nio.\u201d Com essas possibilidades de Bras\u00edlia vir a perder, ao mesmo tempo, o t\u00edtulo de patrim\u00f4nio cultural da humanidade e a qualidade de vida de seus habitantes \u00e9 que obriga o PPCUB ser colocado a aprecia\u00e7\u00e3o da popula\u00e7\u00e3o local por meio de um amplo e claro referendum, que apresente ponto por ponto essa proposta. A aposta dessa coluna, que sempre tomou frente em defesa de Bras\u00edlia, \u00e9 que \u00e9 mais f\u00e1cil um camelo passar pelo buraco de uma agulha do que a popula\u00e7\u00e3o aceitar esse plano maroto e cheio de m\u00e1s inten\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400\"><strong>A frase que foi pronunciada:<\/strong><\/p>\n<p style=\"font-weight: 400\"><em>\u201cSim. A quest\u00e3o \u00e9 pol\u00eamica, complexa e, por vezes, dif\u00edcil de ser assimilada pela popula\u00e7\u00e3o.\u201d<\/em><\/p>\n<p style=\"font-weight: 400\">Leonardo \u00c1vila, presidente do Codese sobre os alertas em rela\u00e7\u00e3o ao tombamento<\/p>\n<figure id=\"attachment_24563\" aria-describedby=\"caption-attachment-24563\" style=\"width: 495px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-24563 \" src=\"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2024\/07\/leo.png\" alt=\"Leonardo \u00c1vila. Foto: Codesi \/ Divulga\u00e7\u00e3o\" width=\"495\" height=\"321\" srcset=\"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2024\/07\/leo.png 669w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2024\/07\/leo-300x195.png 300w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2024\/07\/leo-550x357.png 550w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2024\/07\/leo-230x149.png 230w\" sizes=\"auto, (max-width: 495px) 100vw, 495px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-24563\" class=\"wp-caption-text\">Leonardo \u00c1vila. Foto: Codesi \/ Divulga\u00e7\u00e3o<\/figcaption><\/figure>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400\"><strong>Hist\u00f3ria de Bras\u00edlia<\/strong><\/p>\n<p style=\"font-weight: 400\">A R\u00e1dio Educadora de Bras\u00edlia bem que podia dar a hora certa. Seria uma ajuda aos ouvintes, que n\u00e3o s\u00e3o poucos. <strong>(Publicada em 10.04.1962)<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>VISTO, LIDO E OUVIDO, criada desde 1960 por Ari Cunha (In memoriam) Hoje, com Circe Cunha e Mamfil \u2013 Manoel de Andrade jornalistacircecunha@gmail.com facebook.com\/vistolidoeouvido instagram.com\/vistolidoeouvido &nbsp; &nbsp; \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0Em mat\u00e9ria publicada no Podcast do nosso\u00a0Correio Braziliense\u00a0jornal no dia 03\/07\/2024, sob o t\u00edtulo: \u201cPPCUB \u2013 Um [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":34,"featured_media":24562,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"wpb_read_more":[],"footnotes":""},"categories":[23],"tags":[2337,2338,2339,3674,1490,114,2340],"class_list":["post-24561","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-integra","tag-aricunha-2","tag-brasilia-2","tag-circecunha-2","tag-codesi","tag-governolula","tag-historiadebrasilia","tag-mamfil-2"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/24561","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-json\/wp\/v2\/users\/34"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=24561"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/24561\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":24565,"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/24561\/revisions\/24565"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-json\/wp\/v2\/media\/24562"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=24561"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=24561"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=24561"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}