{"id":24666,"date":"2024-08-03T01:00:42","date_gmt":"2024-08-03T04:00:42","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/?p=24666"},"modified":"2024-08-03T00:23:54","modified_gmt":"2024-08-03T03:23:54","slug":"ter-identidade-historica-ou-nao-eis-a-questao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/ter-identidade-historica-ou-nao-eis-a-questao\/","title":{"rendered":"Ter identidade hist\u00f3rica ou n\u00e3o. Eis a quest\u00e3o."},"content":{"rendered":"<p>VISTO, LIDO E OUVIDO, criada desde 1960 por Ari Cunha (In memoriam)<\/p>\n<p>Hoje, com Circe Cunha e Mamfil \u2013 Manoel de Andrade<\/p>\n<p><a href=\"mailto:jornalistacircecunha@gmail.com\">jornalistacircecunha@gmail.com<\/a><\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/vistolidoeouvido?mibextid=ZbWKwL\">facebook.com\/vistolidoeouvido<\/a><\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/instagram.com\/vistolidoeouvido?igshid=YTQwZjQ0NmI0OA==\">instagram.com\/vistolidoeouvido<\/a><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<figure id=\"attachment_24669\" aria-describedby=\"caption-attachment-24669\" style=\"width: 535px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" wp-image-24669\" src=\"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2024\/08\/\u00edndio.png\" alt=\"\" width=\"535\" height=\"366\" srcset=\"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2024\/08\/\u00edndio.png 847w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2024\/08\/\u00edndio-300x205.png 300w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2024\/08\/\u00edndio-768x525.png 768w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2024\/08\/\u00edndio-800x547.png 800w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2024\/08\/\u00edndio-550x376.png 550w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2024\/08\/\u00edndio-230x157.png 230w\" sizes=\"auto, (max-width: 535px) 100vw, 535px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-24669\" class=\"wp-caption-text\">Foto: Mr\u00e9 Gavi\u00e3o | Ascom MPI<\/figcaption><\/figure>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>A lista de ataques a nichos culturais, onde uma variedade de povos, ao longo dos s\u00e9culos, armazenavam seus conhecimentos t\u00e9cnicos e culturais, sobretudo com o avan\u00e7o da escrita, \u00e9 extensa e tem contribu\u00eddo a seu modo para apagar e tornar t\u00eanues muitos conhecimentos, pesquisas, e textos que seriam de enorme import\u00e2ncia para todos e, qui\u00e7\u00e1, para um melhor conhecimento de nosso mundo atual. De l\u00e1 para c\u00e1, a estrat\u00e9gia de destruir a cultura daqueles que s\u00e3o alvo de domina\u00e7\u00e3o nunca deixou de existir e, por um motivo simples: trata-se ainda de um m\u00e9todo de grande efic\u00e1cia e que rende resultados aos conquistadores.<\/p>\n<p>Ao longo dos \u00faltimos cinco mil anos, desde que surgiram as primeiras civiliza\u00e7\u00f5es conhecidas no Vale dos Rios Tigre e Eufrates, na chamada Mesopot\u00e2mia, a mem\u00f3ria cultural, legada a outros povos, tem sido o fator preponderante para o lento e progressivo desenvolvimento da humanidade. Sem essa heran\u00e7a, por certo, estar\u00edamos ainda praticando a ca\u00e7a e a coleta de alimentos e nos abrigando em cavernas naturais.<\/p>\n<p>H\u00e1 aqueles que acreditam ainda que sem a transmiss\u00e3o desses conhecimentos t\u00e9cnicos e culturais, feitos por nossos ancestrais, a ra\u00e7a humana poderia at\u00e9 ter desaparecido da face da Terra. Tal \u00e9 a import\u00e2ncia desse processo para a sobreviv\u00eancia de nossa esp\u00e9cie. Desde cedo tamb\u00e9m, muitos povos aprenderam que a melhor t\u00e1tica para dominar uma na\u00e7\u00e3o, eleita como inimiga, era destruir-lhes primeiro seus tra\u00e7os culturais, tornando-os sem identidade hist\u00f3rica e, portanto, esvaziados de alma e \u00e0 merc\u00ea dos conquistadores e de seus costumes.<\/p>\n<p>A destrui\u00e7\u00e3o da biblioteca de Alexandria em aproximadamente 48 a.C, consumida por um gigantesco inc\u00eandio, durante a guerra civil romana, se constitui, por suas caracter\u00edsticas simb\u00f3licas, um marco e um exemplo hist\u00f3rico que d\u00e1 in\u00edcio a essa estrat\u00e9gia de guerra que visa conquistar outros povos pela destrui\u00e7\u00e3o de suas bases culturais, varrendo do mapa quaisquer tra\u00e7os que possam lig\u00e1-los ao passado e as\u00a0suas mem\u00f3rias.<\/p>\n<p>Do processo de acultura\u00e7\u00e3o, quando a cultura de um povo \u00e9 modificada pela aproxima\u00e7\u00e3o de outra mais forte, at\u00e9 o chamado etnoc\u00eddio ou genoc\u00eddio cultural, quando a destrui\u00e7\u00e3o de qualquer tra\u00e7o remanescente de cultura passa a ser o m\u00e9todo empregado em larga escala. Ao longo do tempo essa tem sido a medida empregada pelos tiranos em toda parte e lugar. O Brasil, por se estabelecer, desde o s\u00e9culo XVI, como o pa\u00eds, por excel\u00eancia, onde tr\u00eas culturas, de tr\u00eas continentes distintos, vieram a se amalgamar para o surgimento do que seria uma nova civiliza\u00e7\u00e3o, \u00e9 um bom exemplo desse processo que vai da acultura\u00e7\u00e3o ao etnoc\u00eddio.<\/p>\n<p>Embora a express\u00e3o etnoc\u00eddio seja recente, surgida por volta de 1943, o processo de aniquilamento de outra cultura tem sido usado com muita frequ\u00eancia, \u00e0 luz do dia e bem debaixo dos olhos de todos. N\u00e3o se enganem, at\u00e9 mesmo o desleixo proposital das autoridades p\u00fablicas, a quem \u00e9 atribu\u00eddo, inclusive a obriga\u00e7\u00e3o de cuidar dos diversos centros culturais, podem, muito bem, ser enquadrado como crime.<\/p>\n<p>S\u00f3 que estamos no Brasil, um pa\u00eds surreal, onde o que menos as autoridades possuem, \u00e9 responsabilidades com o patrim\u00f4nio p\u00fablico, ainda mais quando esse patrim\u00f4nio \u00e9 formado pela mem\u00f3ria cultural. Em pa\u00eds algum desenvolvido, a sequ\u00eancia, quase ininterrupta de sinistros de toda a ordem que v\u00eam consumindo nosso patrim\u00f4nio art\u00edstico e cultural, seria aceita como normal e sem a puni\u00e7\u00e3o exemplar dos respons\u00e1veis, diretos e indiretos. H\u00e1 muito se sabe que um povo sem cultura, \u00e9 um povo sem um futuro decente pela frente. A n\u00e3o ser que esse futuro seja formado por escombros e cinzas do passado.<\/p>\n<p>Quando na noite de 10 de maio de 1933 os nazistas e seus simpatizantes promoveram uma grande queima de livros em diversas pra\u00e7as p\u00fablicas espalhadas por v\u00e1rias cidades alem\u00e3es e simultaneamente, sabiam muito bem o que estavam fazendo e com que prop\u00f3sito final. Essa limpeza dos bancos de mem\u00f3ria, atrav\u00e9s da destrui\u00e7\u00e3o da literatura, incitada at\u00e9 pelos diret\u00f3rios acad\u00eamicos de estudantes, visavam a \u201cpurifica\u00e7\u00e3o radical\u201d do esp\u00edrito, libertando-os da aliena\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Onde se queimam livros e a cultura, de certo s\u00e3o queimados tamb\u00e9m os homens, sobretudo os livres, diria o fil\u00f3sofo de Mondubim. Quando se verifica entre n\u00f3s a quantidade de pr\u00e9dios hist\u00f3ricos, que abrigavam inestim\u00e1veis tesouros de nossa cultura e que foram totalmente consumidos pelo fogo e pelo descaso, d\u00e1 para pensar que alguma for\u00e7a maligna possa estar por detr\u00e1s dessas trag\u00e9dias.<\/p>\n<p>A lista \u00e9 imensa e vergonhosa. Do Museu Nacional, na zona Norte do Rio de Janeiro, que veio \u00e0 baixo junto com mais de 20 milh\u00f5es de itens da nossa hist\u00f3ria, passando pelo o Teatro de Cultura Art\u00edstica de S\u00e3o Paulo, pelo Instituto Butant\u00e3, Memorial da Am\u00e9rica Latina, Museu de Ci\u00eancias Naturais da PUC de Minas Gerais, Centro Cultural Liceu de Artes e Of\u00edcios, Museu da L\u00edngua Portuguesa, a Cinemateca Brasileira em 2016 e agora, em 2021, depois de sofrer com alagamentos severos, comp\u00f5em essa triste rela\u00e7\u00e3o do descaso e da desmem\u00f3ria .<\/p>\n<p>Pior \u00e9 que para todos esses acontecimentos tr\u00e1gicos para os brasileiros, n\u00e3o se ouviu nem uma palavra ou explica\u00e7\u00e3o plaus\u00edvel. A esses destro\u00e7os se juntam as dezenas de galerias de arte, de teatros e outros espa\u00e7os p\u00fablicos de cultura, fechados e abandonados. Todo esse acervo e edif\u00edcios, tornado sucatas, formam o retrato acabado de uma na\u00e7\u00e3o, cujo os governantes, na melhor das hip\u00f3teses, n\u00e3o ligam para aspectos da cultura, isso quando n\u00e3o tramam para simplesmente destru\u00ed-la, sob os mais inconfess\u00e1veis pretextos.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>A frase que foi pronunciada:<\/strong><\/p>\n<p><em>\u201cA arte \u00e9 o mel armazenado da alma humana.\u201d<\/em><\/p>\n<p>Theodore Dreiser<\/p>\n<figure id=\"attachment_24668\" aria-describedby=\"caption-attachment-24668\" style=\"width: 413px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-24668\" src=\"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2024\/08\/sol.png\" alt=\"\" width=\"413\" height=\"593\" srcset=\"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2024\/08\/sol.png 413w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2024\/08\/sol-209x300.png 209w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2024\/08\/sol-230x330.png 230w\" sizes=\"auto, (max-width: 413px) 100vw, 413px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-24668\" class=\"wp-caption-text\">Fotografia de Bettmann \/ Getty<\/figcaption><\/figure>\n<p><strong>Hist\u00f3ria de Bras\u00edlia<\/strong><\/p>\n<p>O que houve, deputado, e o senhor sabe mais do que ningu\u00e9m. Foi o sabor dado \u00e0 \u00e1gua pelo material de impermeabiliza\u00e7\u00e3o que por sinal \u00e9 inofensivo. <strong>(Publicada em 15.04.1962)<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>VISTO, LIDO E OUVIDO, criada desde 1960 por Ari Cunha (In memoriam) Hoje, com Circe Cunha e Mamfil \u2013 Manoel de Andrade jornalistacircecunha@gmail.com facebook.com\/vistolidoeouvido instagram.com\/vistolidoeouvido &nbsp; &nbsp; A lista de ataques a nichos culturais, onde uma variedade de povos, ao longo dos s\u00e9culos, armazenavam seus conhecimentos t\u00e9cnicos e culturais, sobretudo com o avan\u00e7o da escrita, [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":34,"featured_media":24669,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"wpb_read_more":[],"footnotes":""},"categories":[23],"tags":[2337,2338,2339,818,3692,114,2340],"class_list":["post-24666","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-integra","tag-aricunha-2","tag-brasilia-2","tag-circecunha-2","tag-culturanobrasil","tag-culturanomundo","tag-historiadebrasilia","tag-mamfil-2"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/24666","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-json\/wp\/v2\/users\/34"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=24666"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/24666\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":24670,"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/24666\/revisions\/24670"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-json\/wp\/v2\/media\/24669"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=24666"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=24666"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=24666"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}