{"id":24674,"date":"2024-08-07T01:00:18","date_gmt":"2024-08-07T04:00:18","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/?p=24674"},"modified":"2024-08-07T11:24:03","modified_gmt":"2024-08-07T14:24:03","slug":"homo-sacer","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/homo-sacer\/","title":{"rendered":"Homo Sacer"},"content":{"rendered":"<p>VISTO, LIDO E OUVIDO, criada desde 1960 por Ari Cunha (In memoriam)<\/p>\n<p>Hoje, com Circe Cunha e Mamfil \u2013 Manoel de Andrade<\/p>\n<p><a href=\"mailto:jornalistacircecunha@gmail.com\">jornalistacircecunha@gmail.com<\/a><\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/vistolidoeouvido?mibextid=ZbWKwL\">facebook.com\/vistolidoeouvido<\/a><\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/instagram.com\/vistolidoeouvido?igshid=YTQwZjQ0NmI0OA==\">instagram.com\/vistolidoeouvido<\/a><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<figure id=\"attachment_24679\" aria-describedby=\"caption-attachment-24679\" style=\"width: 581px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" wp-image-24679\" src=\"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2024\/08\/homo.png\" alt=\"\" width=\"581\" height=\"465\" srcset=\"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2024\/08\/homo.png 664w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2024\/08\/homo-300x240.png 300w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2024\/08\/homo-550x440.png 550w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2024\/08\/homo-230x184.png 230w\" sizes=\"auto, (max-width: 581px) 100vw, 581px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-24679\" class=\"wp-caption-text\">Imagem: criticallegalthinking<\/figcaption><\/figure>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Com o avan\u00e7o da Internet, novos conceitos que, primeiramente, foram aplicados exclusivamente a essa nova tecnologia ganharam vida pr\u00f3pria passando a definir tamb\u00e9m situa\u00e7\u00f5es experenciadas no cotidiano. Um caso t\u00edpico se refere a palavra \u201cdeletar\u201d, que, no caso dos computadores, tem uma tecla espec\u00edfica que apaga o que foi digitado. No dia a dia, deletar ganhou novo significado nas redes sociais, expressando um movimento que visa apagar, das redes, pessoas que, por algum motivo, contrariam as normas ou pretens\u00f5es desses grupos. Essa a\u00e7\u00e3o de deletar pessoas ganhou ainda maior vigor com a polariza\u00e7\u00e3o pol\u00edtica que parece ter tomado conta do mundo, inclusive do Brasil. Assim, temos que os grupos de esquerda fazem de tudo para deletar pessoas ou grupos identificados como de direita, banindo-os e calando suas vozes e opini\u00f5es. O contr\u00e1rio tamb\u00e9m acontece.<\/p>\n<p>Em nossa sociedade, dita moderna, o sujeito deletado \u00e9 aquele cuja presen\u00e7a deve ser apagada, n\u00e3o s\u00f3 das redes, mas, se poss\u00edvel, do meio social. Essa situa\u00e7\u00e3o surreal lembra aquelas fotos antigas, nas quais as figuras tornadas indesejadas eram simplesmente rabiscadas no papel. Nesse novo vale-tudo, vale tudo mesmo, desde de falsas den\u00fancias, cal\u00fanias, difama\u00e7\u00f5es e todos os truques sujos, criando a imagem de um ser horrendo que merece ser desterrado e punido com o fogo eterno. Infelizmente, essa e outras express\u00f5es ganham ainda mais \u00edmpeto, quando s\u00e3o os pr\u00f3prios pol\u00edticos ou aqueles munidos de responsabilidade pelo voto que a\u00e7ulam essas ideias, ao pregarem a elimina\u00e7\u00e3o dos opositores ou, mais precisamente, quando dizem abertamente em p\u00fablico frases do tipo: \u201cprecisamos extirpar essa gente\u201d.<\/p>\n<p>Vivemos tempos confusos em que uma nova esp\u00e9cie de eugenia pol\u00edtica \u00e9 alimentada nos palanques e introduzida nas redes sociais, onde passam a ganhar protagonismo feroz. A solu\u00e7\u00e3o para esse novo tipo de antagonismo midi\u00e1tico \u00e9, segundo defendido pela esquerda, regular a m\u00eddia. Para a direita, melhor que regular as redes, seria seguir o que diz a Constitui\u00e7\u00e3o, que regula apenas as responsabilidades, direitos e obriga\u00e7\u00f5es individuais de cada cidad\u00e3o.<\/p>\n<p>Nada \u00e9 o que \u00e9, at\u00e9 que se conclua como sendo o que \u00e9 de fato. O outro lado desse cancelamento da pessoa e de suas ideias \u00e9 ainda mais cruel, pois envolve a pr\u00f3pria desumaniza\u00e7\u00e3o do indiv\u00edduo. Nesse ponto, para entendermos esse fen\u00f4meno anti-humano, somos imediatamente lan\u00e7ados ao campo da filosofia pol\u00edtica moderna na pessoa de Giorgio Agamber e sua obra, intitulada Homo Sacer: O Poder Soberano e a Vida Nua.<\/p>\n<p>O homo sacer vem de um conceito da Roma antiga e passou a despertar aten\u00e7\u00e3o hodierna, pois \u00e9, mais do que nunca, um fen\u00f4meno atual nesse mundo polarizado e t\u00e3o cheio de \u00f3dio e desencontros. O Homo Sacer, na antiga lei romana, era exclu\u00eddo de todos os direitos civis, uma esp\u00e9cie de santo \u00e0s avessas, que qualquer um pode sacrificar, uma esp\u00e9cie de Caim, sobre o qual todas as pragas do mundo recaem.<\/p>\n<p>Mais sucintamente, \u00e9 um exclu\u00eddo e taxado pela sociedade como um ser a quem todos os crimes s\u00e3o imputados, apenas para torn\u00e1-lo pass\u00edvel de desprezo geral. N\u00e3o \u00e9 uma tarefa f\u00e1cil degredar algu\u00e9m ou algum grupo \u00e0 condi\u00e7\u00e3o de desumaniza\u00e7\u00e3o. Exige todo um trabalho midi\u00e1tico, jur\u00eddico, psicol\u00f3gico para convencer a sociedade que esses indiv\u00edduos n\u00e3o t\u00eam quaisquer direitos, inclusive, o de viver.<\/p>\n<p>Incluem nessa condi\u00e7\u00e3o, mais comumente, os presos pol\u00edticos de regimes autorit\u00e1rios, consolidados ou em processo de vir a ser. Para esses homos sacer, n\u00e3o existe direito ao processo legal; \u00e0 defesa ou ao acesso ao seu processo, que \u00e9 sempre dificultado, inclusive, com amea\u00e7as aos advogados de defesa; a um juiz imparcial. N\u00e3o t\u00eam direito de acesso a suas contas banc\u00e1rias, seus bens s\u00e3o congelados sem quaisquer prop\u00f3sitos, ficam sem apoio legal, suas vozes s\u00e3o caladas nas redes e, mesmo o acesso de familiares e advogados, a esses presos, \u00e9 dificultado ao m\u00e1ximo.<\/p>\n<p>Muitos desses presos, transformados agora em homos sacer, passam a cumprir penas em regime diferencial, pois tornam-se figuras de alta periculosidade. A retirada de todos esses direitos \u00e9 feita mesmo contrariando a Constitui\u00e7\u00e3o. Os homos sacer s\u00e3o os novos subversivos, a quem todo o castigo \u00e9 pouco.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>A frase que foi pronunciada:<\/strong><br \/>\n<em>\u201cUm dia a humanidade brincar\u00e1 com a lei, assim como as crian\u00e7as brincam com objetos fora de uso, n\u00e3o para restaur\u00e1-la ao seu uso can\u00f4nico, mas para libert\u00e1los dele para sempre.\u201d<\/em><br \/>\nGiorgio Agamben<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"O que \u00e9 Homo Sacer para Giorgio Agamben\" width=\"720\" height=\"405\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/HmQukwmWCI0?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Hist\u00f3ria de Bras\u00edlia <\/strong><\/p>\n<p>Os \u00f4nibus JK\/W3 desapareceram na sexta-feira da circula\u00e7\u00e3o entre 11 e 13 horas, exatamente o hor\u00e1rio de maior necessidade.\u00a0<strong>(Publicada em 15\/4\/1962)<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>VISTO, LIDO E OUVIDO, criada desde 1960 por Ari Cunha (In memoriam) Hoje, com Circe Cunha e Mamfil \u2013 Manoel de Andrade jornalistacircecunha@gmail.com facebook.com\/vistolidoeouvido instagram.com\/vistolidoeouvido &nbsp; &nbsp; Com o avan\u00e7o da Internet, novos conceitos que, primeiramente, foram aplicados exclusivamente a essa nova tecnologia ganharam vida pr\u00f3pria passando a definir tamb\u00e9m situa\u00e7\u00f5es experenciadas no cotidiano. 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