{"id":24767,"date":"2024-08-29T01:32:59","date_gmt":"2024-08-29T04:32:59","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/?p=24767"},"modified":"2024-09-02T21:17:38","modified_gmt":"2024-09-03T00:17:38","slug":"a-familia-e-o-estado","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/a-familia-e-o-estado\/","title":{"rendered":"A fam\u00edlia e o Estado"},"content":{"rendered":"<p>VISTO, LIDO E OUVIDO, criada desde 1960 por Ari Cunha (In memoriam)<\/p>\n<p>Hoje, com Circe Cunha e Mamfil \u2013 Manoel de Andrade<\/p>\n<p><a href=\"mailto:jornalistacircecunha@gmail.com\">jornalistacircecunha@gmail.com<\/a><\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/vistolidoeouvido?mibextid=ZbWKwL\">facebook.com\/vistolidoeouvido<\/a><\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/instagram.com\/vistolidoeouvido?igshid=YTQwZjQ0NmI0OA==\">instagram.com\/vistolidoeouvido<\/a><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<figure id=\"attachment_24637\" aria-describedby=\"caption-attachment-24637\" style=\"width: 573px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" wp-image-24637\" src=\"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2024\/07\/fam\u00edlia.png\" alt=\"\" width=\"573\" height=\"306\" srcset=\"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2024\/07\/fam\u00edlia.png 744w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2024\/07\/fam\u00edlia-300x160.png 300w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2024\/07\/fam\u00edlia-550x293.png 550w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2024\/07\/fam\u00edlia-230x123.png 230w\" sizes=\"auto, (max-width: 573px) 100vw, 573px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-24637\" class=\"wp-caption-text\">Foto: vaticannews.va<\/figcaption><\/figure>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>H\u00e1 raz\u00f5es suficientes para crermos que, no cerne de alguns discursos pol\u00edticos, sobretudo aqueles que abordam, pela \u00f3tica marxista, o tema da fam\u00edlia e suas rela\u00e7\u00f5es com o Estado, existe, de modo subjacente, uma ret\u00f3rica que visa convencer os ouvintes menos atentos de que esses cl\u00e3s s\u00e3o naturais. Dessa forma, podem justificar plenamente sua raz\u00e3o de existir quando se mostram capazes de atender \u00e0s necessidades do Estado, cumprindo assim seu papel pol\u00edtico. Do contr\u00e1rio, s\u00e3o catalogados como institui\u00e7\u00e3o burguesa, o que serve apenas aos interesses das classes dominantes, perpetuando a opress\u00e3o e a explora\u00e7\u00e3o da classe trabalhadora. Vista por esse \u00e2ngulo, obtusamente materialista, a fam\u00edlia precisa ser, ent\u00e3o, abolida. N\u00e3o somente ela, mas tamb\u00e9m a propriedade privada e o casamento, acusado de ser uma forma de controle social e de opress\u00e3o das mulheres. Em resumo, a pretendida emancipa\u00e7\u00e3o da classe trabalhadora s\u00f3 se tornar\u00e1 poss\u00edvel com a destrui\u00e7\u00e3o total da fam\u00edlia burguesa.<\/p>\n<p>Para Marx, a fam\u00edlia era apenas uma constru\u00e7\u00e3o social e hist\u00f3rica, ligada diretamente ao modo de produ\u00e7\u00e3o capitalista, \u00e0 propriedade privada e ao controle dos meios de produ\u00e7\u00e3o. Nesse sentido, a fam\u00edlia, ao garantir o modo de produ\u00e7\u00e3o capitalista, passa a se constituir num agente que se op\u00f5e frontalmente \u00e0s teses marxistas. Ou melhor ainda: enquanto for poss\u00edvel manter a tradi\u00e7\u00e3o hist\u00f3rica nas rela\u00e7\u00f5es familiares, haver\u00e1 a certeza de que o marxismo n\u00e3o ir\u00e1 se impor como doutrina pol\u00edtica.<\/p>\n<p>O que se tem aqui mostra, claramente, que a fam\u00edlia \u00e9 tamb\u00e9m uma forma de trincheira para impedir o avan\u00e7o das tropas marxistas. Existe nesse debate, estrat\u00e9gias e t\u00e1ticas inconfess\u00e1veis, que visam, primeiramente, retirar dos indiv\u00edduos todos e quaisquer tra\u00e7os da figura paterna e sua import\u00e2ncia na introdu\u00e7\u00e3o da lei e da ordem simb\u00f3lica na vida da crian\u00e7a. A aboli\u00e7\u00e3o da fam\u00edlia \u00e9, antes de tudo, nas prega\u00e7\u00f5es pol\u00edticas niilistas, a destitui\u00e7\u00e3o da figura paterna e sua substitui\u00e7\u00e3o por algo vago e irreal do tipo \u201cpai da p\u00e1tria\u201d.<\/p>\n<p>H\u00e1 um entendimento entre psic\u00f3logos e psicanalistas de que a fun\u00e7\u00e3o paterna \u00e9 fundamental para a forma\u00e7\u00e3o ou estrutura\u00e7\u00e3o do sujeito. Para justificar o desmonte da fam\u00edlia, como sendo \u201calgo atrasado, que deve ser combatido\u201d para o avan\u00e7o das ideias progressistas, vale tudo, inclusive alcunhar a fam\u00edlia de \u201cburguesa\u201d e perpetuadora da luta de classes. Nada mais irreal.<\/p>\n<p>Nesse sentido, para eliminar a fam\u00edlia, \u00e9 preciso antes desestrutur\u00e1-la psicologicamente, de prefer\u00eancia tirando desse grupo a figura paterna. Essa aus\u00eancia, em sentido amplo, induz a problemas na constitui\u00e7\u00e3o ps\u00edquica, contribuindo para a aus\u00eancia de identifica\u00e7\u00e3o e outras dificuldades que, na vida adulta, s\u00e3o ainda mais ampliadas, dando margem para a domina\u00e7\u00e3o do cidad\u00e3o e sua submiss\u00e3o a algo et\u00e9reo, como o Estado. A cria\u00e7\u00e3o para o mundo \u00e9 fun\u00e7\u00e3o do pai. A m\u00e3e educa para a vida, o que \u00e9 outra coisa fundamental. Em ambos os pap\u00e9is, a figura do Estado \u00e9 nula.<\/p>\n<p>F\u00f4ssemos fazer um levantamento em todos os consult\u00f3rios de psicologia, ou de psican\u00e1lise, sobre que assuntos s\u00e3o tratados na maioria dessas consultas, ver\u00edamos que o pai est\u00e1 sempre no centro dessas conversas, quer pelo excesso, quer pelo vazio da aus\u00eancia. As primeiras e mais fundamentais leis s\u00e3o passadas no seio da fam\u00edlia \u2014 geralmente pelo pai \u2014, que, para isso, estabelece tamb\u00e9m as primeiras obriga\u00e7\u00f5es, sendo a mais fundamental o respeito \u00e0s leis e normas da casa.<\/p>\n<p>Num mundo em que a cultura Woke e o feminismo tentam, por todos os meios, superar a fam\u00edlia, livrando-a de um dos seus alicerces, \u00e9 preciso ficar atento e na defensiva permanentemente. O pai, mostrado aqui como indutor do patriarcalismo, \u00e9, antes de tudo, um indutor a restabelecer a ordem contra o caos, colocando cada coisa em seu lugar. Bem ou mal, o patriarcalismo tem podido livrar a fam\u00edlia das garras do Estado. Para os chamados progressistas, \u00e9 preciso retirar o pai da equa\u00e7\u00e3o fam\u00edlia. Mat\u00e1-lo, simbolicamente, se preciso for. Sem lideran\u00e7a natural, a fam\u00edlia est\u00e1 \u00e0 merc\u00ea de outras for\u00e7as, entregue \u00e0s vontades de outros l\u00edderes externos, que, em rela\u00e7\u00e3o a esse agrupamento, n\u00e3o mant\u00eam qualquer sentimento ou la\u00e7os afetivos nem sequer cordialidade. O que o Estado, ideologicamente politizado, quer da fam\u00edlia \u00e9 apenas sua for\u00e7a de trabalho, n\u00e3o importando seu destino final.<\/p>\n<p>Diferentemente do Estado, o pai deseja a perpetua\u00e7\u00e3o e uni\u00e3o do grupo, pois mant\u00e9m com ele la\u00e7os de sentimentos e tem, nessa rela\u00e7\u00e3o, a raz\u00e3o da pr\u00f3pria exist\u00eancia. Esse embate destrutivo entre o Estado politicamente ideologizado e a fam\u00edlia, cont\u00e9m tamb\u00e9m o germe que, no futuro n\u00e3o muito distante, provocar\u00e1 o decl\u00ednio e o fim do Estado. Sem a fam\u00edlia, o Estado se torna uma institui\u00e7\u00e3o fantasma e sem alma.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>A frase que foi pronunciada:<\/strong><br \/>\n<em>\u201cO direito de express\u00e3o \u00e9 o princ\u00edpio e o fim de toda a arte.\u201d<\/em><br \/>\nJohann Wolfgang von Goethe<\/p>\n<figure id=\"attachment_24795\" aria-describedby=\"caption-attachment-24795\" style=\"width: 444px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" wp-image-24795\" src=\"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2024\/08\/von.png\" alt=\"\" width=\"444\" height=\"539\" srcset=\"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2024\/08\/von.png 492w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2024\/08\/von-247x300.png 247w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2024\/08\/von-230x280.png 230w\" sizes=\"auto, (max-width: 444px) 100vw, 444px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-24795\" class=\"wp-caption-text\">Johann Wolfgang von Goethe Johann Wolfgang von Goethe, gravura de James Posselwhite, s\u00e9culo XIX.<\/figcaption><\/figure>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Hist\u00f3ria de Bras\u00edlia<\/strong><br \/>\nQueria ainda, o dr. Laranja Filho que fossem apuradas tamb\u00e9m, as condi\u00e7\u00f5es de funcionamento interno em que ele recebera a Companhia. <strong>(Publicada em 17\/4\/1962)<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>VISTO, LIDO E OUVIDO, criada desde 1960 por Ari Cunha (In memoriam) Hoje, com Circe Cunha e Mamfil \u2013 Manoel de Andrade jornalistacircecunha@gmail.com facebook.com\/vistolidoeouvido instagram.com\/vistolidoeouvido &nbsp; &nbsp; H\u00e1 raz\u00f5es suficientes para crermos que, no cerne de alguns discursos pol\u00edticos, sobretudo aqueles que abordam, pela \u00f3tica marxista, o tema da fam\u00edlia e suas rela\u00e7\u00f5es com o [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":34,"featured_media":24637,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"wpb_read_more":[],"footnotes":""},"categories":[1],"tags":[3717,2337,2338,2339,2522,114,2340,3716,3718],"class_list":["post-24767","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-integra-integra","tag-abolicaodafamilia","tag-aricunha-2","tag-brasilia-2","tag-circecunha-2","tag-familia","tag-historiadebrasilia","tag-mamfil-2","tag-marx","tag-propriedadeprivada"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/24767","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-json\/wp\/v2\/users\/34"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=24767"}],"version-history":[{"count":4,"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/24767\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":24796,"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/24767\/revisions\/24796"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-json\/wp\/v2\/media\/24637"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=24767"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=24767"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=24767"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}