{"id":24845,"date":"2024-09-11T01:00:23","date_gmt":"2024-09-11T04:00:23","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/?p=24845"},"modified":"2024-09-11T11:12:21","modified_gmt":"2024-09-11T14:12:21","slug":"a-verdade-do-poder","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/a-verdade-do-poder\/","title":{"rendered":"A verdade do poder"},"content":{"rendered":"<p>VISTO, LIDO E OUVIDO, criada desde 1960 por Ari Cunha (In memoriam)<\/p>\n<p>Hoje, com Circe Cunha e Mamfil \u2013 Manoel de Andrade<\/p>\n<p><a href=\"mailto:jornalistacircecunha@gmail.com\">jornalistacircecunha@gmail.com<\/a><\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/vistolidoeouvido?mibextid=ZbWKwL\">facebook.com\/vistolidoeouvido<\/a><\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/instagram.com\/vistolidoeouvido?igshid=YTQwZjQ0NmI0OA==\">instagram.com\/vistolidoeouvido<\/a><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<figure id=\"attachment_24847\" aria-describedby=\"caption-attachment-24847\" style=\"width: 410px\" class=\"wp-caption alignleft\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-24847\" src=\"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2024\/09\/plat\u00e3o-e-s\u00f3crates.png\" alt=\"\" width=\"410\" height=\"577\" srcset=\"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2024\/09\/plat\u00e3o-e-s\u00f3crates.png 410w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2024\/09\/plat\u00e3o-e-s\u00f3crates-213x300.png 213w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2024\/09\/plat\u00e3o-e-s\u00f3crates-230x324.png 230w\" sizes=\"auto, (max-width: 410px) 100vw, 410px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-24847\" class=\"wp-caption-text\">Plat\u00e3o e S\u00f3crates. Imagem: reprodu\u00e7\u00e3o da internet<\/figcaption><\/figure>\n<p>N\u00e3o se sabe ao certo se o que disse Immanuel Kant (1724-1804) em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 \u00e9tica foi pensado nos acontecimentos passados que levaram \u00e0 condena\u00e7\u00e3o de S\u00f3crates (s\u00e9culo.V a.C), na Gr\u00e9cia Antiga, quando afirmou: \u201cVive tua vida como se cada uma das suas a\u00e7\u00f5es fossem se converter em lei universal\u201d. De certa forma, essa parece ter sido a vida de S\u00f3crates, cujo \u00fanico delito cometido contra o Estado Ateniense foi o de ter despertado, na juventude, o interesse pela filosofia, ou, mais precisamente, pela busca da verdade, como caminho a ser trilhado ao longo da vida. Em suma, foi acusado de fazer os indiv\u00edduos pensarem, o que para os tribunais do Estado se caracterizou como um ato de perverter a juventude, levando-a a questionar os dogmas pol\u00edticos impostos \u00e0quela popula\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Na famosa \u201cApologia de S\u00f3crates\u201d, escrita por Plat\u00e3o (s\u00e9c. V a.C), os di\u00e1logos que se seguem d\u00e3o a entender todo o desenrolar dessa trama hist\u00f3rica, que o levaria a condena\u00e7\u00e3o \u00e0 morte pelo simples delito de filosofar. Na avalia\u00e7\u00e3o de Plat\u00e3o, S\u00f3crates havia, de certa forma, sucumbido \u00e0 for\u00e7a esmagadora representada pelo discurso pol\u00edtico do Estado, sobretudo porque estava convicto, at\u00e9 o fim de sua exist\u00eancia, de que o racioc\u00ednio filos\u00f3fico era superior a todo e qualquer discurso pol\u00edtico imposto pela justi\u00e7a estatal.<\/p>\n<p>Nessas Apologias, por exemplo, S\u00f3crates indaga seu ouvinte, questionando o que ele acredita ser a justi\u00e7a. Seu interlocutor responde ent\u00e3o que a justi\u00e7a era simplesmente o que os mandat\u00e1rios querem que seja feito. S\u00f3crates ent\u00e3o rebate: e se eles mandarem voc\u00ea, por exemplo, matar sua m\u00e3e? Isso ser\u00e1 justo? Seu aluno ent\u00e3o responde: N\u00e3o. Ent\u00e3o, diz o fil\u00f3sofo, o que \u00e9 a justi\u00e7a? Qual o seu sentido final? O que S\u00f3crates estava fazendo nesses di\u00e1logos pedag\u00f3gicos (mai\u00eautica) era extrair de seus alunos uma sabedoria ou um conhecimento que, segundo acreditava, eles carregam consigo, mas que est\u00e1 como que adormecido. Esses seriam conhecimentos ou luzes naturais que todos possuem.<\/p>\n<p>Nenhuma autoridade, segundo o fil\u00f3sofo, pode nos dizer o que \u00e9 justo ou injusto, se isso est\u00e1 em desacordo com nossas luzes naturais. Portanto, existe uma verdade na realidade e, basicamente, \u00e9 isso que a filosofia busca conhecer. Todo esse aprendizado serviria como heran\u00e7a para o mundo ocidental, influenciando o pensamento e a filosofia dessa parte do globo at\u00e9 aos dias de hoje.<\/p>\n<p>Dando um salto no tempo, temos o que hoje pode ser definido como um embate entre o poder da verdade vis a vis a verdade do poder. Mas, modernamente, temos a mesma discuss\u00e3o, representada agora pela for\u00e7a do direito versus o direito da for\u00e7a.<\/p>\n<p>Para p\u00f4r ordem na casa, no caso aqui, o Estado, a Constitui\u00e7\u00e3o e o que nela est\u00e1 determinado \u00e9 que a justi\u00e7a \u00e9 uma garantia fundamental com valor digno e \u00e9tico. Ulysses Guimar\u00e3es, ao denominar a Carta de 1988 como uma Constitui\u00e7\u00e3o Cidad\u00e3, queria afirmar que esse conjunto de leis maiores tinha essa marca impressa por garantir amplos direitos ao cidad\u00e3o, com liberdades civis, promovendo sua inclus\u00e3o e assegurando assim o Estado Democr\u00e1tico de Direito.<\/p>\n<p>O artigo 5\u00ba da Constitui\u00e7\u00e3o \u00e9 clar\u00edssimo e deveria ser fixado em todos os lugares p\u00fablicos deste pa\u00eds, como um libelo\u00a0 liberdade e \u00e0 cidadania. Assim, temos que a justi\u00e7a, a partir de S\u00f3crates, n\u00e3o \u00e9 o que as elites no poder determinam, mas, sobretudo, aquilo que adv\u00e9m de uma verdade superior, muito al\u00e9m do poder. Dentro da doutrina crist\u00e3, dir\u00edamos, de modo sucinto, que a justi\u00e7a vem de Deus e n\u00e3o de C\u00e9sar. Condenado \u00e0 morte em 399 a.C, S\u00f3crates preferiu essa senten\u00e7a \u00e0quela de exilar-se do pa\u00eds, pois sabia que com o desterro teria que ser obrigado a conviver com ju\u00edzes injustos e com um modelo de Estado que n\u00e3o respeitava a liberdade individual de pensamento.<\/p>\n<p>Para S\u00f3crates, s\u00f3 existia um bem: o conhecimento. Para ele, tamb\u00e9m s\u00f3 existia um mal: a ignor\u00e2ncia. \u201cPor conseguinte, se algu\u00e9m declara que a justi\u00e7a significa restituir a cada um o que lhe \u00e9 devido e, por isso, entende-se que o homem justo deve prejudicar os inimigos e ajudar os amigos, n\u00e3o \u00e9 s\u00e1bio quem exp\u00f5e tais ideias. Pois a verdade \u00e9 outra: n\u00e3o \u00e9 l\u00edcito fazer mal a ningu\u00e9m em nenhuma ocasi\u00e3o.\u201d<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>A frase que foi pronunciada:<\/strong><br \/>\n<em>\u201cNem todas as verdades s\u00e3o para todos os ouvidos.\u201d<\/em><br \/>\nUmberto Eco<\/p>\n<figure id=\"attachment_22403\" aria-describedby=\"caption-attachment-22403\" style=\"width: 510px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" wp-image-22403\" src=\"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2022\/12\/Umberto.png\" alt=\"\" width=\"510\" height=\"338\" srcset=\"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2022\/12\/Umberto.png 695w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2022\/12\/Umberto-300x199.png 300w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2022\/12\/Umberto-550x365.png 550w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2022\/12\/Umberto-230x153.png 230w\" sizes=\"auto, (max-width: 510px) 100vw, 510px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-22403\" class=\"wp-caption-text\">Umberto Eco. Foto: Divulga\u00e7\u00e3o<\/figcaption><\/figure>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Inclus\u00e3o<\/strong><br \/>\nRealmente, o senador Rom\u00e1rio leva a s\u00e9rio o respeito \u00e0s dificuldades de pessoas portadoras de defici\u00eancia. O cart\u00e3o de visita do senador \u00e9 vis\u00edvel aos que veem e aos que usam braille para ler.<\/p>\n<figure id=\"attachment_18320\" aria-describedby=\"caption-attachment-18320\" style=\"width: 318px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-18320\" src=\"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2021\/01\/rom.jpg\" alt=\"\" width=\"318\" height=\"396\" srcset=\"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2021\/01\/rom.jpg 318w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2021\/01\/rom-241x300.jpg 241w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2021\/01\/rom-230x286.jpg 230w\" sizes=\"auto, (max-width: 318px) 100vw, 318px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-18320\" class=\"wp-caption-text\">Senador Rom\u00e1rio. Foto: senado.leg.br<\/figcaption><\/figure>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Hist\u00f3ria de Bras\u00edlia<\/strong><br \/>\nJ\u00e1 que o assunto \u00e9 supermercado, eles est\u00e3o vendendo cerveja mais cara que nos botequins, o que n\u00e3o \u00e9 normal. E outra coisa: o mesmo produto, na mesma g\u00f4ndola, apresenta pre\u00e7os diferentes. Isto foi constatado no UV-2.\u00a0<strong>(Publicada em 17\/4\/1962)<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>VISTO, LIDO E OUVIDO, criada desde 1960 por Ari Cunha (In memoriam) Hoje, com Circe Cunha e Mamfil \u2013 Manoel de Andrade jornalistacircecunha@gmail.com facebook.com\/vistolidoeouvido instagram.com\/vistolidoeouvido &nbsp; N\u00e3o se sabe ao certo se o que disse Immanuel Kant (1724-1804) em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 \u00e9tica foi pensado nos acontecimentos passados que levaram \u00e0 condena\u00e7\u00e3o de S\u00f3crates (s\u00e9culo.V a.C), [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":34,"featured_media":24847,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"wpb_read_more":[],"footnotes":""},"categories":[23],"tags":[2337,2338,2339,3736,114,2340,3258,3],"class_list":["post-24845","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-integra","tag-aricunha-2","tag-brasilia-2","tag-circecunha-2","tag-conhecimento","tag-historiadebrasilia","tag-mamfil-2","tag-verdade","tag-poder"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/24845","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-json\/wp\/v2\/users\/34"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=24845"}],"version-history":[{"count":3,"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/24845\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":24851,"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/24845\/revisions\/24851"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-json\/wp\/v2\/media\/24847"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=24845"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=24845"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=24845"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}