{"id":25055,"date":"2024-10-30T01:00:13","date_gmt":"2024-10-30T04:00:13","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/?p=25055"},"modified":"2024-10-30T17:50:21","modified_gmt":"2024-10-30T20:50:21","slug":"um-problema-e-tanto","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/um-problema-e-tanto\/","title":{"rendered":"Um problema e tanto"},"content":{"rendered":"<p>VISTO, LIDO E OUVIDO, criada desde 1960 por Ari Cunha (In memoriam)<\/p>\n<p>Hoje, com Circe Cunha e Mamfil \u2013 Manoel de Andrade<\/p>\n<p><a href=\"mailto:jornalistacircecunha@gmail.com\">jornalistacircecunha@gmail.com<\/a><\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/vistolidoeouvido?mibextid=ZbWKwL\">facebook.com\/vistolidoeouvido<\/a><\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/instagram.com\/vistolidoeouvido?igshid=YTQwZjQ0NmI0OA==\">instagram.com\/vistolidoeouvido<\/a><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<figure id=\"attachment_22943\" aria-describedby=\"caption-attachment-22943\" style=\"width: 557px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" wp-image-22943\" src=\"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2023\/04\/ives.png\" alt=\"\" width=\"557\" height=\"310\" srcset=\"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2023\/04\/ives.png 955w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2023\/04\/ives-300x167.png 300w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2023\/04\/ives-768x427.png 768w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2023\/04\/ives-800x445.png 800w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2023\/04\/ives-550x306.png 550w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2023\/04\/ives-230x128.png 230w\" sizes=\"auto, (max-width: 557px) 100vw, 557px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-22943\" class=\"wp-caption-text\">Ives Gandra Martins Filho, ministro do TST.| Foto: Andr\u00e9 Rodrigues\/Gazeta do Povo<\/figcaption><\/figure>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400\">\u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0Observem a conclus\u00e3o certeira e atual\u00edssima do professor e jurista Ives Gandra Martins, em seu recente artigo O Direito e o Poder: \u201cO certo \u00e9 que o mundo passa por um per\u00edodo de escassez de grandes pol\u00edticos, tendo algumas vezes os magistrados assumido mais papel de pol\u00edticos do que de julgadores e aplicadores da lei.\u201d Tal situa\u00e7\u00e3o, que vai nos pegando de surpresa e espanto a cada dia, poderia, em parte, ser resolvida, caso os nossos pol\u00edticos n\u00e3o expressassem, segundo o professor, \u201co baixo n\u00edvel de conhecimento de teorias pol\u00edticas, por falta de leitura dos cl\u00e1ssicos.\u201d Eis a\u00ed tamb\u00e9m uma li\u00e7\u00e3o, sobre a import\u00e2ncia de a classe pol\u00edtica conhecer, a fundo, a hist\u00f3ria do pr\u00f3prio pa\u00eds. Suas ra\u00edzes, seus frutos bons e seus fracassos.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400\">\u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0Para entender toda essa mec\u00e2nica, que parece ir empurrando o judici\u00e1rio nacional e internacional para uma posi\u00e7\u00e3o de protagonismo pol\u00edtico e ativo dentro do Estado, \u00e9 preciso aceitar tamb\u00e9m a realidade de que \u201cas teorias jur\u00eddicas sobre o poder e o Direito s\u00e3o meras formula\u00e7\u00f5es acad\u00eamicas, que os governantes aceitam ou n\u00e3o, conforme a imposi\u00e7\u00e3o de sua vontade\u201d. Outra conclus\u00e3o, \u00e9 que \u201caqueles que assumem o poder n\u00e3o est\u00e3o preocupados com teorias, apenas sendo quando s\u00e3o obrigados a respeit\u00e1-la.\u201d Nessa ciranda, que vai se desconstruindo \u00e0 medida em que evolui, o professor Gandra parece apontar tamb\u00e9m para o que deveria ser o farol das leis em nosso pa\u00eds, a Suprema Corte, onde, dos onze ministros nessa fun\u00e7\u00e3o, apenas tr\u00eas vieram da magistratura.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 A conclus\u00e3o que um aluno e admirador desse jurista pode chegar \u00e9 que h\u00e1 uma sobrecarga, posi\u00e7\u00f5es e press\u00f5es pol\u00edticas na balan\u00e7a da Justi\u00e7a e isso \u00e9 um fato inquietador, mas que poderia ser resolvido, segundo Gandra Martins, se a escolha de magistrados do Supremo ficasse, \u201cn\u00e3o nas m\u00e3os de um \u00fanico eleitor, o presidente da Rep\u00fablica\u201d, mas numa lista s\u00eaxtupla apresentada pelo Conselho Federal da Ordem, pelo Minist\u00e9rio P\u00fablico e pelos tr\u00eas tribunais federais (STF, STJ, TST). Com essa f\u00f3rmula, o presidente poderia escolher um entre os 18 nomes indicados pela c\u00fapula das tr\u00eas institui\u00e7\u00f5es e, necessariamente, oito dos ministros viriam da magistratura e tr\u00eas, alternadamente, do Minist\u00e9rio P\u00fablico e da advocacia, preservando-se o denominado \u201cquinto constitucional\u201d. Toda essa quest\u00e3o a inquietar os que acompanham essa muta\u00e7\u00e3o do Judici\u00e1rio adquire um contorno mais preocupante quando se verificam que muitos pa\u00edses, como o Canad\u00e1, Israel, Nova Zel\u00e2ndia, \u00c1frica do Sul e outros, est\u00e3o atravessando uma verdadeira onda revolucion\u00e1ria em dire\u00e7\u00e3o a mudan\u00e7as significativas constitucionais. Assistimos a uma avalanche de revis\u00f5es judiciais, por for\u00e7a de uma a\u00e7\u00e3o en\u00e9rgica e estrat\u00e9gica de manuten\u00e7\u00e3o do status quo de elites pol\u00edticas e econ\u00f4micas, na vis\u00e3o agora do canadense Ran Hirschl, autor do bestseller \u201cRumo \u00e0 Juristocracia\u201d.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 \u00a0As decis\u00f5es nessa nov\u00edssima organiza\u00e7\u00e3o pol\u00edtica do Estado ficam agora em m\u00e3os e sob a interpreta\u00e7\u00e3o de ju\u00edzes n\u00e3o eleitos, n\u00e3o destitu\u00edveis e responsabiliz\u00e1veis, e, al\u00e9m disso, em regime vital\u00edcio, com a prerrogativa ainda de controlar e gastar como quer o Or\u00e7amento que lhes cabe neste grande latif\u00fandio chamado Brasil.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 H\u00e1 a teoria que cr\u00ea que o judici\u00e1rio \u00e9 sempre mais previs\u00edvel que o pr\u00f3prio eleitor e cidad\u00e3o. Ao se autoconferir um poder de tutelar a na\u00e7\u00e3o, o Judici\u00e1rio assume um novo perfil, n\u00e3o previsto naquele calhama\u00e7o de papel que forma a Carta de 88. O pior \u00e9 que esse desvirtuamento acaba por desembocar no capitalismo de compadrio, revivendo ainda a tese do \u201chomem cordial\u201d, formado agora pela uni\u00e3o de interesses de uma elite poderosa com membros das altas cortes.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Nesse contexto, que rela\u00e7\u00f5es poderiam existir entre o que acontece agora nos esc\u00e2ndalos envolvendo a justi\u00e7a de Mato Grosso do Sul e essas revolu\u00e7\u00f5es constitucionais feitas de cima para baixo? Regressando a Ives Gandra em seu artigo o Direito e o Poder, vemos que voltamos no tempo e estamos imitando os israelitas do passado com seu governo de ju\u00edzes, experi\u00eancia que o povo hebreu j\u00e1 conhecia entre 1250 a.C a 1030 a.C, tamb\u00e9m chamado pelos historiadores de Per\u00edodo dos Ju\u00edzes.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 A juristocracia, para muitos estudiosos do tema, marca tamb\u00e9m o fim da democracia como a conhecemos, desativada e substitu\u00edda por uma tecnocracia que passa a ocupar a m\u00e1quina do Estado, comandando-a sempre em dire\u00e7\u00e3o aos pr\u00f3prios interesses. \u00c9 o tempo tamb\u00e9m do panconstitucionalismo, em que todas as quest\u00f5es passam a ganhar um verniz constitucional e nada \u00e9 vetado \u00e0 aprecia\u00e7\u00e3o dos ju\u00edzes.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 \u00a0Todo esse fen\u00f4meno de mudan\u00e7a vai ainda mais longe, abarcando interesses econ\u00f4micos do movimento de globaliza\u00e7\u00e3o ou, mais precisamente, do globalismo, com um novo e perigoso desenho para a democracia do futuro com o afastamento da vontade popular.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400\"><strong>A frase que foi pronunciada:<\/strong><\/p>\n<p style=\"font-weight: 400\"><em>\u201cJusti\u00e7a \u00e9 a verdade em a\u00e7\u00e3o.\u201d<\/em><\/p>\n<p style=\"font-weight: 400\">Benjamin Disraeli<\/p>\n<figure id=\"attachment_25053\" aria-describedby=\"caption-attachment-25053\" style=\"width: 445px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-25053\" src=\"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2024\/10\/bri.png\" alt=\"\" width=\"445\" height=\"593\" srcset=\"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2024\/10\/bri.png 445w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2024\/10\/bri-225x300.png 225w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2024\/10\/bri-230x306.png 230w\" sizes=\"auto, (max-width: 445px) 100vw, 445px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-25053\" class=\"wp-caption-text\">Benjamin Disraeli. \u00a9Georgios Kollidas\/Fotolia<\/figcaption><\/figure>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400\"><strong>Mem\u00f3ria<\/strong><\/p>\n<p style=\"font-weight: 400\">Em um suplemento do que hoje \u00e9 o DODF, Malu Mestrinho encontrou um texto da pianista Neusa Fran\u00e7a, que lecionou no col\u00e9gio Caseb. A publica\u00e7\u00e3o \u00e9 de 15 de maio de 1970. Neusa faz o registro de v\u00e1rios nomes importantes que deram, \u00e0 Bras\u00edlia, o t\u00edtulo de eficiente laborat\u00f3rio musical. Leiam na \u00edntegra, a seguir.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-25057 aligncenter\" src=\"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2024\/10\/neusa.png\" alt=\"\" width=\"343\" height=\"635\" srcset=\"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2024\/10\/neusa.png 343w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2024\/10\/neusa-162x300.png 162w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2024\/10\/neusa-230x426.png 230w\" sizes=\"auto, (max-width: 343px) 100vw, 343px\" \/><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400\"><strong>Hist\u00f3ria de Bras\u00edlia<\/strong><\/p>\n<p style=\"font-weight: 400\">Em tr\u00eas anos trabalho foram constru\u00eddos setecentos mil metros quadrados, o que equivale a mais de 694 metros por dia. Bras\u00edlia possui, hoje, um milh\u00e3o e meio de metros quadrados de asfalto considerado de primeira. <strong>(Publicada em 21.04.1962)<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>VISTO, LIDO E OUVIDO, criada desde 1960 por Ari Cunha (In memoriam) Hoje, com Circe Cunha e Mamfil \u2013 Manoel de Andrade jornalistacircecunha@gmail.com facebook.com\/vistolidoeouvido instagram.com\/vistolidoeouvido &nbsp; &nbsp; \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0Observem a conclus\u00e3o certeira e atual\u00edssima do professor e jurista Ives Gandra Martins, em seu recente artigo O Direito e o Poder: \u201cO certo [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":34,"featured_media":22943,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"wpb_read_more":[],"footnotes":""},"categories":[23],"tags":[2337,2338,2339,2923,114,3785,2340,3783,261,3784],"class_list":["post-25055","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-integra","tag-aricunha-2","tag-brasilia-2","tag-circecunha-2","tag-direito","tag-historiadebrasilia","tag-judiciario","tag-mamfil-2","tag-ordenamentojuridico","tag-politicanobrasil","tag-tribunais"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/25055","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-json\/wp\/v2\/users\/34"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=25055"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/25055\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":25058,"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/25055\/revisions\/25058"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-json\/wp\/v2\/media\/22943"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=25055"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=25055"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=25055"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}