{"id":25169,"date":"2024-11-29T01:00:12","date_gmt":"2024-11-29T04:00:12","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/?p=25169"},"modified":"2024-11-28T15:10:02","modified_gmt":"2024-11-28T18:10:02","slug":"na-carne","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/na-carne\/","title":{"rendered":"Na carne"},"content":{"rendered":"<p>VISTO, LIDO E OUVIDO, criada desde 1960 por Ari Cunha (In memoriam)<\/p>\n<p>Hoje, com Circe Cunha e Mamfil \u2013 Manoel de Andrade<\/p>\n<p><a href=\"mailto:jornalistacircecunha@gmail.com\">jornalistacircecunha@gmail.com<\/a><\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/vistolidoeouvido?mibextid=ZbWKwL\">facebook.com\/vistolidoeouvido<\/a><\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/instagram.com\/vistolidoeouvido?igshid=YTQwZjQ0NmI0OA==\">instagram.com\/vistolidoeouvido<\/a><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<figure id=\"attachment_25174\" aria-describedby=\"caption-attachment-25174\" style=\"width: 502px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" wp-image-25174\" src=\"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2024\/11\/carne.png\" alt=\"\" width=\"502\" height=\"329\" srcset=\"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2024\/11\/carne.png 581w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2024\/11\/carne-300x197.png 300w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2024\/11\/carne-550x361.png 550w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2024\/11\/carne-230x151.png 230w\" sizes=\"auto, (max-width: 502px) 100vw, 502px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-25174\" class=\"wp-caption-text\">Foto: acrissul.com<\/figcaption><\/figure>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400\">\u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 Ao que parece, o mundo, neste s\u00e9culo XXI, ainda n\u00e3o superou totalmente as pr\u00e1ticas econ\u00f4micas herdadas do mercantilismo europeu do s\u00e9culo XV. Pelo menos, em termos de com\u00e9rcio mundial, o que se pode constatar hoje \u00e9 que o planeta vive uma espetacular onda de importa\u00e7\u00f5es e exporta\u00e7\u00f5es, com os mares e oceanos engarrafados pelo tr\u00e1fego de enormes cargueiros. Compra-se e vende-se de tudo. Talvez, por isso, existam ainda hoje tens\u00f5es e mesmo conflitos provocados por desentendimentos no com\u00e9rcio internacional. Para trazer regras de obedi\u00eancia no com\u00e9rcio internacional \u00e9 que foram criados diversos organismos internacionais de controle e fixa\u00e7\u00e3o de normas desse mercado. O que se sabe \u00e9 que muitas dessas normativas s\u00e3o simplesmente desrespeitadas, pois a busca desenfreada pelo lucro e por riquezas ainda \u00e9 a mesma que movia multid\u00f5es de indiv\u00edduos, cinco s\u00e9culos atr\u00e1s.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Dos elementos que caracterizavam o mercantilismo, ainda temos presente, em nosso pa\u00eds e em pleno exerc\u00edcio, o controle estatal da economia, conforme imp\u00f5e um dos mandamentos contidos na cartilha 2024. E \u00e9 neste ponto que est\u00e1 o atual conflito envolvendo a venda de carne do Mercosul, com foco no Brasil, para o mercado comum europeu, ou mais precisamente, Fran\u00e7a.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Trata-se aqui de um conflito comercial que tem tudo para escalar em enormes preju\u00edzos m\u00fatuos. Mas \u00e9 preciso saber, logo de sa\u00edda, que, caso a venda de carne fosse intermediada diretamente pelos produtores, muitos desses desentendimentos simplesmente desapareceriam. O caso \u00e9 que entrou nessa briga o componente pol\u00edtico e a\u00ed a coisa toda desandou, porque passa a envolver outros aspectos, inclusive, o protecionismo do tipo nacionalista e partid\u00e1rio.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 O mesmo protecionismo contido no mercantilismo do s\u00e9culo XV, s\u00f3 que agora passa a conter aspectos ideol\u00f3gicos. Nessa briga, o certo \u00e9 que ningu\u00e9m tem raz\u00e3o ou, simplesmente, n\u00e3o h\u00e1 inocentes. Notem que nem mesmo as seguidas visitas do presidente franc\u00eas, Macron, ao Brasil foi suficiente para amainar a quest\u00e3o. \u201cNossos pratos n\u00e3o s\u00e3o latas de lixo\u201d, esbravejaram os deputados da Assembleia Nacional da Fran\u00e7a, nesta ter\u00e7a-feira (26), rejeitando, por unanimidade, os acordos em andamento sobre o com\u00e9rcio entre Mercosul e Uni\u00e3o Europeia.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 H\u00e1 aqui diversos elementos a serem analisados. O primeiro \u00e9 a forte e coesa press\u00e3o feita pelos produtores franceses, pois eles entendem que n\u00e3o podem competir em escala com o poderoso agrobusiness brasileiro e latino. H\u00e1 acusa\u00e7\u00f5es que antes de tudo necessitam ser investigadas profundamente, como \u00e9 o caso de que as carnes do Mercosul e sobretudo do Brasil s\u00e3o produzidas com uso de horm\u00f4nios do crescimento e sem maiores controles de normas sanit\u00e1rias. Por outro lado, \u00e9 preciso notar que, neste tipo de com\u00e9rcio, aparecem, no topo, produtores e donos de frigor\u00edficos como os irm\u00e3os Batistas, envolvidos at\u00e9 o pesco\u00e7o em situa\u00e7\u00f5es pr\u00e1 l\u00e1 de complicadas, dentro e fora do Brasil.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Os europeus, com a tradi\u00e7\u00e3o de s\u00e9culos de mercantilismo e de explora\u00e7\u00e3o colonial, conhecem o Brasil. Os brasileiros tamb\u00e9m conhecem o passado dos cors\u00e1rios franceses e suas incurs\u00f5es aqui no Brasil em v\u00e1rias \u00e9pocas, sobretudo em 1711, ano em que o Rio de Janeiro foi sequestrado por piratas francos. H\u00e1 tamb\u00e9m, nas acusa\u00e7\u00f5es dos pol\u00edticos franceses contra a carne brasileira, o uso massivo de antibi\u00f3ticos, a maioria proibida na Uni\u00e3o Europeia, sendo que muitos desses s\u00e3o produtos cancer\u00edgenos. N\u00e3o se pode p\u00f4r as m\u00e3os no fogo em favor da carne brasileira, pois n\u00e3o h\u00e1 sinais \u00e0 vista de vistoria ou rastreabilidade dessa carne.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Por outro lado, os franceses sabem que muitos rebanhos s\u00e3o criados como nos s\u00e9culos passados, soltos em grandes extens\u00f5es de terras, inclusive em \u00e1reas de preserva\u00e7\u00e3o. De fato, o setor agr\u00edcola franc\u00eas se v\u00ea esmagado pelo porte representado pelo mercado produtor de carne do Brasil, que \u00e9, nada mais, nada menos que o maior produtor de prote\u00ednas do planeta.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Componentes do tipo nacionalista ou ufanista entram nessa briga para jogar ainda mais gasolina na fogueira, fazendo, da quest\u00e3o, um assunto para os salamaleques do Minist\u00e9rio das Rela\u00e7\u00f5es Exteriores, no tempo em que ainda havia negociadores profissionais nessa pasta. O fato \u00e9 que muitos brasileiros est\u00e3o torcendo pela briga e n\u00e3o est\u00e3o do lado de nenhuma das partes.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 A esperan\u00e7a \u00e9 que a redu\u00e7\u00e3o de vendas para a Europa e para a Fran\u00e7a, especialmente, avance a tal ponto que os produtores brasileiros sejam obrigados a oferecer o produto no mercado interno a pre\u00e7os compat\u00edveis com o poder de compra da popula\u00e7\u00e3o. A popula\u00e7\u00e3o, acostumada a procurar ossos nos containers dos atacad\u00f5es, poderia, enfim, comer esse \u201clixo\u201d que os franceses rejeitam.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400\"><strong>A frase que foi pronunciada:<\/strong><\/p>\n<p style=\"font-weight: 400\"><em>\u201cAs normas brasileiras exp\u00f5em os consumidores europeus a um risco para a sa\u00fade. \u00c9 um esc\u00e2ndalo triplo: risco sanit\u00e1rio, fraude alimentar e riscos ligados ao acordo UE-Mercosul.\u201d<\/em><\/p>\n<p style=\"font-weight: 400\">Karine Jacquemart<\/p>\n<figure id=\"attachment_25172\" aria-describedby=\"caption-attachment-25172\" style=\"width: 381px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" wp-image-25172\" src=\"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2024\/11\/kathe.png\" alt=\"\" width=\"381\" height=\"555\" srcset=\"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2024\/11\/kathe.png 480w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2024\/11\/kathe-206x300.png 206w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2024\/11\/kathe-230x335.png 230w\" sizes=\"auto, (max-width: 381px) 100vw, 381px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-25172\" class=\"wp-caption-text\">Karine Jacquemart. Foto: Florence Bonny<\/figcaption><\/figure>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400\"><strong>Hist\u00f3ria de Bras\u00edlia<\/strong><\/p>\n<p style=\"font-weight: 400\">Outra figura de grande popularidade nos festejos foi o dr. Juscelino Kubitscheck. Domingo, foi cedo \u00e0 missa. A not\u00edcia se espalhou, e , no final, havia gente que n\u00e3o cabia na pra\u00e7a. <strong>(Publicada em 24.04.1962)<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>VISTO, LIDO E OUVIDO, criada desde 1960 por Ari Cunha (In memoriam) Hoje, com Circe Cunha e Mamfil \u2013 Manoel de Andrade jornalistacircecunha@gmail.com facebook.com\/vistolidoeouvido instagram.com\/vistolidoeouvido &nbsp; &nbsp; \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 Ao que parece, o mundo, neste s\u00e9culo XXI, ainda n\u00e3o superou totalmente as pr\u00e1ticas econ\u00f4micas herdadas do mercantilismo europeu do s\u00e9culo XV. 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