{"id":25184,"date":"2024-12-04T01:00:58","date_gmt":"2024-12-04T04:00:58","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/?p=25184"},"modified":"2024-12-03T14:05:36","modified_gmt":"2024-12-03T17:05:36","slug":"como-um-cavalo-louco","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/como-um-cavalo-louco\/","title":{"rendered":"Como um cavalo louco"},"content":{"rendered":"<p>VISTO, LIDO E OUVIDO, criada desde 1960 por Ari Cunha (In memoriam)<\/p>\n<p>Hoje, com Circe Cunha e Mamfil \u2013 Manoel de Andrade<\/p>\n<p><a href=\"mailto:jornalistacircecunha@gmail.com\">jornalistacircecunha@gmail.com<\/a><\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/vistolidoeouvido?mibextid=ZbWKwL\">facebook.com\/vistolidoeouvido<\/a><\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/instagram.com\/vistolidoeouvido?igshid=YTQwZjQ0NmI0OA==\">instagram.com\/vistolidoeouvido<\/a><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<figure id=\"attachment_25189\" aria-describedby=\"caption-attachment-25189\" style=\"width: 589px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-25189\" src=\"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2024\/12\/lobo.png\" alt=\"\" width=\"589\" height=\"483\" srcset=\"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2024\/12\/lobo.png 589w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2024\/12\/lobo-300x246.png 300w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2024\/12\/lobo-550x451.png 550w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2024\/12\/lobo-230x189.png 230w\" sizes=\"auto, (max-width: 589px) 100vw, 589px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-25189\" class=\"wp-caption-text\">O homem \u00e9 lobo do homem. Arte: brasilparalelo.com<\/figcaption><\/figure>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400\">\u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 Segundo estudos, a domestica\u00e7\u00e3o de cavalos ocorreu h\u00e1, aproximadamente, 4.200 anos, na regi\u00e3o do Mar Negro, na R\u00fassia. Com isso, dizem os pesquisadores, o curso da hist\u00f3ria humana foi alterado, o que acelerou os acontecimentos e possibilitou que nossa esp\u00e9cie fosse ainda mais longe em seu desejo de conquistar mais espa\u00e7os.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Houve ent\u00e3o um encurtamento dos espa\u00e7os, o que trouxe a ocupa\u00e7\u00e3o e domina\u00e7\u00e3o de vastas \u00e1reas. Tamb\u00e9m o transporte de cargas, de modo revolucion\u00e1rio, cresceu favorecendo o deslocamento de grandes grupos, juntamente com seus pertences. Outra \u00e1rea impactada com a domestica\u00e7\u00e3o dos cavalos foi a do com\u00e9rcio, j\u00e1 que essa conquista incrementou o transporte de mercadorias a longas dist\u00e2ncias. H\u00e1 aqui uma n\u00edtida fronteira\u00a0delineada para o progresso humano, observada antes e depois da domestica\u00e7\u00e3o dos equinos. Isso mostra que o progresso e a evolu\u00e7\u00e3o humana dependem, muitas vezes, de certas decis\u00f5es ousadas.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Mas toda essa inser\u00e7\u00e3o dos cavalos dentro das comunidades humanas, capaz de servir-lhes adequadamente, dependeu ainda do aperfei\u00e7oamento de uma s\u00e9rie de equipamentos, possibilitando n\u00e3o apenas uma montaria mais segura, mas, sobretudo, a fixa\u00e7\u00e3o correta dos cavalos em carros de madeira, criando um ve\u00edculo prop\u00edcio para o transporte de cargas e de pessoas. Al\u00e9m dos arreios, selas, estribos, cabrestos e toda uma parafern\u00e1lia e treinamentos, foi desenvolvida ainda a viseira, que diminui o \u00e2ngulo de vis\u00e3o do cavalo, for\u00e7ando-o a direcionar seus olhos sempre para frente.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 \u00a0Obviamente que, muito mais do que esses equipamentos para disciplinar o cavalo, foi necess\u00e1ria ainda a introdu\u00e7\u00e3o de m\u00e9todos coercitivos, que puniam o animal sempre que este n\u00e3o obedecia \u00e0s ordens de seus donos. \u00c9 nesse ponto que entra a capacidade de domina\u00e7\u00e3o humana sobre outras esp\u00e9cies e, sobretudo, sobre seus pr\u00f3prios semelhantes. Desse modo, entrou em cena equipamentos como as esporas e os chicotes.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 \u00a0Surpreendentemente, esses utens\u00edlios n\u00e3o eram utilizados por povos primitivos como as tribos ind\u00edgenas, que praticamente utilizavam os cavalos sem lhes impor sofrimentos maiores. O curioso aqui \u00e9 notar que nossa esp\u00e9cie, desde sempre, recorreu \u00e0 utiliza\u00e7\u00e3o de m\u00e9todos e equipamentos para infligir dor ao pr\u00f3ximo, seja ele animal ou ser humano, sempre que deseja a imposi\u00e7\u00e3o de vontades e caprichos, mesmo os mais cru\u00e9is.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 \u00a0N\u00e3o por outra raz\u00e3o, ao longo dessa parceria for\u00e7ada entre os cavalos e os seres humanos, muitos animais foram simplesmente mortos, devido ao excesso de trabalho ou aos maus cuidados e maus tratos. Fica claro tamb\u00e9m que, sob esse ponto de vista, a esp\u00e9cie humana consegue superar sua selvageria em rela\u00e7\u00e3o aos animais. Talvez seja por isso que\u00a0a senten\u00e7a antiga, criada por Plauto (254-184 a.C), em sua obra \u201cAssinaria\u201d, que afirma: \u201cHomo homini l\u00fapus\u201d, ou o\u00a0homem \u00e9 o lobo do homem, faz todo o sentido, antes como agora.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Essa simples constata\u00e7\u00e3o vem sendo notada, ao longo de toda a hist\u00f3ria humana, pelos mais c\u00e9lebres fil\u00f3sofos do Ocidente. Thomas Hobbes (1588-1679), autor da obra \u201cO Leviat\u00e3\u201d, concordava com essa senten\u00e7a, pois via que o homem era o \u00fanico animal sobre a face da Terra, capaz de cometer grandes atrocidades e barb\u00e1ries contra sua pr\u00f3pria esp\u00e9cie e contra os animais.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Para esse pensador, o homem, em seu estado natural, busca uma esp\u00e9cie de individualismo, que o compele a viver em guerra entre si. Com isso, os mais fortes passam a dominar os mais fracos. Hobbes via que o homem \u00e9 o principal predador do pr\u00f3prio homem, ou seja, um vil\u00e3o para si pr\u00f3prio. Ainda dentro desse racioc\u00ednio, ficava claro que a paz civil e a uni\u00e3o social s\u00f3 poderiam ser alcan\u00e7adas atrav\u00e9s de uma esp\u00e9cie de contrato social. Esse contrato, nas civiliza\u00e7\u00f5es contempor\u00e2neas \u00e9 obtido com a formula\u00e7\u00e3o de um conjunto de leis, mais comumente conhecido como Constitui\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 O business aqui \u00e9 saber at\u00e9 que ponto esse conjunto de leis \u00e9 suficiente para garantir a paz no seio social, sem que se recorram \u00e0s usuais esporas e aos chicotes. Voltando \u00e0 domestica\u00e7\u00e3o dos cavalos, ocorrida a milhares de anos atr\u00e1s, vemos que uma coisa \u00e9 voc\u00ea domesticar esse imponente animal, outra, totalmente diferente, \u00e9 for\u00e7ar a domestica\u00e7\u00e3o do cidad\u00e3o por meio apenas de puni\u00e7\u00e3o e repress\u00e3o, apontando-lhe apenas o caminho do calabou\u00e7o e do cala boca. Para maior ilustra\u00e7\u00e3o sobre esse tema, o primeiro caminho \u00e9 assistir ao filme \u201cIrei como um cavalo louco\u201d, de Fernando Arrabal, de 1973.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400\"><strong>A frase que foi pronunciada:<\/strong><\/p>\n<p style=\"font-weight: 400\"><em>\u201cPor que essa guerra tem que destruir tudo e qualquer coisa que seja boa e bonita?\u201d<\/em><\/p>\n<p style=\"font-weight: 400\">\u2015 Michael Morpurgo, Cavalo de Guerra<\/p>\n<figure id=\"attachment_25186\" aria-describedby=\"caption-attachment-25186\" style=\"width: 519px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" wp-image-25186\" src=\"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2024\/12\/cavalo.png\" alt=\"\" width=\"519\" height=\"370\" srcset=\"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2024\/12\/cavalo.png 611w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2024\/12\/cavalo-300x214.png 300w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2024\/12\/cavalo-550x392.png 550w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2024\/12\/cavalo-230x164.png 230w\" sizes=\"auto, (max-width: 519px) 100vw, 519px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-25186\" class=\"wp-caption-text\">Cena de Cavalo de Guerra (Foto: Divulga\u00e7\u00e3o)<\/figcaption><\/figure>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400\"><strong>Hist\u00f3ria de Bras\u00edlia<\/strong><\/p>\n<p style=\"font-weight: 400\">Mais tarde, no desfile militar, a mesma curiosidade p\u00fablica s\u00f4bre o construtor de Bras\u00edlia. N\u00e3o compareceu, entretanto, ao banquete oferecido pelo Prefeito, que contou com apenas um discurso: o do dr. Sette C\u00e2mara, que foi um dos discursos mais claros que uma autoridade poderia pronunciar. <strong>(Publicada em 24.04.1962)<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>VISTO, LIDO E OUVIDO, criada desde 1960 por Ari Cunha (In memoriam) Hoje, com Circe Cunha e Mamfil \u2013 Manoel de Andrade jornalistacircecunha@gmail.com facebook.com\/vistolidoeouvido instagram.com\/vistolidoeouvido &nbsp; &nbsp; \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 Segundo estudos, a domestica\u00e7\u00e3o de cavalos ocorreu h\u00e1, aproximadamente, 4.200 anos, na regi\u00e3o do Mar Negro, na R\u00fassia. 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