{"id":25228,"date":"2024-12-13T01:00:00","date_gmt":"2024-12-13T04:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/?p=25228"},"modified":"2024-12-12T14:46:23","modified_gmt":"2024-12-12T17:46:23","slug":"sobreviventes","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/sobreviventes\/","title":{"rendered":"Sobreviventes"},"content":{"rendered":"<p>VISTO, LIDO E OUVIDO, criada desde 1960 por Ari Cunha (In memoriam)<\/p>\n<p>Hoje, com Circe Cunha e Mamfil \u2013 Manoel de Andrade<\/p>\n<p><a href=\"mailto:jornalistacircecunha@gmail.com\">jornalistacircecunha@gmail.com<\/a><\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/vistolidoeouvido?mibextid=ZbWKwL\">facebook.com\/vistolidoeouvido<\/a><\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/instagram.com\/vistolidoeouvido?igshid=YTQwZjQ0NmI0OA==\">instagram.com\/vistolidoeouvido<\/a><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<figure id=\"attachment_25233\" aria-describedby=\"caption-attachment-25233\" style=\"width: 680px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-25233\" src=\"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2024\/12\/indio.png\" alt=\"\" width=\"680\" height=\"448\" srcset=\"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2024\/12\/indio.png 680w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2024\/12\/indio-300x198.png 300w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2024\/12\/indio-550x362.png 550w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2024\/12\/indio-230x152.png 230w\" sizes=\"auto, (max-width: 680px) 100vw, 680px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-25233\" class=\"wp-caption-text\">Mulheres e crian\u00e7as yanomami em Surucucu, na Terra Ind\u00edgena Yanomami. Foto: Fernando Fraz\u00e3o\/Ag\u00eancia Brasil<\/figcaption><\/figure>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400\">Ao longo dos \u00faltimos quinhentos anos, o contato entre brancos e \u00edndios tem sido, no Brasil, claramente nefasto para essas popula\u00e7\u00f5es aut\u00f3ctones. A come\u00e7ar pelo processo bruto da acultura\u00e7\u00e3o como imposi\u00e7\u00e3o ou sujei\u00e7\u00e3o s\u00f3cio-cultural, resultando, da\u00ed, em muitos casos, no chamado etnoc\u00eddio ou na destrui\u00e7\u00e3o dos tra\u00e7os culturais de uma etnia. Essa hist\u00f3ria, iniciada candidamente nas miss\u00f5es dos primeiros jesu\u00edtas do s\u00e9culo XVI (por meio dos m\u00e9todos de catequiza\u00e7\u00e3o dos povos ind\u00edgenas), prosseguiu em todo continente americano com a utiliza\u00e7\u00e3o de m\u00e9todos e outras estrat\u00e9gias que, ao final, resultaram na quase completa destrui\u00e7\u00e3o dessas antigas sociedades.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400\">Dos cinco milh\u00f5es de \u00edndios que habitavam o Brasil \u00e0 \u00e9poca do descobrimento, pouco mais de 450 mil restaram atualmente, espalhados por 650 diferentes \u00e1reas, abrigando pouco mais de 225 etnias ou sociedades. Se, ao longo dos s\u00e9culos, a dizima\u00e7\u00e3o desses povos, considerados \u201csem alma\u201d pelo homem branco, foi feita de maneira direta e sem subterf\u00fagio, hoje esse processo continua silencioso por meio da assimila\u00e7\u00e3o desregrada de h\u00e1bitos e v\u00edcios da cultura branca pelos ind\u00edgenas.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400\">Na Constitui\u00e7\u00e3o brasileira, promulgada em 1988, denominada por seus autores como a Carta Cidad\u00e3, diz, em seu artigo 231, que: \u201cS\u00e3o reconhecidos aos \u00edndios sua organiza\u00e7\u00e3o social, costumes, l\u00ednguas, cren\u00e7as e tradi\u00e7\u00f5es, e os direitos origin\u00e1rios sobre as terras que tradicionalmente ocupam, competindo \u00e0 Uni\u00e3o demarc\u00e1-las, proteger e fazer respeitar todos os seus bens.\u201d Com isso, fica, pelo menos no texto de nossa Lei Maior, consagrado o direito dos ind\u00edgenas de manter e preservar suas terras, assim como sua cultura, seguindo assim o que mais esses povos respeitam e seguem, que \u00e9 a tradi\u00e7\u00e3o ancestral.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400\">De fato, desde sempre, antrop\u00f3logos, sertanistas e pesquisadores, devotados \u00e0s causas ind\u00edgenas, sempre fizeram quest\u00e3o em frisar que n\u00e3o existe \u00edndio sem terra. Trata-se de um bin\u00f4mio que deve merecer, das autoridades e de todo o brasileiro que se preze, o maior respeito e aceita\u00e7\u00e3o. Cabral, no s\u00e9culo XV, oriundo de que viria a ser a futura metr\u00f3pole do Brasil, foi o primeiro invasor oficial das terras ind\u00edgenas. A ele, seguiram-se milhares de outros ao longo dos s\u00e9culos, numa cruenta realidade que persiste ainda hoje, em pleno s\u00e9culo XXI. Vamos acumulando quase seis s\u00e9culos de ignom\u00ednia contra os que seriam os verdadeiros donos dessas terras.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400\">Hoje, ao lado dos antigos m\u00e9todos de envenenamento dessas civiliza\u00e7\u00f5es, a falta de infraestrutura de saneamento b\u00e1sico, principalmente com rela\u00e7\u00e3o \u00e0 \u00e1gua pot\u00e1vel, tem provocado a morte de uma crian\u00e7a ind\u00edgena a cada tr\u00eas dias, vitimada por diarreias e outros males.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400\">Nossa omiss\u00e3o em rela\u00e7\u00e3o a esse tema torna-nos part\u00edcipes desse atentado contra os primeiros e mais leg\u00edtimos brasileiros de todos, e nos coloca, aos olhos do mundo, como sendo os verdadeiros selvagens, indiferentes e insens\u00edveis \u00e0 delicadeza e \u00e0 sofistica\u00e7\u00e3o desses povos. O conceito de assimila\u00e7\u00e3o, ainda presente na concep\u00e7\u00e3o de muitos e que prega a tese de que os ind\u00edgenas formam uma categoria social transit\u00f3ria, ou seja, destinada a desaparecer com o tempo, quer por processos de aniquilamento, que \u00e9 o que temos visto ao longo de toda a nossa hist\u00f3ria, ou, simplesmente, v\u00edtimas do fen\u00f4meno da assimila\u00e7\u00e3o por parte do homem branco, tamb\u00e9m chamada de acultura\u00e7\u00e3o, parece ter sido superada, em parte, pela atual Constitui\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400\">Por sua import\u00e2ncia, n\u00e3o apenas para os pr\u00f3prios ind\u00edgenas, mas para toda a na\u00e7\u00e3o, essa \u00e9 uma quest\u00e3o hist\u00f3rica que deveria merecer maior engajamento de todos os brasileiros, tanto para pacificar um assunto secular, como para demonstrar ao mundo que j\u00e1 podemos nos considerar um povo civilizado, apto a solucionar, de modo plenamente satisfat\u00f3rio e justo, nossos pr\u00f3prios problemas, principalmente esse que nos remete a nossa pr\u00f3pria forma\u00e7\u00e3o como na\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400\">\u00c9 do alheamento de muitos de n\u00f3s, que se valem os madeireiros, os garimpeiros e muitas ONGs para prorrogar o que tem sido visto, aos olhos do mundo, num crime que, direta ou indiretamente, est\u00e1 sendo cometido por cada um de n\u00f3s.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400\"><strong>A frase que foi pronunciada:<\/strong><\/p>\n<p style=\"font-weight: 400\"><em>\u201cO que fere a terra, fere tamb\u00e9m os filhos da terra.\u201d<\/em><\/p>\n<p>Trecho atribu\u00eddo \u00e0 Carta do Chefe Seattle, da tribo Duwamish, do Estado de Washington, nos Estados Unidos<\/p>\n<figure id=\"attachment_25230\" aria-describedby=\"caption-attachment-25230\" style=\"width: 566px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-25230\" src=\"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2024\/12\/chefe.png\" alt=\"\" width=\"566\" height=\"438\" srcset=\"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2024\/12\/chefe.png 566w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2024\/12\/chefe-300x232.png 300w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2024\/12\/chefe-550x426.png 550w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2024\/12\/chefe-230x178.png 230w\" sizes=\"auto, (max-width: 566px) 100vw, 566px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-25230\" class=\"wp-caption-text\">Cacique Seattle em 1860 &#8211; Wikimedia Commons<\/figcaption><\/figure>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400\"><strong>Chefe Seattle<\/strong><\/p>\n<p style=\"font-weight: 400\">Jos\u00e9 de Arimat\u00e9ia Dantas Lopes \u00e9 o reitor da Universidade Federal do Piau\u00ed, que criou um Manual de Libras para Ci\u00eancias. S\u00e3o terminologias da ci\u00eancia que precisam ser aprendidas durante o curso. O manual est\u00e1 no link a seguir para quem se interessar:\u00a0<a href=\"https:\/\/www.ufpi.br\/arquivos_download\/arquivos\/EBOOK_-_MANUAL_DE_LIBRAS_PARA_CIENCIA-_A_C%C3%ABLULA_E_O_CORPO_HUMANO20200727155142.pdf\">Manual de Libras para Ci\u00eancias: A C\u00e9lula e o Corpo Humano<\/a><\/p>\n<p style=\"font-weight: 400\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-25229 aligncenter\" src=\"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2024\/12\/mqa.png\" alt=\"\" width=\"625\" height=\"622\" srcset=\"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2024\/12\/mqa.png 625w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2024\/12\/mqa-150x150.png 150w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2024\/12\/mqa-300x300.png 300w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2024\/12\/mqa-550x547.png 550w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2024\/12\/mqa-230x229.png 230w\" sizes=\"auto, (max-width: 625px) 100vw, 625px\" \/><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400\"><strong>Na conta<\/strong><\/p>\n<p style=\"font-weight: 400\">Muitos clientes da Claro t\u00eam passado por problemas de conex\u00e3o. A empresa informou que, na conta, h\u00e1 a discrimina\u00e7\u00e3o da falta de Internet com desconto.<\/p>\n<figure id=\"attachment_12878\" aria-describedby=\"caption-attachment-12878\" style=\"width: 577px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" wp-image-12878\" src=\"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2018\/12\/Claro-1.png\" alt=\"\" width=\"577\" height=\"275\" srcset=\"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2018\/12\/Claro-1.png 770w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2018\/12\/Claro-1-300x143.png 300w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2018\/12\/Claro-1-768x366.png 768w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2018\/12\/Claro-1-350x167.png 350w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2018\/12\/Claro-1-550x262.png 550w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2018\/12\/Claro-1-230x110.png 230w\" sizes=\"auto, (max-width: 577px) 100vw, 577px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-12878\" class=\"wp-caption-text\">Logo: claro.com.br<\/figcaption><\/figure>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400\"><strong>Revis\u00e3o urgente<\/strong><\/p>\n<p style=\"font-weight: 400\">Por falar em Internet, nem sempre os n\u00fameros telef\u00f4nicos dispon\u00edveis nos sites dos hospitais s\u00e3o atualizados. O transtorno para descobrir um n\u00famero para atendimento \u00e9 grande.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400\"><strong>Hist\u00f3ria de Bras\u00edlia<\/strong><\/p>\n<p style=\"font-weight: 400\">Em vista disso, os diretores acharam conveniente deixar a Comiss\u00e3o mais \u00e0 vontade, para que examinem, tamb\u00e9m, seus atos anteriores, muito embora n\u00e3o conste isto da portaria que a nomeou. <strong>(Publicada em 24.04.1962)<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>VISTO, LIDO E OUVIDO, criada desde 1960 por Ari Cunha (In memoriam) Hoje, com Circe Cunha e Mamfil \u2013 Manoel de Andrade jornalistacircecunha@gmail.com facebook.com\/vistolidoeouvido instagram.com\/vistolidoeouvido &nbsp; &nbsp; Ao longo dos \u00faltimos quinhentos anos, o contato entre brancos e \u00edndios tem sido, no Brasil, claramente nefasto para essas popula\u00e7\u00f5es aut\u00f3ctones. 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