{"id":25269,"date":"2024-12-21T01:00:41","date_gmt":"2024-12-21T04:00:41","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/?p=25269"},"modified":"2024-12-22T23:08:52","modified_gmt":"2024-12-23T02:08:52","slug":"o-tempo-da-colheita","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/o-tempo-da-colheita\/","title":{"rendered":"O tempo da colheita"},"content":{"rendered":"<p>VISTO, LIDO E OUVIDO, criada desde 1960 por Ari Cunha (In memoriam)<\/p>\n<p>Hoje, com Circe Cunha e Mamfil \u2013 Manoel de Andrade<\/p>\n<p><a href=\"mailto:jornalistacircecunha@gmail.com\">jornalistacircecunha@gmail.com<\/a><\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/vistolidoeouvido?mibextid=ZbWKwL\">facebook.com\/vistolidoeouvido<\/a><\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/instagram.com\/vistolidoeouvido?igshid=YTQwZjQ0NmI0OA==\">instagram.com\/vistolidoeouvido<\/a><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<figure id=\"attachment_25272\" aria-describedby=\"caption-attachment-25272\" style=\"width: 543px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" wp-image-25272\" src=\"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2024\/12\/capital.png\" alt=\"\" width=\"543\" height=\"388\" srcset=\"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2024\/12\/capital.png 646w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2024\/12\/capital-300x215.png 300w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2024\/12\/capital-550x393.png 550w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2024\/12\/capital-230x164.png 230w\" sizes=\"auto, (max-width: 543px) 100vw, 543px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-25272\" class=\"wp-caption-text\">Charge do Nani (nanihumor.com)<\/figcaption><\/figure>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>J\u00e1 se sabe, entre erros e acertos, que os n\u00fameros n\u00e3o aceitam desaforos. Ainda mais quando apresentados dentro do racioc\u00ednio l\u00f3gico da matem\u00e1tica. D\u00e1 para imaginar o esfor\u00e7o que os assessores do ministro da Fazenda fazem, at\u00e9 altas horas da noite, para encontrar, dentro das despesas do governo, aquelas que podem ser cortadas do Or\u00e7amento sem que contrariem as inten\u00e7\u00f5es pol\u00edticas do Presidente da Rep\u00fablica, voltadas para a manuten\u00e7\u00e3o daquilo que ele diz n\u00e3o serem gastos, mas, sim, investimentos.<\/p>\n<p>Buscar na aritm\u00e9tica variantes para adequar os n\u00fameros aos meneios pol\u00edticos n\u00e3o \u00e9 tarefa para economistas, mas para peritos nas artes da pol\u00edtica. Nesse caso, misturam-se os n\u00fameros com as variantes pol\u00edticas. \u00c0s vezes, esse tipo de f\u00f3rmula resulta em algo sensato. Mas, na maioria das vezes, essa composi\u00e7\u00e3o acaba resultando em desastre para a economia do pa\u00eds ou para quem assina os documentos.<\/p>\n<p>A alta hist\u00f3rica do d\u00f3lar \u00e9 apenas uma face desses arranjos entre os n\u00fameros e a pol\u00edtica. Resultados s\u00e3o esperados, como a alta da infla\u00e7\u00e3o, recess\u00e3o e outros efeitos gerados pela insemina\u00e7\u00e3o da pol\u00edtica nos n\u00fameros. A quest\u00e3o aqui \u00e9 mais profunda e remete \u00e0 necessidade b\u00e1sica dos gestores pol\u00edticos de conhecerem, de antem\u00e3o, o ABC da contabilidade. Nas regras pol\u00edticas, o passivo \u00e9 representado sempre pelos gastos pol\u00edticos ou pela politiza\u00e7\u00e3o das finan\u00e7as do Estado. O ativo \u00e9 o que existe em forma de impostos, taxas e tributos escorchantes. \u00c9, portanto, em cima do que existe que se constroem as hip\u00f3teses pol\u00edticas. Os n\u00fameros sempre ficam aqu\u00e9m dos desejos pol\u00edticos. E a\u00ed a conta n\u00e3o fecha.<\/p>\n<p>As chamadas pedaladas fiscais, que tantos males t\u00eam causado \u00e0s finan\u00e7as do pa\u00eds, entram na confec\u00e7\u00e3o do Or\u00e7amento como aquela variante que pode livrar o mau gestor de futuros apuros, mesmo que penalize os contribuintes e o pa\u00eds. \u00c9 nesse sentido que o pacote de cortes de gastos foi apresentado agora aos parlamentares. Logo de sa\u00edda, fica patente que os programas sociais, sobretudo o Benef\u00edcio de Presta\u00e7\u00e3o Continuada (BPC), e o sal\u00e1rio m\u00ednimo podem ser cortados. Afinal, como dizem os economistas, \u00e9 sempre mais f\u00e1cil cortar de quem \u00e9 pobre do que de quem \u00e9 rico.<\/p>\n<p>Para os financistas, o pacote deveria incidir sobre a tributa\u00e7\u00e3o das altas rendas e, principalmente, sobre os subs\u00eddios e ren\u00fancias fiscais que poderiam render algo em torno de R$ 600 bilh\u00f5es. Mas, no quesito ren\u00fancias, o Congresso entra como variante para impedir tal medida. Afinal, h\u00e1 as elei\u00e7\u00f5es e todo um universo de quest\u00f5es pol\u00edticas. Todas elas t\u00eam que caber no Or\u00e7amento. Uma coisa o governo e parte do Congresso sabem: a arrecada\u00e7\u00e3o chegou ao limite. \u00c9 preciso criatividade para cortar. Sacrificar sa\u00fade, educa\u00e7\u00e3o, Bolsa Fam\u00edlia e outros programas sociais com cortes injustos tamb\u00e9m \u00e9 moleza, o dif\u00edcil \u00e9 enfrentar o poderoso lobby pol\u00edtico com assento no Congresso.<\/p>\n<p>Pensar que todo esse descontrole teve origem no desrespeito \u00e0s normas b\u00e1sicas da responsabilidade fiscal. Foi l\u00e1 onde tudo come\u00e7ou e \u00e9 para l\u00e1 que devemos regressar caso n\u00e3o queiramos nos livrar do abra\u00e7o de afogado da domin\u00e2ncia fiscal. O fato \u00e9 que todas as medidas com vista \u00e0 responsabilidade nas contas p\u00fablicas deveriam ser implementadas aos poucos e com suavidade, desde o primeiro dia de mandato. Neste momento, em cima do la\u00e7o, quando a corda no pesco\u00e7o est\u00e1 pra l\u00e1 de apertada, falta f\u00f4lego para voltar atr\u00e1s. F\u00f4ssemos definir a atual situa\u00e7\u00e3o por par\u00e1bolas dir\u00edamos que o tempo da colheita se aproxima.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>A frase que foi pronunciada:<\/strong><br \/>\n<em>\u201cNada enfraquece tanto um governo quanto a infla\u00e7\u00e3o.\u201d<\/em><br \/>\nJK Galbraith<\/p>\n<figure id=\"attachment_25274\" aria-describedby=\"caption-attachment-25274\" style=\"width: 453px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" wp-image-25274\" src=\"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2024\/12\/jk.png\" alt=\"\" width=\"453\" height=\"359\" srcset=\"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2024\/12\/jk.png 747w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2024\/12\/jk-300x238.png 300w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2024\/12\/jk-550x436.png 550w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2024\/12\/jk-230x182.png 230w\" sizes=\"auto, (max-width: 453px) 100vw, 453px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-25274\" class=\"wp-caption-text\">John Kenneth Galbraith. Foto: Ota Richter\/AP Images<\/figcaption><\/figure>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Bate-papo com a IA<\/strong><br \/>\nEm conversa com a intelig\u00eancia artificial (IA), fiquei curiosa se ela estava pronta para reconhecer uma not\u00edcia falsa. A resposta foi contundente. Disse que h\u00e1 v\u00e1rias ferramentas para analisar o sentimento do texto, reputa\u00e7\u00e3o, hist\u00f3rico. Afirmou que consegue precisar, pela linguagem, l\u00f3gica das fal\u00e1cias e outras armas lingu\u00edsticas. Disse que conseguia identificar a manipula\u00e7\u00e3o de imagens e v\u00eddeos. Perguntei sobre uma not\u00edcia, postando as caracter\u00edsticas detect\u00e1veis. A resposta que a IA deu \u00e9 que n\u00e3o poderia ajudar nesse caso porque seria uma apura\u00e7\u00e3o fal\u00edvel. A IA se aperfei\u00e7oaria com o tempo, garantiu. Ent\u00e3o, reclamei: \u201cVoc\u00ea mentiu sobre ser ex\u00edmia reconhecedora de not\u00edcias falsas\u201d. Ela disse que h\u00e1 limita\u00e7\u00f5es e pediu desculpas. Pelo menos, tem consci\u00eancia!<\/p>\n<figure id=\"attachment_19265\" aria-describedby=\"caption-attachment-19265\" style=\"width: 444px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" wp-image-19265\" src=\"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2021\/05\/fake.jpg\" alt=\"\" width=\"444\" height=\"294\" srcset=\"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2021\/05\/fake.jpg 745w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2021\/05\/fake-300x199.jpg 300w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2021\/05\/fake-550x364.jpg 550w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2021\/05\/fake-230x152.jpg 230w\" sizes=\"auto, (max-width: 444px) 100vw, 444px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-19265\" class=\"wp-caption-text\">Charge do Duke<\/figcaption><\/figure>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Hist\u00f3ria de Bras\u00edlia<\/strong><\/p>\n<p>Esta coluna n\u00e3o tem procura\u00e7\u00e3o para defender ningu\u00e9m, mas uma cidade como Bras\u00edlia n\u00e3o se construiria em tr\u00eas anos num regime de corrup\u00e7\u00e3o. Bras\u00edlia foi constru\u00edda com o esf\u00f4r\u00e7o e a dedica\u00e7\u00e3o da maioria, e j\u00e1 tem enfrentado inqu\u00e9ritos e sindicancias, que, a valer a palavra dos maldizentes, j\u00e1 nem existiriam mais. <strong>(Publicada em 24\/4\/1962)<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>VISTO, LIDO E OUVIDO, criada desde 1960 por Ari Cunha (In memoriam) Hoje, com Circe Cunha e Mamfil \u2013 Manoel de Andrade jornalistacircecunha@gmail.com facebook.com\/vistolidoeouvido instagram.com\/vistolidoeouvido &nbsp; &nbsp; J\u00e1 se sabe, entre erros e acertos, que os n\u00fameros n\u00e3o aceitam desaforos. Ainda mais quando apresentados dentro do racioc\u00ednio l\u00f3gico da matem\u00e1tica. 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