{"id":25309,"date":"2024-12-28T01:00:26","date_gmt":"2024-12-28T04:00:26","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/?p=25309"},"modified":"2024-12-28T12:49:32","modified_gmt":"2024-12-28T15:49:32","slug":"em-busca-do-santo-graal","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/em-busca-do-santo-graal\/","title":{"rendered":"Em busca do Santo Graal"},"content":{"rendered":"<p>VISTO, LIDO E OUVIDO, criada desde 1960 por Ari Cunha (In memoriam)<\/p>\n<p>Hoje, com Circe Cunha e Mamfil \u2013 Manoel de Andrade<\/p>\n<p><a href=\"mailto:jornalistacircecunha@gmail.com\">jornalistacircecunha@gmail.com<\/a><\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/vistolidoeouvido?mibextid=ZbWKwL\">facebook.com\/vistolidoeouvido<\/a><\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/instagram.com\/vistolidoeouvido?igshid=YTQwZjQ0NmI0OA==\">instagram.com\/vistolidoeouvido<\/a><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<figure id=\"attachment_25311\" aria-describedby=\"caption-attachment-25311\" style=\"width: 399px\" class=\"wp-caption alignleft\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-25311\" src=\"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2024\/12\/cam.png\" alt=\"\" width=\"399\" height=\"606\" srcset=\"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2024\/12\/cam.png 399w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2024\/12\/cam-198x300.png 198w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2024\/12\/cam-230x349.png 230w\" sizes=\"auto, (max-width: 399px) 100vw, 399px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-25311\" class=\"wp-caption-text\">Foto: Divulga\u00e7\u00e3o<\/figcaption><\/figure>\n<p>\u00c9 uma pena que nenhuma das mais importantes obras da literatura mundial entre para a grade curricular das escolas p\u00fablicas. Nossos jovens acabam perdendo a oportunidade de entender o mundo ao redor. Sem esse entendimento, tornam-se tamb\u00e9m presa f\u00e1cil dos labirintos opressores do mundo, dilu\u00eddos num am\u00e1lgama disforme e sem prop\u00f3sitos.<\/p>\n<p>Na luz do conhecimento, est\u00e3o os mapas e os passaportes para o caminhar com o salvo-conduto necess\u00e1rio para a constru\u00e7\u00e3o de uma vida digna, longe das teorias que buscam transformar os homens numa esp\u00e9cie de formigueiro coletivo, cujo \u00fanico prop\u00f3sito \u00e9 o da sobreviv\u00eancia. A perda do individualismo e a deforma\u00e7\u00e3o da persona de cada um, t\u00e3o caras aos renascentistas e que tantos progressos trouxeram para o entendimento e desenvolvimento da humanidade, \u00e9, talvez, a mais severa puni\u00e7\u00e3o infligida aos homens.<\/p>\n<p>Infelizmente, nossas escolas, por suas precariedades humanas e materiais prejudicam mais do que ajudam na forma\u00e7\u00e3o human\u00edstica dos alunos. Prejudicam porque ensinam e incentivam a competi\u00e7\u00e3o entre os indiv\u00edduos, tornando o processo doloroso para os alunos e fonte de rivalidades. Prejudicam tamb\u00e9m porque n\u00e3o estimulam a correta coopera\u00e7\u00e3o, preferindo o caminho mais f\u00e1cil da pasteuriza\u00e7\u00e3o do ensino, levando os alunos a trabalhar em grupos, em que apenas uma minoria participa e \u00e9 ativa e o restante, mesmo sem esfor\u00e7o algum e se mantendo passivo, fica com os mesmos louros.<\/p>\n<p>Talvez o que fique de positivo nessas experi\u00eancias coletivistas, \u00e9 que esse m\u00e9todo mostra, na pr\u00e1tica, como funcionam certas teorias pol\u00edticas comuns e socializantes, na qual as massas produzem as riquezas que s\u00e3o incorporadas apenas pelas elites do aparelho partid\u00e1rio. O Santo Graal buscado pela humanidade \u00e9, para al\u00e9m das recompensas espirituais, a felicidade na Terra, boa parte do prop\u00f3sito humano.<\/p>\n<p>\u00c9 certo que para atingir tal estado de satisfa\u00e7\u00e3o e recompensa, as necessidades individuais precisam ser atendidas, tais como direito \u00e0 liberdade de opini\u00e3o, igualdade perante as leis, direito \u00e0 propriedade entre outros ganhos. Quando quaisquer desses direitos n\u00e3o s\u00e3o atendidos, o que se tem \u00e9 o esmagamento do indiv\u00edduo e sua transforma\u00e7\u00e3o numa esp\u00e9cie de zumbi sem vontade pr\u00f3pria. Talvez seja esse um dos principais objetivos da escola: mostrar a cada um as possibilidades infinitas do indiv\u00edduo, al\u00e9m de faz\u00ea-lo entender os perigos de que certas doutrinas pol\u00edticas coletivistas apontam para um futuro oposto do que prometem e s\u00e3o, sobretudo, um caminho seguro para a servid\u00e3o e a posterga\u00e7\u00e3o da felicidade.<\/p>\n<p>E \u00e9 a\u00ed que entra a obra como o Caminho da Servid\u00e3o do ganhador do Pr\u00eamio Nobel de economia, Friedrich von Hayek (1899-1992). \u00d3bvio que uma obra desse quilate ou similares, como 1984, de George Orwell (1903-1950) passam longe da grade curricular de nossas escolas, por motivos que nem mesmo os professores mais preparados sabem explicar. No caso da obra de Hayek, esse autor, demonstra, quase cientificamente, como pol\u00edticas coletivistas geram uma sociedade dependente de governos, com os indiv\u00edduos deixando de perseguir progresso e mobilidade social e econ\u00f4mica, preferindo se esfor\u00e7ar para integrar as doutrinas pol\u00edticas do governo de plant\u00e3o, em que a influ\u00eancia pessoal e os contatos privilegiados com a c\u00fapula do governo passam a ser entendidos como o \u00fanico caminho para a prosperidade.<\/p>\n<p>Para von Hayek, o controle exercido por governos coletivistas, acabam por produzir tamb\u00e9m um controle de ordem psicol\u00f3gica, modificando o car\u00e1ter do povo, induzindo as pessoas a se voltarem umas contra as outras e em favor unicamente do governo. Fica patente em sua obra que somente a liberdade econ\u00f4mica pode conduzir \u00e0 plena liberdade pol\u00edtica. Ao inverter essa equa\u00e7\u00e3o, o que se tem \u00e9 a perda de liberdade, com o povo desprovido tanto de liberdade econ\u00f4mica quanto pol\u00edtica.<\/p>\n<p>Nesse ponto, Hayek mostra que \u00e9 a propriedade privada um dos principais alicerces da liberdade individual. Como ensinava Hannah Arendt (1906 &#8211; 1975), \u201ca educa\u00e7\u00e3o \u00e9 o ponto em que decidimos se amamos o mundo o bastante para assumirmos a responsabilidade por ele\u201d, pois \u201cos direitos humanos \u00e9 o direito a ter direitos\u201d. Tamb\u00e9m para ela, \u201co mais radical revolucion\u00e1rio tornar-se-\u00e1 um conservador no dia seguinte \u00e0 revolu\u00e7\u00e3o.\u201d<\/p>\n<p>Voltando a Hayek, a propriedade privada \u00e9 tamb\u00e9m garantia de vida privada e um caminho livre para perseguir o que o indiv\u00edduo deseja para sua vida, sem intromiss\u00f5es do governo. \u201cO individualismo (&#8230;) tem como caracter\u00edsticas essenciais o respeito pelo indiv\u00edduo como ser humano, isto \u00e9, o reconhecimento da supremacia de suas prefer\u00eancias e opini\u00f5es na esfera individual, por mais limitada que esta possa ser, e a convic\u00e7\u00e3o de que \u00e9 desej\u00e1vel que os indiv\u00edduos desenvolvam dotes e inclina\u00e7\u00f5es pessoais\u201d diz o autor dessa obra b\u00e1sica.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>A frase que foi pronunciada:<\/strong><br \/>\n<em>\u201cDo meu ponto de vista, a\u00a0<\/em><em>globaliza\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica \u00e9\u00a0<\/em><em>a nova forma adotada pelo\u00a0<\/em><em>totalitarismo. O chamdo neoliberalismo \u00e9 um capitalismo totalit\u00e1rio.&#8221;<\/em><br \/>\nJos\u00e9 Saramago<\/p>\n<figure id=\"attachment_19126\" aria-describedby=\"caption-attachment-19126\" style=\"width: 511px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" wp-image-19126\" src=\"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2021\/04\/jos\u00e9.jpg\" alt=\"\" width=\"511\" height=\"339\" srcset=\"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2021\/04\/jos\u00e9.jpg 677w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2021\/04\/jos\u00e9-300x199.jpg 300w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2021\/04\/jos\u00e9-550x365.jpg 550w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2021\/04\/jos\u00e9-230x153.jpg 230w\" sizes=\"auto, (max-width: 511px) 100vw, 511px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-19126\" class=\"wp-caption-text\">Jos\u00e9 Saramago. Foto: Oscar Cabral\/VEJA\/Dedoc<\/figcaption><\/figure>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>VISTO, LIDO E OUVIDO, criada desde 1960 por Ari Cunha (In memoriam) Hoje, com Circe Cunha e Mamfil \u2013 Manoel de Andrade jornalistacircecunha@gmail.com facebook.com\/vistolidoeouvido instagram.com\/vistolidoeouvido &nbsp; \u00c9 uma pena que nenhuma das mais importantes obras da literatura mundial entre para a grade curricular das escolas p\u00fablicas. 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