{"id":25346,"date":"2025-02-05T01:00:58","date_gmt":"2025-02-05T04:00:58","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/?p=25346"},"modified":"2025-02-05T08:18:43","modified_gmt":"2025-02-05T11:18:43","slug":"o-lobo-interno","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/o-lobo-interno\/","title":{"rendered":"O lobo interno"},"content":{"rendered":"<p>VISTO, LIDO E OUVIDO, criada desde 1960 por Ari Cunha (In memoriam)<\/p>\n<p>Hoje, com Circe Cunha e Mamfil \u2013 Manoel de Andrade<\/p>\n<p><a href=\"mailto:jornalistacircecunha@gmail.com\">jornalistacircecunha@gmail.com<\/a><\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/vistolidoeouvido?mibextid=ZbWKwL\">facebook.com\/vistolidoeouvido<\/a><\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/instagram.com\/vistolidoeouvido?igshid=YTQwZjQ0NmI0OA==\">instagram.com\/vistolidoeouvido<\/a><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<figure id=\"attachment_25348\" aria-describedby=\"caption-attachment-25348\" style=\"width: 570px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" wp-image-25348\" src=\"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2025\/02\/vandalismo.png\" alt=\"\" width=\"570\" height=\"379\" srcset=\"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2025\/02\/vandalismo.png 756w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2025\/02\/vandalismo-300x200.png 300w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2025\/02\/vandalismo-550x366.png 550w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2025\/02\/vandalismo-230x153.png 230w\" sizes=\"auto, (max-width: 570px) 100vw, 570px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-25348\" class=\"wp-caption-text\">Foto: Ag\u00eancia Bras\u00edlia<\/figcaption><\/figure>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Existe um fen\u00f4meno arraigado em nossa cultura que deveria nos tornar obrigatoriamente objeto de estudo para, quem sabe, buscar uma terapia coletiva ou mesmo um tratamento mais objetivo e firme, antes que essa mania venha a destruir-nos como na\u00e7\u00e3o ou pa\u00eds. A quest\u00e3o aqui \u00e9 ir ao encontro de respostas que possam esclarecer essa propens\u00e3o nacional em depredar todo e qualquer bem p\u00fablico, seja ele de valor art\u00edstico, hist\u00f3rico ou outro qualquer ao alcance das nossas m\u00e3os. Nossas cidades s\u00e3o o reflexo dessa mania niilista coletiva.<\/p>\n<p>Essa situa\u00e7\u00e3o se agrava ainda mais quanto mais nos afastamos dos centros urbanos, onde o policiamento \u00e9 mais escasso, se n\u00e3o, inexistente. Com isso, nada escapa da a\u00e7\u00e3o quase coordenada da multid\u00e3o de v\u00e2ndalos. Basta um descuido das autoridades e l\u00e1 se v\u00e3o est\u00e1tuas, bancos de pra\u00e7a, ornamentos, postes de ilumina\u00e7\u00e3o, jazigos, universidades, tampas de bueiros, chafarizes e todo e qualquer equipamento mobili\u00e1rio p\u00fablico.<\/p>\n<p>Nessa insanidade coletiva, entram ainda \u00f4nibus e trens urbanos, metr\u00f4s, ponto de paradas, rodovi\u00e1rias, banheiros p\u00fablicos, placas de orienta\u00e7\u00e3o. A sequ\u00eancia de bens da coletividade que s\u00e3o pichados, quebrados, incendiados, roubados ou que desaparecem no ar, \u00e9 infinita. H\u00e1 como que uma esp\u00e9cie de compuls\u00e3o por arruinar o que \u00e9 de todos, transformando nossas cidades em cen\u00e1rios de guerra.<\/p>\n<p>Talvez, essa psicose em massa reflita um pouco as consequ\u00eancias de um pa\u00eds, onde, aproximadamente, 60 mil pessoas s\u00e3o v\u00edtimas de viol\u00eancia, a cada ano. Sabe-se, hoje, que morrem mais pessoas assassinadas, em nosso pa\u00eds, do que na maioria das guerras e conflitos que ocorrem pelo mundo, na atualidade. Desse modo, para um pa\u00eds reconhecidamente violento, nada mais natural do que um cen\u00e1rio de fundo, onde tudo parece ru\u00ednas.<\/p>\n<p>Num primeiro momento, o que parece claro \u00e9 que duas medidas de profilaxia se mostram necess\u00e1rias e urgentes. A primeira, \u00e9 a educa\u00e7\u00e3o de base, com as escolas incumbidas de ensinar as boas pr\u00e1ticas urbanas, ensinando nossas crian\u00e7as a respeitar e preservar todo e qualquer bem p\u00fablico, afinal, eles s\u00e3o para o usufruto comum e est\u00e3o onde est\u00e3o gra\u00e7as aos recursos oriundos de cada um de n\u00f3s. \u00c9 preciso que as escolas se ocupem da tarefa de civilizar ou recivilizar as novas gera\u00e7\u00f5es. Talvez, essa seja uma miss\u00e3o mais importante ou priorit\u00e1ria do que ensinar outras disciplinas. Antes at\u00e9 do que aprender a ler e escrever e fazer outras opera\u00e7\u00f5es de aritm\u00e9tica, \u00e9 necess\u00e1rio aprender a ser um cidad\u00e3o. Esse papel humanizador das escolas parece ter se perdido com o tempo em meio a outras exig\u00eancias enganosamente mais urgentes.<\/p>\n<p>Outra media profil\u00e1tica necess\u00e1ria \u00e9 a puni\u00e7\u00e3o exemplar para os protagonistas dessa psicose em massa. Nesse sentido, somente a r\u00e1pida interven\u00e7\u00e3o punitiva, obrigando v\u00e2ndalo a pagar pelos estragos, pintar muros e paredes ou cumprir pena de restri\u00e7\u00e3o de liberdade pode resolver parte desse problema que afeta a todos.<\/p>\n<p>\u00c9 do conhecimento das \u00e1reas de psicologia que ambientes degradados fisicamente, sujos, mal iluminados ou sem seguran\u00e7a, aumentam tamb\u00e9m os casos de dist\u00farbios mentais, pois o indiv\u00edduo, mesmo inconscientemente, v\u00ea-se imerso num cen\u00e1rio de pesadelo, onde todo o entorno parece se constituir numa amea\u00e7a. N\u00e3o \u00e9 por outra raz\u00e3o que a maioria de nossas cidades s\u00e3o vistas pelos estrangeiros como feias, deterioradas ou amea\u00e7adoras. Essa percep\u00e7\u00e3o negativa tem consequ\u00eancias tamb\u00e9m negativas para nossa economia, pois afugentam os turistas.<\/p>\n<p>\u00c9 preciso destacar que essas atitudes irracionais em massa, de destruir nossos bens p\u00fablicos, decorrem ainda e com grande frequ\u00eancia dos exemplos de comportamento que v\u00eam de cima, com o comportamento recorrente de nossas autoridades do n\u00e3o respeito e comedimento pelos recursos p\u00fablicos. Lembrem-se que o vandalismo \u00e9 sempre uma corrup\u00e7\u00e3o do indiv\u00edduo ou das massas, que enxergam, nessas atitudes, um meio de vingan\u00e7a contra os poderosos e seus modos de agir no comando do Estado.<\/p>\n<p>Nesse caso, como ensinava o psic\u00f3logo Gustave Le Bom (1841-1931): \u201cAs massas nunca t\u00eam sede de verdade; elas se afastam de evid\u00eancias que n\u00e3o agradam seus gostos, preferindo deificar o erro, caso este as seduza.\u201d Mais do que deificar os erros, os brasileiros buscam, nessas manifesta\u00e7\u00f5es de depreda\u00e7\u00e3o dos bens p\u00fablicos, imitar tudo aquilo que enxergam nos andares de cima. Esse modelo de comportamento nacional demonstra tamb\u00e9m a urg\u00eancia, cada vez mais premente, de retirar esse lobo que parece devorar cada indiv\u00edduo de dentro para fora, transformando-o numa esp\u00e9cie sui generis, digna de todo o cuidado de uma junta m\u00e9dica e mental.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>A frase que foi pronunciada:<\/strong><\/p>\n<p><em>\u201cUm homem que rouba por mim, fatalmente, roubar\u00e1 de mim.\u201d<\/em><\/p>\n<p>Theodore Roosevelt<\/p>\n<figure id=\"attachment_17464\" aria-describedby=\"caption-attachment-17464\" style=\"width: 363px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-17464\" src=\"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2020\/09\/Rossevelt.jpg\" alt=\"\" width=\"363\" height=\"495\" srcset=\"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2020\/09\/Rossevelt.jpg 363w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2020\/09\/Rossevelt-220x300.jpg 220w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2020\/09\/Rossevelt-230x314.jpg 230w\" sizes=\"auto, (max-width: 363px) 100vw, 363px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-17464\" class=\"wp-caption-text\">Theodore Roosevelt. Foto: wikipedia.org<\/figcaption><\/figure>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Hist\u00f3ria de Bras\u00edlia<\/strong><\/p>\n<p>Os tr\u00eas diretores acusados pelo sr. H\u00e9lio Fernandes como \u201ctraquejados no manejo da maior m\u00e1quina de corrup\u00e7\u00e3o\u201d s\u00e3o os senhores Frank Ballalai May, Vasco Viana de Andrade e Jaime Almeida. O dr. Frank, antes da Novacap, era diretor do Banco do Nordeste. Valeu sempre como um homem de bem. O dr.Vasco substituiu o dr. Moacir Gomes e Sousa e o dr. Bernardo Say\u00e3o. F\u00eaz um milh\u00e3o e meio de metros quadrados de asfalto dentro do Distrito Federal, afora as outras obras, e o dr. Jaime Almeida, lidando sempre com a parte financeira, tem mantido a impecabilidade que todos conhecem. <strong>(Publicada em 25.04.1962)<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>VISTO, LIDO E OUVIDO, criada desde 1960 por Ari Cunha (In memoriam) Hoje, com Circe Cunha e Mamfil \u2013 Manoel de Andrade jornalistacircecunha@gmail.com facebook.com\/vistolidoeouvido instagram.com\/vistolidoeouvido &nbsp; &nbsp; Existe um fen\u00f4meno arraigado em nossa cultura que deveria nos tornar obrigatoriamente objeto de estudo para, quem sabe, buscar uma terapia coletiva ou mesmo um tratamento mais objetivo [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":34,"featured_media":25348,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"wpb_read_more":[],"footnotes":""},"categories":[23],"tags":[2337,2338,2339,3847,154,114,2340,3848,3293,3713],"class_list":["post-25346","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-integra","tag-aricunha-2","tag-brasilia-2","tag-circecunha-2","tag-depredacaodopatrimoniopublico","tag-educacao","tag-historiadebrasilia","tag-mamfil-2","tag-patrimoniopublico","tag-urbanidade","tag-vandalismo"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/25346","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-json\/wp\/v2\/users\/34"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=25346"}],"version-history":[{"count":5,"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/25346\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":25352,"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/25346\/revisions\/25352"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-json\/wp\/v2\/media\/25348"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=25346"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=25346"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=25346"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}