{"id":25376,"date":"2025-02-08T01:00:40","date_gmt":"2025-02-08T04:00:40","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/?p=25376"},"modified":"2025-02-08T11:57:08","modified_gmt":"2025-02-08T14:57:08","slug":"era-uma-vez-eram-duas-vezes","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/era-uma-vez-eram-duas-vezes\/","title":{"rendered":"Era uma vez, eram duas vezes&#8230;"},"content":{"rendered":"<p>VISTO, LIDO E OUVIDO, criada desde 1960 por Ari Cunha (In memoriam)<\/p>\n<p>Hoje, com Circe Cunha e Mamfil \u2013 Manoel de Andrade<\/p>\n<p><a href=\"mailto:jornalistacircecunha@gmail.com\">jornalistacircecunha@gmail.com<\/a><\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/vistolidoeouvido?mibextid=ZbWKwL\">facebook.com\/vistolidoeouvido<\/a><\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/instagram.com\/vistolidoeouvido?igshid=YTQwZjQ0NmI0OA==\">instagram.com\/vistolidoeouvido<\/a><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<figure id=\"attachment_25383\" aria-describedby=\"caption-attachment-25383\" style=\"width: 579px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" wp-image-25383\" src=\"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2025\/02\/pre.png\" alt=\"\" width=\"579\" height=\"321\" srcset=\"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2025\/02\/pre.png 655w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2025\/02\/pre-300x166.png 300w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2025\/02\/pre-550x305.png 550w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2025\/02\/pre-230x127.png 230w\" sizes=\"auto, (max-width: 579px) 100vw, 579px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-25383\" class=\"wp-caption-text\">11\/01\/2017REUTERS\/Paulo Whitaker<\/figcaption><\/figure>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Antigo conto \u00e1rabe, perdido no tempo, cujos t\u00edtulo e autor, escritos na areia, foram apagados pelos ventos do deserto, narra a est\u00f3ria de um califa, cuja fama de injusti\u00e7a e de buscar puni\u00e7\u00f5es a qualquer pre\u00e7o rendeu-lhe o ep\u00edteto do mais cruel dos monarcas que j\u00e1 existiu naquele mundo encantado de outrora.<\/p>\n<p>Certa vez, ao passar pela rua, um morador local foi atingido na cabe\u00e7a por um peda\u00e7o de madeira que se desprendeu da moldura de uma janela. Ferido, foi ent\u00e3o procurar repara\u00e7\u00e3o e justi\u00e7a com califa local. Relatou-lhe o ocorrido. O califa, imediatamente, mandou chamar o marceneiro que havia constru\u00eddo aquela janela para puni-lo. Conhecedor das maldades do califa, o marceneiro, por sua vez, culpou a qualidade da madeira que havia adquirido de um vendedor pr\u00f3ximo. O califa, sedento em julg\u00e1-lo, mandou traz\u00ea-lo rapidamente.<\/p>\n<p>Como a fama de maldade do califa era conhecida mesmo em terras distantes, o vendedor da madeira em quest\u00e3o, logo acusou o lenhador, de quem havia comprado a mercadoria. Diante do califa, o lenhador, temendo por sua vida, p\u00f4s a culpa na qualidade do a\u00e7o do machado, que lhe permitia cortar apenas madeira verde. O califa ordenou, ent\u00e3o, que lhe trouxesse o fabricante do machado. Tremendo de medo e diante de um monarca que assustava at\u00e9 os animais irracionais, o fabricante do machado culpou o comerciante que lhe havia vendido ferro de m\u00e1 qualidade para a fundi\u00e7\u00e3o da l\u00e2mina.<\/p>\n<p>Ent\u00e3o, o califa mandou vir o tal comerciante. Por sua vez, o comerciante do min\u00e9rio de ferro, sem pestanejar, acusou o minerador que morava nas cercanias da cidade. Trazido \u00e0 presen\u00e7a do califa, o minerador p\u00f4s a culpa em sua pr\u00f3pria mulher que havia brigado com ele e, como vingan\u00e7a, misturou o ferro com areia do deserto. Apanhada de surpresa e diante de uma situa\u00e7\u00e3o inusitada como aquela e sem ter como explicar como havia feito tal vingan\u00e7a, a mulher ficou sem uma explica\u00e7\u00e3o razo\u00e1vel para o califa. O califa ent\u00e3o ordenou: enforquem-na no parapeito da janela que causou o acidente.<\/p>\n<p>Em um mundo, como o nosso, onde as apar\u00eancias v\u00e3o se confundindo cada vez mais com a realidade, est\u00f3rias como essa, por mais absurdas que pare\u00e7am, podem servir de alerta para os desencontros entre os fatos e as narra\u00e7\u00f5es. De fato, nada \u00e9 o que nos parece \u00e0 primeira vista, ainda mais quando estamos predispostos a tomar posi\u00e7\u00e3o guiados pelo ego ou pelo f\u00edgado. Estamos imersos num oceano sem fim de narrativas, naquilo que os estudiosos passaram a classificar como um tempo de preval\u00eancia da p\u00f3s-verdade, ou seja, num momento em que a opini\u00e3o p\u00fablica, por interfer\u00eancias diversas, passa a reagir mais impulsionada pelos apelos emocionais do que pelos fatos objetivos em si.<\/p>\n<p>Essa tend\u00eancia atual de colocar em segundo plano os fatos, detendo-se nas cren\u00e7as e nas emo\u00e7\u00f5es das massas, tornam a popula\u00e7\u00e3o e a opini\u00e3o p\u00fablica suscet\u00edveis a todos os tipos de manipula\u00e7\u00f5es. Conhecendo bem esse momento sui generis de nossa sociedade \u00e9 que os manipuladores t\u00eam tirado proveitos sem fim desse comportamento. N\u00e3o \u00e9 por outra raz\u00e3o que os pol\u00edticos atuais buscam parcerias com os t\u00e9cnicos de propaganda e merchandising, para dar forma a seus discursos.<\/p>\n<p>Por sua vez, esses t\u00e9cnicos em comunica\u00e7\u00e3o ensinam aos pol\u00edticos como conduzir as massas para o lugar desejado, \u201censinando-lhes como educar a popula\u00e7\u00e3o\u201d, n\u00e3o, sem antes, culpar os advers\u00e1rios. Ao empurrar a pr\u00f3pria culpa para debaixo do tapete, ou para algo, ou para algu\u00e9m, nossos pol\u00edticos, pelo menos os mais espertos, repetem o comportamento do conto acima, repassando suas culpas e erros, temendo o califa moderno que \u00e9 a pr\u00f3pria popula\u00e7\u00e3o e a sua sede de justi\u00e7a a qualquer pre\u00e7o. No caso em quest\u00e3o, n\u00e3o seria por demais il\u00f3gico culpar o rapaz que utiliza a maquininha de remarca\u00e7\u00e3o de pre\u00e7os no supermercado pelo aumento atual dos alimentos. Se a culpa n\u00e3o \u00e9 dele, deve ser do fornecedor da tal maquininha ou, quem sabe, daquele que inventou esse equipamento desumano.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>A frase que foi pronunciada:<\/strong><br \/>\n<em>\u201cTodo homem \u00e9 culpado de todo o bem que n\u00e3o fez.\u201d<\/em><br \/>\nVoltaire<\/p>\n<figure id=\"attachment_13481\" aria-describedby=\"caption-attachment-13481\" style=\"width: 265px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" wp-image-13481\" src=\"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2019\/02\/voltaire.jpg\" alt=\"\" width=\"265\" height=\"334\" srcset=\"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2019\/02\/voltaire.jpg 238w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2019\/02\/voltaire-230x290.jpg 230w\" sizes=\"auto, (max-width: 265px) 100vw, 265px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-13481\" class=\"wp-caption-text\">Voltaire. Imagem: reprodu\u00e7\u00e3o da internet<\/figcaption><\/figure>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Molhar o Sol<\/strong><br \/>\nAlguma raz\u00e3o deve haver para o caminh\u00e3o pipa molhar as flores da cidade em pleno Sol das duas horas da tarde. Mas \u00e9 bom repensar a rotina. N\u00e3o faz o menor sentido.<\/p>\n<figure id=\"attachment_25378\" aria-describedby=\"caption-attachment-25378\" style=\"width: 419px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" wp-image-25378\" src=\"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2025\/02\/WhatsApp-Image-2025-02-08-at-09.31.29.jpeg\" alt=\"\" width=\"419\" height=\"559\" srcset=\"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2025\/02\/WhatsApp-Image-2025-02-08-at-09.31.29.jpeg 1200w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2025\/02\/WhatsApp-Image-2025-02-08-at-09.31.29-225x300.jpeg 225w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2025\/02\/WhatsApp-Image-2025-02-08-at-09.31.29-768x1024.jpeg 768w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2025\/02\/WhatsApp-Image-2025-02-08-at-09.31.29-800x1067.jpeg 800w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2025\/02\/WhatsApp-Image-2025-02-08-at-09.31.29-550x733.jpeg 550w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2025\/02\/WhatsApp-Image-2025-02-08-at-09.31.29-230x307.jpeg 230w\" sizes=\"auto, (max-width: 419px) 100vw, 419px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-25378\" class=\"wp-caption-text\">Arquivo pessoal<\/figcaption><\/figure>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Abusivo<\/strong><br \/>\nUma forma bastante arriscada \u00e9 pagar pelo servi\u00e7o antes de ser feito. No caso das ag\u00eancias de modelo que cobram com anteced\u00eancia o trabalho, a promessa \u00e9 clara. Voc\u00ea paga, mas h\u00e1 possibilidade de n\u00e3o ser chamado. A mesma coisa ocorre com os garotos do futebol. Os pais que precisam pagar pelos testes devem ficar atentos. H\u00e1 treinadores e olheiros que n\u00e3o cobram para isso.<\/p>\n<figure id=\"attachment_25379\" aria-describedby=\"caption-attachment-25379\" style=\"width: 576px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" wp-image-25379\" src=\"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2025\/02\/age.png\" alt=\"\" width=\"576\" height=\"379\" srcset=\"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2025\/02\/age.png 906w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2025\/02\/age-300x197.png 300w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2025\/02\/age-768x505.png 768w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2025\/02\/age-800x526.png 800w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2025\/02\/age-550x362.png 550w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2025\/02\/age-230x151.png 230w\" sizes=\"auto, (max-width: 576px) 100vw, 576px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-25379\" class=\"wp-caption-text\">Foto: guiadobebe.com<\/figcaption><\/figure>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Hist\u00f3ria de Bras\u00edlia<\/strong><br \/>\nO que est\u00e1 feito aqui \u00e9 de concreto armado e nem as britadeiras, nem as picaretas dos inimigos poder\u00e3o destruir. A obra tem alcance superior.\u00a0<strong>(Publicada em 26\/4\/1962)<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>VISTO, LIDO E OUVIDO, criada desde 1960 por Ari Cunha (In memoriam) Hoje, com Circe Cunha e Mamfil \u2013 Manoel de Andrade jornalistacircecunha@gmail.com facebook.com\/vistolidoeouvido instagram.com\/vistolidoeouvido &nbsp; &nbsp; Antigo conto \u00e1rabe, perdido no tempo, cujos t\u00edtulo e autor, escritos na areia, foram apagados pelos ventos do deserto, narra a est\u00f3ria de um califa, cuja fama de [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":34,"featured_media":25383,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"wpb_read_more":[],"footnotes":""},"categories":[23],"tags":[2337,2338,2339,1490,114,962,2340,3851,3850,119],"class_list":["post-25376","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-integra","tag-aricunha-2","tag-brasilia-2","tag-circecunha-2","tag-governolula","tag-historiadebrasilia","tag-inflacao","tag-mamfil-2","tag-mercado","tag-precodosalimentos","tag-pt"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/25376","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-json\/wp\/v2\/users\/34"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=25376"}],"version-history":[{"count":5,"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/25376\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":25384,"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/25376\/revisions\/25384"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-json\/wp\/v2\/media\/25383"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=25376"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=25376"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=25376"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}