{"id":25506,"date":"2025-03-05T01:00:48","date_gmt":"2025-03-05T04:00:48","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/?p=25506"},"modified":"2025-03-04T15:54:12","modified_gmt":"2025-03-04T18:54:12","slug":"penas-ao-vento","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/penas-ao-vento\/","title":{"rendered":"Penas ao vento"},"content":{"rendered":"<p>VISTO, LIDO E OUVIDO, criada desde 1960 por Ari Cunha (In memoriam)<\/p>\n<p>Hoje, com Circe Cunha e Mamfil \u2013 Manoel de Andrade<\/p>\n<p><a href=\"mailto:jornalistacircecunha@gmail.com\">jornalistacircecunha@gmail.com<\/a><\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/vistolidoeouvido?mibextid=ZbWKwL\">facebook.com\/vistolidoeouvido<\/a><\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/instagram.com\/vistolidoeouvido?igshid=YTQwZjQ0NmI0OA==\">instagram.com\/vistolidoeouvido<\/a><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<figure id=\"attachment_25509\" aria-describedby=\"caption-attachment-25509\" style=\"width: 537px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" wp-image-25509\" src=\"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2025\/03\/pola.png\" alt=\"\" width=\"537\" height=\"406\" srcset=\"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2025\/03\/pola.png 802w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2025\/03\/pola-300x227.png 300w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2025\/03\/pola-768x580.png 768w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2025\/03\/pola-800x604.png 800w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2025\/03\/pola-550x416.png 550w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2025\/03\/pola-230x174.png 230w\" sizes=\"auto, (max-width: 537px) 100vw, 537px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-25509\" class=\"wp-caption-text\">Charge do Cazo<\/figcaption><\/figure>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400\">\u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0Acreditem: a polariza\u00e7\u00e3o pol\u00edtica, por seu poder dissipador e insidioso da ciz\u00e2nia, uma vez inoculada aos quatro ventos, torna-se imposs\u00edvel regredir. \u00c9 como o fofoqueiro da aldeia, que, arrependido de suas intrigas, foi se consultar com o s\u00e1bio local para tentar reverter o mal que tinha causado \u00e0s pessoas por sua l\u00edngua cheia de veneno. Ciente de que esse era um caso sem solu\u00e7\u00e3o, o s\u00e1bio sugeriu, ao consulente, que pegasse um grande travesseiro de pena de beija-flor e fosse ao mais alto monte do lugar e sacudisse-o durante uma tempestade de vento. Depois de seguir os conselhos do s\u00e1bio, o fofoqueiro voltou para saber dos resultados de sua penit\u00eancia. Volte l\u00e1, disse-lhe o s\u00e1bio, e recolha cada uma das penas de beija-flor espalhadas.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Ficasse restrita apenas na esfera pol\u00edtica, a polariza\u00e7\u00e3o extremada faria seus estragos apenas entre os pol\u00edticos, n\u00e3o trazendo seus malef\u00edcios para o mundo exterior. Ocorre que a pol\u00edtica, por sua necessidade vital nas rela\u00e7\u00f5es humanas, permeia toda a vida em redor. N\u00e3o h\u00e1 um lugar sequer onde os ventos da pol\u00edtica n\u00e3o soprem de uma forma ou de outra. A pol\u00edtica, uma vez infectada com o veneno da disc\u00f3rdia, produz seus efeitos por toda a parte, n\u00e3o respeitando nem mesmo os la\u00e7os familiares e as amizades fraternas de longo tempo.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400\">\u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 Trata-se de um veneno delet\u00e9rio ao pr\u00f3prio esp\u00edrito humano. Quantas e quantas vidas n\u00e3o foram ceifadas ao longo da hist\u00f3ria humana, apenas tendo leit motif \u00e0 polariza\u00e7\u00e3o pol\u00edtica. A quest\u00e3o a intrigar a todos \u00e9 saber por que, at\u00e9 hoje, n\u00e3o encontramos ant\u00eddoto para esse mal, se conhecemos seus efeitos, suas causas e, sobretudo, de onde partem e com que inten\u00e7\u00e3o s\u00e3o criados.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 N\u00e3o somos imunes \u00e0 polariza\u00e7\u00e3o da mesma maneira que n\u00e3o somos imunes ao mal. Talvez, isso se deva ao fato de que tenhamos, interiormente, o mal instalado dentro de alguma parte de n\u00f3s. O que talvez sirva de consolo para alguns \u00e9 que, diante do fato de termos adentrado milhas adentro nessa selva incivilizada, j\u00e1 nos encontramos, todos, igualmente perdidos. Queira o c\u00e9u que, nessa luta pela sobreviv\u00eancia, n\u00e3o tenhamos que repetir o que aconteceu na hist\u00f3ria do voo 571 da For\u00e7a A\u00e9rea Uruguaia, que caiu na Cordilheira dos Andes, em outubro de 1972, com 45 pessoas a bordo, sendo que, dessa tripula\u00e7\u00e3o, apenas 16 sobreviveram comendo a carne dos mortos nessa trag\u00e9dia. Observem que o fen\u00f4meno do canibalismo n\u00e3o \u00e9 desconhecido dos homens, acompanhando-o desde as cavernas.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 A polariza\u00e7\u00e3o pol\u00edtica exacerbada, fosse apenas uma esp\u00e9cie de canibalismo circunspecta \u00e0 classe pol\u00edtica, n\u00e3o ter\u00edamos queixas maiores. S\u00f3 que essa fome pelo outro extrapola o ringue das radicaliza\u00e7\u00f5es, atacando tamb\u00e9m o entorno com toda a ferocidade. Hoje, s\u00e3o raros, tanto em nossa sociedade, como em outros lugares pelo mundo, infensos ao mal dos extremismos pol\u00edticos.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 O s\u00e9culo XXI, que seria o da vit\u00f3ria da tecnologia e da modernidade, tem aliado os avan\u00e7os da ci\u00eancia com o que de mais primitivo existe na \u00edndole humana. Em nosso tempo, homens t\u00eam sido mortos como moscas, por diferen\u00e7as religiosas, culturais e outras escolhas. \u00c0 senten\u00e7a fatalista \u201cest\u00e1 tudo dominado\u201d, junta-se agora \u00e0 outra: \u201cest\u00e1 tudo polarizado\u201d. Em nosso caso particular, a coisa toda ganha ainda mais dramaticidade quando verificamos qu em nossa aldeia, o s\u00e1bio que dever\u00edamos consultar para sanar parte de nossas culpas pela ciz\u00e2nia, tamb\u00e9m j\u00e1 foi contaminado pelos ventos funestos da polariza\u00e7\u00e3o e, portanto, torna-se impedido de proferir nossas penit\u00eancias ou absolvi\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400\"><strong>A frase que foi pronunciada:<\/strong><\/p>\n<p style=\"font-weight: 400\"><em>\u201cNada mais cretino e mais \u201ccretinizante\u201d do que a paix\u00e3o pol\u00edtica. \u00c9 a \u00fanica paix\u00e3o sem grandeza, a \u00fanica que \u00e9 capaz de imbecilizar o homem.\u201d<\/em><\/p>\n<p style=\"font-weight: 400\">\u00a0Nelson Rodrigues.<\/p>\n<figure id=\"attachment_19425\" aria-describedby=\"caption-attachment-19425\" style=\"width: 475px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-19425\" src=\"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2021\/06\/NR.jpg\" alt=\"\" width=\"475\" height=\"468\" srcset=\"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2021\/06\/NR.jpg 475w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2021\/06\/NR-300x296.jpg 300w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2021\/06\/NR-230x227.jpg 230w\" sizes=\"auto, (max-width: 475px) 100vw, 475px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-19425\" class=\"wp-caption-text\">Nelson Rodrigues em 1949. Foto: Carlos Cedoc\/Funarte.<\/figcaption><\/figure>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400\"><strong>Leitura<\/strong><\/p>\n<p style=\"font-weight: 400\">Um deleite correr os olhos pelas linhas do \u201cLumiar de Lamparina\u201d, um livro de mem\u00f3rias de Luiz Bezerra de Oliveira. Ora sorrindo, ora enxugando as l\u00e1grimas, o livro \u00e9 um exemplo da riqueza de vida de tantas pessoas que atravessaram as maiores priva\u00e7\u00f5es para alcan\u00e7ar a vit\u00f3ria nos estudos e no trabalho, com os p\u00e9s no ch\u00e3o.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400\"><strong>Hist\u00f3ria de Bras\u00edlia<\/strong><\/p>\n<p style=\"font-weight: 400\">A minha terceira atividade \u00e9 publicidade, mas quando recebo dinheiro dou recibo, o que nem todos fazem na nossa profiss\u00e3o, infelizmente.\u00a0<strong>(Publicada em 27.04.1962)<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>VISTO, LIDO E OUVIDO, criada desde 1960 por Ari Cunha (In memoriam) Hoje, com Circe Cunha e Mamfil \u2013 Manoel de Andrade jornalistacircecunha@gmail.com facebook.com\/vistolidoeouvido instagram.com\/vistolidoeouvido &nbsp; &nbsp; \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0Acreditem: a polariza\u00e7\u00e3o pol\u00edtica, por seu poder dissipador e insidioso da ciz\u00e2nia, uma vez inoculada aos quatro ventos, torna-se imposs\u00edvel regredir. \u00c9 como o [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":34,"featured_media":25509,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"wpb_read_more":[],"footnotes":""},"categories":[23],"tags":[2337,2338,2339,828,114,2340,2901,261],"class_list":["post-25506","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-integra","tag-aricunha-2","tag-brasilia-2","tag-circecunha-2","tag-democracia","tag-historiadebrasilia","tag-mamfil-2","tag-polarizacaopolitica","tag-politicanobrasil"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/25506","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-json\/wp\/v2\/users\/34"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=25506"}],"version-history":[{"count":3,"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/25506\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":25510,"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/25506\/revisions\/25510"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-json\/wp\/v2\/media\/25509"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=25506"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=25506"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=25506"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}