{"id":25528,"date":"2025-03-12T01:00:08","date_gmt":"2025-03-12T04:00:08","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/?p=25528"},"modified":"2025-03-11T18:12:12","modified_gmt":"2025-03-11T21:12:12","slug":"vida-e-morte-da-cidade","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/vida-e-morte-da-cidade\/","title":{"rendered":"Vida e morte da cidade"},"content":{"rendered":"<p>VISTO, LIDO E OUVIDO, criada desde 1960 por Ari Cunha (In memoriam)<\/p>\n<p>Hoje, com Circe Cunha e Mamfil \u2013 Manoel de Andrade<\/p>\n<p><a href=\"mailto:jornalistacircecunha@gmail.com\">jornalistacircecunha@gmail.com<\/a><\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/vistolidoeouvido?mibextid=ZbWKwL\">facebook.com\/vistolidoeouvido<\/a><\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/instagram.com\/vistolidoeouvido?igshid=YTQwZjQ0NmI0OA==\">instagram.com\/vistolidoeouvido<\/a><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<figure id=\"attachment_24541\" aria-describedby=\"caption-attachment-24541\" style=\"width: 545px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" wp-image-24541\" src=\"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2024\/07\/avi\u00e3o.png\" alt=\"\" width=\"545\" height=\"427\" srcset=\"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2024\/07\/avi\u00e3o.png 925w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2024\/07\/avi\u00e3o-300x235.png 300w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2024\/07\/avi\u00e3o-768x601.png 768w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2024\/07\/avi\u00e3o-800x626.png 800w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2024\/07\/avi\u00e3o-550x430.png 550w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2024\/07\/avi\u00e3o-230x180.png 230w\" sizes=\"auto, (max-width: 545px) 100vw, 545px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-24541\" class=\"wp-caption-text\">Imagem: Esbo\u00e7o do Plano Piloto de Bras\u00edlia \u2014 Foto: Arquivo P\u00fablico do Distrito Federal\/Fundo Novacap<\/figcaption><\/figure>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<div dir=\"auto\">Consequ\u00eancias s\u00e3o tudo o que v\u00eam depois. Assim ensina a prud\u00eancia. No caso do respeito \u00e0s normas do planejamento urbano, essencial para a exist\u00eancia de uma metr\u00f3pole dentro dos limites do bom senso, as consequ\u00eancias da m\u00e1 inger\u00eancia e da politiza\u00e7\u00e3o no trato das quest\u00f5es urbanas s\u00e3o o que pior pode acontecer para uma cidade. At\u00e9 mesmo cidades que foram arrasadas por bombardeios, durante as guerras, possuem muito mais capacidade de se reerguerem do que aquelas que foram lentamente deturpadas por interven\u00e7\u00f5es urbanas fora dos limites do planejamento urbano. Vejam o caso, por exemplo, das grandes capitais da Europa, praticamente postas abaixo pela I e II Grandes Guerras. Com o fim dos conflitos, a quase totalidade delas foi sendo reconstru\u00edda com o mesmo esplendor do passado. O motivo: o respeito pelo passado e uma estrita observa\u00e7\u00e3o dos par\u00e2metros do urbanismo.<\/div>\n<div dir=\"auto\"><\/div>\n<div dir=\"auto\">Ao observar fotos antigas das cidades de S\u00e3o Paulo ou do Rio de Janeiro, das d\u00e9cadas 40 ou anterior, a primeira coisa que chama a aten\u00e7\u00e3o nessas imagens \u00e9 que tudo parece estar no seu devido lugar. As ruas est\u00e3o limpas, as cal\u00e7adas s\u00e3o largas, o tr\u00e2nsito flui com ordem, as pessoas parecem caminhar com tranquilidade e h\u00e1 toda uma ideia de harmonia e conjunto. Nos parques p\u00fablicos, o paisagismo se mistura com monumentos e esculturas por todo o canto, ladeando jardins bem desenhados. H\u00e1 chafarizes e pequenos lagos a enfeitar os ambientes e uma perfeita sincronia entre o buc\u00f3lico e o espa\u00e7o comercial e residencial. Os edif\u00edcios, formados por casarios que juntam a arquitetura neocl\u00e1ssica com o estilo colonial, estendem-se por ruas bem arborizadas, que convidam o p\u00fablico ao passeio e desfrute de um ambiente bem pensado.<\/div>\n<div dir=\"auto\"><\/div>\n<div dir=\"auto\">No caso de Bras\u00edlia, as fotos e imagens antigas do come\u00e7o das d\u00e9cadas de sessenta e setenta mostram uma capital onde se podia observar, com exatid\u00e3o, quais eram as\u00a0 propostas do projeto urbano original para a cidade. L\u00facio Costa, o idealizador desses espa\u00e7os, conhecia bem as necessidades de uma cidade e sabia da import\u00e2ncia em agregar espa\u00e7os vazios e cheios, \u00e1reas verdes e \u00e1reas constru\u00eddas. Dosando seu projeto de sons e sil\u00eancios, vitais para uma grande sinfonia arquitetural. Pena que, hoje em dia, muitos habitantes e administradores, que para c\u00e1 vieram tardiamente, n\u00e3o tenham a clara percep\u00e7\u00e3o da import\u00e2ncia, ou mesmo a sensibilidade, em manter as ra\u00edzes do projeto original. A necessidade em preservar o original \u00e9 para que Bras\u00edlia n\u00e3o se transforme numa c\u00f3pia mal feita das muitas metr\u00f3poles brasileiras.<\/div>\n<div dir=\"auto\"><\/div>\n<div dir=\"auto\">As cidades, assim como as pessoas, possuem vida pr\u00f3pria, mas precisam, antes de tudo, serem bem encaminhadas, para que n\u00e3o se percam nos descaminhos da vida. Infelizmente \u00e9 isso que vem ocorrendo com a capital ao longo dos \u00faltimos anos. Depois da emancipa\u00e7\u00e3o pol\u00edtica de Bras\u00edlia, num processo em que se visava apenas a cria\u00e7\u00e3o de uma inst\u00e2ncia pol\u00edtica e burocr\u00e1tica, para atender parte de uma elite de forasteiros local, a capital passou a sofrer um processo desordenado de crescimento, com ocupa\u00e7\u00e3o irregular de imensas \u00e1reas p\u00fablicas, com a cria\u00e7\u00e3o de enormes bairros, na maioria sem qualquer planejamento ou previs\u00e3o, levando a cidade a um incha\u00e7o populacional, sobrecarregando toda a infraestrutura existente e criando os mesmos problemas j\u00e1 presentes em outras cidades brasileiras.<\/div>\n<div dir=\"auto\"><\/div>\n<div dir=\"auto\">Desde o in\u00edcio, essa coluna se posicionou contra as interfer\u00eancias pol\u00edticas e ocasionais ao projeto original da capital, pois j\u00e1 previa que a cidade, desejada e cobi\u00e7ada pelos pol\u00edticos, distanciava-se milh\u00f5es de l\u00e9guas daquilo que pretendiam seus idealizadores originais e mesmo pela parcela dos candangos que para aqui se transferiram nos anos sessenta. A descarateriza\u00e7\u00e3o da cidade \u00e9 hoje um fato que vai sendo materializado aos poucos, bem debaixo de nossos olhos. Hoje, as centenas de barracos de lata, instaladas em todo o Plano Piloto, inclusive nas paradas de \u00f4nibus, ao longo das Avenidas W3 Sul e Norte, mostram que o processo de envelhecimento precoce da capital j\u00e1 foi iniciado. A ocupa\u00e7\u00e3o, cada vez mais atrevida, dos carros sobre as \u00e1reas verdes, com a cria\u00e7\u00e3o de estacionamentos irregulares, tamb\u00e9m vai se fazendo lentamente, prejudicando os espa\u00e7os buc\u00f3licos que s\u00e3o de todos.<\/div>\n<div dir=\"auto\"><\/div>\n<div dir=\"auto\">N\u00e3o se iludam: essas pequenas e, aparentemente, inocentes, descaracteriza\u00e7\u00f5es da cidade, marcam um pren\u00fancio da decad\u00eancia geral que vir\u00e1 a seguir e que, em pouco tempo, decretar\u00e1 a morte dessa senhora de pouco mais de 60 anos, por fal\u00eancia m\u00faltipla dos \u00f3rg\u00e3os. Quando isso acontecer, nenhum dos personagens que colaboraram, direta ou indiretamente, para esse acontecimento vir\u00e1 se sentar no banco dos r\u00e9us.<\/div>\n<div dir=\"auto\"><\/div>\n<div dir=\"auto\"><\/div>\n<div dir=\"auto\"><strong>A frase que foi pronunciada:\u00a0<\/strong><\/div>\n<div dir=\"auto\"><em>&#8220;Deus est\u00e1 nos detalhes.&#8221;<\/em><\/div>\n<div dir=\"auto\">Ludwig Mies Van Der Rohe<\/div>\n<div dir=\"auto\">\n<figure id=\"attachment_25531\" aria-describedby=\"caption-attachment-25531\" style=\"width: 483px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" wp-image-25531\" src=\"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2025\/03\/lud.png\" alt=\"\" width=\"483\" height=\"382\" srcset=\"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2025\/03\/lud.png 898w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2025\/03\/lud-300x238.png 300w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2025\/03\/lud-768x608.png 768w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2025\/03\/lud-800x633.png 800w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2025\/03\/lud-550x435.png 550w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2025\/03\/lud-230x182.png 230w\" sizes=\"auto, (max-width: 483px) 100vw, 483px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-25531\" class=\"wp-caption-text\">Ludwig Mies van der Rohe. Foto: archeyes.com<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n<div dir=\"auto\"><\/div>\n<div dir=\"auto\"><\/div>\n<div dir=\"auto\"><strong>Hist\u00f3ria de Brasilia\u00a0<\/strong><\/div>\n<div dir=\"auto\">\u00c9 que os deputados n\u00e3o se negam a assinar, e , enquanto isso os funcion\u00e1rios v\u00e3o pedindo para ser requisitados. Uma boa medida seria o comissionamento sem vencimentos para receber na reparti\u00e7\u00e3o que passa a servir. <strong>(Publicada em 27.04.1962)<\/strong><\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>VISTO, LIDO E OUVIDO, criada desde 1960 por Ari Cunha (In memoriam) Hoje, com Circe Cunha e Mamfil \u2013 Manoel de Andrade jornalistacircecunha@gmail.com facebook.com\/vistolidoeouvido instagram.com\/vistolidoeouvido &nbsp; &nbsp; Consequ\u00eancias s\u00e3o tudo o que v\u00eam depois. Assim ensina a prud\u00eancia. 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