{"id":25663,"date":"2025-04-05T01:00:08","date_gmt":"2025-04-05T04:00:08","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/?p=25663"},"modified":"2025-04-04T19:15:50","modified_gmt":"2025-04-04T22:15:50","slug":"anna-armada-de-palavras","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/anna-armada-de-palavras\/","title":{"rendered":"Anna, armada de palavras"},"content":{"rendered":"<p>VISTO, LIDO E OUVIDO, criada desde 1960 por Ari Cunha (In memoriam)<\/p>\n<p>Hoje, com Circe Cunha e Mamfil \u2013 Manoel de Andrade<\/p>\n<p><a href=\"mailto:jornalistacircecunha@gmail.com\">jornalistacircecunha@gmail.com<\/a><\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/vistolidoeouvido?mibextid=ZbWKwL\">facebook.com\/vistolidoeouvido<\/a><\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/instagram.com\/vistolidoeouvido?igshid=YTQwZjQ0NmI0OA==\">instagram.com\/vistolidoeouvido<\/a><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<figure id=\"attachment_25668\" aria-describedby=\"caption-attachment-25668\" style=\"width: 629px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" wp-image-25668\" src=\"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2025\/04\/bbc.png\" alt=\"\" width=\"629\" height=\"350\" srcset=\"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2025\/04\/bbc.png 789w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2025\/04\/bbc-300x167.png 300w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2025\/04\/bbc-768x427.png 768w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2025\/04\/bbc-550x306.png 550w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2025\/04\/bbc-230x128.png 230w\" sizes=\"auto, (max-width: 629px) 100vw, 629px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-25668\" class=\"wp-caption-text\">Foto: bbc.com (Getty)<\/figcaption><\/figure>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400\">Durante muito tempo, acreditou-se que o jornalismo, principalmente o de car\u00e1ter investigativo, representava a \u00faltima trincheira avan\u00e7ada em defesa da liberdade de express\u00e3o, servindo como uma esp\u00e9cie de farol de resist\u00eancia contra a tirania e a favor da verdade. Houve um tempo, inclusive, em que o jornalismo era tido, por sua capacidade de arregimenta\u00e7\u00e3o das massas, como um quarto poder. Exemplos desse modelo de jornalismo combativo s\u00e3o abundantes por todo o mundo e dele emergem figuras que, por sua atua\u00e7\u00e3o corajosa, entraram para a hist\u00f3ria como verdadeiros combatentes, munidos apenas com as armas da palavra e da escrita.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400\">O advento das m\u00eddias sociais, mesmo impulsionando as informa\u00e7\u00f5es como nunca, ajudaram a retirar muito desse poder atribu\u00eddo ao jornalismo tradicional fazendo com que, hoje, tanto a imprensa como a chamada busca pela verdade ficassem espalhadas e dissolvidas por todos os lugares, aumentando a impress\u00e3o geral de que ningu\u00e9m, em nossos dias, por mais poderoso que seja, pode ser considerado o dono da verdade.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400\">Mas ainda assim e em meio as adversidades de um mundo em crise de identidade, \u00e9 poss\u00edvel encontrar jornalistas com coragem suficiente para abalar as estruturas do status quo, sobretudo, quando um sistema pol\u00edtico favorece as injusti\u00e7as e privilegiam as camarilhas, os tiranos e a corrup\u00e7\u00e3o. \u00c9 nesse sentido que o jornalismo favorece a sociedade, brindando-a com a verdade dos fatos. Por causa desse poder de transmitir a verdade, muitos profissionais do jornalismo pelo mundo, ontem e hoje, pagaram com vida por essa ousadia e coragem. A eles, muitas democracias pelo mundo s\u00e3o devedoras desse tipo de luta.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400\">Nesse sentido, merece destaque aqui, neste espa\u00e7o, a lembran\u00e7a do nome da jornalista americana Anna Politikovskaya, nascida na Am\u00e9rica, mas criada na Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica. Profissional respeitada dentro e fora da R\u00fassia, Anna era um modelo de rep\u00f3rter investigativa. N\u00e3o precisa nem dizer que, tendo escolhido o lado investigativo da imprensa e, al\u00e9m disso, disposta a levar a verdade dos fatos aos leitores, Anna, desde sempre, correu s\u00e9rio risco de morrer, ainda mais dentro de uma R\u00fassia, comandada, h\u00e1 mais de duas d\u00e9cadas, com m\u00e3os de ferros por Vladimir Putin. Putin \u00e9 hoje conhecido em todo planeta pelas acusa\u00e7\u00f5es de crimes de guerra, genoc\u00eddios de civis e pela forma brutal como trata toda e qualquer dissid\u00eancia ou oposi\u00e7\u00e3o. A lista com os nomes daqueles que ousaram desafi\u00e1-lo \u00e9 imensa, assim como sua sede de poder e seu sonho megaloman\u00edaco de reconstituir a antiga Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica, com toda a sua gl\u00f3ria passada.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400\">Trabalhar numa situa\u00e7\u00e3o de perp\u00e9tuo confronto como essa, onde a morte espreita em cada canto, n\u00e3o \u00e9 para qualquer um. Ainda mais sendo uma jornalista atuante, focada em direitos humanos e que via, na guerra da Chech\u00eania, viola\u00e7\u00f5es indescrit\u00edveis praticadas pelo ex\u00e9rcito de Putin. Por sua atua\u00e7\u00e3o incans\u00e1vel, ela acabaria se tornando uma figura emblem\u00e1tica dentro e fora das fronteiras da R\u00fassia. Poucos profissionais da imprensa tiveram a coragem que Anna demonstrava ao cobrir uma s\u00e9rie de conflitos e de guerras sangrentas comandadas por esse pequeno e ganancioso Napole\u00e3o de hosp\u00edcio sovietista.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400\">Anna, em seu trabalho, sempre demonstrava a preocupa\u00e7\u00e3o em se posicionar contr\u00e1ria a toda e qualquer neutralidade, sobretudo aquela que faz cara de paisagem diante das brutalidades e desrespeitos \u00e0 vida. Durante o tempo em que atuou nos principais ve\u00edculos de comunica\u00e7\u00e3o da R\u00fassia, o medo e a repress\u00e3o eram uma constante. Os assassinatos de opositores e cr\u00edticos do regime russo eram comuns. Da noite para o dia, esses cr\u00edticos e advers\u00e1rios do regime desapareciam ou eram simplesmente encontrados mortos. Putin mandava eliminar, como moscas, n\u00e3o s\u00f3 pol\u00edticos ou empres\u00e1rios contr\u00e1rios ao sistema, como encomendava, tamb\u00e9m o silenciamento de jornalistas que mostravam uma amea\u00e7a aos seus desmandos.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400\">A morte anunciada e dada como certa de Anna ocorreria em 7 de outubro de 2006, quando foi \u00a0assassinada a tiros no elevador do pr\u00e9dio onde morava, por um desses milhares de sic\u00e1rios que agem para apagar os rastros de crimes desse regime brutal, o mesmo que hoje amea\u00e7a a Europa e o mundo com armas de destrui\u00e7\u00e3o em massa. De toda a forma, a sua morte n\u00e3o foi em v\u00e3o, tendo servido de inspira\u00e7\u00e3o para outros profissionais que ainda lutam dentro daquele pa\u00eds contra a centraliza\u00e7\u00e3o do poder e a falta de liberdade de express\u00e3o.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400\"><strong>A frase que foi pronunciada:<\/strong><\/p>\n<p style=\"font-weight: 400\"><em>&#8220;Esta linha pol\u00edtica \u00e9 totalmente neo-sovi\u00e9tica: os seres humanos n\u00e3o t\u00eam exist\u00eancias independentes, s\u00e3o engrenagens na m\u00e1quina cuja fun\u00e7\u00e3o \u00e9 implementar sem questionamentos quaisquer escapadas pol\u00edticas que aqueles no poder inventam. As engrenagens n\u00e3o t\u00eam direitos. Nem mesmo \u00e0 dignidade na morte.\u201d<\/em><\/p>\n<p style=\"font-weight: 400\">Anna Politkovskaya<\/p>\n<figure id=\"attachment_25665\" aria-describedby=\"caption-attachment-25665\" style=\"width: 522px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" wp-image-25665\" src=\"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2025\/04\/anna.png\" alt=\"\" width=\"522\" height=\"340\" srcset=\"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2025\/04\/anna.png 1020w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2025\/04\/anna-300x196.png 300w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2025\/04\/anna-768x501.png 768w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2025\/04\/anna-800x522.png 800w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2025\/04\/anna-550x359.png 550w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2025\/04\/anna-230x150.png 230w\" sizes=\"auto, (max-width: 522px) 100vw, 522px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-25665\" class=\"wp-caption-text\">Anna Politkovskaya. Foto: gettyimages.com<\/figcaption><\/figure>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400\"><strong>Hist\u00f3ria de Bras\u00edlia<\/strong><\/p>\n<p style=\"font-weight: 400\">Est\u00e3o querendo fazer sensa\u00e7\u00e3o em torno do julgamento do delegado Jo\u00e3o Peles. A hist\u00f3ria de amea\u00e7a de morte n\u00e3o \u00e9 motivo para aus\u00eancia de testemunha. Assunto desta classe n\u00e3o deve atrasar julgamento.\u00a0<strong>(Publicada em 29.04.1962)<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>VISTO, LIDO E OUVIDO, criada desde 1960 por Ari Cunha (In memoriam) Hoje, com Circe Cunha e Mamfil \u2013 Manoel de Andrade jornalistacircecunha@gmail.com facebook.com\/vistolidoeouvido instagram.com\/vistolidoeouvido &nbsp; &nbsp; Durante muito tempo, acreditou-se que o jornalismo, principalmente o de car\u00e1ter investigativo, representava a \u00faltima trincheira avan\u00e7ada em defesa da liberdade de express\u00e3o, servindo como uma esp\u00e9cie de [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":34,"featured_media":25668,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"wpb_read_more":[],"footnotes":""},"categories":[23],"tags":[2743,3903,2337,2338,2339,828,114,1189,3902,2340,51],"class_list":["post-25663","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-integra","tag-4opoder","tag-annapolitkovskaya","tag-aricunha-2","tag-brasilia-2","tag-circecunha-2","tag-democracia","tag-historiadebrasilia","tag-imprensa","tag-jornalismoinvestigativo","tag-mamfil-2","tag-politica"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/25663","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-json\/wp\/v2\/users\/34"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=25663"}],"version-history":[{"count":4,"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/25663\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":25669,"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/25663\/revisions\/25669"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-json\/wp\/v2\/media\/25668"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=25663"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=25663"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=25663"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}