{"id":25767,"date":"2025-04-26T01:00:10","date_gmt":"2025-04-26T04:00:10","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/?p=25767"},"modified":"2025-04-25T18:44:28","modified_gmt":"2025-04-25T21:44:28","slug":"ou-nao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/ou-nao\/","title":{"rendered":"Ou n\u00e3o?"},"content":{"rendered":"<p>VISTO, LIDO E OUVIDO, criada desde 1960 por Ari Cunha (In memoriam)<\/p>\n<p>Hoje, com Circe Cunha e Mamfil \u2013 Manoel de Andrade<\/p>\n<p><a href=\"mailto:jornalistacircecunha@gmail.com\">jornalistacircecunha@gmail.com<\/a><\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/vistolidoeouvido?mibextid=ZbWKwL\">facebook.com\/vistolidoeouvido<\/a><\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/instagram.com\/vistolidoeouvido?igshid=YTQwZjQ0NmI0OA==\">instagram.com\/vistolidoeouvido<\/a><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<figure id=\"attachment_25769\" aria-describedby=\"caption-attachment-25769\" style=\"width: 576px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" wp-image-25769\" src=\"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2025\/04\/bus.png\" alt=\"\" width=\"576\" height=\"492\" srcset=\"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2025\/04\/bus.png 722w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2025\/04\/bus-300x256.png 300w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2025\/04\/bus-550x470.png 550w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2025\/04\/bus-230x197.png 230w\" sizes=\"auto, (max-width: 576px) 100vw, 576px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-25769\" class=\"wp-caption-text\">Ilustra\u00e7\u00e3o: ebdicorp.com<\/figcaption><\/figure>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400\">\u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0Quem poderia imaginar que um dia f\u00f4ssemos saltar do mundo da imagina\u00e7\u00e3o e da fic\u00e7\u00e3o cient\u00edfica, diretamente para a vida real. Como num mudar de p\u00e1gina, estamos do outro lado do espelho. Das est\u00f3rias que mostravam, na literatura e no cinema, um mundo dist\u00f3pico, frio e desumanizado pelo avan\u00e7o de m\u00e1quinas inteligentes, chegamos, num pulo, ao que est\u00e1 hoje bem diante de nossos olhos.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Somos agora os personagens ou ent\u00e3o os milh\u00f5es de figurantes passivos e empurrados para uma realidade e lugar hipot\u00e9tico ou, simplesmente, para o n\u00e3o-lugar. Essa sociedade imagin\u00e1ria, desenhada por mentes ao estilo globalista, ela \u00e9 o que \u00e9: um conjunto de oito bilh\u00f5es de almas submetidas aos projetos desses poderosos grupos familiares e empresariais que querem o mundo agora, na palma da m\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 \u00a0Para chegar ao eldorado prometido, o primeiro passo \u00e9 tornar a sociedade, uma massa homog\u00eanea e catat\u00f4nica, entregue ou rendida ao Estado. \u00c9 o nada fora do Estado. Tal empreendimento s\u00f3 vem a funcionar com o aumento substantivo do controle social, a come\u00e7ar pelo aumento da for\u00e7a opressora do pr\u00f3prio Estado. Primeiro ainda vem o caos, com o incentivo disfar\u00e7ado para que o crime assombre a sociedade, levando-a a se aprisionar em casa. Nesse mundo em que parece se liquefazer, o certo muda de lado. Afinal, estamos do outro lado do espelho.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 \u00a0As fobias e o medo de tudo levam as pessoas a consumir em quantidades industriais, medicamentos para o controle de doen\u00e7as nervosas, transtornos mentais, p\u00edlulas para tudo. Para que tudo possa funcionar de acordo, tamb\u00e9m as institui\u00e7\u00f5es do Estado v\u00e3o se derretendo. Nesse ponto de nosso enredo real, os poderes da Rep\u00fablica se transformam em entidades burocr\u00e1ticas inacess\u00edveis. N\u00e3o h\u00e1 controv\u00e9rsias entre o cidad\u00e3o e o Estado. A qualquer hora, voc\u00ea pode ser preso. A compara\u00e7\u00e3o entre os cen\u00e1rios dist\u00f3picos da fic\u00e7\u00e3o cient\u00edfica e o mundo atual sugere que vivemos um tempo em que o imagin\u00e1rio tornou-se real.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 O &#8220;espelho&#8221; mencionado evoca refer\u00eancias como Alice no Pa\u00eds das Maravilhas ou 1984, em que a realidade \u00e9 distorcida e transformada por for\u00e7as invis\u00edveis ou incontrol\u00e1veis \u2014 como hoje, com as intelig\u00eancias artificiais, a vigil\u00e2ncia digital e o avan\u00e7o de tecnologias que escapam do controle comum. A imagem de sermos &#8220;figurantes passivos&#8221; refor\u00e7a uma cr\u00edtica \u00e0 perda de protagonismo do indiv\u00edduo frente a estruturas globais (pol\u00edticas, tecnol\u00f3gicas, corporativas). O &#8220;n\u00e3o-lugar&#8221; citado remete a uma sociedade em que as pessoas n\u00e3o t\u00eam identidade clara, nem pertencimento \u2014 conceito explorado por Marc Aug\u00e9 em sua teoria dos &#8220;n\u00e3o-lugares&#8221;, espa\u00e7os an\u00f4nimos da modernidade como aeroportos, shoppings ou ambientes digitais.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 As &#8220;mentes ao estilo globalista&#8221; \u2014 grandes corpora\u00e7\u00f5es, fam\u00edlias e grupos de poder com projetos que moldam o mundo \u00e0 sua imagem e sem di\u00e1logo com a pluralidade humana. A ideia de que &#8220;o mundo cabe na palma da m\u00e3o&#8221; evoca tanto o dom\u00ednio total das big techs, como a tentativa de padroniza\u00e7\u00e3o cultural, pol\u00edtica e econ\u00f4mica. A frase final \u2014 &#8220;\u00e9 o nada fora do Estado&#8221; \u2014 ecoa filosofias autorit\u00e1rias, especialmente o pensamento hegeliano distorcido em regimes totalit\u00e1rios, como o fascismo (&#8220;Tudo no Estado, nada contra o Estado, nada fora do Estado&#8221;). Vemos a estatiza\u00e7\u00e3o da subjetividade humana, ou seja, a submiss\u00e3o total da vida individual ao controle estatal ou tecnocr\u00e1tico.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 \u00a0Aqui vai um alerta existencial e pol\u00edtico: Qual o papel do ser humano em um mundo cada vez mais guiado por algoritmos e decis\u00f5es centralizadas? Ainda existe espa\u00e7o para liberdade, diversidade e a\u00e7\u00e3o individual? E se estamos mesmo diante de uma virada civilizacional, qual \u00e9 a resist\u00eancia poss\u00edvel?<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 O cen\u00e1rio de fundo desse n\u00e3o lugar apresenta pr\u00e9dios, muros e o que for poss\u00edvel, pichados e cheios de mensagens sinistras. As ruas s\u00e3o sujas, cheias de armadilhas, mal iluminadas e inseguras. Milh\u00f5es de fios a\u00e9reos cortam essa paisagem apocal\u00edptica, como uma s\u00e9rie de rabiscos. \u00c0 nossa volta, tudo o que representava o nosso mundo vai desaparecendo em meio a fuma\u00e7a. O mundo dist\u00f3pico molda tamb\u00e9m pessoas dist\u00f3picas, sem humanidade. Ali\u00e1s, o humanismo foi deixado longe na estrada. Lembrando aqui que estamos falando de fic\u00e7\u00e3o. Ou n\u00e3o?<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400\">\n<p style=\"font-weight: 400\"><strong>A frase que foi pronunciada:<\/strong><\/p>\n<p style=\"font-weight: 400\"><em>&#8220;Ele acha que tem livre-arb\u00edtrio, mas na verdade est\u00e1 preso em um labirinto, em um sistema.&#8221;<\/em><\/p>\n<p style=\"font-weight: 400\">Epis\u00f3dio &#8216;Bandersnatch&#8217;, do seriado Black Mirror<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"BLACK MIRROR BANDERSNATCH FINAIS EXPLICADOS\" width=\"720\" height=\"405\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/vrEcM06z5Ik?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"font-weight: 400\">\n<p style=\"font-weight: 400\"><strong>Hist\u00f3ria de Bras\u00edlia<\/strong><\/p>\n<p style=\"font-weight: 400\">As profess\u00f4ras perderam metade da raz\u00e3o ao deflagrarem greve. A solidariedade das profess\u00f4ras prim\u00e1rias poderia ser dada de outra forma, com bra\u00e7os cruzados durante uma hora, mas nunca com preju\u00edzo total para os alunos. <strong>(Publicada em 02.05.1962)<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>VISTO, LIDO E OUVIDO, criada desde 1960 por Ari Cunha (In memoriam) Hoje, com Circe Cunha e Mamfil \u2013 Manoel de Andrade jornalistacircecunha@gmail.com facebook.com\/vistolidoeouvido instagram.com\/vistolidoeouvido &nbsp; &nbsp; \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0Quem poderia imaginar que um dia f\u00f4ssemos saltar do mundo da imagina\u00e7\u00e3o e da fic\u00e7\u00e3o cient\u00edfica, diretamente para a vida real. 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