{"id":25821,"date":"2025-05-08T01:00:15","date_gmt":"2025-05-08T04:00:15","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/?p=25821"},"modified":"2025-05-08T14:39:33","modified_gmt":"2025-05-08T17:39:33","slug":"pelo-olhar-de-carl-jung","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/pelo-olhar-de-carl-jung\/","title":{"rendered":"Pelo olhar de Carl Jung"},"content":{"rendered":"<p>VISTO, LIDO E OUVIDO, criada desde 1960 por Ari Cunha (In memoriam)<\/p>\n<p>Hoje, com Circe Cunha e Mamfil \u2013 Manoel de Andrade<\/p>\n<p><a href=\"mailto:jornalistacircecunha@gmail.com\">jornalistacircecunha@gmail.com<\/a><\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/vistolidoeouvido?mibextid=ZbWKwL\">facebook.com\/vistolidoeouvido<\/a><\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/instagram.com\/vistolidoeouvido?igshid=YTQwZjQ0NmI0OA==\">instagram.com\/vistolidoeouvido<\/a><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<figure id=\"attachment_25824\" aria-describedby=\"caption-attachment-25824\" style=\"width: 558px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" wp-image-25824\" src=\"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2025\/05\/carl.png\" alt=\"\" width=\"558\" height=\"334\" srcset=\"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2025\/05\/carl.png 1208w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2025\/05\/carl-300x179.png 300w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2025\/05\/carl-768x459.png 768w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2025\/05\/carl-1024x612.png 1024w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2025\/05\/carl-800x478.png 800w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2025\/05\/carl-550x329.png 550w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2025\/05\/carl-230x137.png 230w\" sizes=\"auto, (max-width: 558px) 100vw, 558px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-25824\" class=\"wp-caption-text\">(Foto: Reprodu\u00e7\u00e3o)<\/figcaption><\/figure>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Quando a situa\u00e7\u00e3o pol\u00edtica decorrente de uma sequ\u00eancia sem fim de esc\u00e2ndalos que v\u00e3o vindo \u00e0 tona parece conduzir o pa\u00eds ao caos, as an\u00e1lises meramente pol\u00edticas j\u00e1 n\u00e3o conseguem mais explicar o que de fato ocorre. Quando isso acontece, um dos caminhos poss\u00edveis a ser percorrido ruma direto para a seara da psicologia \u2014 no caso aqui da psicologia anal\u00edtica, criada por Carl Gustav Jung (1875-1961).<\/p>\n<p>Criador do conceito de sombra, ele dizia que todos n\u00f3s abrigamos aspectos de nossa personalidade que preferimos n\u00e3o reconhecer: impulsos, desejos e contradi\u00e7\u00f5es que n\u00e3o se encaixam na imagem que constru\u00edmos de n\u00f3s mesmos. Essa \u201csombra\u201d \u2014 rejeitada e projetada no outro \u2014se torna um mecanismo perigoso quando n\u00e3o \u00e9 reconhecida.<\/p>\n<p>Na pol\u00edtica, ela se manifesta como moralismo seletivo, discursos p\u00fablicos dissonantes das pr\u00e1ticas privadas e, principalmente, como a tentativa inconsciente de destruir aquilo que mais se teme dentro de si. A teoria da sombra de Jung ilumina com precis\u00e3o os comportamentos contradit\u00f3rios e, muitas vezes, destrutivos que vemos com frequ\u00eancia no campo pol\u00edtico.<\/p>\n<p>A pol\u00edtica, sendo o palco por excel\u00eancia da proje\u00e7\u00e3o coletiva, revela com nitidez como indiv\u00edduos e grupos negam aspectos indesejados de si mesmos e os projetam sobre os advers\u00e1rios. O resultado \u00e9 o moralismo inflado, a hipocrisia institucionalizada e o \u00f3dio como forma de autodefesa ps\u00edquica. O pol\u00edtico que combate \u201ca corrup\u00e7\u00e3o dos outros\u201d enquanto lucra em sil\u00eancio com esquemas pr\u00f3prios; o juiz que julga \u201cem nome da moral\u201d, mas negocia bastidores com grupos de interesse; o cidad\u00e3o que clama por justi\u00e7a, mas aplaude a arbitrariedade contra quem pensa diferente \u2014 todos encenam o drama da sombra projetada, incapazes de reconhecer suas pr\u00f3prias ambival\u00eancias.<\/p>\n<p>Jung alertava que, quando a sombra n\u00e3o \u00e9 integrada, ela domina o indiv\u00edduo de forma inconsciente. No coletivo, isso gera movimentos persecut\u00f3rios, polariza\u00e7\u00f5es extremas e um estado constante de guerra simb\u00f3lica, onde a busca por um inimigo externo substitui o enfrentamento das pr\u00f3prias contradi\u00e7\u00f5es. A pol\u00edtica torna se, assim, um teatro de purifica\u00e7\u00e3o ilus\u00f3ria, onde ningu\u00e9m se salva porque ningu\u00e9m olha para dentro.<\/p>\n<p>Esse conceito \u00e9 essencial para compreender n\u00e3o apenas o comportamento de certas lideran\u00e7as pol\u00edticas atuais, mas tamb\u00e9m explica o comportamento da massa que apoia essa estrat\u00e9gia, que facilmente transfere para o outro (o opositor, o corrupto, o traidor, o \u201cinimigo do povo\u201d) as falhas que se recusa a admitir em si mesma. Nesse ponto, a psicologia anal\u00edtica ensina que, se a sombra n\u00e3o for reconhecida, n\u00e3o haver\u00e1 amadurecimento nem no indiv\u00edduo nem na democracia. Como escreveu Jung, \u201cn\u00e3o se torna iluminado imaginando figuras de luz, mas tornando consciente a escurid\u00e3o\u201d.<\/p>\n<p>A associa\u00e7\u00e3o entre o conceito junguiano de sombra e a ret\u00f3rica pol\u00edtica \u201cacuse-os do que voc\u00ea faz\u201d \u2014 atribu\u00edda a t\u00e1ticas de propaganda de regimes autorit\u00e1rios e amplamente usada por setores da esquerda e da direita \u2014 revela uma opera\u00e7\u00e3o psicol\u00f3gica profunda: a proje\u00e7\u00e3o da sombra coletiva como estrat\u00e9gia de manipula\u00e7\u00e3o. A frase \u201cacuse-os do que voc\u00ea faz\u201d expressa bem essa t\u00e1tica em que o discurso se torna um espelho invertido: aquilo que \u00e9 praticado \u00e0s escondidas \u00e9 denunciado ruidosamente como sendo feito pelos outros. Essa invers\u00e3o tem um efeito duplo: confundir o debate p\u00fablico, deslocando o foco e dificultando a responsabiliza\u00e7\u00e3o. Proteger o ego coletivo, preservando a autoimagem moral do grupo.<\/p>\n<p>No campo contempor\u00e2neo de batalha, isso pode ser observado, por exemplo, quando: ataca-se o \u201cautoritarismo\u201d de advers\u00e1rios enquanto se tolera ou at\u00e9 promove o controle ideol\u00f3gico em institui\u00e7\u00f5es; denuncia-se \u201cgolpes\u201d e \u201camea\u00e7as \u00e0 democracia\u201d ao mesmo tempo em que se instrumentaliza o Judici\u00e1rio para fins pol\u00edticos; erige-se a bandeira da \u201ctoler\u00e2ncia\u201d, mas com pr\u00e1ticas intolerantes a vozes dissonantes. Essa estrat\u00e9gia torna-se ainda mais poderosa quando combinada com um discurso moralizante. A sombra projetada nos advers\u00e1rios n\u00e3o apenas justifica a pr\u00f3pria agressividade, como permite a\u00e7\u00f5es extremas em nome de uma suposta justi\u00e7a.<\/p>\n<p>Assim, a luta pol\u00edtica se transforma em uma guerra de exterm\u00ednio simb\u00f3lico, onde o outro n\u00e3o \u00e9 um advers\u00e1rio leg\u00edtimo, mas um reflexo do mal a ser eliminado. Quando a pol\u00edtica opera sob o dom\u00ednio da sombra, n\u00e3o h\u00e1 di\u00e1logo, apenas proje\u00e7\u00e3o. A verdade n\u00e3o importa, apenas a manuten\u00e7\u00e3o da imagem idealizada, ou as narrativas. E, como disse Jung, \u201cquanto maior a luz, maior a sombra\u201d. Quanto mais moralista o discurso, mais obscuras tendem a ser as inten\u00e7\u00f5es ocultas por tr\u00e1s dele.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>A frase que foi pronunciada:<\/strong><br \/>\n<em>\u201cConhe\u00e7a todas as teorias,\u00a0<\/em><em>domine todas as t\u00e9cnicas, mas\u00a0<\/em><em>ao tocar uma alma humana, seja\u00a0<\/em><em>apenas outra alma humana\u201d<\/em><br \/>\nCarl Jung<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Hist\u00f3ria de Bras\u00edlia<\/strong><br \/>\nChegaram ao edif\u00edcio do Minist\u00e9rio da Fazenda 12 malas e dois sacos cheios de processos, num total de quase 400 quilos. As pilhas aumentam e n\u00e3o h\u00e1 funcion\u00e1rios para os despachos rotineiros. <strong>(Publicado em 3\/5\/1962)<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>VISTO, LIDO E OUVIDO, criada desde 1960 por Ari Cunha (In memoriam) Hoje, com Circe Cunha e Mamfil \u2013 Manoel de Andrade jornalistacircecunha@gmail.com facebook.com\/vistolidoeouvido instagram.com\/vistolidoeouvido &nbsp; &nbsp; Quando a situa\u00e7\u00e3o pol\u00edtica decorrente de uma sequ\u00eancia sem fim de esc\u00e2ndalos que v\u00e3o vindo \u00e0 tona parece conduzir o pa\u00eds ao caos, as an\u00e1lises meramente pol\u00edticas j\u00e1 [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":34,"featured_media":25824,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"wpb_read_more":[],"footnotes":""},"categories":[23],"tags":[2337,2338,3940,2339,828,114,2340,51],"class_list":["post-25821","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-integra","tag-aricunha-2","tag-brasilia-2","tag-carljung","tag-circecunha-2","tag-democracia","tag-historiadebrasilia","tag-mamfil-2","tag-politica"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/25821","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-json\/wp\/v2\/users\/34"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=25821"}],"version-history":[{"count":3,"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/25821\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":25825,"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/25821\/revisions\/25825"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-json\/wp\/v2\/media\/25824"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=25821"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=25821"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=25821"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}