{"id":25848,"date":"2025-05-16T01:00:25","date_gmt":"2025-05-16T04:00:25","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/?p=25848"},"modified":"2025-05-16T17:52:46","modified_gmt":"2025-05-16T20:52:46","slug":"o-estado-profundo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/o-estado-profundo\/","title":{"rendered":"O Estado profundo"},"content":{"rendered":"<p>VISTO, LIDO E OUVIDO, criada desde 1960 por Ari Cunha (In memoriam)<\/p>\n<p>Hoje, com Circe Cunha e Mamfil \u2013 Manoel de Andrade<\/p>\n<p><a href=\"mailto:jornalistacircecunha@gmail.com\">jornalistacircecunha@gmail.com<\/a><\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/vistolidoeouvido?mibextid=ZbWKwL\">facebook.com\/vistolidoeouvido<\/a><\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/instagram.com\/vistolidoeouvido?igshid=YTQwZjQ0NmI0OA==\">instagram.com\/vistolidoeouvido<\/a><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<figure id=\"attachment_25514\" aria-describedby=\"caption-attachment-25514\" style=\"width: 560px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" wp-image-25514\" src=\"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2025\/03\/estado.png\" alt=\"\" width=\"560\" height=\"558\" srcset=\"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2025\/03\/estado.png 730w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2025\/03\/estado-150x150.png 150w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2025\/03\/estado-300x300.png 300w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2025\/03\/estado-550x548.png 550w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2025\/03\/estado-230x229.png 230w\" sizes=\"auto, (max-width: 560px) 100vw, 560px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-25514\" class=\"wp-caption-text\">Imagem: reprodu\u00e7\u00e3o da internet<\/figcaption><\/figure>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>No s\u00e9culo 21, apresenta-se a n\u00f3s a figura do deep state (estado profundo), como sendo a forma\u00e7\u00e3o de setores dentro do Estado e do governo que atuam para influenciar a ado\u00e7\u00e3o de pol\u00edticas p\u00fablicas por meio do uso do dinheiro p\u00fablico sem que, para isso, tenha jurisdi\u00e7\u00e3o ou qualquer outro mecanismo transparente que informe a na\u00e7\u00e3o sobre sua exist\u00eancia e o que vem realizando \u00e0 sombra da Constitui\u00e7\u00e3o e das leis.<\/p>\n<p>Como um governo paralelo, o deep state age longe do notici\u00e1rio e, normalmente, usa de seu poderio para influir politicamente dentro e fora de suas fronteiras, provocando queda e ascens\u00e3o de presidentes. O deep state prejudica a democracia interna e externa ao agir sem controle, colocando a quest\u00e3o da liberdade individual, cada vez mais, como uma utopia distante.<\/p>\n<p>N\u00e3o restam d\u00favidas de que esse novo fen\u00f4meno possa mudar totalmente nosso conceito atual do que seja democracia ou cidadania, uma vez que o Estado passa a sofrer influ\u00eancia de setores internos que, muitas vezes, contrariam frontalmente o desejo da maioria da popula\u00e7\u00e3o, que nada sabe sobre sua exist\u00eancia.<\/p>\n<p>Conceitualmente, deep state \u00e9 utilizado com frequ\u00eancia para descrever uma suposta estrutura paralela, dentro do aparato estatal, que atua \u00e0 margem da legalidade e da transpar\u00eancia institucional, influenciando decis\u00f5es de governo sem controle democr\u00e1tico ou supervis\u00e3o p\u00fablica. Embora a ideia carregue um peso conspirat\u00f3rio em muitos discursos, h\u00e1 elementos concretos que merecem an\u00e1lise s\u00e9ria, sobretudo no contexto da eros\u00e3o da confian\u00e7a p\u00fablica nas institui\u00e7\u00f5es democr\u00e1ticas.<\/p>\n<p>Esse termo ganhou for\u00e7a nos estudos pol\u00edticos e nas discuss\u00f5es p\u00fablicas ap\u00f3s eventos, como o esc\u00e2ndalo Ir\u00e3-Contras nos EUA, e \u00e9 amplamente associado ao funcionamento de burocracias permanentes, ag\u00eancias de intelig\u00eancia, for\u00e7as armadas e setores da elite econ\u00f4mica e midi\u00e1tica que manteriam poder mesmo com mudan\u00e7as de governo. Em alguns pa\u00edses, como Turquia e Egito, a ideia de um deep state se mostrou menos aleg\u00f3rica e mais concreta, com militares e servi\u00e7os secretos operando de forma aut\u00f4noma, inclusive contra o governo eleito.<\/p>\n<p>Nos Estados Unidos, por exemplo, ag\u00eancias como a CIA, a NSA ou o FBI foram acusadas de operar com alto grau de independ\u00eancia e, em determinados momentos hist\u00f3ricos, de interferir na pol\u00edtica externa e interna sem supervis\u00e3o efetiva do Congresso ou do Judici\u00e1rio.<\/p>\n<p>No contexto global, h\u00e1 evid\u00eancias de opera\u00e7\u00f5es de desestabiliza\u00e7\u00e3o de governos estrangeiros, como no Ir\u00e3 (1953), Chile (1973) e, mais recentemente, em pa\u00edses do Oriente M\u00e9dio. Tais a\u00e7\u00f5es s\u00e3o justificadas como estrat\u00e9gias de seguran\u00e7a nacional, mas levantam s\u00e9rias quest\u00f5es \u00e9ticas e democr\u00e1ticas. Um dos pontos centrais da cr\u00edtica ao deep state \u00e9 a aus\u00eancia de accountability, ou seja, de mecanismos de presta\u00e7\u00e3o de contas. Em democracias consolidadas, \u00e9 esperado que os \u00f3rg\u00e3os do Estado estejam sujeitos a controles institucionais \u2014 do Legislativo, do Judici\u00e1rio e da sociedade civil. Quando estruturas passam a operar fora dessas balizas, h\u00e1 um claro desvirtuamento do pacto democr\u00e1tico. Contudo, \u00e9 preciso cuidado ao usar o termo indiscriminadamente. Em muitos casos, o r\u00f3tulo de deep state serve para desacreditar institui\u00e7\u00f5es leg\u00edtimas ou justificar persegui\u00e7\u00f5es pol\u00edticas.<\/p>\n<p>Governos autorit\u00e1rios, por exemplo, costumam usar essa narrativa para enfraquecer Judici\u00e1rios independentes, imprensa livre ou \u00f3rg\u00e3os de investiga\u00e7\u00e3o. A cr\u00edtica final do seu texto aponta para um ponto sens\u00edvel: a liberdade individual. O uso de tecnologias de vigil\u00e2ncia, repress\u00e3o de dissid\u00eancias internas e manipula\u00e7\u00e3o da opini\u00e3o p\u00fablica \u00e9 mecanismo que, se empregado por entidades fora do controle democr\u00e1tico, realmente coloca em risco direitos fundamentais.<\/p>\n<p>A vigil\u00e2ncia em massa, como revelada por Edward Snowden, mostra que, mesmo em democracias ocidentais, os limites entre seguran\u00e7a e liberdade t\u00eam sido tensionados. A quest\u00e3o que nos interessa \u00e9 saber qual a extens\u00e3o e a atua\u00e7\u00e3o do Estado profundo no governo e na m\u00e1quina p\u00fablica brasileira. Quem s\u00e3o seus protagonistas? Quanto custa esse governo paralelo aos cofres p\u00fablicos? Perguntas e respostas suspensas no ar.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>A frase que foi pronunciada:<\/strong><br \/>\n<em>\u201cNo fundo, s\u00f3 h\u00e1 duas pol\u00edticas:\u00a0<\/em><em>a pol\u00edtica de governo e a\u00a0<\/em><em>pol\u00edtica de oposi\u00e7\u00e3o.\u201d<\/em><br \/>\nJoaquim Nabuco<\/p>\n<figure id=\"attachment_15954\" aria-describedby=\"caption-attachment-15954\" style=\"width: 342px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-15954\" src=\"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2020\/02\/Joaquim-Nabuco.jpg\" alt=\"\" width=\"342\" height=\"465\" srcset=\"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2020\/02\/Joaquim-Nabuco.jpg 342w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2020\/02\/Joaquim-Nabuco-221x300.jpg 221w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2020\/02\/Joaquim-Nabuco-257x350.jpg 257w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2020\/02\/Joaquim-Nabuco-230x313.jpg 230w\" sizes=\"auto, (max-width: 342px) 100vw, 342px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-15954\" class=\"wp-caption-text\">Foto: camara.leg<\/figcaption><\/figure>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Hist\u00f3ria de Bras\u00edlia<\/strong><br \/>\nN\u00e3o tenho interesse em agradar a classes ou a pessoas. Temos procurado informar os leitores sobre o que ocorre na cidade, e sempre procuramos reproduzir nesta coluna a repress\u00e3o dos acontecimentos de Bras\u00edlia.\u00a0<strong>(Publicada em 3\/5\/1962)<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>VISTO, LIDO E OUVIDO, criada desde 1960 por Ari Cunha (In memoriam) Hoje, com Circe Cunha e Mamfil \u2013 Manoel de Andrade jornalistacircecunha@gmail.com facebook.com\/vistolidoeouvido instagram.com\/vistolidoeouvido &nbsp; &nbsp; No s\u00e9culo 21, apresenta-se a n\u00f3s a figura do deep state (estado profundo), como sendo a forma\u00e7\u00e3o de setores dentro do Estado e do governo que atuam para [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":34,"featured_media":25514,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"wpb_read_more":[],"footnotes":""},"categories":[23],"tags":[2337,2338,2339,3866,2153,114,2340],"class_list":["post-25848","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-integra","tag-aricunha-2","tag-brasilia-2","tag-circecunha-2","tag-deepstate","tag-estado","tag-historiadebrasilia","tag-mamfil-2"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/25848","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-json\/wp\/v2\/users\/34"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=25848"}],"version-history":[{"count":4,"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/25848\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":25855,"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/25848\/revisions\/25855"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-json\/wp\/v2\/media\/25514"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=25848"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=25848"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=25848"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}