{"id":25852,"date":"2025-05-17T01:00:35","date_gmt":"2025-05-17T04:00:35","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/?p=25852"},"modified":"2025-05-21T13:57:10","modified_gmt":"2025-05-21T16:57:10","slug":"a-batina-de-sao-pedro","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/a-batina-de-sao-pedro\/","title":{"rendered":"A batina de S\u00e3o Pedro"},"content":{"rendered":"<p>VISTO, LIDO E OUVIDO, criada desde 1960 por Ari Cunha (In memoriam)<\/p>\n<p>Hoje, com Circe Cunha e Mamfil \u2013 Manoel de Andrade<\/p>\n<p><a href=\"mailto:jornalistacircecunha@gmail.com\">jornalistacircecunha@gmail.com<\/a><\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/vistolidoeouvido?mibextid=ZbWKwL\">facebook.com\/vistolidoeouvido<\/a><\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/instagram.com\/vistolidoeouvido?igshid=YTQwZjQ0NmI0OA==\">instagram.com\/vistolidoeouvido<\/a><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<figure id=\"attachment_25857\" aria-describedby=\"caption-attachment-25857\" style=\"width: 570px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" wp-image-25857\" src=\"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2025\/05\/banco.png\" alt=\"\" width=\"570\" height=\"318\" srcset=\"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2025\/05\/banco.png 743w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2025\/05\/banco-300x167.png 300w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2025\/05\/banco-550x306.png 550w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2025\/05\/banco-230x128.png 230w\" sizes=\"auto, (max-width: 570px) 100vw, 570px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-25857\" class=\"wp-caption-text\">Torre Nicolau V, sede do IOR. Foto: vaticannews.va<\/figcaption><\/figure>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Um ladr\u00e3o de banco, ao fugir da persegui\u00e7\u00e3o policial, teve que escolher, de imediato, entre se esconder dentro de um bar cheio de fregueses ou se abrigar debaixo da batina de um padre parado na esquina. Escolheu se esconder debaixo da batina. O padre, surpreendido com a coragem do fugitivo, transformou-se numa est\u00e1tua p\u00e1lida, de tanto medo. A pol\u00edcia vasculhou o bar e nada encontrou. Viu o padre e seguiu adiante sem suspeitar de nada. Essa pequena f\u00e1bula \u2014 do ladr\u00e3o que, fugindo da pol\u00edcia, escolhe se esconder debaixo da batina de um padre ao inv\u00e9s de se misturar \u00e0 multid\u00e3o em um bar \u2014 serve como met\u00e1fora poderosa e cr\u00edtica ao papel que o Instituto para as Obras de Religi\u00e3o (IOR), o chamado banco do Vaticano, desempenhou, historicamente, no sistema financeiro global.<\/p>\n<p>A batina, como met\u00e1fora do ref\u00fagio perfeito, revela a ast\u00facia do ladr\u00e3o, pois ele n\u00e3o escolhe o \u00f3bvio (um bar cheio de gente), mas o lugar onde ningu\u00e9m ousaria procurar \u2014 o s\u00edmbolo da moralidade, da f\u00e9, da retid\u00e3o.<\/p>\n<p>Assim, tamb\u00e9m, durante d\u00e9cadas, corruptos, ditadores e mafiosos enxergaram o banco do Vaticano como o esconderijo ideal para seu dinheiro il\u00edcito. Tr\u00eas seriam os motivos dessa prefer\u00eancia: primeiro, a imunidade jur\u00eddica e a soberania do Vaticano, como Estado independente, seu banco n\u00e3o est\u00e1 sujeito \u00e0s mesmas exig\u00eancias de transpar\u00eancia impostas a institui\u00e7\u00f5es financeiras internacionais. N\u00e3o h\u00e1 obriga\u00e7\u00e3o de divulgar benefici\u00e1rios de contas ou de cooperar prontamente com investiga\u00e7\u00f5es estrangeiras. Tem ainda a reputa\u00e7\u00e3o de santidade e da imagem p\u00fablica da Igreja, historicamente, associada \u00e0 caridade, moralidade e neutralidade.<\/p>\n<p>Gra\u00e7as a esse prest\u00edgio, pode oferecer uma \u201ccapa de invisibilidade\u201d. Assim, como a pol\u00edcia passou pelo padre sem desconfiar, autoridades fiscais e investigadores, dificilmente, olhavam para o Vaticano como c\u00famplice financeiro perfeito para o crime. H\u00e1 ainda o uso de ordens religiosas e funda\u00e7\u00f5es como fachada. Assim, como o ladr\u00e3o esconde-se sob o s\u00edmbolo da f\u00e9, dinheiro sujo foi camuflado sob o disfarce de obras religiosas, ONGs mission\u00e1rias e funda\u00e7\u00f5es de caridade. Muitas dessas eram, na pr\u00e1tica, estruturas de fachada para lavar recursos provenientes de corrup\u00e7\u00e3o, tr\u00e1fico ou desvios estatais.<\/p>\n<p>O Banco do Vaticano possu\u00eda assim uma esp\u00e9cie de cofre intocado. Durante o s\u00e9culo XX \u2014 sobretudo nos anos 1970 a 1990 \u2014, o IOR acolheu contas secretas, blindadas por nomes de congrega\u00e7\u00f5es ou intermedi\u00e1rios que movimentavam, al\u00e9m de dinheiro vindo de regimes militares na Am\u00e9rica Latina, os fundos desviados por pol\u00edticos corruptos na It\u00e1lia e Europa Oriental, bem como riquezas acumuladas por mafias sicilianas e bancos privados falidos (casos Roberto Calvi e Michele Sindona). Com isso, a f\u00e1bula do ladr\u00e3o mostra que a batina protege. At\u00e9 recentemente, essa prote\u00e7\u00e3o era real e eficaz \u2014 nenhuma pol\u00edcia internacional ousava levantar a batina de S\u00e3o Pedro.<\/p>\n<p>O padre, ao se transformar numa est\u00e1tua de tanto medo, mostra um retrato do desconforto institucional, ante uma situa\u00e7\u00e3o que mais cedo ou mais tarde prejudicaria o Estado do Vaticano e a pr\u00f3pria Igreja Cat\u00f3lica. Quando, nos \u00faltimos anos, vieram, \u00e0 tona, esc\u00e2ndalos financeiros e press\u00f5es externas por transpar\u00eancia, setores do Vaticano se paralisaram: chantageados por arquivos internos, expostos por vazamentos (como VatiLeaks), e divididos entre reformas e autoprote\u00e7\u00e3o. Mas eis que o Papa resolve levantar a batina. Com a elei\u00e7\u00e3o do Papa Francisco, houve um esfor\u00e7o concreto e in\u00e9dito de limpar esse esconderijo. Para tanto, ele empreendeu o fechamento de centenas de contas fantasmas no IOR; fez reformas estruturais no sistema financeiro do vaticano, com a cria\u00e7\u00e3o da Autoridade de Informa\u00e7\u00e3o Financeira (AIF); tamb\u00e9m pediu ajuda e coopera\u00e7\u00e3o com o Moneyval (FMI europeu de combate \u00e0 lavagem). Por fim, levou, ao cabo, uma persegui\u00e7\u00e3o judicial interna, como no caso do Cardeal Becciu. Francisco fez o que a pol\u00edcia da f\u00e1bula n\u00e3o fez: olhou sob a batina.<\/p>\n<p>A reforma iniciada por Francisco foi, e ainda \u00e9, uma tentativa corajosa de transformar uma est\u00e1tua de pedra em um corpo vivo e transparente \u2014 mas enfrenta resist\u00eancia, in\u00e9rcia e a heran\u00e7a de d\u00e9cadas de sil\u00eancio. Ao levantar a batina de S\u00e3o Pedro, a Igreja pode, enfim, olhar para dentro de si.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>A frase que foi pronunciada:<\/strong><\/p>\n<p><em>\u201cMister ressaltar que o crime de branqueamento de capitais \u00e9 de tipo misto ou conte\u00fado variado, de modo que a pr\u00e1tica de qualquer das condutas (oculta\u00e7\u00e3o, dissimula\u00e7\u00e3o ou integra\u00e7\u00e3o) configura o crime.\u201d<\/em><\/p>\n<p>Badar\u00f3 e Bottini<\/p>\n<figure id=\"attachment_25858\" aria-describedby=\"caption-attachment-25858\" style=\"width: 555px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" wp-image-25858\" src=\"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2025\/05\/dinheiro.png\" alt=\"\" width=\"555\" height=\"287\" srcset=\"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2025\/05\/dinheiro.png 694w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2025\/05\/dinheiro-300x155.png 300w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2025\/05\/dinheiro-550x285.png 550w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2025\/05\/dinheiro-230x119.png 230w\" sizes=\"auto, (max-width: 555px) 100vw, 555px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-25858\" class=\"wp-caption-text\">Ilustra\u00e7\u00e3o: jusbrasil.com<\/figcaption><\/figure>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Bem feito<\/strong><\/p>\n<p>Um sinal mais inteligente na L2 Norte, altura da 16, sentido norte\/sul. Agora, se o caminho estiver livre para a L2, basta pegar a pista da direita. Quem for seguir para a Avenida das Na\u00e7\u00f5es aguarda o sinal.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Manuten\u00e7\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p>Depois de tantos transtornos para recuperar o asfalto na ponte do Bragueto, \u00e9 poss\u00edvel ver caminh\u00f5es enormes passando por ali. Falta fiscaliza\u00e7\u00e3o!<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Hist\u00f3ria de Bras\u00edlia<\/strong><\/p>\n<p>Esta nota vem a prop\u00f3sito de telefonemas que temos recebido sobre a greve dos profess\u00f4res. A invas\u00e3o foi uma li\u00e7\u00e3o ao BNDE mas a greve foi uma l\u00e1stima. A cidade t\u00f4da comoveu-se com a situa\u00e7\u00e3o dos profess\u00f4res, mas recebeu com muita reserva o movimento grevista. <strong>(Publicada em 04.05.1962)<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>VISTO, LIDO E OUVIDO, criada desde 1960 por Ari Cunha (In memoriam) Hoje, com Circe Cunha e Mamfil \u2013 Manoel de Andrade jornalistacircecunha@gmail.com facebook.com\/vistolidoeouvido instagram.com\/vistolidoeouvido &nbsp; &nbsp; Um ladr\u00e3o de banco, ao fugir da persegui\u00e7\u00e3o policial, teve que escolher, de imediato, entre se esconder dentro de um bar cheio de fregueses ou se abrigar debaixo [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":34,"featured_media":25857,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"wpb_read_more":[],"footnotes":""},"categories":[23],"tags":[2337,3945,2338,2339,114,2694,2340,1552],"class_list":["post-25852","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-integra","tag-aricunha-2","tag-bancodovaticano","tag-brasilia-2","tag-circecunha-2","tag-historiadebrasilia","tag-lavagemdedinheiro","tag-mamfil-2","tag-papafrancisco"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/25852","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-json\/wp\/v2\/users\/34"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=25852"}],"version-history":[{"count":4,"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/25852\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":25859,"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/25852\/revisions\/25859"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-json\/wp\/v2\/media\/25857"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=25852"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=25852"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=25852"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}