{"id":25910,"date":"2025-05-29T01:00:10","date_gmt":"2025-05-29T04:00:10","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/?p=25910"},"modified":"2025-05-29T14:33:32","modified_gmt":"2025-05-29T17:33:32","slug":"brasilia-e-o-sonho-que-persiste-no-concreto","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/brasilia-e-o-sonho-que-persiste-no-concreto\/","title":{"rendered":"Bras\u00edlia e o sonho que persiste no concreto"},"content":{"rendered":"<p>VISTO, LIDO E OUVIDO, criada desde 1960 por Ari Cunha (In memoriam)<\/p>\n<p>Hoje, com Circe Cunha e Mamfil \u2013 Manoel de Andrade<\/p>\n<p><a href=\"mailto:jornalistacircecunha@gmail.com\">jornalistacircecunha@gmail.com<\/a><\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/vistolidoeouvido?mibextid=ZbWKwL\">facebook.com\/vistolidoeouvido<\/a><\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/instagram.com\/vistolidoeouvido?igshid=YTQwZjQ0NmI0OA==\">instagram.com\/vistolidoeouvido<\/a><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<figure id=\"attachment_25914\" aria-describedby=\"caption-attachment-25914\" style=\"width: 598px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" wp-image-25914\" src=\"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2025\/05\/bsb.png\" alt=\"\" width=\"598\" height=\"332\" srcset=\"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2025\/05\/bsb.png 943w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2025\/05\/bsb-300x166.png 300w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2025\/05\/bsb-768x426.png 768w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2025\/05\/bsb-800x444.png 800w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2025\/05\/bsb-550x305.png 550w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2025\/05\/bsb-230x128.png 230w\" sizes=\"auto, (max-width: 598px) 100vw, 598px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-25914\" class=\"wp-caption-text\">Centro de Bras\u00edlia: Foto: reprodu\u00e7\u00e3o da internet<\/figcaption><\/figure>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>H\u00e1 cidades que apenas crescem, e h\u00e1 cidades que carregam consigo a voca\u00e7\u00e3o de pensar o mundo. Bras\u00edlia, com todas as suas contradi\u00e7\u00f5es, pertence ao segundo grupo. Desde o primeiro risco no papel de Lucio Costa at\u00e9 a \u00faltima curva branca tra\u00e7ada por Niemeyer, a capital federal jamais foi apenas um conjunto de edif\u00edcios \u2014 foi ideia, gesto simb\u00f3lico, tentativa. Agora, mais uma vez, ela se prepara para sediar uma conversa sobre o futuro. Nessa \u00faltima ter\u00e7a-feira (27), o Conselho Regional de Engenharia e Agronomia (Crea-DF) foi palco do lan\u00e7amento da 4\u00aa edi\u00e7\u00e3o do F\u00f3rum Mundial Niemeyer, um evento que convidou arquitetos, urbanistas, engenheiros, juristas e pensadores a discutirem os rumos da cidade contempor\u00e2nea.<\/p>\n<p>A proposta n\u00e3o poderia encontrar cen\u00e1rio mais sugestivo. Bras\u00edlia \u00e9, ao mesmo tempo, modelo e advert\u00eancia. Seu desenho monumental, pensado para projetar a racionalidade administrativa do pa\u00eds, convive com os desafios reais de uma metr\u00f3pole desigual e fragmentada. Ela inspira tanto quanto desconcerta. Talvez por isso, a escolha da capital para dar in\u00edcio \u00e0s reflex\u00f5es do F\u00f3rum carrega mais do que valor simb\u00f3lico \u2014 \u00e9 um convite a revisitar as promessas do passado \u00e0 luz das urg\u00eancias do presente.<\/p>\n<p>Nesta edi\u00e7\u00e3o, o tema gira em torno das \u201ccidades do futuro e da sociedade\u201d. E se h\u00e1 algo que o Brasil precisa cultivar \u00e9 a capacidade de imaginar futuros. Falar de urbanismo, hoje, n\u00e3o \u00e9 apenas tratar de infraestrutura, mas de conviv\u00eancia, bem-estar, pertencimento. \u00c9 discutir como o espa\u00e7o molda rela\u00e7\u00f5es e como as decis\u00f5es t\u00e9cnicas podem \u2014 e devem \u2014 dialogar com as demandas humanas. A presen\u00e7a do ministro Gilmar Mendes, por exemplo, empossado como vice-presidente de honra do Instituto Niemeyer, refor\u00e7a essa interse\u00e7\u00e3o entre o urbano e o jur\u00eddico, entre forma e norma, entre ch\u00e3o e institui\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Mas n\u00e3o se trata de um f\u00f3rum voltado apenas \u00e0 elite t\u00e9cnica ou acad\u00eamica. O gesto de tornar o evento gratuito e aberto ao p\u00fablico (ainda que com vagas limitadas) sinaliza o desejo de incluir a sociedade nessa conversa. Uma cidade justa come\u00e7a por uma cidade que escuta. E o F\u00f3rum, com seu esp\u00edrito de encontro e troca, oferece uma rara oportunidade de pensar a cidade como bem comum, como constru\u00e7\u00e3o coletiva e n\u00e3o apenas obra finalizada.<\/p>\n<p>\u00c9 f\u00e1cil esquecer, diante dos impasses da pol\u00edtica ou da pressa cotidiana, que a cidade em que vivemos \u00e9 tamb\u00e9m uma narrativa. Cada pra\u00e7a, cada viaduto, cada eixo ou sombra projetada conta uma hist\u00f3ria sobre quem fomos e quem gostar\u00edamos de ser. E Bras\u00edlia, com sua monumentalidade quase on\u00edrica, ainda provoca a imagina\u00e7\u00e3o coletiva. Nela, o urbanismo flerta com a utopia, a engenharia conversa com o direito e a arquitetura tenta, \u00e0s vezes com sucesso, \u00e0s vezes com descompasso, desenhar uma ideia de pa\u00eds.<\/p>\n<p>Eventos da magnitude e da relev\u00e2ncia do F\u00f3rum Mundial Niemeyer talvez n\u00e3o possam solucionar magicamente todos os intrincados dilemas que afligem as cidades contempor\u00e2neas \u2014 as persistentes desigualdades socioespaciais, os desafios ambientais que clamam por solu\u00e7\u00f5es urgentes, as complexas quest\u00f5es de mobilidade e acessibilidade, entre tantos outros. Contudo, sua import\u00e2ncia reside precisamente em nos recordar, de maneira contundente, da necessidade inadi\u00e1vel de manter acesa a chama da indaga\u00e7\u00e3o, de continuar formulando as perguntas essenciais que nos impelem a refletir criticamente sobre o espa\u00e7o que habitamos e que molda nossas vidas. Como conciliar a imperiosa necessidade de preservar a identidade singular de nossos centros urbanos com as inevit\u00e1veis din\u00e2micas da mudan\u00e7a e da inova\u00e7\u00e3o? Como promover um crescimento urbano que seja simultaneamente sustent\u00e1vel e inclusivo sem obliterar as marcas significativas do que j\u00e1 existe, da hist\u00f3ria inscrita em cada rua e em cada edif\u00edcio?<\/p>\n<p>Em tempos particularmente suscet\u00edveis \u00e0 preval\u00eancia do pragmatismo e \u00e0 atra\u00e7\u00e3o pela tecnocracia como solu\u00e7\u00e3o universal, a capacidade de formular essas perguntas e de manter vivo o debate sobre os rumos do urbanismo representa, em si mesma, uma demonstra\u00e7\u00e3o de resist\u00eancia intelectual, uma afirma\u00e7\u00e3o da import\u00e2ncia da reflex\u00e3o cr\u00edtica e da vis\u00e3o de longo prazo na constru\u00e7\u00e3o de um futuro urbano mais promissor e equitativo.<\/p>\n<p>Talvez seja esse o legado mais importante de Niemeyer: a recusa em ver o espa\u00e7o como mera fun\u00e7\u00e3o, e o insistente convite a enxergar beleza, simbolismo e pol\u00edtica no desenho das coisas. Bras\u00edlia ainda carrega essa centelha. Que o F\u00f3rum a reacenda \u2014 com ideias, n\u00e3o apenas homenagens.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>A frase que foi pronunciada:<\/strong><br \/>\n<em>&#8220;Um cientista que tamb\u00e9m \u00e9 um ser humano n\u00e3o deve descansar enquanto o conhecimento que pode reduzir o sofrimento repousa em uma estante&#8221;.<\/em><br \/>\nAlbert Sabin<\/p>\n<figure id=\"attachment_19352\" aria-describedby=\"caption-attachment-19352\" style=\"width: 518px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" wp-image-19352\" src=\"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2021\/06\/Einsten.jpg\" alt=\"\" width=\"518\" height=\"314\" srcset=\"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2021\/06\/Einsten.jpg 676w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2021\/06\/Einsten-300x182.jpg 300w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2021\/06\/Einsten-550x333.jpg 550w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2021\/06\/Einsten-230x139.jpg 230w\" sizes=\"auto, (max-width: 518px) 100vw, 518px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-19352\" class=\"wp-caption-text\">Albert Einsten. Foto: Arthur Sasse\/Nate D Sanders Auctions\/Reprodu\u00e7\u00e3o<\/figcaption><\/figure>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Hist\u00f3ria de Bras\u00edlia<\/strong><br \/>\nOs pais dos alunos residentes nas casas da Caixa Econ\u00f4mica est\u00e3o apavorados com a s\u00e9rie de desastres ocorridos na W3 e pedem um guarda para ajudar as crian\u00e7as na travessia daquela avenida. <strong>(Publicado em 04\/05\/1962)<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>VISTO, LIDO E OUVIDO, criada desde 1960 por Ari Cunha (In memoriam) Hoje, com Circe Cunha e Mamfil \u2013 Manoel de Andrade jornalistacircecunha@gmail.com facebook.com\/vistolidoeouvido instagram.com\/vistolidoeouvido &nbsp; &nbsp; H\u00e1 cidades que apenas crescem, e h\u00e1 cidades que carregam consigo a voca\u00e7\u00e3o de pensar o mundo. Bras\u00edlia, com todas as suas contradi\u00e7\u00f5es, pertence ao segundo grupo. 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