{"id":25942,"date":"2025-06-07T01:00:43","date_gmt":"2025-06-07T04:00:43","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/?p=25942"},"modified":"2025-06-09T16:08:56","modified_gmt":"2025-06-09T19:08:56","slug":"a-forca-da-novilingua","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/a-forca-da-novilingua\/","title":{"rendered":"A for\u00e7a da novil\u00edngua"},"content":{"rendered":"<p>VISTO, LIDO E OUVIDO, criada desde 1960 por Ari Cunha (In memoriam)<\/p>\n<p>Hoje, com Circe Cunha e Mamfil \u2013 Manoel de Andrade<\/p>\n<p><a href=\"mailto:jornalistacircecunha@gmail.com\">jornalistacircecunha@gmail.com<\/a><\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/vistolidoeouvido?mibextid=ZbWKwL\">facebook.com\/vistolidoeouvido<\/a><\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/instagram.com\/vistolidoeouvido?igshid=YTQwZjQ0NmI0OA==\">instagram.com\/vistolidoeouvido<\/a><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<figure id=\"attachment_25946\" aria-describedby=\"caption-attachment-25946\" style=\"width: 461px\" class=\"wp-caption alignleft\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" wp-image-25946\" src=\"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2025\/06\/lula.png\" alt=\"\" width=\"461\" height=\"460\" srcset=\"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2025\/06\/lula.png 724w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2025\/06\/lula-150x150.png 150w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2025\/06\/lula-300x300.png 300w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2025\/06\/lula-550x549.png 550w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2025\/06\/lula-230x230.png 230w\" sizes=\"auto, (max-width: 461px) 100vw, 461px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-25946\" class=\"wp-caption-text\">Charge do Schmoch para a Revista Oeste<\/figcaption><\/figure>\n<p>Em termos m\u00e9dicos, a anemia (CID 10) \u00e9 uma condi\u00e7\u00e3o patol\u00f3gica em que o corpo apresenta uma sens\u00edvel redu\u00e7\u00e3o na capacidade de transportar oxig\u00eanio para o organismo. Geralmente, esse fator ocorre por falta de hemoglobina ou de gl\u00f3bulos vermelhos. Os sintomas dessa condi\u00e7\u00e3o incluem fraqueza, lentid\u00e3o, apatia e baixa resist\u00eancia \u2014 caracter\u00edsticas que, levadas para o campo pol\u00edtico e institucional do momento, podem descrever, com certa clareza m\u00e9dica, um pa\u00eds com institui\u00e7\u00f5es enfraquecidas, democracia esvaziada e, sobretudo, pouca capacidade de rea\u00e7\u00e3o da sociedade civil.<\/p>\n<p>No campo da ci\u00eancia pol\u00edtica, esse termo tem sido cada vez mais utilizado, principalmente, quando se verifica um decl\u00ednio acelerado do pa\u00eds em todas as \u00e1reas, na economia, e com todos seus desdobramentos para a sociedade, que a tudo assiste com um misto de medo e impassividade, s\u00e3o os primeiros passos para uma outra enfermidade pol\u00edtica, dessa vez com a grafia parecida: a anomia, conforme descrito tanto no pensamento de Durkheim quanto de Merton,\u00a0\u201cexplora a desintegra\u00e7\u00e3o social e as consequ\u00eancias para o comportamento individual\u201d ou seja, sem lei, sem normas.<\/p>\n<p>Anemia institucional incide em todo o aparelho de Estado, com \u00f3rg\u00e3os de controle e equil\u00edbrio de poder (como o Legislativo e o Judici\u00e1rio) apresentam baixa vitalidade e autonomia, funcionando de forma pouco responsiva ou servil ao Executivo ou ao STF. Isso \u00e9 um fato. O desequil\u00edbrio dos Poderes \u00e9 outro. Por sua vez, a anemia c\u00edvica, como demonstrada pela sociedade civil, apresenta um quadro de apatia ou cansa\u00e7o, com baixo engajamento dos cidad\u00e3os, talvez por descren\u00e7a na efic\u00e1cia das institui\u00e7\u00f5es ou, simplesmente, por medo da repress\u00e3o simb\u00f3lica e legal. A anemia democr\u00e1tica vem a seguir, com o processo democr\u00e1tico perdendo sua subst\u00e2ncia, o pluralismo de ideias sendo sufocado. E a\u00ed por diante.<\/p>\n<p>Da\u00ed, decorrem os processos de imposi\u00e7\u00e3o de regras do novo jogo pol\u00edtico, todos orientados para favorecer um projeto de poder. Nessa altura dos acontecimentos, a Constitui\u00e7\u00e3o \u00e9 substitu\u00edda por uma nov\u00edssima interpreta\u00e7\u00e3o, uma \u201cnovil\u00edngua\u201d com sentido pr\u00f3prio.<\/p>\n<p>Como ocorre com a instala\u00e7\u00e3o de toda doen\u00e7a perigosa, a anemia do Estado ir\u00e1 nos conduzir a um fechamento pol\u00edtico lento e gradual. Diferente da express\u00e3o ecoada pela ditadura militar, que falava em redemocratiza\u00e7\u00e3o \u201clenta, gradual e segura\u201d, e que visava repor o pa\u00eds nos trilhos da normalidade pol\u00edtica, o lento fechamento, que se assiste agora, nos leva no caminho inverso, em dire\u00e7\u00e3o, talvez, a uma esp\u00e9cie de comunismo dos anos cinquenta.<\/p>\n<p>Essa cr\u00edtica vem ganhando for\u00e7a entre analistas pol\u00edticos, especialmente da direita e do centro-direita, diante de certos movimentos de concentra\u00e7\u00e3o de poder. O papel do Executivo, no caso do governo Lula, mostra em que dire\u00e7\u00e3o vamos. O governo tem buscado centralizar decis\u00f5es, principalmente, por meio de medidas provis\u00f3rias e uso intenso de decretos. Paralelo a esse novo e obsoleto modelo, vamos presenciando a ocupa\u00e7\u00e3o de cargos-chave por figuras ideologicamente alinhadas (ex: Funda\u00e7\u00e3o Palmares, Ancine, ag\u00eancias reguladoras, Petrobras) \u00e9 vista por cr\u00edticos como efetivo aparelhamento do Estado.<\/p>\n<p>A reforma econ\u00f4mica e social segue com seu conhecido vi\u00e9s estatizante. Sem estatais, a exist\u00eancia de grupos pol\u00edticos dessa natureza ideol\u00f3gica \u00e9 invi\u00e1vel. A reindustrializa\u00e7\u00e3o, promovida via BNDES e estatais pode ser vista como um retorno \u00e0 pol\u00edtica desenvolvimentista, t\u00edpica dos modelos falidos de governos passados. A retomada de programas como o PAC, com pouca transpar\u00eancia na execu\u00e7\u00e3o em alguns casos, demonstra esse modelo estatista. As narrativas manique\u00edstas passam a fazer parte do cotidiano desses grupos. Veja o caso de declara\u00e7\u00f5es de autoridades dos aliados que tratam a oposi\u00e7\u00e3o como &#8220;inimigos da democracia&#8221; ou &#8220;terroristas&#8221; ou, simplesmente, extrema-direita, indicando assim um endurecimento discursivo.<\/p>\n<p>Nesse banz\u00e9 caboclo, o papel do STF \u00e9 fundamental como \u201cpoder garantidor\u201d, expandido sua atua\u00e7\u00e3o. O Supremo tem exercido um papel central na media\u00e7\u00e3o da pol\u00edtica, mesclando compet\u00eancias do Legislativo em assuntos como criminaliza\u00e7\u00e3o de condutas, decis\u00f5es sobre tributos, aborto, drogas e outros. Ministros do Supremo assumiram protagonismo in\u00e9dito, especialmente em temas ligados \u00e0 seguran\u00e7a institucional, desinforma\u00e7\u00e3o e censura.<\/p>\n<p>No\u00a0 caso do relacionamento estreito entre o Executivo e o Judici\u00e1rio, o que se observa \u00e9 a forma\u00e7\u00e3o de uma esp\u00e9cie de cons\u00f3rcio simbi\u00f3tico colocando o sistema de freios e contrapesos em perigo. A uni\u00e3o desses poderes como est\u00e1 \u00e9 um fen\u00f4meno, para dizer o m\u00ednimo, at\u00edpico e preocupante. Na sua origem, a atual crise institucional tem, na indica\u00e7\u00e3o e escolha de ministros para a alta Corte, seu fator prim\u00e1rio e fundamental, trazendo, para dentro do judici\u00e1rio, os ventos malcheirosos de ideologias pol\u00edticas.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>A frase que foi pronunciada:<\/strong><\/p>\n<p><em>Numa ditadura, n\u00e3o daria para fazer uma passeata pela democracia. Na democracia, voc\u00ea pode fazer uma passeata pedindo a ditadura.<\/em><\/p>\n<p>Mario Sergio Cortella<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Hist\u00f3ria de Bras\u00edlia<\/strong><\/p>\n<p>Isso quer dizer: h\u00e1 profess\u00f4ras que alugaram seus apartamentos e foram morar coletivamente com outras companheiras. H\u00e1 profess\u00f4ras que casaram, residem no apartamento do esposo e alugaram o apartamento que lhe foi destinado. <strong>(Publicada em 05.05.1962)<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>VISTO, LIDO E OUVIDO, criada desde 1960 por Ari Cunha (In memoriam) Hoje, com Circe Cunha e Mamfil \u2013 Manoel de Andrade jornalistacircecunha@gmail.com facebook.com\/vistolidoeouvido instagram.com\/vistolidoeouvido &nbsp; Em termos m\u00e9dicos, a anemia (CID 10) \u00e9 uma condi\u00e7\u00e3o patol\u00f3gica em que o corpo apresenta uma sens\u00edvel redu\u00e7\u00e3o na capacidade de transportar oxig\u00eanio para o organismo. 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