{"id":25961,"date":"2025-06-13T01:00:56","date_gmt":"2025-06-13T04:00:56","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/?p=25961"},"modified":"2025-06-13T17:52:24","modified_gmt":"2025-06-13T20:52:24","slug":"por-onde-anda-a-consciencia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/por-onde-anda-a-consciencia\/","title":{"rendered":"Por onde anda a consci\u00eancia"},"content":{"rendered":"<p>VISTO, LIDO E OUVIDO, criada desde 1960 por Ari Cunha (In memoriam)<\/p>\n<p>Hoje, com Circe Cunha e Mamfil \u2013 Manoel de Andrade<\/p>\n<p><a href=\"mailto:jornalistacircecunha@gmail.com\">jornalistacircecunha@gmail.com<\/a><\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/vistolidoeouvido?mibextid=ZbWKwL\">facebook.com\/vistolidoeouvido<\/a><\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/instagram.com\/vistolidoeouvido?igshid=YTQwZjQ0NmI0OA==\">instagram.com\/vistolidoeouvido<\/a><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<figure id=\"attachment_25965\" aria-describedby=\"caption-attachment-25965\" style=\"width: 773px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" wp-image-25965\" src=\"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2025\/06\/moralidade.jpeg\" alt=\"\" width=\"773\" height=\"254\" srcset=\"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2025\/06\/moralidade.jpeg 1082w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2025\/06\/moralidade-300x99.jpeg 300w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2025\/06\/moralidade-768x253.jpeg 768w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2025\/06\/moralidade-1024x337.jpeg 1024w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2025\/06\/moralidade-800x263.jpeg 800w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2025\/06\/moralidade-550x181.jpeg 550w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2025\/06\/moralidade-230x76.jpeg 230w\" sizes=\"auto, (max-width: 773px) 100vw, 773px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-25965\" class=\"wp-caption-text\">Tirinha: stonetoss.com<\/figcaption><\/figure>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Entre as v\u00e1rias facetas que possibilitaram a ascens\u00e3o do ser humano ao patamar civilizat\u00f3rio \u2014 juntamente com o dom\u00ednio da agricultura, do fogo, est\u00e1 o culto aos antepassados. Tal pr\u00e1tica, longe de ser mero resqu\u00edcio de um passado obscuro e supersticioso, constitui uma das express\u00f5es mais profundas da consci\u00eancia hist\u00f3rica e da proje\u00e7\u00e3o do ser humano no tempo.<\/p>\n<p>Comum a todas as civiliza\u00e7\u00f5es antigas, o ritual de celebra\u00e7\u00e3o e rememora\u00e7\u00e3o dos entes falecidos constituiu-se em um dos pilares que resultaria, posteriormente, na forma\u00e7\u00e3o embrion\u00e1ria da religi\u00e3o. Os monumentos megal\u00edticos, os t\u00famulos monumentais e as cerim\u00f4nias f\u00fanebres complexas. Todos esses elementos apontam para uma tentativa de dialogar com o invis\u00edvel e de eternizar na mem\u00f3ria coletiva aqueles que vieram antes e cujas a\u00e7\u00f5es moldaram o presente de seus descendentes.<\/p>\n<p>O culto aos mortos, em seu sentido ontol\u00f3gico, permitiu \u00e0 humanidade estender para o pret\u00e9rito o significado de sua exist\u00eancia, ligando-a at\u00e9 o presente e, por consequ\u00eancia, expandindo o sentimento de continuidade para o futuro. Em outras palavras, a rever\u00eancia aos antepassados consolidou a no\u00e7\u00e3o de que o tempo n\u00e3o \u00e9 uma sucess\u00e3o de instantes isolados, mas uma corrente cont\u00ednua, em que o ontem toca no hoje e projeta-se no amanh\u00e3. As experi\u00eancias trazidas pelos entes do passado possibilitaram \u00e0 exist\u00eancia presente maior conforto, sabedoria e resili\u00eancia. Foram as cicatrizes dos que vieram antes que abriram os caminhos pelos quais hoje trilhamos.<\/p>\n<p>A percep\u00e7\u00e3o da finitude despertou a necessidade de perman\u00eancia simb\u00f3lica, fosse por meio da mem\u00f3ria, da heran\u00e7a ou da transcend\u00eancia espiritual. O humano, ao reconhecer sua imperman\u00eancia biol\u00f3gica, inventou a eternidade cultural.<\/p>\n<p>Muito mais do que simples rituais metaf\u00edsicos, a medita\u00e7\u00e3o sobre a personalidade e os acontecimentos passados desencadeou na esp\u00e9cie humana o desejo pelas possibilidades. Dessa forma, a constru\u00e7\u00e3o do futuro est\u00e1, indissociavelmente, ligada aos fatos passados, constituindo-se no alicerce do presente e na base do que ainda vir\u00e1.<\/p>\n<p>Esse elo com o tempo, no entanto, parece cada vez mais t\u00eanue na contemporaneidade. Deixados de lado este e outros aspectos pr\u00f3prios da antropologia cultural e dando um salto at\u00e9 os dias atuais \u2014 particularmente no contexto da sociedade brasileira \u2014, o que se percebe, \u00e0 primeira vista, \u00e9 que o encurtamento de nossa mem\u00f3ria, seja pela insufici\u00eancia de informa\u00e7\u00e3o, seja pelo excesso dela, o que tem transformado cada um de n\u00f3s em seres inertes, entorpecidos pela velocidade dos acontecimentos, pela espuma das narrativas ef\u00eameras e pela desinforma\u00e7\u00e3o cr\u00f4nica.<\/p>\n<p>Vivemos a era da amn\u00e9sia seletiva. O desprezo pelas experi\u00eancias do passado nos tornou ref\u00e9ns de n\u00f3s mesmos, entregues a um estado de letargia permanente. J\u00e1 n\u00e3o nos indignamos com o absurdo cotidiano, aceitando de bom grado o prato frio que nos servem \u2014 por vezes requentado com promessas quebradas e discursos desgastados. \u00c9 a anestesia das consci\u00eancias, o colapso da responsabilidade hist\u00f3rica.<\/p>\n<p>\u00c9 justamente essa sociedade, dita moderna, que encara a morte com assepsia total \u2014 limpa, distante, institucionalizada \u2014 a mesma que vai apodrecendo a c\u00e9u aberto, moralmente putrefata, condenada, como Prometeu, a ter o f\u00edgado (a \u00edndole) devorado, diariamente, pelos abutres do poder, do marketing ideol\u00f3gico, da manipula\u00e7\u00e3o sem\u00e2ntica.<\/p>\n<p>O afastamento simb\u00f3lico da morte, aliado ao desprezo pelas li\u00e7\u00f5es dos mortos, resultou numa gera\u00e7\u00e3o que n\u00e3o sabe de onde veio, nem para onde vai. Uma sociedade que ri de sua pr\u00f3pria decad\u00eancia, que chama de progresso aquilo que \u00e9 corros\u00e3o de seus pilares mais profundos, que celebra o presente como se o passado fosse lixo e o futuro, irrelevante. Assim, abandonamos nossos mortos e, com eles, enterramos nossa pr\u00f3pria consci\u00eancia.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>A frase que foi pronunciada:<\/strong><br \/>\n<em>\u201cN\u00e3o \u00e9 a consci\u00eancia do\u00a0<\/em><em>homem que lhe determina\u00a0<\/em><em>o ser, mas, ao contr\u00e1rio,\u00a0<\/em><em>o seu ser social que lhe\u00a0<\/em><em>determina a consci\u00eancia.\u201d<\/em><br \/>\nKarl Marx<\/p>\n<figure id=\"attachment_19192\" aria-describedby=\"caption-attachment-19192\" style=\"width: 350px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" wp-image-19192\" src=\"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2021\/05\/karl-marx.jpg\" alt=\"\" width=\"350\" height=\"466\" srcset=\"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2021\/05\/karl-marx.jpg 403w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2021\/05\/karl-marx-226x300.jpg 226w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2021\/05\/karl-marx-230x306.jpg 230w\" sizes=\"auto, (max-width: 350px) 100vw, 350px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-19192\" class=\"wp-caption-text\">Retrato de Karl Marx (1818\u20131883). Foto: John Jabez Edwin Mayall &#8211; Instituto Internacional de Hist\u00f3ria Social.<\/figcaption><\/figure>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Hist\u00f3ria de Bras\u00edlia<\/strong><br \/>\nIntransit\u00e1veis, os corredores dos blocos do IAPC. Sujeira excessiva e ningu\u00e9m tem mais esperan\u00e7a de limpeza. Agora, que uma firma estar\u00e1 encarregada do servi\u00e7o, pode ser que melhore. <strong>(Publicada em 5\/5\/1962)<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>VISTO, LIDO E OUVIDO, criada desde 1960 por Ari Cunha (In memoriam) Hoje, com Circe Cunha e Mamfil \u2013 Manoel de Andrade jornalistacircecunha@gmail.com facebook.com\/vistolidoeouvido instagram.com\/vistolidoeouvido &nbsp; &nbsp; Entre as v\u00e1rias facetas que possibilitaram a ascens\u00e3o do ser humano ao patamar civilizat\u00f3rio \u2014 juntamente com o dom\u00ednio da agricultura, do fogo, est\u00e1 o culto aos antepassados. 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