{"id":25967,"date":"2025-06-18T01:00:46","date_gmt":"2025-06-18T04:00:46","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/?p=25967"},"modified":"2025-06-18T09:12:23","modified_gmt":"2025-06-18T12:12:23","slug":"leviata-precisa-de-dieta","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/leviata-precisa-de-dieta\/","title":{"rendered":"Leviat\u00e3 precisa de dieta"},"content":{"rendered":"<p>VISTO, LIDO E OUVIDO, criada desde 1960 por Ari Cunha (In memoriam)<\/p>\n<p>Hoje, com Circe Cunha e Mamfil \u2013 Manoel de Andrade<\/p>\n<p><a href=\"mailto:jornalistacircecunha@gmail.com\">jornalistacircecunha@gmail.com<\/a><\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/vistolidoeouvido?mibextid=ZbWKwL\">facebook.com\/vistolidoeouvido<\/a><\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/instagram.com\/vistolidoeouvido?igshid=YTQwZjQ0NmI0OA==\">instagram.com\/vistolidoeouvido<\/a><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<figure id=\"attachment_25973\" aria-describedby=\"caption-attachment-25973\" style=\"width: 538px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" wp-image-25973\" src=\"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2025\/06\/gorrell.jpg\" alt=\"\" width=\"538\" height=\"360\" srcset=\"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2025\/06\/gorrell.jpg 984w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2025\/06\/gorrell-300x201.jpg 300w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2025\/06\/gorrell-768x514.jpg 768w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2025\/06\/gorrell-800x536.jpg 800w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2025\/06\/gorrell-550x368.jpg 550w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2025\/06\/gorrell-230x154.jpg 230w\" sizes=\"auto, (max-width: 538px) 100vw, 538px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-25973\" class=\"wp-caption-text\">Charge do Bob Gorrell<\/figcaption><\/figure>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Em tempos de desconfian\u00e7a nas institui\u00e7\u00f5es e de descren\u00e7a nos sistemas de representa\u00e7\u00e3o, volta \u00e0 tona uma velha e inc\u00f4moda pergunta: qual o tamanho ideal do Estado? A quest\u00e3o, embora repetida \u00e0 exaust\u00e3o em debates acad\u00eamicos e palanques eleitorais, permanece viva porque diz respeito ao cotidiano mais imediato do cidad\u00e3o \u2014 aquele que trabalha, paga impostos e assiste, impotente, ao incha\u00e7o de uma m\u00e1quina p\u00fablica que parece crescer \u00e0s suas custas.<\/p>\n<p>A F\u00edsica nos ensina que um objeto s\u00f3 pode ser compreendido em rela\u00e7\u00e3o a outros \u2014 sua massa, velocidade, for\u00e7a. O mesmo racioc\u00ednio pode ser aplicado \u00e0 rela\u00e7\u00e3o entre o indiv\u00edduo e o Estado. Quanto maior e mais intrusivo for o aparato estatal, menor, proporcionalmente, ser\u00e1 o espa\u00e7o reservado ao cidad\u00e3o comum. O crescimento desmedido do Estado tem o efeito colateral perverso de apequenar o indiv\u00edduo diante de uma engrenagem insaci\u00e1vel, que tudo absorve, consome e transforma em burocracia.<\/p>\n<p>Um Estado hipertrofiado tende a reduzir seus habitantes \u00e0 condi\u00e7\u00e3o de oper\u00e1rios invis\u00edveis \u2014 inicia-se a busca insana por tributos, exig\u00eancias e normas que n\u00e3o cessam de se multiplicar. Trabalhadores que alimentam, dia ap\u00f3s dia, um Leviat\u00e3 insaci\u00e1vel, que promete prote\u00e7\u00e3o, mas entrega vigil\u00e2ncia; que acena com igualdade, mas cultiva privil\u00e9gios; que proclama o bem comum, mas serve a interesses muito particulares.<\/p>\n<p>A promessa do Estado provedor, muitas vezes embalada em ret\u00f3rica paternalista, costuma ser o primeiro passo rumo \u00e0 servid\u00e3o moderna. O cidad\u00e3o \u00e9 transformado em s\u00fadito. Seu papel se restringe a sustentar uma elite pol\u00edtica que se arroga o direito de decidir o que \u00e9 melhor para todos, ainda que esse \u201cmelhor\u201d se revele, na pr\u00e1tica, um sistema excludente, ineficiente e autorreferente.<\/p>\n<p>N\u00e3o \u00e9 preciso buscar exemplos em livros de hist\u00f3ria. Basta olhar ao redor. Pa\u00edses como China, R\u00fassia e Coreia do Norte oferecem retratos contempor\u00e2neos de Estados colossais que mant\u00eam suas popula\u00e7\u00f5es sob controle rigoroso, enquanto investem somas bilion\u00e1rias em armamentos, propaganda e repress\u00e3o. Em tais regimes, faltam antibi\u00f3ticos, alimentos e saneamento b\u00e1sico. Mas sobram recursos para vigiar, punir e esmagar dissid\u00eancias. \u00c9 a l\u00f3gica da met\u00e1stase: quanto mais cresce o tumor, mais se alastra e consome os tecidos saud\u00e1veis em torno.<\/p>\n<p>No Brasil, embora a democracia formal esteja preservada, o peso do Estado tamb\u00e9m se faz sentir com for\u00e7a. A carga tribut\u00e1ria escorchante, os servi\u00e7os p\u00fablicos ineficientes, a burocracia kafkiana e a concentra\u00e7\u00e3o de poder nas m\u00e3os de castas tecnocr\u00e1ticas s\u00e3o sintomas de uma mesma doen\u00e7a: o culto ao gigantismo estatal. Um modelo que favorece os que est\u00e3o no topo da pir\u00e2mide, enquanto empurra a maioria para a base, onde resta apenas sustentar, com esfor\u00e7o e resigna\u00e7\u00e3o, os privil\u00e9gios dos poucos.<\/p>\n<p>A ilus\u00e3o de que mais Estado significa mais justi\u00e7a social j\u00e1 levou na\u00e7\u00f5es inteiras ao colapso. A concentra\u00e7\u00e3o de poder, por mais bem-intencionada que se apresente, inevitavelmente, degenera em abuso. E quando o formigueiro se torna inquieto, quando as vozes dissonantes amea\u00e7am romper o conformismo, n\u00e3o faltam defensores da ordem prontos a aplicar \u201cformicidas\u201d \u2014 seja na forma de repress\u00e3o direta, seja por meio da asfixia econ\u00f4mica e do silenciamento institucional.<\/p>\n<p>\u00c9 preciso, portanto, recolocar o indiv\u00edduo no centro da equa\u00e7\u00e3o pol\u00edtica. N\u00e3o se trata de demonizar o Estado ou propor sua extin\u00e7\u00e3o, mas de redimension\u00e1-lo. Um Estado necess\u00e1rio, mas n\u00e3o onipresente. Protetor, mas n\u00e3o carcereiro. Servidor, e n\u00e3o senhor. A liberdade, essa palavra t\u00e3o desgastada quanto vital, come\u00e7a por a\u00ed: no equil\u00edbrio entre o necess\u00e1rio amparo estatal e a imprescind\u00edvel autonomia do cidad\u00e3o.<\/p>\n<p>Toda vez que o Estado se agiganta al\u00e9m da medida, o cidad\u00e3o mingua. E quando j\u00e1 n\u00e3o h\u00e1 espa\u00e7o para a liberdade, as formigas assanhadas s\u00f3 t\u00eam dois caminhos: resignar-se \u00e0 caverna&#8230; ou come\u00e7ar a cavar sua sa\u00edda.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>A frase que foi pronunciada:<\/strong><\/p>\n<p><em>&#8220;O indiv\u00edduo \u00e9 apenas receptor de regras e modo de viver da sociedade da qual faz parte&#8221; e &#8220;Nosso ego\u00edsmo \u00e9, em grande parte, produto da sociedade&#8221;.<\/em><\/p>\n<p>Emile Durkheim<\/p>\n<figure id=\"attachment_25970\" aria-describedby=\"caption-attachment-25970\" style=\"width: 327px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" wp-image-25970\" src=\"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2025\/06\/ED.jpg\" alt=\"\" width=\"327\" height=\"448\" srcset=\"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2025\/06\/ED.jpg 464w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2025\/06\/ED-219x300.jpg 219w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2025\/06\/ED-230x315.jpg 230w\" sizes=\"auto, (max-width: 327px) 100vw, 327px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-25970\" class=\"wp-caption-text\">\u00c9mile Durkheim. Foto: wikipedia.org<\/figcaption><\/figure>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Desperd\u00edcio<\/strong><\/p>\n<p>Quem passa perto da UnB pelo pr\u00e9dio da antiga Telebras n\u00e3o compreende o desperd\u00edcio. Um pr\u00e9dio inteiro abandonado com capacidade latente para v\u00e1rias op\u00e7\u00f5es. Centro de estudos, biblioteca p\u00fablica ou mesmo abrigar outro \u00f3rg\u00e3o que esteja pagando aluguel.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Hist\u00f3ria de Bras\u00edlia<\/strong><\/p>\n<p>Trinta e quatro funcion\u00e1rios da Novacap estavam \u00e0 disposi\u00e7\u00e3o do Hospital Distrital. Pediram retorno, e est\u00e3o \u00e0 disposi\u00e7\u00e3o da Novacap, que n\u00e3o os recebe mais. H\u00e1 entretanto, a informa\u00e7\u00e3o de que cinco j\u00e1 foram aceitos de volta. <strong>(Publicada em 05.05.1962)<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>VISTO, LIDO E OUVIDO, criada desde 1960 por Ari Cunha (In memoriam) Hoje, com Circe Cunha e Mamfil \u2013 Manoel de Andrade jornalistacircecunha@gmail.com facebook.com\/vistolidoeouvido instagram.com\/vistolidoeouvido &nbsp; &nbsp; Em tempos de desconfian\u00e7a nas institui\u00e7\u00f5es e de descren\u00e7a nos sistemas de representa\u00e7\u00e3o, volta \u00e0 tona uma velha e inc\u00f4moda pergunta: qual o tamanho ideal do Estado? 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